Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!
Considerado uma das maiores obras-primas da história dos mangás e animes, A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら Berubara) ocupa um lugar peculiar na cultura pop global. No Brasil, a obra de Riyoko Ikeda carrega um ar de "tesouro escondido", cercada de perguntas sobre por que uma história tão grandiosa nunca chegou a ocupar as tardes da nossa TV aberta.
O Hiato Brasileiro: VHS e a Sombra de Atena
Diferente de outros clássicos da mesma época, a série animada de 1979 nunca foi exibida na televisão brasileira. O contato do público local com a obra nos anos 90 foi extremamente limitado, restringindo-se a alguns volumes lançados em VHS.
Esses lançamentos foram uma tentativa de surfar na "era de ouro" da Rede Manchete, impulsionada pelo sucesso estrondoso de Os Cavaleiros do Zodíaco. Como ambas as obras compartilhavam o traço icônico de Shingo Araki e Michi Himeno, acreditava-se que o público de Seiya aceitaria bem a história de Oscar François de Jarjayes. No entanto, sem a vitrine da TV aberta, a série permaneceu um item de nicho para colecionadores.
Contraste Global: Fracasso no Japão vs. Fenômeno Italiano
É fascinante notar como a recepção da obra variou drasticamente:
No Japão: O anime de 1979 foi considerado um fracasso de audiência em sua exibição original. O público japonês da época, muito apegado à fidelidade absoluta ao mangá, estranhou as liberdades criativas tomadas pela equipe de animação.
Na Europa (especialmente Itália): Sob o título de Lady Oscar, a série tornou-se um fenômeno cultural sem precedentes. Os italianos abraçaram a carga dramática, a trilha sonora épica e a estética rococó, elevando a animação ao status de cult que perdura até hoje. Para muitos europeus, a animação clássica é a versão definitiva, superando até mesmo a experiência de leitura do mangá.
1979 vs. 2025: O Renascimento pelo Estúdio MAPPA
Em 2025, o estúdio MAPPA lançou uma nova adaptação cinematográfica que finalmente parece ter conquistado o coração dos japoneses. A diferença de recepção pode ser explicada por alguns fatores:
Ritmo e Modernização: O filme de 2025 utiliza técnicas modernas de narrativa e uma estética que, embora respeite a obra original, se comunica melhor com a audiência atual do Japão.
Fidelidade ao Material Base: Onde o anime clássico ousou mudar tons e focos, o novo filme buscou uma proximidade maior com o espírito do mangá de Ikeda, algo que o público japonês preza historicamente.
A Polêmica: Feminismo no Mangá vs. Visão do Anime
Existe um debate fervoroso entre historiadores de anime sobre a ideologia da série. Enquanto o mangá de Riyoko Ikeda é celebrado como uma obra extremamente feminista, quebrando barreiras de gênero na década de 70, a animação clássica sofre críticas por certas mudanças.
Muitos estudiosos apontam que a segunda metade do anime, após a troca de diretores (com a entrada de Osamu Dezaki), assumiu um tom mais melancólico e, para alguns, machista. Nesta fase, a figura de Oscar, por vezes, parece ser mais passiva ou definida por seus sofrimentos amorosos e relação com André, em contraste com a Oscar mais política e assertiva das páginas de Ikeda.
O Que Pensa Riyoko Ikeda?
Muitos se perguntam se a autora "odeia" a versão de 1979. A realidade é mais matizada. Ikeda já expressou em diversas ocasiões seu descontentamento com certas liberdades narrativas e mudanças de personalidade que Oscar sofreu na TV. No entanto, ela reconhece o papel fundamental que a animação teve na internacionalização de sua obra, especialmente no mercado europeu.
Por que o Clássico Ainda Reina na Itália?
A preferência italiana pela animação de 79, mesmo após o novo filme, reside na nostalgia e na identidade visual. O trabalho de Shingo Araki criou uma estética de "beleza trágica" que se fundiu com a memória afetiva de uma geração. Para os fãs italianos, a Oscar de 1979 não é apenas um desenho; é um ícone de resistência e paixão que a perfeição técnica do digital dificilmente conseguirá substituir.
Para finalizar, é importante destacar que, embora o novo filme de 2025 traga o brilho da tecnologia atual, muitos fãs — incluindo esta que vos escreve — mantêm o coração ancorado na versão de 1979. Para mim, quando o assunto é adaptação, o anime clássico permanece insuperável.
A Estética e o Ritmo Imbatíveis
O primeiro motivo é visual: o traço de Shingo Araki e Michi Himeno era simplesmente magistral. Há uma elegância e uma expressividade naquelas linhas que ninguém conseguiu replicar com a mesma alma; para mim, são os traços mais lindos da história da animação. Além disso, o formato de série com 40 episódios permitiu que a história de Ikeda respirasse. O anime clássico conseguiu aprofundar a trama de uma forma que um filme de longa-metragem jamais conseguiria.
O Vazio Deixado pelo Filme de 2025
O ponto que mais me decepcionou na nova versão foi a exclusão de figuras fundamentais que o anime de 79 soube aproveitar tão bem. O filme de 2025 deixou de fora nomes como:
O Cavaleiro Negro (um dos meus personagens favoritos!);
Madame du Barry e a Condessa de Polignac;
Jeanne e a própria Rosalie.
Sobre Rosalie, o erro foi ainda mais gritante. No filme novo, ela aparece apenas em uma cena curta, sem qualquer ligação profunda com Oscar e André, sem tempo de tela e sem o desfecho de seu casamento com Bernard. Para mim, essas omissões são falhas narrativas terríveis, muito piores do que qualquer mudança feita na versão de 1979.
A Batalha das Trilhas Sonoras
É justo reconhecer que o filme de 2025 possui músicas belíssimas, mas, ainda assim, elas não alcançam o patamar da trilha sonora original do anime clássico. Aquela composição é impecável, atemporal e consegue evocar a tragédia e o romance da Revolução Francesa de uma maneira que toca a alma.
No fim das contas, a obra de 1979 não é apenas uma animação; é um monumento artístico que, apesar de suas liberdades, entendeu a magnitude de cada personagem e a importância de cada detalhe da corte de Versalhes.
Enfim, este foi apenas um post para comentar as impressões sobre essas duas adaptações tão distintas.
Hoje de manhã, conversando com meu pai — que é um grande entusiasta de A Rosa de Versalhes — ele comentou que, embora deteste musicais, achou o novo filme muito bem feito tecnicamente. No entanto, para ele, os cortes de personagens e a mudança na forma como André perde a visão foram pontos imperdoáveis na narrativa.
Como todo bom italiano que preza pela tradição e pela carga dramática original, ele não tem dúvidas: a versão de 1979 continua sendo a sua favorita e a preferida da nossa família.
Finalizo com vídeos relacionados.



















ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser!





























