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terça-feira, 14 de julho de 2026

Entre o Pólvora e a Espada: O 14 de Julho em A Rosa de Versalhes.

Olá,queridos, amigos da Lady Oscar, sejam Bem vindos!



Hoje é 14 de julho, data da Queda da Bastilha, um feriado nacional na França e também o dia em que lembramos da morte de Lady Oscar.

Para o mundo, esta data marca a derrocada do absolutismo francês e o início de uma nova ordem social. Para nós, fãs de A Rosa de Versalhes (Berubara), é o dia em que o destino de nossa heroína se entrelaça com o destino de uma nação. É o momento em que a ficção e a realidade se fundem no palco da História.
 



O 14 de Julho: A História Real e o Fim da Monarquia

Historicamente, o 14 de julho de 1789 não foi uma batalha épica de resgate, mas um movimento pragmático de sobrevivência. A Bastilha, uma fortaleza medieval que já não exercia papel estratégico, abrigava apenas sete prisioneiros. O objetivo real dos parisienses era a pólvora estocada no local. A negativa do governador De Launay em entregar o arsenal e sua ordem de disparar contra a multidão transformaram o que seria uma reivindicação em uma insurreição sangrenta. A queda da fortaleza simbolizou o colapso da autoridade divina dos reis e o início do fim da Monarquia Francesa, deflagrando uma revolução que mudaria o mundo para sempre.


 
 

A Morte de Oscar: Entre o Heroísmo e a Doença

No mangá, Riyoko Ikeda não nos poupa. A morte de Oscar na Bastilha é o desfecho trágico necessário para uma heroína que escolheu o lado do povo. Contudo, há uma camada de realismo brutal na obra: no volume 4 do mangá (edição brasileira), Ikeda já plantava as sementes do fim. Oscar começa a definhar, e embora a autora não nomeie a doença, os sintomas indicam claramente a tuberculose. Naquela época, sem antibióticos, era uma sentença de morte que não distinguia classes. Ikeda, em um gesto de misericórdia artística, preferiu poupá-la de um fim solitário em um leito de hospital, concedendo-lhe o martírio heroico: Oscar morre liderando sua tropa, de espada em punho, exatamente no 14 de julho.






Como as Adaptações Tratam o Fim

É fascinante observar como cada adaptação lida com esse clímax:

  • Anime de 1979: A versão mais icônica e visceral. A morte de Oscar na Bastilha é coreografada com uma carga emocional avassaladora, consolidando o trauma de gerações. O uso dos traços de Shingo Araki e Michi Himeno transformou sua queda em uma obra de arte fúnebre.

  • Live-Action de 1979: Esta é a única versão notável onde Oscar sobrevive à Bastilha. Contudo, ao não morrer, ela perde o seu peso lendário. A adaptação nos mostra que, para Oscar, sobreviver à Revolução é, ironicamente, viver sem o seu propósito maior.

  • Takarazuka Revue: O palco é onde o mito se mantém imortal. As encenações focam na grandiosidade dramática da morte de Oscar, tratando o 14 de julho não apenas como um evento histórico, mas como uma ópera trágica que se repete infinitamente para os fãs.

  • Filme Animado (2025): A nova promessa de adaptar o peso da Bastilha com tecnologia moderna, tentando equilibrar o rigor histórico de Ikeda com o impacto visual que definiu a série original.






O Trauma: Quando a Ficção Feriu uma Geração

O impacto da morte de Oscar foi um choque cultural sem precedentes. O trauma foi sentido de forma visceral no Japão, onde o fenômeno alcançou tal magnitude que relatos da época descrevem aulas sendo paralisadas pelo choro coletivo das alunas ao descobrirem o destino trágico de sua heroína.

Na Itália, o impacto também foi massivo e amplificado por um marketing agressivo: o álbum de figurinhas da Panini revelou o desfecho da protagonista antes mesmo que os episódios finais fossem transmitidos na TV. Isso retirou o elemento surpresa e deixou o público em estado de luto coletivo prematuro, transformando uma personagem em um símbolo real de justiça e perda.

A Pressão da Indústria e o Fim Repentino

A criação da obra não foi um mar de rosas. Após a partida de André, os editores da revista Margaret, movidos pela lógica do lucro, obrigaram Ikeda a encerrar a obra em apenas 10 dias. Essa pressa forçada reflete a exaustão da própria narrativa: a história perde o brilho dos salões e assume o tom seco e urgente de uma revolução que devora seus filhos. Ikeda enfrentou ameaças e pressões brutais, lutando contra um sistema que não compreendia que, ao matar Oscar, ela estava redefinindo o heroísmo feminino. Abaixo algumas cenas do 14 de Julho no mangá original:

 
 










A Eternidade da Rosa: Entre o Destino Selado e o Desejo de Sobrevivência

A morte de Oscar é, para mim, o final perfeito para uma história trágica. A Rosa de Versalhes não é meramente uma "história triste"; ela carrega consigo aquela densidade dramática inconfundível dos shoujo mangás clássicos, onde a intensidade das emoções é tão grande quanto a importância dos eventos históricos. Contudo, é impossível não ponderar: Ikeda poderia ter explorado mais sua personagem? Oscar é, e sempre será, uma figura extremamente querida, e como criação fictícia, talvez houvesse espaço para que a autora a mantivesse conosco por mais tempo.

Entretanto, o destino de Oscar já estava traçado pelas sombras da época. A partir do volume 4 do mangá (na edição brasileira), é evidente que Ikeda já havia decidido o seu fim. Oscar começa a manifestar sintomas claros — embora a autora não nomeie explicitamente, é visível que se trata da tuberculose, a "doença do século" que não distinguia nobres de pobres e, na ausência de antibióticos, era uma sentença cruel e inevitável.

Ikeda, porém, demonstrou uma sensibilidade artística brilhante ao decidir que sua protagonista não definharia em um leito de enfermidade. Em vez de entregar Oscar à tuberculose, ela a entregou à história. Ao escolher que sua morte fosse heroica, liderando sua tropa contra a Bastilha naquele 14 de julho, Ikeda transformou o fim de uma vida em um símbolo de resistência.

Mesmo assim, o luto dos fãs foi um fenômeno que se recusou a aceitar o encerramento. Na Itália, onde a devoção a Lady Oscar atingiu patamares singulares, essa recusa tornou-se material: o livro Il Ritorno di Lady Oscar (1983), de Marina Migliavacca, lançado pela Fabbri Editora com a indispensável permissão de Riyoko Ikeda.


Esta obra fascinante é um documento de resistência afetiva. O livro narra uma Oscar que sobrevive à Queda da Bastilha, vivendo escondida e carregando a cicatriz da morte de André e os traumas de uma Revolução sangrenta. Em um desfecho melancólico e profundo, ela recusa até mesmo o convite de Napoleão Bonaparte para retornar às armas, optando por uma existência anônima e pacífica. É uma reinterpretação que tenta, de certa forma, dialogar com Eroica, ao mesmo tempo em que oferece um refúgio para quem nunca quis ver a Rosa de Versalhes tombar.

Oscar morreu na Bastilha para se tornar imortal, mas, como nos mostra a paixão dos fãs italianos, o desejo de vê-la sobreviver é um testemunho de que a sua história nunca termina realmente. Enquanto houver leitores dispostos a imaginar um caminho diferente para ela, Lady Oscar continuará vivendo — seja no campo de batalha do 14 de julho, seja no silêncio de uma vida pacífica que, infelizmente, o tempo não lhe permitiu ter.


"Vive La France"

Finalizo alguns vídeos do 14 de Julho Em Rosa de Versalhes:








Espero que tenham Gostado!

 

ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 






segunda-feira, 13 de julho de 2026

Adeus, André: O 13 de julho que mudou o destino de Lady Oscar.

 

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!

 


Chegamos ao dia 13 de julho. Para os estudantes de história, esta data é o prenúncio da tempestade, o estopim que incendiaria a França no dia seguinte com a Queda da Bastilha. Mas, para os corações que pulsam no ritmo de Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら), o 13 de julho é algo muito mais profundo: é uma ferida aberta na memória, o dia em que o destino de Oscar François de Jarjayes mudou para sempre. Hoje, não falamos apenas de política ou de feriados nacionais. Hoje, fazemos uma pausa para reverenciar André Grandier.



O Homem por trás da Lenda

Embora seja um personagem fictício — ao contrário de figuras históricas como Fersen —, André Grandier possui uma densidade que transcende o papel e a tela. Ele foi o companheiro de infância de Oscar, o elo entre a nobreza e o povo, o homem que aprendeu a esgrima e a equitação lado a lado com a heroína, sempre na sombra, guardando um sentimento que o consumia em silêncio.

No fatídico 13 de julho de 1789, a Revolução não apenas exigia cidadãos; ela exigia sacrifícios. Após uma única noite de felicidade compartilhada — uma trégua efêmera de amor após anos de desencontros — André decide lutar ao lado de Oscar. E é nesse cenário de caos e pólvora que a tragédia se concretiza: ferido gravemente por um soldado da guarda real, ele sucumbe, deixando uma nação em chamas e uma mulher em desespero.


O Impacto da Partida

A cena de sua morte é um marco cultural. Seja no mangá de Riyoko Ikeda, no anime clássico de 1979 ou na recente adaptação cinematográfica, a dor de ver André cair é universal.

  • No Anime de 1979: A atuação dos dubladores imortalizou o momento. O saudoso Taro Shigaki, cuja voz transmitia a agonia de um homem que morre sem ter vivido plenamente seu amor, é inesquecível. No Brasil, o talento de Silvio Giraldi nos trouxe essa dor para perto, enquanto na Itália, Massimo Rossi elevou o momento a um patamar de tragédia grega, deixando marcas profundas em gerações de fãs.

  • No Mangá e Novos Filmes: A brutalidade é mais explícita. André atua como um escudo humano, protegendo Oscar e sendo baleado, um sacrifício físico que espelha o sacrifício emocional que ele fez a vida inteira. A cena em que Oscar, desesperada, chama por ele e se dá conta de que o calor de sua mão se perdeu é um dos momentos mais dilacerantes da história dos mangás.

"Oscar? Por que você está chorando? Por quê? Estou prestes a morrer? Você está certa, eu não posso morrer agora. Nossa felicidade apenas começou. Agora até o amor nos une. Talvez possamos viver em um mundo melhor, Oscar. Não, não posso morrer agora."




Versões de uma Tragédia

É interessante observar como cada adaptação tratou esse adeus. O filme live-action de 1979, embora menos fiel à grandiosidade da obra original, traz uma perspectiva diferente: lá, o amor de André e Oscar é marcado pela fuga e pela incerteza, com um final que nos deixa a vagar, sem a confirmação do reencontro. Contudo, é na versão animada clássica que encontramos a quintessência da emoção, aquela que, inclusive, foi "vazada" precocemente pelo álbum de figurinhas da Panini na Itália, traumatizando (e apaixonando) milhares de crianças na década de 80.

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Vamos falar sobre o filme live-action de Lady Oscar de 1979? Embora não tenha a grandiosidade da obra original de Riyoko Ikeda e seja visivelmente mais fraco que a icônica adaptação em anime, o filme merece ser lembrado por ter chegado às telas meses antes da série animada, trazendo sua própria interpretação fascinante.

Um ponto de destaque é o André: nesta versão, ele é mais rude e menos delicado que nas outras mídias, embora seu amor por Oscar permaneça evidente. O roteiro também toma liberdades criativas marcantes: em vez de se envolverem profundamente na Revolução Francesa, o casal decide fugir. O desfecho é trágico e confuso, ocorrendo no turbilhão de 14 de julho — em vez do dia 13. Na confusão, Oscar e André se perdem na multidão; ele é atingido por um tiro e seu destino final permanece incerto, deixando Oscar desesperada à sua procura. Apesar de todas essas diferenças, o filme possui um charme singular que vale a pena conferir.




"Dentre todas as versões, o dia 13 de julho de 1789, retratado no anime de 1979, continua sendo a mais emocionante para mim — confesso que, em minha opinião, supera até mesmo o impacto do mangá original. Meu pai sempre conta que, quando o episódio foi exibido pela primeira vez na Itália, ele não pegou o público de surpresa. O motivo? O álbum de figurinhas da Panini, que, ao trazer toda a cronologia da história, acabou revelando o final da série antes mesmo de sua conclusão na TV. Mesmo com esse enorme spoiler, o episódio tornou-se um marco na memória de toda uma geração que cresceu nos anos 80. É impossível não se emocionar com o momento em que André Grandier profere suas palavras finais diante de uma Oscar em prantos."


  



 


A história de amor Lady Oscar e André Grandier.


"Oscar François de Jarjayes é a caçula de uma tradicional família nobre, leal à Coroa da França. Criada pelo pai como um homem e educada rigorosamente nas artes militares, ela ascende à capitania da Guarda Real, tornando-se a principal confidente e protetora de Maria Antonieta. Ao seu lado está André Grandier, um jovem órfão de origem humilde, criado sob os cuidados de sua avó, a governanta da mansão Jarjayes. Apenas um ano mais velho que Oscar, André cresceu ao lado dela, cultivando um laço que transcendeu a amizade de infância e as rígidas barreiras sociais, florescendo em um dos romances mais marcantes da ficção."


 

É justamente esse amor que leva Oscar a questionar seu papel no mundo, negando sua origem nobre e rompendo definitivamente com a Guarda Real. Por muito tempo, ela não enxergou os sentimentos de André; para Oscar, ele era o irmão de toda uma vida, a sombra protetora que sempre esteve lá. André, por sua vez, suportou a série inteira o peso de um amor não correspondido, sendo levado pela desilusão a unir-se aos revolucionários. A partir daí, os eventos se precipitam para um desfecho inevitável. Justamente quando Oscar finalmente confessa seus sentimentos e o casal está pronto para viver esse amor, a história é interrompida pelo caos: em 13 de julho de 1789, em meio aos confrontos em Paris, André se sacrifica para proteger a mulher que amou durante toda a vida. Se Oscar e André tivessem realmente existido, hoje, 13 de julho, estaríamos relembrando o momento desse sacrifício e as lágrimas de Lady Oscar, que completam exatos 237 anos às vésperas do estopim da Revolução Francesa."

 

 Curiosidade:

 "Para encerrar este post especial de 13 de julho, deixo aqui uma curiosidade imperdível: se você sempre sonhou com o casamento de Oscar e André — algo que não acontece no mangá original —, saiba que a própria Riyoko Ikeda decidiu presentear os fãs com esse final feliz. Em 2014, a autora escreveu e ilustrou uma história exclusiva para a Zexy, a principal revista japonesa de moda noiva e organização de casamentos. A edição, que trazia essa aguardada união, foi um sucesso absoluto e esgotou rapidamente em todo o Japão.

Confesso que tenho essa edição aqui comigo! Mesmo ainda estando no nível básico do Kumon em japonês, é impossível não se emocionar ao ver, através das ilustrações da própria Ikeda, a felicidade desse casal que tanto amamos. E engana-se quem pensa que isso é apenas 'coisa de fã': por ter sido escrito e desenhado pela criadora da obra, esse conteúdo é, sim, oficial. Podemos dizer, sem medo, que Riyoko Ikeda finalmente oficializou o casamento que todos nós sempre desejamos."


Enfim, esse foi nosso post especial para marcar esse dia 13 de julho, amanhã, queda da Bastilha, o aniversário da Luta de Lady Oscar a favor do sofrido povo da França, uma data de extrema importância para os franceses e também para a obra máxima de Riyoko Ikeda a Rosa de Versalhes, teremos um post especial.

 




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Espero que tenham Gostado! Amanhã teremos um post enorme comemorativo a queda da Bastilha, já deixo avisado que será em duas partes,  e sairá vídeo novo que já está prontinho. Falarei um pouco sobre, a Importância da data para Os fãs da Rosa de Versalhes, trarei algumas curiosidades, falo também sobre o novo filme animado entre outras coisas, então aguardem!

236 Anos depois...

Se André Grandier tivesse existido, hoje ele completaria 236 anos de um sacrifício que ainda reverbera. Oscar, a militar que jurou jamais se casar, acabou se tornando a eterna viúva de um amor que atravessou as classes sociais e a própria história.

Enquanto nos preparamos para o feriado de amanhã, o 14 de julho que mudou o mundo, hoje reservamos nosso respeito a ele. André não foi apenas um coadjuvante; foi a alma que deu sentido à jornada da "Rosa de Versalhes".


Amanhã, voltaremos com um post especial dedicado à Queda da Bastilha e ao papel histórico de Lady Oscar na luta pelo povo francês. Até lá, guardamos o luto e o amor por André.

 

Fiquem Ligados.

 
Um ótimo final de semana a todos vocês amigos da Lady Oscar.


ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.