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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

🎃🧛‍♂️O Terror em Versalhes: A Verdadeira História por Trás da Condessa de Sangue e do Gaiden Gótico de Riyoko Ikeda🎃🧛‍♂️

 

Olá, queridos amigos da Lady Oscar,Sejam Bem Vindos!


 


Nesta sexta-feira de véspera de Halloween, o terror nos chama. Deixe-se levar por uma viagem ao passado, rumo à lenda europeia mais perturbadora de todas: a de Elizabeth Báthory, conhecida como a "Condessa de Sangue". Suas atrocidades foram tão chocantes que inspiraram Riyoko Ikeda a criar o famoso gaiden de A Rosa de Versalhes, "A Condessa de Preto" (Kuroi no Hakushaku Fujin).

Neste post, vamos desenterrar os segredos sombrios de Báthory e, em seguida, mergulhar na obra que, para mim, é a melhor de todos os gaidens — e que na Itália é reverenciada até hoje como uma verdadeira obra de Arte Gótica. Está pronto para o mistério? A bruxa já está a caminho!



🎃🧛‍♂️A figura da "Condessa de Sangue"

A figura da "Condessa de Sangue" assombra o imaginário popular há séculos, evocando imagens de sadismo, tortura e banhos em sangue. No entanto, por trás da lenda macabra, esconde-se a história complexa de Elizabeth Báthory (1560–1614), uma nobre húngara cujos supostos crimes a tornaram um dos nomes mais notórios e controversos da história. Sua trajetória, contudo, é mais do que um conto de terror; ela levanta questionamentos sobre poder, misoginia e a linha tênue entre a verdade histórica e a construção de mitos.

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🎃🧛‍♂️Quem foi Elizabeth Báthory?

Elizabeth Báthory nasceu em uma das famílias nobres mais ricas e poderosas da Hungria. Sua árvore genealógica incluía príncipes, cardeais e até o rei da Polônia. Casou-se ainda adolescente com Ferenc Nádasdy, um nobre influente e herói de guerra conhecido como o "Cavalheiro Negro da Hungria". Embora sua vida parecesse a de qualquer outra nobre da época, após a morte de seu marido em 1604, a situação começou a mudar drasticamente..

Os crimes e a lenda🎃🧛‍♂️

As primeiras acusações contra Báthory surgiram de rumores de que ela e seus serviçais estariam torturando e matando jovens moças, inicialmente plebeias. Com o tempo, as vítimas teriam se tornado filhas da pequena nobreza local, enviadas ao castelo para aprender etiqueta.

A lenda mais famosa — a de que Báthory se banhava no sangue de virgens para reter a juventude — não aparece nos documentos e depoimentos originais do processo. Essa narrativa fantástica foi adicionada por historiadores e escritores no século XVIII, consolidando o mito vampiresco da condessa.

Após investigações conduzidas pelas autoridades locais e pelo rei húngaro Matias II, Báthory foi presa em seu castelo em 1610. Seus serviçais foram julgados, condenados e executados. No entanto, devido à sua alta linhagem e à enorme influência de sua família, Elizabeth jamais foi submetida a um julgamento formal. Ela permaneceu confinada nos aposentos do Castelo de Čachtice até sua morte, em 1614.

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Elizabeth Bathory Mcfarlane Toys

A polêmica: Monstro ou vítima de uma conspiração?🎃🧛‍♂️

Apesar das acusações, a história de Báthory divide historiadores. Embora o Guinness World Records a liste como a assassina mais prolífica da história (com estimativas de vítimas variando entre 30 e 650), muitos pesquisadores modernos questionam a veracidade das acusações.

A principal teoria revisionista sugere que Báthory pode ter sido vítima de uma conspiração política. Sendo uma mulher viúva extremamente rica e dona de vastas terras, ela possuía uma enorme dívida a receber da própria coroa húngara. Seus opositores e o próprio rei tinham fortes interesses financeiros e políticos em descredibilizá-la e confiscá-la. Como a maioria dos testemunhos foi obtida sob severas torturas, a validade jurídica do caso permanece um grande debate histórico..

O legado na cultura pop🎃🧛‍♂️

Seja como uma serial killer cruel ou como vítima de uma armação política, Elizabeth Báthory deixou uma marca indelével na cultura popular, inspirando livros, filmes, jogos e quadrinhos.

E é exatamente essa aura de terror gótico e obsessão pela beleza que inspirou a mestra Riyoko Ikeda a criar um dos episódios mais marcantes do universo de A Rosa de Versalhes.



A Condessa de Preto (Kuroi no Hakushaku Fujin)🎃🧛‍♂️

A Condessa de Preto (Kuroi no Hakushaku Fujin) é um dos capítulos especiais (gaiden) do universo de A Rosa de Versalhes. Publicado por Riyoko Ikeda na década de 1980 na revista Margaret, este gaiden mergulha no horror gótico europeu para construir uma trama repleta de mistério, suspense e elementos macabros.


Sinopse e ambientação🎃🧛‍♂️

A história se passa no interior da França, quando Oscar se afasta temporariamente de seus deveres na Guarda Real e viaja até a Vendéia para visitar sua irmã mais velha, Hortense de La Lorancy. Acompanhada por André, Rosalie e a esperta e travessa Loulou (sua pequena sobrinha), Oscar busca tranquilidade, mas logo se depara com um clima tenso na região.

A população local vive aterrorizada por rumores sobre o desaparecimento misterioso de jovens camponesas. No centro das atenções da nobreza local está a Condessa Elisabeth de Caroline (a Condessa de Preto), uma mulher de beleza estonteante e aura enigmática que vive reclusa em seu palácio. O clima de mistério se adensa quando o grupo se vê envolvido na investigação de assassinatos brutais e no boato de uma seita vampiresca que assombra as redondezas.

A inspiração em Elizabeth Báthory🎃🧛‍♂️

O ponto central do gaiden é sua clara homenagem à figura de Elizabeth Báthory. Riyoko Ikeda canalizou o mito da "Condessa de Sangue" para construir a figura da Condessa Elisabeth: uma mulher obcecada pela juventude eterna que comete atrocidades em segredo para preservar sua beleza.

A autora, apaixonada por história e filosofia, utiliza a atmosfera de horror para discutir a futilidade, o narcisismo e a corrupção da aristocracia. Diferente das incertezas da figura histórica real, na obra de Ikeda a condessa é retratada como uma vilã implacável e assustadora.

Personagens e dinâmica

A narrativa se destaca por colocar nossos amados personagens em um gênero completamente diferente do drama histórico habitual:

  • Oscar: Como sempre destemida e racional, assume o papel de investigadora principal, utilizando seu senso de justiça para desmascarar os horrores por trás da fachada nobre da condessa.

  • André: Permanece como a força leal e protetora ao lado de Oscar, enfrentando os perigos da noite e os mistérios do castelo.

  • Rosalie: Tem sua doçura testada ao se tornar um dos alvos da trama, o que desperta ainda mais o instinto de proteção de Oscar.

  • Loulou: A jovem sobrinha de Oscar traz leveza e vivacidade ao grupo, criando um contraste perfeito com o tom sombrio do enredo.


Resumo: A Condessa de Preto (Kuroi no Hakushaku Fujin) O Gaiden Gótico de 🎃🧛‍♂️Riyoko Ikeda:

A trama se passa em 1787, durante o período de tensão política marcado pelo misterioso "Cavaleiro Negro". Decidida a tirar uns dias de folga de suas obrigações na Guarda Real, Oscar de Jarjayes deixa Paris acompanhada por André e pela jovem Rosalie, além de levarem a pequena e travessa Loulou (filha da irmã de Oscar, Hortense de La Lorancy). O destino é a belíssima e isolada região da Vendéia.

O que era para ser uma viagem de descanso e visita familiar, no entanto, logo se transforma em um pesadelo. Ao chegarem, o grupo percebe que a população local vive aterrorizada por uma série de desaparecimentos misteriosos de jovens camponesas. Os boatos na região sussurram sobre uma antiga seita de vampiros e forças sobrenaturais rondando os bosques.

Logo na chegada, o clima de mistério se instaura quando eles cruzam na estrada com uma carruagem luxuosa onde viaja um jovem enigmático e de beleza perturbadora — o misterioso sobrinho da Condessa, que desperta estranhamento e curiosidade imediata no grupo.

No centro da aristocracia local está a dona daquela carruagem: a deslumbrante e temida Condessa Elisabeth de Caroline (a Condessa de Preto). No entanto, a condessa não demora a direcionar um olhar de interesse e obsessão profundamente perturbador para a própria Rosalie, cujos traços delicados e juventude chamam a atenção da nobre de forma sinistra.

A investigação toma um rumo ainda mais perigoso quando uma jovem da região chamada Caroline, movida por intensos ciúmes e o desejo de seduzir Oscar, acaba rejeitada. Cega por raiva e vaidade, ela busca refúgio junto ao misterioso sobrinho da Condessa e desaparece sem deixar vestígios.

É aí que Oscar assume o papel de investigadora, usando sua coragem inabalável e seu aguçado senso de justiça para desmascarar a fachada de sofisticação da Condessa. Com a lealdade inesquecível de André ao seu lado para enfrentar os perigos da noite, o trio desenterra uma verdade macabra: a condessa utiliza métodos sádicos e até mesmo engenhocas mecânicas mortais para eliminar suas vítimas em troca de sangue e falsa juventude.

O clímax é uma verdadeira obra-prima do terror gótico, onde Oscar precisa enfrentar o mal absoluto para salvar os inocentes — e proteger Rosalie — do reinado de terror da Condessa de Preto.



Temas e o estilo gótico🎃🧛‍♂️

Em A Condessa de Preto, Ikeda adota com maestria os elementos clássicos da literatura gótica:

  • Castelos imponentes, névoa e uma atmosfera sufocante.

  • O macabro uso de engenhosidades (como autômatos/bonecos mecânicos mortais) para a realização dos crimes.

  • A busca frenética e doentia pela imortalidade e pela juventude.

O traço refinado de Ikeda — caracterizado por detalhes luxuosos e expressividade marcante — ganha um tom dramaticamente sombrio nas cenas de suspense. A revelação do segredo do castelo e o confronto final são momentos visualmente impressionantes e arrepiantes.

A Condessa de Preto é uma leitura indispensável para qualquer fã de A Rosa de Versalhes. Ao conectar a história de Elizabeth Báthory com o universo de Oscar e André, Riyoko Ikeda entregou uma obra-prima do mangá gótico que aterroriza, encanta e enriquece ainda mais o seu legado..

Espero que tenham gostado deste especial! 

Até o próximo post de Halloween!🎃🧛‍♂️


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ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 




quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Entre Espadas e Abóboras: Oscar e André no Clima de Halloween! 🎃⚔️

Olá queridos, amigos da Lady Oscar,sejam bem vindos!




 "Outubro está acabando e o Halloween já bate à porta! Como é tradição por aqui, não podia faltar um post especial para a data. Por mais que A Rosa de Versalhes seja um drama histórico, sem nada de aterrorizante... bem, quase nada! A condessa vampira, inspirada em uma figura real, aparece em um gaiden e garante um pequeno susto. Mas a história dela fica para amanhã, no nosso Especial  Dia das Bruxas.

A minha cabeça de fã, no entanto, não parava de pensar: como Oscar e André passariam o Halloween? E, para a minha sorte, achei uns pen drives antigos com alguns desenhos que fiz deles comemorando a data! As imagens não são perfeitas — afinal, ficaram pequenas e distorceram um pouco quando tentei ampliar —, mas a nostalgia é grande demais para não compartilhar. Então, venham conferir juntos essa dose de lembranças e terror no clima do Dia das Bruxas!



Compartilhar essas artes antigas é  e atuais uma forma de dividir um pouco da minha jornada como fã e artista com vocês. O Halloween é a desculpa perfeita para trazer essas memórias assombradas (e um tanto fofas) de Oscar e André. E aí, qual dessas ilustrações vocês mais gostaram? Deixem seus comentários e me contem!






Fanarts mais antigas, mas que fazem parte da Festa:

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"Espero que tenham gostado de ver os personagens da Rosa de Versalhes já preparados para o Halloween. Amanhã começam os nossos posts comemorativos de Dia das Bruxas!"



Espero que tenham gostado!





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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Os mangás, com seus personagens rebeldes e resilientes, estão ganhando espaço em bloqueios e manifestações em escolas de ensino médio. (Artigo traduzido).

 

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!






A presença de ícones dos mangás e animes em manifestações políticas na França voltou a acender um debate acalorado nas redes sociais. Tudo começou após eu compartilhar no Instagram uma imagem resgatada do site  Cultureba,: nela, um manifestante segura uma placa de papelão com a ilustração de Lady Oscar e a pergunta provocativa em francês: « Et Lady Oscar, elle protestait pacifiquement ??? » ("E a Lady Oscar, ela protestava pacificamente???"). A postagem logo levantou a tese de que fãs japoneses estariam indignados com o uso de obras clássicas nos protestos em Paris. Contudo, uma análise crítica revela que essa controvérsia se apoia mais no exagero retórico de bolhas virtuais do que em um repúdio massivo.

 imagem resgatada do site  Cultureba,: nela, um manifestante segura uma placa de papelão com a ilustração de Lady Oscar 


Embora existam discussões pontuais na comunidade japonesa sobre a apropriação política de produções culturais, a insatisfação está longe de ser generalizada. Além disso, na França — onde A Rosa de Versalhes, de Riyoko Ikeda, é amplamente conhecida tanto pelo mangá quanto pelo anime Lady Oscar —, o foco quase absoluto das críticas recentes da imprensa e dos fandoms não é o clássico setentista, mas sim One Piece, o maior fenômeno de massas da atualidade.

Para entender melhor essa dinâmica, minha amiga Regiane me recomendou uma excelente matéria do jornal Le Monde, que lança luz sobre a dimensão sociológica por trás da presença de figuras como Oscar nas ruas francesas:

"Para seus leitores na França, vindos de diferentes gerações, gêneros e origens sociais, os mangás representam esperança e coragem, além de servirem como veículos para reflexões profundas. Naturalmente, as obras mais citadas são grandes sucessos comerciais, em sua maioria do gênero shounen — produções historicamente voltadas ao público masculino. Trata-se de histórias de aventura e artes marciais que enaltecem princípios como perseverança, solidariedade e a busca por justiça e poder. São virtudes que dialogam diretamente com as manifestações atuais."

As passeatas em questão começaram com estudantes secundaristas reivindicando melhorias na infraestrutura escolar e a contratação de professores, pautas que ganharam corpo com a alta do custo de vida. Como relatam lideranças do movimento, as demandas originais acabaram eclipsadas pela cobertura da grande imprensa, que prefere focar nos episódios de violência e destruição. A dinâmica lembra inevitavelmente Maio de 1968: enquanto a juventude da época debatia reformas educacionais, descolonização e direitos civis, o imaginário popular acabou reduzindo aquele momento ao clichê da contracultura.

Uma checagem na imprensa internacional entre meados de outubro revela diversas matérias replicando a mesma narrativa em efeito cascata — com títulos como « C’est un symbole de liberté » : le drapeau « One Piece », étendard des contestations e 'One Piece Was Never About This': Anime Fans Outraged as Manga Becomes Symbol of Paris Riots (uma das raras matérias a citar A Rosa de Versalhes). A proliferação simultânea dessas notícias sugere que a suposta "revolta internacional" reflete muito mais os mecanismos de engajamento dos algoritmos do que um escândalo real.

No fim das contas, a grande lição dessa discussão não reside nos panicos morais alimentados na internet, mas sim no poder dos animes e mangás de mobilizar sentimentos legítimos. É fascinante observar como narrativas atemporais como A Rosa de Versalhes preservam sua força e continuam a ser ressignificadas pelas novas gerações na praça pública. Mas enfim, traduzi o artigo, segue abaixo:


Os mangás, com seus personagens rebeldes e resilientes, estão ganhando espaço em bloqueios e manifestações em escolas de ensino médio.

Personagens de "One Piece", "Naruto" ou "Dragon Ball" são frequentemente invocados em marchas de protesto e nas redes sociais.

Por  Pauline Croquet


Durante as manifestações na Place de la Victoire, em Bordéus, em 17 de outubro de 2026. MORGAN FACHE/DIVERGENCE FOR "LE MONDE"


Trajes coloridos, cartazes desenhados à mão, bandeiras e símbolos… Nos bloqueios de escolas, nas recentes manifestações na França e também nas postagens em redes sociais, as referências à cultura pop se multiplicam. Entre esses emblemas, destacam-se os mangás, e especialmente o mais popular de todos: One Piece. A série criada por Eiichiro Oda já marcava presença nos movimentos juvenis em 2025, da França ao Nepal, passando pelo Marrocos, onde a bandeira negra adornada com uma caveira e ossos cruzados usando um chapéu de palha foi vista tremulando. A bandeira nada mais é do que a do bando do Chapéu de Palha, liderado por Monkey D. Luffy, o herói.

Em meio a tudo isso, também aparecem referências a outras séries muito apreciadas, como Naruto, Dragon Ball e, de forma mais marginal, Lady Oscar (personagem de A Rosa de Versalhes, heroína aristocrata que se une ao povo na tomada da Bastilha). Mesmo imagens falsas geradas por inteligência artificial, bastante atraentes online, foram incorporadas à estética do mangá, assim como mensagens de apoio de artistas. Por outro lado, livrarias e lojas especializadas em mangás e animação japonesa também foram alvo de saques no mesmo dia 17 de outubro, à margem dos protestos, em Paris e também em Grenoble.

A presença de mangás e animes nas manifestações vai muito além da simples diversão e das emoções intensas que suscitam. Verdadeiros elementos de uma cultura pop globalizada, esses símbolos virais e unificadores dão o tom das mobilizações, integrando-se à estética visual do movimento social amplamente circulada.

Um libertador de oprimidos

Para seus leitores, de diferentes gerações, gêneros e classes sociais na França, os mangás são portadores de esperança e coragem, mas também veículos para mensagens profundas. Não surpreendentemente, os mangás mais citados são best-sellers, a maioria pertencente ao gênero shounen — séries historicamente voltadas para o público jovem masculino. Em sua maioria, são histórias de aventura e artes marciais que destacam valores como perseverança, solidariedade e a busca por poder e justiça. Algumas dessas virtudes ressoam diretamente com os protestos atuais.

Assim, manifestantes entrevistados nos últimos dias por veículos como L’Humanité, Sud Ouest e Franceinfo afirmam que, para eles, Luffy, o herói de One Piece, é um símbolo de liberdade e oposição a estados autoritários, um verdadeiro libertador de povos oprimidos. Ao longo de sua jornada, ele e sua tripulação enfrentam a escravidão, o racismo, a xenofobia, líderes corruptos e desastres ecológicos.

Além de seu forte senso de lealdade e justiça, o personagem também demonstra um otimismo contagiante: este jovem, que não sabe nadar, tem como objetivo se tornar o maior pirata, conquistando um tesouro mítico – o "One Piece".

Entre as fantasias preferidas pelos manifestantes estão as da Akatsuki, do universo de Naruto, um grupo criminoso composto por ninjas renegados que vestem um manto escuro com nuvens vermelhas. Essa fantasia é fácil de adquirir e usar, o que explica sua popularidade. Mas talvez isso ocorra também porque, entre seus membros poderosos, existem figuras redentoras, como Itachi, que massacrou o próprio clã, ou Pain-Nagato, uma antiga vítima de guerra. Eles justificam suas ações por motivações políticas e em prol do interesse geral.

Todas essas figuras que resistem à autoridade galvanizam os manifestantes em um momento em que muitos cidadãos desejam marcar uma ruptura com o governo e com o Presidente da República Francesa — o qual não hesitou, ao longo de seus mandatos, em demonstrar seu apreço por mangás, em particular por One Piece.

Fim.



Enfim, essa foi a tradução e devo dizer que essa movimentação em torno dos mangás nas ruas francesas — e a reação que ela provoca nas redes — abre espaço para uma reflexão sociológica e cultural fascinante. O seu texto toca em pontos extremamente sensíveis da cultura contemporânea: a estética da protestação, o remanuseio de mitologias pop e a dinâmica das bolhas digitais.

Então resolvi fazer uma análise profundada dos principais eixos que sustentam essa discussão, comentando desde o cartaz com Oscar que abre o post, até o arigo do Le Monde:

1. A Retórica da Provocação: "Et Lady Oscar, elle protestait pacifiquement ???"

O cartaz resgatado do Cultureba sintetiza com maestria a ironia e a profundidade da questão. Questionar se Oscar François de Jarjayes protestava pacificamente é confrontar diretamente o purismo conservador ou o pânico moral de certos segmentos da internet.

Oscar não é apenas uma figura fictícia; no clímax de A Rosa de Versalhes, ela representa a ruptura da própria aristocracia em nome da justiça social, culminando no alinhamento ao povo e no comando dos canhões da Guarda Francesa contra a Bastilha. Exigir um "protesto asséptico" sob a imagem de uma heroína cuja trajetória culmina na tomada armada de uma fortaleza militar é um anacronismo ingênuo. A piada do cartaz expõe justamente o descompasso entre a memória histórica da obra e a tentativa de despolitizá-la.

2. A Iconografia Pop como Nova Semiótica de Libertação

O texto do Le Monde acertadamente percebe que a juventude não carrega bandeiras de One Piece ou imagens de Lady Oscar por mero diletantismo ou consumismo.

  • O fenômeno Shounen e a Utopia de Luffy: O gênero shounen moderno (especialmente One Piece) substituiu os velhos símbolos partidários pelo arquétipo do "rebelde ético". Luffy luta contra o Governo Mundial, a opressão e o racismo estrutural do universo da obra, impulsionado por um desejo inegociável de liberdade. Para a Geração Z, a bandeira do Chapéu de Palha funciona como uma linguagem universal e transnacional de insubmissão.

  • A Permanência de Oscar: Enquanto os shounens oferecem a energia vibrante da aventura contemporânea, A Rosa de Versalhes traz o peso da dignidade histórica e do sacrifício. O fato de uma obra dos anos 1970 continuar viva a ponto de ser invocada ao lado de ícones globais modernos prova que a narrativa criada por Riyoko Ikeda ultrapassou o tempo e a geografia: tornou-se um mito universal sobre a luta contra a tirania.

3. A Mecânica da Indignação Fabricada nas Redes

A sua leitura sobre o comportamento do seu interlocutor no Twitter expõe com clareza a engrenagem do "pânico de bolha".

Quando usuários afirmam que "o Japão inteiro está indignado" sem apresentar evidências concretas ou fontes verificáveis ("está em todo lugar"), operam dentro da amplificação algorítmica. Casos isolados de usuários japoneses incomodados com a utilização política de mangás (o que é uma discussão real sobre direitos autorais e neutralidade cultural no Japão) são inflados e transformados em uma falsa unanimidade nacional. O objetivo dessa estratégia retórica não é debater o tema, mas deslegitimar o manifestante e fazer quem analisa o fenômeno parecer desinformado.

4. O Contraste entre a Pauta Real e o Sensacionalismo Midiático

Ao citar a gênese dos protestos secundaristas — a precariedade das escolas, a falta de docentes e o custo de vida —, o seu texto estabelece uma ponte afiada com Maio de 1968.

A grande imprensa tende a cobrir a estética do conflito (o vandalismo, os saques e as bandeiras de anime) em detrimento da substância das reivindicações. A cultura pop, assim, sofre um duplo processo: de um lado, é usada pelos jovens como ferramenta de coesão e expressão de desespero e esperança; de outro, é usada pela narrativa hegemônica para rotular a juventude como fútil, infantilizada ou inclinada à violência.

Síntese

A beleza da sua reflexão reside em não se deixar capturar nem pelo sensacionalismo das redes, nem pela simplificação da mídia. Você demonstra que a presença de Lady Oscar ou dos Chapéus de Palha nos protestos de Paris não é umaprofanação da arte japonesa, mas sim a prova viva de que as grandes narrativas pertencem a quem nelas encontra coragem para transformar a realidade.


Espero que tenham gostado!Ainda hoje tem mais!

 



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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Novidades do México: Devir anuncia o Volume 5 de A Rosa de Versalhes e confirma total de volumes!


Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!




Temos uma super novidade para os fãs e colecionadores da obra-prima de Riyoko Ikeda!

A editora Devir México anunciou recentemente em suas redes sociais que o Volume 5 de sua edição em mangá de A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) será publicado em breve.

Junto com o anúncio, a editora também confirmou que a coleção completa contará com 14 volumes no total. A publicação trará a história principal e incluirá conteúdos muito especiais: a ficção/romance "A Condessa de Preto" (Kuroi Dress no Fuchoushi) e a série de Episódios (as históricas gaiden/histórias curtas lançadas posteriormente por Ikeda).




Ficha Técnica do Volume 5
Título: La rosa de Versailles – El sufrimiento de Oscar

Editora: Devir México

ISBN-13: 978-970-96156-5-4

Número de páginas: 204

Formato: 13 × 21 cm

Preço de tabela: 200 pesos mexicanos (aproximadamente R$ 57,00 na cotação atual)

Site oficial: Devir México


Devo dizer que  em minha opinião,  a Inclusão dos Episódios (Gaiden) e da Condessa de Preto: É incrível ver que a edição mexicana cobrirá toda a trajetória do mangá, garantindo o arco clássico e os relançamentos com as histórias extras que aprofundam a vida dos personagens.

O subtítulo do Volume 5: O título escolhido para este volume (El sufrimiento de Oscar) reflete bem o momento de transição emotiva e de grandes decisões políticas e pessoais pelas quais Oscar passa na trama.

Acessibilidade para leitores hispânicos: Para quem lê em espanhol ou busca edições latino-americanas para importar, a iniciativa da Devir em manter a publicação regular e com um formato acessível é excelente para manter a obra de Riyoko Ikeda viva na América Latina.

Espero que tenham gostado!


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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Notícias da Lady Oscar vindo da Itália: Vinil exclusivo, lançamentos da Sprea e atrações no Lucca Comics 2026!

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!





 Hoje trouxe novidades direto dos grupos italianos sobre a nossa eterna capitã no Lucca Comics & Games 2026!

Infelizmente, este ano não teremos um evento oficial dedicado exclusivamente a ela — como um desfile de cosplay —, mas o espírito de Lady Oscar continuará mais vivo do que nunca no evento, recheado de surpresas e atrações imperdíveis.

A editora Sprea preparou novidades incríveis no estande Sprea Comics (NAP345), localizado no Pavilhão Napoleão (Piazza Napoleone). Por lá, os fãs encontrarão três prévias exclusivas: o calendário, o álbum e um disco de vinil temático. O vinil resgata músicas do clássico LP, incluindo as duas versões da faixa "Alle porte della Rivoluzione".

Para coroar o lançamento, quem adquirir o disco poderá garantir um autógrafo muito especial! Três integrantes do lendário grupo I Cavalieri del Re — Riccardo Zara, Jonathan Zara e Guiomar Serina — participarão de um momento de autógrafos exclusivo (mediante reserva) na quinta-feira, 29 de outubro, das 10h às 12h, no Paladediche (Palazzo Ducale). Algumas informações e fotos vieram do portal italiano Lady Oscar 40 Anni da querida amiga Elena Romanello.



E a presença dos Cavalieri não para por aí:

  • 29 de outubro (19h30 às 20h30): Apresentação musical na Piazzale Verdi.

  • 30 de outubro (21h30): Apresentação especial no Teatro del Giglio.

Além das atrações musicais, no domingo, 1º de novembro,  conforme mencionei no post anterior, às 11h40, haverá uma coletiva de imprensa e pré-estreia da peça Oscar, de Antonio Latella, no Teatro del Giglio (voltada para a imprensa e blogueiros), que entrará em cartaz na semana seguinte.

Mesmo sem um painel principal ou desfile temático, não faltam motivos para celebrar e garantir itens inesquecíveis para a coleção. E vale ressaltar: o grande convidado de honra desta edição é o Sensei Go Nagai... e sim, ele tem uma ligação bastante curiosa com a nossa Rose de Versalhes! Mas esse detalhe especial fica para o próximo post.







Comentário sobre as novidades

É fantástico ver como a presença de Lady Oscar na Itália continua forte e relevante em convenções desse porte! O destaque absoluto vai para a presença de Riccardo, Jonathan e Guiomar: os Cavalieri del Re marcaram gerações com a trilha sonora italiana, e ver a editora Sprea resgatando o LP clássico em vinil junto com o calendário e o álbum mostra o carinho contínuo da mídia italiana pela obra. A menção ao Go Nagai também deixa uma ótima expectativa no ar para o próximo texto!


Espero que tenham gostado! Uma ótima semana amigos da Lady Oscar.

 


ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.