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domingo, 8 de fevereiro de 2026

"Rosa de Versalhes em Kashiwa: Novos Registros da Colaboração que Celebra a Obra de Riyoko Ikeda"

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!
 



 Recentemente, em um dos grupos japoneses dedicados a A Rosa de Versalhess(ベルサイユのばらBerubara) no Facebook, me deparei com registros encantadores da nova colaboração da franquia, iniciada em 10 de janeiro.

As belíssimas fotos que acompanham este post são de Akiko Sakurai, a quem deixo meus sinceros agradecimentos e créditos. Decidi compartilhá-las como curiosidade, pois a decoração está simplesmente impecável!



Um Resgate Histórico em Kashiwa

Para os admiradores da obra, esta campanha vai muito além da publicidade; é um verdadeiro resgate biográfico. O que poucos sabem é que a lendária Riyoko Ikeda residia em Kashiwa justamente no período em que criava as páginas imortais de Lady Oscar.

Para celebrar essa conexão, a Associação de Turismo local lançou o Stamp Rally de Berubara. A iniciativa convida fãs de todo o Japão a redescobrirem a cidade através do olhar de seus personagens favoritos. Confira as fotos compartilhadas no grupo por Akiko Sakurai:












O Roteiro dos Fãs: O Caminho dos Selos

A jornada começa no coração da cidade, no centro de informações turísticas "Marutto Kashiwa" (ao lado da Estação JR de Kashiwa). Lá, o visitante retira um cartão de selos especial e inicia um roteiro por pontos emblemáticos:

  1. Michi-no-Eki Shonan: Estação de estrada local.

  2. Parque Agrícola Akebonoyama: Famoso por suas flores e paisagens.

  3. Loja "Grun" (Kashiwanoha): Um toque de sofisticação no percurso.

  4. Retorno ao Marutto Kashiwa: Para fechar o ciclo e garantir o último carimbo.

Cenários Pensados para o Fandom

A experiência foi planejada nos mínimos detalhes. Cada parada do circuito oferece photo spots inspirados em figuras icônicas como Oscar e André. A organização pensou até nos colecionadores: há suportes específicos para oshinui (os bonecos de pelúcia), permitindo que os fãs fotografem seus "protegidos" nos cenários da série.

Recompensa: Ao completar o desafio, os participantes recebem adesivos exclusivos da colaboração.


O Testemunho das Gerações

O evento prova que o impacto de Berubara é atemporal. Uma moradora de Matsudo, na faixa dos 60 anos, compartilhou sua nostalgia ao retirar seu cartão:

"Naquela época, mangás históricos não eram comuns. Fiquei fascinada pela arte exuberante e lia constantemente quando criança. Existe algo de muito especial no toque do papel; ver a obra impressa transmite uma sensação que o digital não consegue replicar."

Esse entusiasmo atravessa gerações, como o caso de uma visitante de 40 anos que planejou o percurso de carro especialmente para acompanhar a mãe, fã fervorosa da obra.

⚠️ Nota Importante para Viajantes

Se você está no Japão ou planeja ir em breve, atenção:

  • Prazo: O evento vai até o dia 28 de fevereiro.

  • Limite: O cartão de participação é limitado aos primeiros mil inscritos.

  • Dica: Vale a pena chegar cedo para garantir o seu!

(Confira o vídeo da colaboração abaixo)


"Muito mais que uma estratégia turística, este evento em Kashiwa é um tributo à força de uma obra que rompeu barreiras intransponíveis. A Rosa de Versalhes não é apenas um mangá; é um marco cultural que redefiniu o gênero shoujo e moldou gerações com sua narrativa profunda sobre honra, política e a busca incessante pela liberdade.

Ver a figura de Oscar François de Jarjayes — um símbolo eterno de coragem e complexidade — ganhar vida nas mesmas ruas onde foi concebida por Riyoko Ikeda é um presente raro para qualquer entusiasta da arte. Iniciativas como esta provam que, mesmo décadas após sua publicação original, o perfume dessas rosas permanece vivo e relevante, unindo gerações em uma mesma paixão. Se você estiver no Japão, não perca a chance de caminhar por esses cenários e sentir, de perto, a aura de uma das maiores obras-primas da literatura gráfica mundial."

Espero que tenham gostado! Daqui a pouco tem mais.

Desejo a todos um ótimo domingo e uma linda semana, amigos da Lady Oscar!


ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Um achado histórico na Liberdade: Lady Oscar e o retorno triunfal à Animage

 

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!




Durante meus últimos passeios pelo bairro da Liberdade, tive a sorte de encontrar uma verdadeira joia para colecionadores: a edição histórica da Animage (アニメージュ) dedicada ao filme de A Rosa de Versalhes.

Para quem não está familiarizado, a Animage é uma das revistas mais prestigiadas do Japão. Publicada pela Tokuma Shoten desde 1978, ela foi a primeira dedicada exclusivamente à animação e é famosa por sua ligação estreita com o Studio Ghibli.



O que torna esta edição (lançada originalmente no ano passado, em 2025) tão especial é a sua capa. Nela, vemos Lady Oscar usando seu icônico e único vestido de baile. Este foi um marco absoluto: foi a primeira vez em 38 anos que a heroína de Riyoko Ikeda estampou a capa da revista!

O retorno triunfal aconteceu para celebrar o lançamento do novo filme em Blu-ray e DVD. Mesmo tendo saído há alguns meses, encontrar um exemplar desses aqui no Brasil é sempre uma pequena vitória. Resolvi trazer algumas imagens e detalhes da revista como curiosidade para vocês.

Confira os detalhes abaixo:

















Espero que tenham gostado!



ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Direto do Japão: Sanrio x A Rosa de Versalhes anunciam a primeira pelúcia oficial da Hello Kitty como Oscar.

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!




Alguém está lembrado da colaboração da Sanrio da Gatinha Hello Kitty com o filme de animação da Rosa de Versalhes ベルサイユのばら 2025?  Pois bem, essa colaboração super fofa começou no ano passado, com os primeiros anúncios focados em produtos de papelaria. Na sequência, outros itens colecionáveis, como chaveiros de borracha, começaram a surgir para a alegria dos fãs.
Muito bem, a colaboração continua em expansão, e, como muitos colecionadores esperavam, recentemente começou a circular a imagem de uma pelúcia espetacular. Trata-se da Hello Kitty caracterizada como Oscar François de Jarjayes, a icônica protagonista de A Rosa de Versalhes, que é simplesmente uma graça.


Esta pelúcia grande é um dos destaques da linha de produtos que celebra a parceria entre as duas franquias adoradas. A Hello Kitty aparece em uma recriação detalhada do uniforme militar da Lady Oscar. Com aproximadamente 27 cm de altura, é um item imponente para qualquer coleção. O produto é fabricado pela FuRyu e será lançado exclusivamente como um item de prêmio (UFO catcher prize) em fliperamas no Japão, a partir de fevereiro de 2026. Embora seja um prêmio de arcade, colecionadores internacionais podem encontrar a pelúcia em lojas online especializadas em importação de produtos de anime, que frequentemente disponibilizam esses itens em pré-venda ou para compra direta. E pode ser encontrada nesse site.


Enquanto aguardamos ansiosamente o lançamento da Hello Kitty em fevereiro de 2026, fica a expectativa para que a FuRyu e a Sanrio tragam para o mundo das pelúcias o restante dessa corte inesquecível.

Espero que, em breve, possamos ver lançados também os outros personagens desta colaboração magistral, como a sofisticada Maria Antonieta × My Melody, o leal André × Dear Daniel e o charmoso Conde Fersen × Pochacco. Afinal, uma coleção inspirada em Versalhes só está completa quando todo o seu elenco brilha sob os holofotes! Então espero que em breve apareça os outros expandindo o universo desta colaboração épica e fofa! 

Espero que tenham gostado! Daqui a Pouco tem mais.






ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Riyoko Ikeda reflete sobre "A Rosa de Versalhes" no vestibular japonês: "Oscar é o meu ideal"(Artigo Traduzido).

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!




No mês passado, A Rosa de Versalhes(ベルサイユのばら), de Riyoko Ikeda, apareceu nas questões do vestibular nacional japonês (Kyotsu Test) e rendeu inúmeros comentários nas redes sociais. E parece que os japoneses ainda não esqueceram o impacto dessa escolha. Recentemente, o Yahoo! Japão publicou um trecho de um artigo da revista Aera, trazendo uma entrevista exclusiva onde a autora reflete sobre esse reconhecimento tardio, mas muito bem-vindo.

Aos quase 80 anos, Ikeda não apenas comenta a surpresa de ver sua obra em um exame de tamanha importância, como também mergulha em memórias profundas sobre as dificuldades que enfrentou como mulher e artista em uma época muito mais rígida. É um relato emocionante que mistura gratidão, uma pitada de ironia contra antigos críticos e uma visão aguçada sobre o papel da ficção na compreensão da história.

Abaixo, apresento a tradução na íntegra desse diálogo fascinante, seguido de algumas reflexões sobre o porquê de Riyoko Ikeda continuar sendo uma voz tão necessária, mesmo cinco décadas depois.



A "Rosa de Versalhes" no Exame Nacional: Autora revela "dificuldades do passado" e "sentimentos pelos jovens" — "Oscar é o meu ideal" ( Artigo Traduzido).


—— Você sabia antecipadamente que "Rosa de Versalhes" apareceria nas questões do Exame Nacional (Kyotsu Test)?

Ikeda: Não, devido ao risco de vazamento de informações, não recebi nenhum aviso (do Centro de Exames). Quando vi a notícia, pensei que a questão deve ter sido muito mais fácil para as mulheres, mas fiquei extremamente feliz. Já se passaram mais de 50 anos desde que a serialização começou em 1972, e eu logo farei 80 anos. Aqueles que estão prestando o exame agora são a geração dos netos dos leitores daquela época, então é uma grande honra ter essa oportunidade de alcançar os jovens desta forma.

—— No texto da questão, foram apresentados alguns quadros da obra com a seguinte análise: "Pode-se considerar que as mulheres nobres da época ocupavam uma posição subordinada em relação aos patriarcas — pais ou maridos". Com que sentimento você desenhou essas mulheres que viviam sob as limitações de uma sociedade dominada por homens?

Ikeda: Antes de casar, estavam sob o domínio do pai; depois do casamento, sob o domínio do marido. Eu achava que era uma vida terrível, mas, como se tratava de um fato histórico, desenhei de forma objetiva, sem projetar empatia excessiva. Contudo, o patriarcado não se limitou à era de "Rosa de Versalhes"; ele persistiu por muito tempo no Japão também. Como saí de casa jovem e vivi da maneira que quis mesmo após me casar aos 22 anos, acho que raramente me senti uma "vítima" dos homens.

Por outro lado, foi doloroso quando, por não conseguir engravidar logo, outras mulheres me diziam: "Você é realmente uma mulher?". Quando eu mencionava criação de filhos ou problemas educacionais em palestras, invariavelmente ouvia de mulheres na plateia: "Você, que não tem filhos, não tem o direito de falar sobre isso". Era uma época em que o pensamento comum era de que uma mulher que não desse à luz não era considerada uma mulher.

Oscar expressa todos os meus sentimentos

—— As dificuldades que você sentiu como mulher estão projetadas em "Rosa de Versalhes"?

Ikeda: Meus sentimentos sobre o quão importante é ser livre são todos expressos pela personagem Oscar. As palavras dela e seu modo de vida são o meu ideal. Oscar nasceu como a filha caçula de uma família de generais franceses e, como todos os seus irmãos eram meninas, foi criada como homem para ser a sucessora do pai. No fim, ela acaba agradecendo ao pai por isso, pois pôde conhecer um mundo vasto que suas irmãs jamais imaginariam. Oscar foi alguém que se rebelou contra o seu tempo do início ao fim.

Eu pretendia desenhar "Rosa de Versalhes" como um mangá para crianças, mas recebi muitas cartas de fãs de mulheres adultas. Naquela época, as mulheres que trabalhavam eram frequentemente forçadas a apenas servir chá e fazer cópias, sendo pressionadas a se casar e se demitir ao atingirem certa idade. Acredito que as mulheres que desejavam trabalhar com afinco passavam por momentos muito difíceis e dolorosos. É por isso que tantas mulheres admiravam a figura de Oscar, vivendo de forma livre e poderosa. André, o fiel escudeiro e a pessoa que melhor a compreendia, também era muito popular; eu via com frequência comentários como: "Quem me dera ter alguém como o André na minha vida".

■ Críticas de que "isso é diferente dos fatos históricos"...

—— O texto da questão do Exame Nacional também incluía a reflexão: "A força das obras de ficção talvez resida na capacidade de retratar sentimentos e conflitos de pessoas do passado que não foram registrados oficialmente". Como você, que trabalhou em tantas obras históricas, recebe essa análise?

Ikeda: Concordo plenamente. No entanto, por ser ficção, os sentimentos e pensamentos do autor estão contidos ali, então nem sempre a obra é fiel aos fatos. Em relação a Berubara, cheguei a receber críticas de pessoas instruídas dizendo que "isso ou aquilo difere da realidade histórica". Como a própria Oscar é uma personagem fictícia, isso é óbvio, não? Eu respondia: "Não estou escrevendo um livro de história". Espero que os leitores possam desfrutar da ficção como ficção, mas que também estudem os fatos históricos seriamente.

É verdade que, após Berubara, recebi muitos convites para obras históricas, mas tenho orgulho de ter desenhado muitos trabalhos que abordam questões sociais. Tratei de temas viscerais como a bomba atômica, minorias sexuais, bullying escolar e os dilemas de mulheres em cargos de liderança. Não sei se o mangá pode resolver problemas sociais, mas ele certamente pode expor que esses problemas existem. Contudo, os temas que desenhei estavam tão à frente do seu tempo que, na época, não ganharam destaque. Sinto um pouco de solidão ao pensar que, depois, eles acabaram esquecidos à sombra do sucesso de Berubara.

■ Jovens que acham "Berubara" difícil demais para ler

—— Apesar disso, Berubara consolidou seu status de clássico imortal, inclusive com o lançamento de um novo filme em anime no ano passado. Qual você acredita ser o motivo de ser amado por mais de meio século?

Ikeda: Sinceramente, nunca parei para pensar nisso, então não sei. Na época da serialização, cheguei a receber uma carta que dizia: "A sua existência como mulher neste mundo é um incômodo. Quero ver sua decadência". Já se passaram 50 anos desde então, então espero que essa pessoa continue se esforçando para viver e testemunhar meu sucesso por muito tempo (risos).

Por outro lado, sinto uma ponta de preocupação de que obras históricas como Berubara se tornem cada vez mais difíceis de serem aceitas. Recentemente, fiquei surpresa com a carta de uma leitora colegial dizendo: "Recomendei Berubara para uma amiga, mas ela disse que não conseguiu ler porque era difícil demais". Primeiro, os nomes dos personagens são complexos, e entender o contexto histórico também deu trabalho, segundo ela. Talvez vivamos em uma era em que obras mais densas são evitadas em favor de entretenimentos mais simples, como romances cotidianos.

É justamente por isso que achei maravilhoso terem escolhido a obra para uma questão do Exame Nacional. Jovens, por favor, tentem ler Berubara pelo menos uma vez. Quem sabe isso não acaba sendo útil para vocês em algum momento da vida?


(Redação: Departamento Editorial da AERA • Yurie Otani) 

fim.


Após essa tradução reveladora, é impossível não mergulhar nas entrelinhas do que Riyoko Ikeda nos diz. Mais do que uma retrospectiva de carreira, a entrevista é um retrato da luta de uma artista que usou a história para moldar o futuro.

Aqui estão três reflexões fundamentais sobre esse diálogo:

1. Oscar François de Jarjayes: Um Manifesto de Liberdade

O que mais chama a atenção é como Ikeda utilizou o cenário da Revolução Francesa para processar suas próprias angústias e as limitações impostas às mulheres no Japão da era Shōwa. Quando ela afirma que "Oscar é o seu ideal", ela nos revela que a personagem nunca foi apenas uma heroína de papel, mas um manifesto vivo de liberdade.

Na obra, Oscar agradece ao pai por ter sido criada como homem — e isso não deve ser lido como uma rejeição à sua feminilidade, mas como um reconhecimento de que apenas naquela posição ela pôde conquistar o "vasto mundo" sumariamente negado às suas irmãs. É uma crítica sutil, porém devastadora, à ideia de que o conhecimento, a autonomia e a aventura deveriam ter gênero.

2. A Solidão de Estar à Frente do Tempo

Existe uma melancolia muito honesta no trecho em que Ikeda comenta como suas obras de teor social — que abordam temas sensíveis como minorias sexuais, bullying e os dilemas da ascensão profissional feminina — foram "ofuscadas" pelo brilho monumental de Berubara.


Isso nos recorda que o artista vanguardista muitas vezes paga um preço alto: o isolamento. Ikeda já debatia identidade de gênero e autonomia décadas antes de esses temas se tornarem pautas globais. O fato de ela se sentir "um pouco solitária" por esse relativo esquecimento demonstra que, para ela, a função social e provocadora da arte sempre foi tão vital quanto a sua perfeição estética.

3. A Elegância Ácida como Resposta ao Preconceito

A resposta de Ikeda ao antigo crítico que desejava ver sua "decadência" é de uma maestria admirável. Ao desejar que ele "continue vivo para testemunhar seu sucesso", ela prova que a melhor vingança contra o preconceito é a longevidade aliada à relevância. Chegar aos 80 anos vendo sua obra ser tema de um exame nacional (o exigente Kyotsu Test) é o triunfo máximo sobre qualquer um que tenha tentado diminuir sua capacidade intelectual.

O Contraste de uma Gigante

É fascinante notar essa faceta resiliente e até irônica da autora. Ela se mostra humanamente dividida: ao mesmo tempo em que celebra o legado eterno de Oscar e André, carrega o peso agridoce de ver seus trabalhos mais realistas e "pé no chão" ainda à sombra de seu maior clássico. No fim, a trajetória de Ikeda nos ensina que, mesmo para os gigantes, a arte é uma jornada feita de constantes contrastes entre o que o mundo quer ver e o que o artista precisa dizer.


Espero que tenham gostado!



ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Evolução do Mangá Shōjo nos Anos 1970 com a Curadora Rei Yoshimura (artigo Traduzido).

 

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!

 

 

O site Anime News Network publicou um material valioso que vai muito além de uma simples notícia: uma entrevista exclusiva sobre A Evolução do Mangá Shōjo nos Anos 1970 com a Curadora Rei Yoshimura. Decidi traduzir e trazer esse conteúdo para cá por um motivo especial: ele oferece uma aula sobre como o mangá feminino deixou de ser apenas entretenimento para se tornar uma vanguarda literária e visual.

Muito mais do que citar títulos, Yoshimura — que é uma das maiores autoridades acadêmicas do Japão — mergulha na transição demográfica da época. Ela explica como o gênero passou das mãos de autores masculinos para o domínio de mulheres geniais, mudando para sempre a forma de contar histórias. O texto aborda desde o desafio técnico de adaptar essas obras para anime até o impacto de temas que hoje conhecemos como Boys' Love (BL) e Josei.

Se você quer entender por que os anos 70 são considerados a "Era de Ouro" que definiu tudo o que consumimos hoje, esta leitura é indispensável. Confira a tradução completa abaixo:

"OBS: Traduuzi o artigo mantendo toda a estrutura e as referências originais. Como não sou fluente, contei com o auxílio do tradutor em algumas partes para agilizar o processo. Por isso, o texto pode passar por revisões futuras para correção de eventuais detalhes. Segue a tradução completa:"


Rei Yoshimura Imagem do site da Embaixada do Japão no Reino Unido



A Evolução do Mangá Shōjo nos Anos 1970 com a Curadora Rei Yoshimura (artigo Traduzido).

Neste mês de janeiro, a Japan House London, em Kensington, sediou uma palestra da curadora de mangás Rei Yoshimura. Yoshimura (na foto à direita) trabalha como curadora há mais de uma década, primeiro no Museu Municipal de Kawasaki e, desde 2017, no Centro Nacional de Artes de Tóquio (NACT).

Especialista em estudos de mangá, Yoshimura já organizou exposições sobre temas que variam de CLAMP a Hideaki Anno. Seu projeto atual é uma futura exposição em Tóquio focada em três artistas icônicas de mangá shōjo dos anos 1970. A exibição "Shojo Manga Infinity: Moto Hagio, Ryoko Yamagishi, and Waki Yamato" ficará em cartaz no NACT de 28 de outubro de 2026 até 8 de fevereiro de 2027.

Entrevistei Yoshimura durante sua visita a Londres, com foco na evolução do mangá shōjo na década de 1970.

Se compararmos o mangá shōjo no início e no final dos anos 1970, quais você diria que foram os desenvolvimentos mais importantes do mercado naquele período?

Rei Yoshimura: As artistas que apresentei ontem [referindo-se a Moto Hagio, Ryōko Yamagishi e Waki Yamato] estrearam todas no final dos anos 1960, e há um número enorme de mangakás que estrearam na mesma época. Aquela geração de artistas conquistou um público de massa maior. No final dos anos 1970, cerca de uma década após a estreia, elas já haviam alcançado um público bastante popular (mainstream), o que expandiu o mercado.

Há também um tipo diferente de transformação. Durante os anos 1970, a maioria dos artistas de mangá shōjo eram homens, mas a partir da geração que acabei de mencionar, nos anos 1980, eram majoritariamente mulheres.

Os mangás dos anos 1970 e 1980 abordam temas muito sérios, mas são desenhados de uma forma altamente estilizada que enfatiza a beleza dos personagens e cenários.

Yoshimura: Na verdade, o tipo de mangá shōjo que se tornou popular no Ocidente é apenas uma parte do mundo do mangá shōjo. Existem alguns mangás shōjo que são muito mais leves e populares apenas no Japão. Esses mangás geralmente possuem contextos culturais com os quais apenas os japoneses se identificariam, e é por isso que não são tão populares aqui.

O valor real do mangá shōjo nos anos 1970 era a diversidade de tópicos discutidos. No Japão, era muito mais diversificado do que o que se tornou popular [no Ocidente].

Isso se conecta à minha próxima pergunta. Nas histórias de mangá shōjo publicadas em inglês, alguns títulos são frequentemente destacados, incluindo A Rosa de Versalhes, They Were Eleven! e The Poem of Wind and Trees (Kaze to Ki no Uta). Mas quais outros mangás desta época você acha que são negligenciados, especialmente na América e na Grã-Bretanha?



Rei Yoshimura: Glass Mask é, na verdade, tão popular quanto A Rosa de Versalhes no Japão — uma série muito longa. Também há títulos da próxima exposição, como Emperor of the Land of the Rising Sun (Hi Izuru Tokoro no Tenshi, de Ryōko Yamagishi) e Haikara-san: Here Comes Miss Modern (Haikara-san ga Tooru, de Waki Yamato).

[Sobre Hi Izuru Tokoro no Tenshi] Ele lida muito com a história japonesa, e é por isso que existe esse contexto cultural que acaba faltando internacionalmente. Hi Izuru Tokoro no Tenshi foi uma obra simbólica naquela época; teve um impacto significativo em uma determinada geração.

Se tivesse que adivinhar, qual proporção de leitores japoneses do mercado shōjo nos anos 1970 eram homens?

Yoshimura: Se eu tivesse mesmo que adivinhar, diria que de 20 a 30 por cento.

Alguns mangás shōjo nos anos 1970 popularizaram temas BL (Boys' Love) em formato de mangá. Os jornais e comentaristas tradicionais no Japão notaram e reagiram a eles?

Yoshimura: Nos anos 1970, o gênero BL não era exatamente uma "categoria" ainda. Era apenas um dos temas retratados no mangá shōjo da época, e isso era muito natural. Ninguém pensava em rotular [o mangá shōjo], porque a diversidade era simplesmente enorme naquele período.

Hoje em dia, parece que o mangá shōjo é adaptado para anime com muito menos frequência do que o mangá shōnen. Os mangás shōjo eram mais adaptados nos anos 1970?

Yoshimura: Mesmo nos anos 70, não havia muitas versões em anime de mangás shōjo. Primeiro, acho que os temas explorados pelo mangá shōnen são muito mais fáceis de transformar em anime. Animes exigem um tempo de tela mais curto por episódio. Acho que os tópicos que o mangá shōjo aborda são muito mais parecidos com literatura ou longas-metragens, então é mais difícil criar ganchos (cliffhangers) para cada episódio [de anime] do que no mangá shōnen. Os mangás shōnen geralmente saem em revistas e cada capítulo tem cerca de 16 a 20 páginas, enquanto no mangá shōjo são 32 ou 40 páginas, então é muito mais longo. É mais difícil cortá-los para ficarem menores.



Quero perguntar sobre alguns mangás shōjo de esportes dos anos 1970, como Attack No. 1 e Aim for the Ace!, que se tornaram animes. Como eles refletiam as mudanças nas expectativas para meninas e mulheres no mundo real?

Yoshimura: Antes da guerra, havia muito mais expectativas sobre papéis de gênero, especialmente para as mulheres. Depois da guerra, isso começou a mudar, mas acho que, a princípio, o mangá shōjo focava mais em temas relacionados ao luto ou tópicos mais pesados. E então foi ficando mais leve com o passar dos anos.

Pode-se considerar que, durante os anos 1960, surgiram muito mais mangás shōjo de romance, o que deu às mulheres mais autonomia em sua caracterização, o que pode ter contribuído para romper com as expectativas. Além disso, nos anos 1960, era extremamente popular que mangás shōnen tivessem temas esportivos, então isso também pode ter influenciado.

Um fator muito importante são as Olimpíadas de Tóquio de 1964. Pode-se dizer que os esportes em geral se popularizaram através de novas mídias como a TV, que os transmitia para todo o país.

Não houve uma famosa equipe feminina de vôlei nessas Olimpíadas?

Yoshimura: Sim, as "Bruxas do Oriente" (Witches of the East).

Moto Hagio teve mais obras traduzidas para o inglês do que outras artistas de mangá shōjo dos anos 1970. O que você acha que há de tão universal em seu trabalho?

Yoshimura: Ela também é a principal artista no Japão, então é natural. O estilo dela é muito literário. E muitos de seus temas são muito universais porque apresentam elementos como ficção científica; muitos de seus temas são mais fáceis de identificar para o público global. Na minha opinião pessoal, mesmo quando ela escreve sobre o Japão contemporâneo, há algo de estrangeiro ou universal em sua obra.

A Rosa de Versalhes é muito mais conhecida do que a maioria das outras obras da artista Riyoko Ikeda. Por que você acha que ela é tão mais famosa que os outros trabalhos dela?

Yoshimura: No Japão é a mesma coisa; A Rosa de Versalhes é significativamente mais popular. Geralmente, os japoneses amam a França; ela era especialmente admirada pelas jovens nos anos 1970. Aprende-se muito sobre a história francesa na escola [japonesa], então muitos japoneses já conhecem a história da França. A tragédia de Maria Antonieta toca profundamente seus corações, então é algo que surge naturalmente para as mulheres japonesas.

Os temas BL ainda têm uma grande influência no mangá shōjo. Mas eu me pergunto se existem outras maneiras pelas quais você acha que o mangá shōjo dos anos 1970 influencia o mangá shōjo de hoje?

Yoshimura: Como eu disse antes, nos anos 1970, os mangás não eram realmente vistos com base no gênero, mas agora eles são mais categorizados do que antes. Uma coisa que consigo pensar é no mangá para mulheres (ladies' manga [josei]), que é um pouco como uma versão mais madura do mangá shōjo, e que é popular agora. [Yoshimura refere-se aos romances de banca "Harlequin", fundados originalmente no Canadá, que influenciaram e foram oficialmente adaptados como mangá por décadas; muitos desses mangás estão disponíveis em inglês. Veja o artigo detalhado de Rebecca Silverman sobre o assunto]. Todo esse gênero [de mangá] em torno desse tema origina-se do mangá shōjo; acho que as leitoras de mangá shōjo o popularizaram no Japão.


Após mergulhar nessa tradução, é impossível não destacar alguns pontos que tornam essa conversa com Rei Yoshimura tão essencial. Primeiramente, o que ela descreve sobre os anos 70 é, na prática, o nascimento da gramática visual do mangá moderno. Autoras como Moto Hagio e Ryoko Yamagishi — integrantes do lendário Grupo do Ano 24 — não subverteram apenas os temas, mas a própria forma de narrar. Elas romperam as molduras rígidas dos quadros, passando a desenhar "emoções" e "atmosferas" em vez de meras ações sequenciais.

Quando Yoshimura menciona que o shōjo é intrinsecamente literário e, por isso, difícil de adaptar para anime, ela toca na alma dessas obras: elas dependem da introspecção e do silêncio entre os quadros. É um lirismo que o ritmo frenético das produções semanais de TV muitas vezes não consegue capturar com a devida delicadeza.

Além disso, é fascinante observar como obras como A Rosa de Versalhes, de Riyoko Ikeda, tornaram-se verdadeiras pontes culturais. Como a curadora aponta, o interesse japonês pela Revolução Francesa criou um fenômeno onde a ficção ensina história sob uma carga emocional tipicamente japonesa — o conceito de mono no aware, ou a beleza da transitoriedade. Por outro lado, o artigo nos faz refletir sobre o "vazio" que temos no Ocidente por não termos acesso a títulos como Hi Izuru Tokoro no Tenshi. Isso nos prova que o mangá não é apenas entretenimento, mas um reflexo profundo da identidade e do repertório educacional de uma nação.

Por fim, um dos pontos mais perspicazes da entrevista é a desconstrução das atuais "caixas" de gênero. Yoshimura nos lembra que, nos anos 70, a diversidade era tão orgânica que o que hoje rotulamos estritamente como BL (Boys' Love) era, na época, apenas uma extensão natural da exploração humana dentro do shōjo. Ao traçar esse paralelo com a influência dos romances Harlequin, ela conecta a ousadia experimental daquela década à fundação do mercado Josei atual. O mangá shōjo daquela era não era feito "apenas para meninas"; era, acima de tudo, um laboratório de vanguarda para questões de gênero, autonomia e identidade que ainda ressoam hoje.


Espero que tenham gostado!

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