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sexta-feira, 29 de maio de 2026

O porquê de ainda amarmos Lady Oscar: Uma conversa com Roberto Rosa Ilustrador Italiano e autor dos desenhos da série Na Ponta do Lápis.

Olá, amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!

 

O site de Elena Romanello, o Lady Oscar 40 anni, trouxe uma deliciosa conversa com Roberto Rosa, ilustrador e autor dos desenhos da série Na Ponta do Lápis. Também é coautor da coluna O que disse Eurídice, no site História da Ditadura, ao lado de Natália Guerellus e Simeia dos Santos, sobre A Rosa de Versalhes — ou melhor, Lady Oscar, nome que a série de Ikeda ganhou na Europa para sua divulgação.

Nessa entrevista, Roberto fala por que amamos Lady Oscar. É longa, porém interessante, então decidi traduzir e trazer para cá, com os devidos créditos e agradecimentos a Elena Romanello, que disponibilizou essa preciosa conversa em seu site. Bem, segue a tradução na íntegra; o texto original está no site de Elena, o link está logo acima.

As entrevistas de Roberto Rosa com vários personagens ligados ao mundo de Oscar são ora tocantes, ora de rolar no chão de tanto rir, e todas muito bonitas. Mas, desta vez, Roberto lançou uma flecha direto ao nosso coração, partindo de um princípio: Por que não conseguimos deixar A Rosa de Versalhes?


“Por que não conseguimos deixar A Rosa de Versalhes?” (Artigo Traduzido).

Entrevistei a todos. Um rifle que não queria matar. Uma espada que sentia a raiva de sua dona. Um rei jovem demais para ser rei. Uma mulher criada como homem. Um homem que amou por toda a vida sem ser visto. Até o Ódio. Até a Morte. Até o Destino.

E, a cada vez, pensava ter compreendido algo. Depois, uma noite, voltando de Versalhes, parei diante da tela desligada do computador. Silêncio. Nenhuma voz. Nenhum fantasma. Nenhuma entrevista. E ali compreendi uma coisa terrível. Talvez o personagem mais difícil de entrevistar... sejam vocês.

Vocês que, depois de quarenta anos, ainda estão aqui.

Vocês que riem de Girodelle. Que sofrem por André. Que se zangam com Oscar. Que odeiam Fersen... ou que o compreendem. Vocês que conhecem certas cenas de cor. Vocês que dizem “Lady Oscar” e não “Versailles no Bara”, porque para nós sempre será assim. Lady Oscar.

Então, hoje não entrevistarei a eles. Hoje entrevistarei vocês.

Sabe, quando comecei estas entrevistas impossíveis, pensava que fosse apenas um jogo. Um modo elegante, nostálgico, talvez até um pouco louco, de voltar a falar de personagens que nos acompanharam na infância. Pensava em escrever alguns diálogos divertidos, alguma reflexão melancólica, algumas piadas irônicas sobre Versalhes, sobre as perucas, sobre os dramas sentimentais e sobre os olhares eternamente trágicos de André Grandier.

E, no entanto, não. Quanto mais eu avançava... mais me dava conta de que aquelas entrevistas estavam se tornando outra coisa. Porque, a certa altura, os personagens deixaram de ser personagens. Tornaram-se espelhos. E foi uma descoberta inquietante. Porque, quando você olha de verdade para dentro de Lady Oscar... mais cedo ou mais tarde, acaba olhando para dentro de si mesmo.

E então comecei a me fazer perguntas. Por que continuamos a voltar lá? Por que, após décadas, basta uma trilha sonora, uma cena, uma frase, e de repente nos sentimos crianças novamente? Por que certas imagens ainda nos machucam? Por que certos diálogos parecem falar mais aos adultos de hoje do que aos jovens de outrora?

Talvez porque Lady Oscar nunca tenha sido apenas um anime. Não.

Lady Oscar foi uma ferida emocional elegantemente vestida. Com as rosas ao redor. Com a música pungente. Com os olhos brilhantes escondidos atrás de um uniforme militar. E todos nós caímos nessa.

Pensávamos que estávamos assistindo a uma história sobre a Revolução Francesa... e, no entanto, estávamos assistindo a nós mesmos crescendo.

Oscar não é apenas Oscar. Oscar é o sentir-se inadequado. É o não saber onde se colocar no mundo. É sentir-se duro demais para ser frágil... e frágil demais para continuar a ser duro. É o medo de decepcionar quem nos criou. É o peso das expectativas. É o dever que esmaga o desejo. É a sensação de não pertencer completamente a lugar nenhum.

E digam-me uma coisa... quem de nós nunca se sentiu assim pelo menos uma vez? Quem nunca teve a sensação de estar interpretando um papel? Quem nunca se olhou no espelho pensando: "Mas quem sou eu de verdade?"

Oscar lutava com a espada. Nós lutamos com a vida cotidiana. Mas o sentido, talvez, seja o mesmo.

E então temos o André. André Grandier... Vocês sabem qual é a coisa mais extraordinária sobre o André? É que por anos, quando éramos jovens, quase não nos dávamos conta dele. Porque todos olhavam para a Oscar. E ele estava lá. Sempre. Silencioso. Presente. Leal. Como aquelas pessoas que na vida nos amam de verdade... mas que compreendemos tarde demais.

André é o amor que espera. É o amor que não exige. É o amor que sofre em silêncio. É aquela pessoa que fica mesmo quando teria mil motivos para ir embora. E talvez o motivo pelo qual o André doa tanto quando somos adultos... é que, ao crescer, percebemos o quão raro é encontrar alguém assim.

Quando jovens, queríamos ser amados como a Oscar. Como adultos, compreendemos a dor de ser o André.


E então digam-me... quantos Andrés vocês perderam em suas vidas sem perceber? Quantas pessoas amaram vocês em silêncio enquanto vocês olhavam para outro lado? Quantas vezes os Andrés foram vocês?

Porque Lady Oscar teve a coragem de contar uma coisa terrível: às vezes só compreendemos o amor quando estamos prestes a perdê-lo. E isso, meus senhores... não é fantasia. É a vida.

E então chega o Fersen. O Conde de Fersen... o homem que fez gerações inteiras de fãs discutirem. Para alguns, ele é romântico. Para outros, é um "bacalhau seco" de cabelos loiros. Para alguns, é o grande amor impossível. Para outros, é o símbolo da ilusão.

Mas sabem o que eu penso? Penso que Fersen representa algo que todos nós já vivemos: o amor inalcançável. Aquela pessoa que idealizamos. Aquela que não vemos de verdade. Aquela sobre quem projetamos os nossos sonhos. Aquela que perseguimos mesmo sabendo que provavelmente não nos fará felizes.

Fersen é o "se ao menos..." E os "se ao menos" são perigosos. "Se ao menos ela tivesse me amado." "Se ao menos eu tivesse compreendido antes." "Se ao menos tivesse sido diferente."

Mas a vida não vive nos "se ao menos". A vida vive nos "tarde demais". E é aí que Lady Oscar golpeia sem piedade. Porque quase todos os seus personagens chegam tarde. E é isso que torna a sua história tão pungente...

É isso que nos leva a enxugar as lágrimas, mesmo já tendo passado dos cinquenta anos, enquanto revemos pela enésima vez a Oscar vagando desesperada na noite terrível entre 13 e 14 de julho...

Tarde demais para compreender. Tarde demais para falar. Tarde demais para amar. Tarde demais para se salvar.

E, no entanto, eles continuam a seguir em frente. E talvez seja exatamente isso que nos comove: a humanidade deles. Até mesmo Maria Antonieta. Sim, até ela. Porque, ao crescer, você entende que ela não era apenas "a rainha frívola". Era uma garota enviada a um país estrangeiro aos quinze anos. Uma mulher forçada a ser um símbolo antes mesmo de se tornar uma pessoa. Uma mãe. Uma esposa. Uma mulher solitária em meio a uma corte cheia de máscaras.

E então, de repente, você deixa de ver os personagens como heróis ou vilões. Você os vê como humanos. Jeanne não é apenas maldade. Robespierre não é apenas loucura. Luís XVI não é apenas fraqueza. Girodelle não é apenas vaidade. São seres humanos cheios de contradições. Como nós.

E talvez a verdadeira obra-prima de Lady Oscar tenha sido justamente esta: ter nos ensinado que ninguém é apenas uma coisa. Oscar é forte... mas frágil. André é doce... mas cheio de uma raiva contida. Maria Antonieta é superficial... mas também desesperadamente humana. Alain é brutal... mas capaz de amar. Rosalie é gentil... mas capaz de odiar. Jeanne é cruel... mas nasce da dor.

E nós? Quantas máscaras nós temos?

Porque vejam... ao crescer, descobre-se uma coisa terrível: os adultos não entenderam nada. Quando crianças, pensávamos que os adultos sabiam quem eram. Depois você cresce. E descobre que todo mundo improvisa. Que todo mundo tem medo. Que todo mundo busca desesperadamente alguém que diga: "Está tudo bem. Você não está errado."

Oh, sim... E então talvez eu compreenda por que Lady Oscar ainda nos acompanha. Porque ela não nos tratava como tolos. Falava-nos de morte. De política. De desejo. De injustiça. De classes sociais. De sacrifício. De identidade. De solidão. E fazia isso quando éramos pequenos demais para nos darmos conta. Mas aquelas coisas ficavam ali. Dentro de nós. Como sementes. E um dia germinavam. Talvez aos quarenta anos. Talvez diante de uma cena revista por acaso na internet. Talvez ouvindo "Ai shite mo..." ao fundo enquanto se lava a louça.

E de repente você se pega estático. Com os olhos marejados. Perguntando-se o porquê. Por que ainda dói tanto?

Eu creio ter compreendido. Porque Lady Oscar fala sobre o fim da inocência. Todos, naquela história, perdem alguma coisa. Oscar perde a possibilidade de viver uma vida simples. André perde o tempo. Maria Antonieta perde o trono. Fersen perde o amor. A França perde a si mesma. E nós... perdemos a ilusão de que crescer significa ser feliz.



E no entanto, paradoxalmente, essa história nos consola. Porque nos diz: "Você não está sozinho." Oscar também tinha medo. André também sofria. Alain também se sentia inútil. Rosalie também se sentia perdida. E então nos sentimos compreendidos. Mesmo hoje. Mesmo agora.

E é incrível, sabem? Porque estamos falando de personagens desenhados. Desenhos. Celuloide. Cores. E, no entanto, certas pessoas reais nunca nos compreenderam tanto quanto eles. Talvez porque a ficção, às vezes, seja mais sincera que a realidade.

Eu me dei conta disso enquanto escrevia as entrevistas impossíveis. No início, queria fazer sorrir. Depois, comecei a escavar. E, escavando, percebi que dentro daqueles personagens havia temas imensos. O medo de ser esquecido. O medo de não ser amado. O medo da mudança. O medo do tempo.

Ah... o tempo. Vocês sabem qual é o personagem mais cruel de Lady Oscar? Não é a morte. É o tempo. Porque o tempo sempre chega. Chega para Oscar, que finalmente compreende André quando a revolução já os está devorando. Chega para Maria Antonieta, que compreende o povo tarde demais. Chega para Fersen, que perde tudo.

Chega para nós. Porque um dia você se olha no espelho... e se dá conta de que não é mais o menino ou a menina que assistia a Lady Oscar na televisão. E então uma melancolia estranha te abraça. Porque você entende que está se tornando a geração que conta a história. Aquela que diz: "Quando eu era pequeno, assistia a Lady Oscar."

E ali acontece algo incrível. Porque Lady Oscar deixa de ser um desenho animado. Torna-se memória. Torna-se identidade. Torna-se parte da sua vida. E talvez seja por isso que nós, fãs, somos tão envolvidos emocionalmente. Porque não defendemos apenas uma obra. Defendemos uma parte de nós mesmos.

Defendemos as emoções que sentimos. As noites passadas imaginando finais diferentes. As discussões infinitas sobre Oscar e André. As lágrimas escondidas durante o último episódio. As paixões da adolescência. As identificações. Defendemos o fato de que aquela história nos mudou.


E sabem de uma coisa? Não há nada de ridículo nisso. O mundo moderno nos convenceu de que se emocionar é infantil. Que ser apaixonado é tolice. Que chorar por personagens é excessivo. Eu não acredito nisso. Nem um pouco. Porque as histórias servem exatamente para isto: para nos salvar. Para nos dizer quem somos. Para nos fazer sentir menos sós.

E Lady Oscar fez isso. Para milhões de pessoas. Em silêncio. Por décadas. E é incrível pensar que uma mulher japonesa tenha pegado a Revolução Francesa... e criado algo que ainda hoje fala ao coração de pessoas nascidas do outro lado do mundo. Isso significa que os sentimentos humanos não têm época. Não têm nacionalidade. Não têm tempo.

Amar é amar. Perder é perder. Sofrer é sofrer. E buscar a si mesmo... é uma batalha eterna.

Talvez seja por isso que Oscar continue a viver. Porque Oscar não é perfeita. É cheia de erros. É confusa. Teimosa. Emocionalmente lenta. Às vezes, até egoísta. E, no entanto, verdadeira. Terrivelmente verdadeira. E nós a amamos justamente por isso. Porque ver alguém forte desabar... nos dá a permissão de desabar também.

E o André? André nos ensina algo que o mundo de hoje esqueceu: que a doçura não é fraqueza. Que ser gentil exige coragem. Que ficar ao lado de alguém nos piores momentos é um ato heróico. Hoje, todos querem vencer. André, não. André queria amar. E talvez seja por isso que ele continua a partir os nossos corações.

Porque o mundo moderno produz muitos Fersens... mas pouquíssimos Andrés.

E depois há eles: os personagens secundários. Aqueles que aparentemente ficam em segundo plano. Alain, Rosalie, Bernard, Girodelle, a Vovó Grandier. Sabem por que funcionam tão bem? Porque parecem reais. A Vovó Grandier, com as suas paneladas e a sua sabedoria popular, parece ter saído de uma família de verdade. Alain parece um daqueles homens zangados que, no fundo, têm um coração enorme.

E Girodelle... ah, Girodelle. Rimos dele. Mas digam-me a verdade: quantos Girodelles existem hoje? Pessoas que transformam a aparência em armadura. Pessoas que sorriem sempre... porque não querem mostrar as suas próprias fragilidades. E então, de repente, até o personagem mais vaidoso se torna humano.

E é aí que você compreende a grandeza desta obra. Ninguém é realmente esquecido. Nem mesmo os coadjuvantes. Todos deixam algo. Até uma camisa branca. Até uma espada. Até um par de botas. E é absurdo, maravilhosamente absurdo. Porque apenas quem ama de verdade uma história chega a dar alma até mesmo aos objetos. Mas talvez o amor seja justamente isto: dar vida às coisas que fizeram o nosso coração bater mais forte.



E então chego à pergunta mais difícil. Por que nós, depois de tanto tempo... ainda não conseguimos deixar Versalhes? Vocês já pensaram nisso de verdade? Por que sempre voltamos lá? Por que relembremos, revemos, reescrevemos, comentamos, discutimos? Por que ainda criamos teorias? Por que defendemos os personagens como se fossem amigos reais? Por que nos emocionamos diante de cenas que conhecemos de cor?

Por quê?

Eu creio que Versalhes, na realidade, não seja um lugar. É um estado emocional. Versalhes é o lugar onde deixamos uma parte de nós. A parte que sonhava com grandes amores. A parte que acreditava na intensidade absoluta. A parte que tinha medo de crescer. A parte que queria ser compreendida.

E então continuamos a voltar lá. Não por nostalgia do passado, mas por nostalgia daquilo que éramos. E talvez não haja nada de errado nisso. Talvez certas histórias não sirvam para ser superadas. Servem para nos acompanhar. Como velhos amigos. Como belas cicatrizes. Como cartas que nunca foram enviadas.

E então hoje, pela primeira vez, depois de todas estas entrevistas impossíveis... quero fazer algo diferente. Não quero encerrar o assunto. Porque agora é a vez de vocês. Sim, exatamente vocês. Vocês que estão lendo. Vocês que amaram esta história. Vocês que, quem sabe, sofreram por ela. Vocês que ainda hoje sentem um nó na garganta quando veem Oscar e André sob o céu da Bastilha.

Agora quero ouvir vocês. Então, digam-me... Quem são vocês de verdade dentro de Lady Oscar?

  • Vocês são a Oscar? Sempre fortes por fora... e cheios de dúvidas por dentro?

  • Vocês são o André? Capazes de amar em silêncio até se consumirem?

  • Vocês são o Alain? Zangados com o mundo, mas desesperadamente humanos?

  • Vocês são a Rosalie? Em busca de um lugar no mundo?

  • Vocês são o Fersen? Aprisionados em um amor impossível?

  • Vocês são a Maria Antonieta? Pessoas que buscam a felicidade enquanto tudo ao redor desaba?

  • Ou vocês são o Girodelle... e escondem as suas fragilidades atrás de um sorriso elegante?

Quem machucou mais vocês? Quem vocês amaram mais? Quem vocês odiaram... mas passaram a compreender ao crescer? Qual cena vocês ainda não conseguem assistir sem se emocionar? Existe um personagem que hoje vocês veem de forma diferente de quando eram jovens? E, acima de tudo... qual é a frase, o momento, o gesto que fez vocês perceberem que Lady Oscar não era apenas um anime?

Eu deixo estas perguntas para vocês. Porque, depois de ter ouvido a todos eles... talvez a resposta mais importante ainda esteja faltando. A de vocês.

(Monsieur Roberto fecha lentamente o caderno.)

Pela primeira vez... nenhum fantasma fala. Nenhuma porta se abre. Nenhuma voz emerge das sombras. Apenas o silêncio. Porque agora... é a vez de vocês falarem.

Nota final do blog: O que dizer? Eu talvez seja um pouco Rosalie, uma personagem que reavaliei muito com o tempo, porque ela permanece para lembrar e porque amará a Oscar por toda a sua vida. Entendi imediatamente que Lady Oscar era algo completamente diferente em comparação a outros animes, e continua sendo. E não me canso de revê-la, relê-la e escrever sobre ela. Entre mil emoções e lembranças, mas também uma vida para continuar a viver juntos...

Fim.



Enfim, vamos ao comentários:


 Aqui está uma proposta de comentário profundamente analítico, inteligente e com um toque pessoal e apaixonado para você publicar no seu blog. Ele foi estruturado de forma a dissecar a sensibilidade do texto do Roberto Rosa, intercalando com as suas visões e culminando na sua identificação definitiva com a Oscar.

O texto de Roberto Rosa não é apenas uma homenagem nostálgica; é uma autópsia psicológica e filosófica do motivo pelo qual A Rosa de Versalhes permanece viva e dolorosamente atual em nós. Abaixo, analiso os pontos mais brilhantes desse texto, trazendo minhas próprias percepções sobre essa obra que transcende o tempo.

Quando Roberto diz que entrevistou desde um "rifle que não queria matar" até "o Destino", ele toca no realismo mágico da obra de Riyoko Ikeda. Em Lady Oscar, os objetos têm peso dramático. A espada de Oscar não é apenas metal; é o prolongamento de sua angústia e de sua submissão ao dever. O rifle não é só uma arma; é o estopim da quebra de paradigmas quando o exército se recusa a atirar no povo. Entrevistar o Ódio, a Morte e o Destino é reconhecer que os verdadeiros antagonistas da série não são pessoas (nem mesmo Jeanne ou a Condessa du Barry), mas sim forças invisíveis e implacáveis da história e da própria vida.


O "Tarde Demais" e a Ferida Emocional

"A vida não vive nos 'se ao menos'. A vida vive nos 'tarde demais'."

Essa frase do Roberto é devastadora e cirúrgica. Lady Oscar nos ensina, de forma brutal, o preço da lentidão emocional. Quase todos os personagens centrais sofrem da tragédia do tempo:

  • Oscar descobre e aceita o amor de André quando a saúde já lhe escapa e a revolução bate à porta.

  • Maria Antonieta descobre a realidade de seu povo quando o trono já está desmoronando.

  • Fersen entende a profundidade do que perdeu quando a rainha já está trancafiada.

O autor define a série como uma "ferida emotiva elegantemente vestida". É exatamente isso. Nós fomos atraídos pela beleza dos bailes, pela imponência das fardas brancas, pelos traços impecáveis e pela trilha sonora majestosa, apenas para sermos atingidos por um drama humano cru sobre perda, solidão e sacrifício. É por isso que não é um anime comum: ele não nos subestima.

A Redenção dos Coadjuvantes: O Caso Girodelle

Achei fantástica a menção ao Girodelle. Na juventude, muitos fãs o viam apenas como um rival arrogante ou um obstáculo entre Oscar e André. Mas, ao crescer, a perspectiva muda. Girodelle usa a etiqueta, a vaidade e o sorriso aristocrático como uma armadura para esconder suas próprias fragilidades. Quando ele desiste de desposar Oscar por respeito à dignidade e aos sentimentos dela, ele demonstra uma nobreza que poucos têm. Como bem disse Roberto, todos nós já fomos Girodelle alguma vez: vestindo uma máscara de orgulho para esconder o gosto amargo de um amor não correspondido.

Roberto pontua que o mundo moderno produz muitos Fersens (pessoas focadas em amores idealizados, inalcançáveis e egoístas) e pouquíssimos Andrés. André Grandier representa o oposto do cinismo materialista de hoje. Ele é o amor que não exige posse, que apoia em silêncio, que caminha um passo atrás não por submissão, mas por pura lealdade protetora. É por isso que o sofrimento dele nos corta o coração na idade adulta: passamos a entender o quão raro e precioso é encontrar um afeto tão puro e incondicional em um mundo tão efêmero.

A Resposta à Pergunta de Roberto: A Oscar que Vive em Mim



Ao final, Roberto Rosa fecha seu caderno e faz a pergunta de um milhão de dólares: "Quem são vocês de verdade dentro de Lady Oscar?"

Se no encerramento do post original eu me inclinei em direção à Rosalie pela sua capacidade de lembrar e guardar a memória, ao analisar profundamente a essência da alma, eu preciso ser honesta comigo mesma e com o meu espelho: a personagem que vive em mim é a Oscar.

Não digo isso por vaidade ou pela imponência do uniforme, mas pelas suas contradições mais íntimas. Viver como Oscar é carregar o fardo de ser eternamente forte por fora enquanto se está cheia de dúvidas, tempestades e fragilidades por dentro. É sentir o peso esmagador das expectativas dos outros sobre os nossos ombros, o medo constante de decepcionar quem nos criou ou quem confia em nós, e aquela sensação incômoda de, às vezes, não se encaixar perfeitamente em lugar nenhum.

Oscar é o equilíbrio tenso entre a rigidez do dever e a urgência do desejo. Ela é o escudo contra o cinismo do mundo. Identificar-se com ela significa entender que podemos desabar, chorar na escuridão da noite, nos sentirmos perdidos... e, ainda assim, levantar no dia seguinte, empunhar a espada e lutar as batalhas cotidianas da vida com dignidade e paixão.

E vocês, meus queridos leitores? Diante de tudo o que foi dito... quem habita o coração de vocês em Rosa de Versalhes?


Espero que tenham gostado! 
 



lady oscar identitàady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser!


 


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