Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!
No universo dos animes e mangás clássicos, poucas figuras carregam tanto peso e sensibilidade quanto a mestra Riyoko Ikeda. Explorando registros e entrevistas da autora para o blog, me deparei com uma participação especial dela na RadioAnimati gravada durante o Etna Comics (em 2015). Como estou reunindo esse material por aqui, decidi destacar os pontos principais dessa conversa antes de entrar na minha análise completa.
Afinal, o que a criadora de A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら). tem a dizer sobre o próprio processo criativo, os rumos do mercado e a realização de sonhos?
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| Créditos Canal RadioAnimati |
Confira os principais trechos da entrevista:
O segredo da imortalidade de Lady Oscar: Questionada sobre o carinho intergeracional pela obra, Ikeda explica que colocou todo o seu "coração e alma" na criação. Aliada à sua paixão por fatos históricos, essa entrega total fez com que a história se tornasse atemporal.
A realização de sonhos pessoais: A autora relembra que se tornar cantora era um sonho que cultivava desde a infância, lado a lado com o desejo de ser mangaká, reforçando que devemos sempre perseguir nossos objetivos enquanto há tempo.
Mudanças na indústria e tecnologia: Ao falar sobre a expansão da cultura pop japonesa, Ikeda contrasta o trabalho totalmente manual do passado com a facilidade trazida pelos computadores hoje. Ainda assim, ela ressalta que o "denominador comum" — a busca por um tema forte — continua sendo essencial.
A profundidade temática nas obras atuais: Em uma crítica pertinente, a autora observa que, enquanto no passado os mangás se baseavam em literatura e história profunda, hoje é comum nascerem de videogames, o que a faz temer uma perda gradual na densidade das narrativas.
Entre a Paixão e a Nostalgia: Uma Análise Crítica da Entrevista de Riyoko Ikeda.
A entrevista de Riyoko Ikeda à RadioAnimati no Etna Comics de 2015 é um documento fascinante. Mais do que uma simples sessão de perguntas e respostas com uma lenda viva dos mangás, ela funciona como um retrato das tensões entre a velha guarda da indústria de entretenimento japonesa e o panorama contemporáneo. No entanto, quando olhamos para as declarações da mestra sob uma lente estritamente crítica — e contextualizada no mercado de mangás e animes —, percebemos que suas falas transitam entre uma sabedoria artística inegável e um saudosismo geracional bastante comum.
Abaixo, divido a análise em três eixos críticos: a força da autoria, a transição tecnológica e a dicotomia discutível entre "literatura vs. videogame".
1. O Segredo de Lady Oscar: O Peso da "Alma" em Oposição ao Sistema de Produção Atual.
O argumento de Ikeda: Para ela, a perenidade de Lady Oscar reside em ter colocado "todo o coração e alma", impulsionada por uma pesquisa histórica rigorosa.
A visão crítica: Embora a paixão de Ikeda seja inegável e transpareça em cada página de sua obra-prima, atribuir o sucesso de um mangá clássico unicamente ao "esforço emocional" é uma visão um tanto romântica que ignora o contexto industrial da época. Nos anos 1970, o mercado de mangás shoujo estava passando por uma revolução temática profunda (impulsionada pelo Grupo de 24, do qual Ikeda faz parte de forma indireta ou paralela). O mérito de Lady Oscar não foi apenas a dedicação pessoal da autora, mas a ruptura estrutural: introduzir protagonistas femininas fortes, complexidade geopolítica e tragédia histórica em um espaço editorial que antes subestimava a inteligência das leitoras jovens. O "segredo" foi político e cultural tanto quanto emocional.
2. Tecnologia e Praticidade: A Democratização versus a Perda do Artesanal
O argumento de Ikeda: O reconhecimento de que o computador facilitou o trabalho, contrastando com o rigor do desenho puramente manual de antigamente.
A visão crítica: É natural que artistas de sua geração vejam a digitalização com certa reserva, mas essa leitura frequentemente peca ao ignorar os custos físicos e mentais do método tradicional. O modelo industrial dos anos 70 e 80 cobrava um preço altíssimo de mangakás em termos de saúde física devido a prazos desumanos e processos manuais exaustivos. A transição para o digital e ferramentas de assistência vetorial não empobreceu necessariamente a arte; pelo contrário, democratizou o acesso à produção e permitiu que novos autores gerenciassem melhor suas cargas de trabalho. A qualidade de um mangá nunca esteve atrelada ao suor do papel físico, mas sim à direção de arte e à clareza narrativa — elementos que ferramentas digitais apenas agilizam.
3. Literatura vs. Videogames: O Preconceito Geracional com a Mídia Moderna
O argumento de Ikeda: A crítica de que, no passado, as obras se baseavam na literatura e na história, enquanto hoje se inspiram em videogames, gerando uma suposta perda de profundidade temática.
A visão crítica: Este é o ponto mais vulnerável e criticável da entrevista de Ikeda, revelando o tradicionalismo geracional típico de criadores veteranos ao avaliarem a cultura pop jovem. Reduzir a influência dos videogames a uma "perda de profundidade" ignora completamente a evolução do storytelling interativo. Jogos modernos (e mídias derivadas deles, como light novels e mangás contemporâneos) carregam narrativas complexas, abordagens filosóficas, existenciais e políticas densas que rivalizam facilmente com clássicos da literatura tradicional.
O erro está em confundir o suporte com a substância. Houve obras superficiais baseadas em literatura no século XX assim como há obras primorosas inspiradas em universos digitais no século XXI. A profundidade de uma história depende exclusivamente do talento do autor, e não de sua matéria-prima (seja um livro de história francesa ou um RPG eletrônico).
Conclusão Crítica
O depoimento de Riyoko Ikeda é precioso porque nos mostra exatamente como pensa uma autora clássica que moldou a base do que consumimos hoje. Contudo, suas críticas ao mercado moderno revelam aquele velho fosso geracional: a tendência de glorificar o passado e olhar com desconfiança para as inovações das novas gerações.
Lady Oscar continuará sendo uma obra monumental, mas a cultura pop sobrevive justamente porque o meio se reinventa, encontrando na interatividade, na tecnologia e nas novas mídias outras formas — tão legítimas quanto a literatura — de emocionar o público.
Espero que tenham gostado! Uma ótima semana amigos da Lady Oscar.









Olá, tudo bem? Meu nome é Mariana, e sou nova fã de Rosa De Versalhes. Procurando conteúdos da franquia (ainda tô conhecendo mas já estou apaixonada kkkk) descobri que há um anime antigo, e a partir dele há um filme feito com cenas e cortes do anime, que foi sim dublado em português brasil (apenas esse filme, a série não foi dublada). Você sendo grande fã, imagino que deve conhecer. Não é a adaptação Netflix nem a versão live action, é literalmente feito com cenas do anime de 79. Mas enfim, eu encontrei um corte dele no tiktok e fui rapidamente procurar sobre a dublagem e fiz essa descoberta. O que me preocupou MUITO é que o único lugar que esse filme está disponível para assistir é num aplicativo chamado Play Animes TV, e o filme tem o título "Versailles No Bara: Seimei Aru Kagiri Aishite", dublado. Apesar de ficar muito feliz por ter achado para assistir, me preocupei muito porque o filme é quase lost media. O difícil acesso é preocupante, imagine se esse aplicativo for apagado? O filme vai desaparecer. Procuro uma comunidade de fãs da Lady Oscar que possa postar esse filme e preservar parte da história da dublagem, pois me preocupo muito com preservação de mídia no geral. Pelo que conheço, as melhores formas de preservação são pela postagem no youtube ou no google drive, compartilhando o link em um lugar de fácil acesso. Eu tenho um canal do youtube (@sweetmariihs2 - canal de desenho) e não tenho uma segunda conta então não posso fazer isso. Meu google drive está lotado e também não consigo mais fazer upload de nada nele. Então resolvi compartilhar essa preocupação com algum grupo brasileiro de fãs que possa fazer algo a respeito e achei esse blog (nenhum fã clube online, ou conta no insta, nada). Eu também não sou boa em lidar com arquivos ou downloads, então acho que não seria a melhor pessoa para fazer isso. Minha ideia seria de alguma forma baixar o filme dublado por meio do aplicativo (unico lugar disponível) de alguma maneira e tentar preservar em outros lugares. Minhas redes de contato @marii_mooni Instagram e tiktok, e @sweetmariihs2 no tumblr caso queira falar comigo — por favor fale! Ou até mesmo pelo e-mail.
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ExcluirOlá, Mariana! Seja muito bem-vinda ao Blog Lady Oscar - A Rosa de Versalhes.
Sim, eu sei bem ao que você está se referindo. O filme resume os 40 episódios do anime de 1979. Aqui no Brasil, ele foi lançado em VHS com o título "Lady Oscar: Uma Aventura Maravilhosa" (originalmente "Versailles no Bara: Seimei Aru Kagiri Aishite"), um especial em formato de longa-metragem lançado entre 1993 e 1995.
A fita foi distribuída pela Cannes Home Video / Europa Filmes e trazia um resumo com os principais momentos da série clássica baseada no mangá de Riyoko Ikeda. Infelizmente, é muito difícil de encontrar o VHS hoje em dia; eu consegui o meu em um sebo. Recomendo fazer uma busca no Mercado Livre e em sebos virtuais ou físicos, e depois convertê-lo para DVD ou pen drive, pois realmente é complicado de achar. O VHS é raro e, se encontrar, não será barato. Obrigado por comentar! ^^
Infelizmente, este é o único espaço de fã-club brasileiro dedicado a A Rosa de Versalhes. O anime nunca foi exibido na televisão brasileira, contando apenas com poucos episódios lançados em VHS no passado. Além disso, o mangá chegou tarde por aqui, apenas em 2019, o que faz com que a obra ainda seja pouco conhecida em nosso país.