Letreiro com titúlo de postagens

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Riyoko Ikeda reflete sobre "A Rosa de Versalhes" no vestibular japonês: "Oscar é o meu ideal"(Artigo Traduzido).

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!




No mês passado, A Rosa de Versalhes(ベルサイユのばら), de Riyoko Ikeda, apareceu nas questões do vestibular nacional japonês (Kyotsu Test) e rendeu inúmeros comentários nas redes sociais. E parece que os japoneses ainda não esqueceram o impacto dessa escolha. Recentemente, o Yahoo! Japão publicou um trecho de um artigo da revista Aera, trazendo uma entrevista exclusiva onde a autora reflete sobre esse reconhecimento tardio, mas muito bem-vindo.

Aos quase 80 anos, Ikeda não apenas comenta a surpresa de ver sua obra em um exame de tamanha importância, como também mergulha em memórias profundas sobre as dificuldades que enfrentou como mulher e artista em uma época muito mais rígida. É um relato emocionante que mistura gratidão, uma pitada de ironia contra antigos críticos e uma visão aguçada sobre o papel da ficção na compreensão da história.

Abaixo, apresento a tradução na íntegra desse diálogo fascinante, seguido de algumas reflexões sobre o porquê de Riyoko Ikeda continuar sendo uma voz tão necessária, mesmo cinco décadas depois.



A "Rosa de Versalhes" no Exame Nacional: Autora revela "dificuldades do passado" e "sentimentos pelos jovens" — "Oscar é o meu ideal" ( Artigo Traduzido).


—— Você sabia antecipadamente que "Rosa de Versalhes" apareceria nas questões do Exame Nacional (Kyotsu Test)?

Ikeda: Não, devido ao risco de vazamento de informações, não recebi nenhum aviso (do Centro de Exames). Quando vi a notícia, pensei que a questão deve ter sido muito mais fácil para as mulheres, mas fiquei extremamente feliz. Já se passaram mais de 50 anos desde que a serialização começou em 1972, e eu logo farei 80 anos. Aqueles que estão prestando o exame agora são a geração dos netos dos leitores daquela época, então é uma grande honra ter essa oportunidade de alcançar os jovens desta forma.

—— No texto da questão, foram apresentados alguns quadros da obra com a seguinte análise: "Pode-se considerar que as mulheres nobres da época ocupavam uma posição subordinada em relação aos patriarcas — pais ou maridos". Com que sentimento você desenhou essas mulheres que viviam sob as limitações de uma sociedade dominada por homens?

Ikeda: Antes de casar, estavam sob o domínio do pai; depois do casamento, sob o domínio do marido. Eu achava que era uma vida terrível, mas, como se tratava de um fato histórico, desenhei de forma objetiva, sem projetar empatia excessiva. Contudo, o patriarcado não se limitou à era de "Rosa de Versalhes"; ele persistiu por muito tempo no Japão também. Como saí de casa jovem e vivi da maneira que quis mesmo após me casar aos 22 anos, acho que raramente me senti uma "vítima" dos homens.

Por outro lado, foi doloroso quando, por não conseguir engravidar logo, outras mulheres me diziam: "Você é realmente uma mulher?". Quando eu mencionava criação de filhos ou problemas educacionais em palestras, invariavelmente ouvia de mulheres na plateia: "Você, que não tem filhos, não tem o direito de falar sobre isso". Era uma época em que o pensamento comum era de que uma mulher que não desse à luz não era considerada uma mulher.

Oscar expressa todos os meus sentimentos

—— As dificuldades que você sentiu como mulher estão projetadas em "Rosa de Versalhes"?

Ikeda: Meus sentimentos sobre o quão importante é ser livre são todos expressos pela personagem Oscar. As palavras dela e seu modo de vida são o meu ideal. Oscar nasceu como a filha caçula de uma família de generais franceses e, como todos os seus irmãos eram meninas, foi criada como homem para ser a sucessora do pai. No fim, ela acaba agradecendo ao pai por isso, pois pôde conhecer um mundo vasto que suas irmãs jamais imaginariam. Oscar foi alguém que se rebelou contra o seu tempo do início ao fim.

Eu pretendia desenhar "Rosa de Versalhes" como um mangá para crianças, mas recebi muitas cartas de fãs de mulheres adultas. Naquela época, as mulheres que trabalhavam eram frequentemente forçadas a apenas servir chá e fazer cópias, sendo pressionadas a se casar e se demitir ao atingirem certa idade. Acredito que as mulheres que desejavam trabalhar com afinco passavam por momentos muito difíceis e dolorosos. É por isso que tantas mulheres admiravam a figura de Oscar, vivendo de forma livre e poderosa. André, o fiel escudeiro e a pessoa que melhor a compreendia, também era muito popular; eu via com frequência comentários como: "Quem me dera ter alguém como o André na minha vida".

■ Críticas de que "isso é diferente dos fatos históricos"...

—— O texto da questão do Exame Nacional também incluía a reflexão: "A força das obras de ficção talvez resida na capacidade de retratar sentimentos e conflitos de pessoas do passado que não foram registrados oficialmente". Como você, que trabalhou em tantas obras históricas, recebe essa análise?

Ikeda: Concordo plenamente. No entanto, por ser ficção, os sentimentos e pensamentos do autor estão contidos ali, então nem sempre a obra é fiel aos fatos. Em relação a Berubara, cheguei a receber críticas de pessoas instruídas dizendo que "isso ou aquilo difere da realidade histórica". Como a própria Oscar é uma personagem fictícia, isso é óbvio, não? Eu respondia: "Não estou escrevendo um livro de história". Espero que os leitores possam desfrutar da ficção como ficção, mas que também estudem os fatos históricos seriamente.

É verdade que, após Berubara, recebi muitos convites para obras históricas, mas tenho orgulho de ter desenhado muitos trabalhos que abordam questões sociais. Tratei de temas viscerais como a bomba atômica, minorias sexuais, bullying escolar e os dilemas de mulheres em cargos de liderança. Não sei se o mangá pode resolver problemas sociais, mas ele certamente pode expor que esses problemas existem. Contudo, os temas que desenhei estavam tão à frente do seu tempo que, na época, não ganharam destaque. Sinto um pouco de solidão ao pensar que, depois, eles acabaram esquecidos à sombra do sucesso de Berubara.

■ Jovens que acham "Berubara" difícil demais para ler

—— Apesar disso, Berubara consolidou seu status de clássico imortal, inclusive com o lançamento de um novo filme em anime no ano passado. Qual você acredita ser o motivo de ser amado por mais de meio século?

Ikeda: Sinceramente, nunca parei para pensar nisso, então não sei. Na época da serialização, cheguei a receber uma carta que dizia: "A sua existência como mulher neste mundo é um incômodo. Quero ver sua decadência". Já se passaram 50 anos desde então, então espero que essa pessoa continue se esforçando para viver e testemunhar meu sucesso por muito tempo (risos).

Por outro lado, sinto uma ponta de preocupação de que obras históricas como Berubara se tornem cada vez mais difíceis de serem aceitas. Recentemente, fiquei surpresa com a carta de uma leitora colegial dizendo: "Recomendei Berubara para uma amiga, mas ela disse que não conseguiu ler porque era difícil demais". Primeiro, os nomes dos personagens são complexos, e entender o contexto histórico também deu trabalho, segundo ela. Talvez vivamos em uma era em que obras mais densas são evitadas em favor de entretenimentos mais simples, como romances cotidianos.

É justamente por isso que achei maravilhoso terem escolhido a obra para uma questão do Exame Nacional. Jovens, por favor, tentem ler Berubara pelo menos uma vez. Quem sabe isso não acaba sendo útil para vocês em algum momento da vida?


(Redação: Departamento Editorial da AERA • Yurie Otani) 

fim.


Após essa tradução reveladora, é impossível não mergulhar nas entrelinhas do que Riyoko Ikeda nos diz. Mais do que uma retrospectiva de carreira, a entrevista é um retrato da luta de uma artista que usou a história para moldar o futuro.

Aqui estão três reflexões fundamentais sobre esse diálogo:

1. Oscar François de Jarjayes: Um Manifesto de Liberdade

O que mais chama a atenção é como Ikeda utilizou o cenário da Revolução Francesa para processar suas próprias angústias e as limitações impostas às mulheres no Japão da era Shōwa. Quando ela afirma que "Oscar é o seu ideal", ela nos revela que a personagem nunca foi apenas uma heroína de papel, mas um manifesto vivo de liberdade.

Na obra, Oscar agradece ao pai por ter sido criada como homem — e isso não deve ser lido como uma rejeição à sua feminilidade, mas como um reconhecimento de que apenas naquela posição ela pôde conquistar o "vasto mundo" sumariamente negado às suas irmãs. É uma crítica sutil, porém devastadora, à ideia de que o conhecimento, a autonomia e a aventura deveriam ter gênero.

2. A Solidão de Estar à Frente do Tempo

Existe uma melancolia muito honesta no trecho em que Ikeda comenta como suas obras de teor social — que abordam temas sensíveis como minorias sexuais, bullying e os dilemas da ascensão profissional feminina — foram "ofuscadas" pelo brilho monumental de Berubara.


Isso nos recorda que o artista vanguardista muitas vezes paga um preço alto: o isolamento. Ikeda já debatia identidade de gênero e autonomia décadas antes de esses temas se tornarem pautas globais. O fato de ela se sentir "um pouco solitária" por esse relativo esquecimento demonstra que, para ela, a função social e provocadora da arte sempre foi tão vital quanto a sua perfeição estética.

3. A Elegância Ácida como Resposta ao Preconceito

A resposta de Ikeda ao antigo crítico que desejava ver sua "decadência" é de uma maestria admirável. Ao desejar que ele "continue vivo para testemunhar seu sucesso", ela prova que a melhor vingança contra o preconceito é a longevidade aliada à relevância. Chegar aos 80 anos vendo sua obra ser tema de um exame nacional (o exigente Kyotsu Test) é o triunfo máximo sobre qualquer um que tenha tentado diminuir sua capacidade intelectual.

O Contraste de uma Gigante

É fascinante notar essa faceta resiliente e até irônica da autora. Ela se mostra humanamente dividida: ao mesmo tempo em que celebra o legado eterno de Oscar e André, carrega o peso agridoce de ver seus trabalhos mais realistas e "pé no chão" ainda à sombra de seu maior clássico. No fim, a trajetória de Ikeda nos ensina que, mesmo para os gigantes, a arte é uma jornada feita de constantes contrastes entre o que o mundo quer ver e o que o artista precisa dizer.


Espero que tenham gostado!



ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Evolução do Mangá Shōjo nos Anos 1970 com a Curadora Rei Yoshimura (artigo Traduzido).

 

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!

 

 

O site Anime News Network publicou um material valioso que vai muito além de uma simples notícia: uma entrevista exclusiva sobre A Evolução do Mangá Shōjo nos Anos 1970 com a Curadora Rei Yoshimura. Decidi traduzir e trazer esse conteúdo para cá por um motivo especial: ele oferece uma aula sobre como o mangá feminino deixou de ser apenas entretenimento para se tornar uma vanguarda literária e visual.

Muito mais do que citar títulos, Yoshimura — que é uma das maiores autoridades acadêmicas do Japão — mergulha na transição demográfica da época. Ela explica como o gênero passou das mãos de autores masculinos para o domínio de mulheres geniais, mudando para sempre a forma de contar histórias. O texto aborda desde o desafio técnico de adaptar essas obras para anime até o impacto de temas que hoje conhecemos como Boys' Love (BL) e Josei.

Se você quer entender por que os anos 70 são considerados a "Era de Ouro" que definiu tudo o que consumimos hoje, esta leitura é indispensável. Confira a tradução completa abaixo:

"OBS: Traduuzi o artigo mantendo toda a estrutura e as referências originais. Como não sou fluente, contei com o auxílio do tradutor em algumas partes para agilizar o processo. Por isso, o texto pode passar por revisões futuras para correção de eventuais detalhes. Segue a tradução completa:"


Rei Yoshimura Imagem do site da Embaixada do Japão no Reino Unido



A Evolução do Mangá Shōjo nos Anos 1970 com a Curadora Rei Yoshimura (artigo Traduzido).

Neste mês de janeiro, a Japan House London, em Kensington, sediou uma palestra da curadora de mangás Rei Yoshimura. Yoshimura (na foto à direita) trabalha como curadora há mais de uma década, primeiro no Museu Municipal de Kawasaki e, desde 2017, no Centro Nacional de Artes de Tóquio (NACT).

Especialista em estudos de mangá, Yoshimura já organizou exposições sobre temas que variam de CLAMP a Hideaki Anno. Seu projeto atual é uma futura exposição em Tóquio focada em três artistas icônicas de mangá shōjo dos anos 1970. A exibição "Shojo Manga Infinity: Moto Hagio, Ryoko Yamagishi, and Waki Yamato" ficará em cartaz no NACT de 28 de outubro de 2026 até 8 de fevereiro de 2027.

Entrevistei Yoshimura durante sua visita a Londres, com foco na evolução do mangá shōjo na década de 1970.

Se compararmos o mangá shōjo no início e no final dos anos 1970, quais você diria que foram os desenvolvimentos mais importantes do mercado naquele período?

Rei Yoshimura: As artistas que apresentei ontem [referindo-se a Moto Hagio, Ryōko Yamagishi e Waki Yamato] estrearam todas no final dos anos 1960, e há um número enorme de mangakás que estrearam na mesma época. Aquela geração de artistas conquistou um público de massa maior. No final dos anos 1970, cerca de uma década após a estreia, elas já haviam alcançado um público bastante popular (mainstream), o que expandiu o mercado.

Há também um tipo diferente de transformação. Durante os anos 1970, a maioria dos artistas de mangá shōjo eram homens, mas a partir da geração que acabei de mencionar, nos anos 1980, eram majoritariamente mulheres.

Os mangás dos anos 1970 e 1980 abordam temas muito sérios, mas são desenhados de uma forma altamente estilizada que enfatiza a beleza dos personagens e cenários.

Yoshimura: Na verdade, o tipo de mangá shōjo que se tornou popular no Ocidente é apenas uma parte do mundo do mangá shōjo. Existem alguns mangás shōjo que são muito mais leves e populares apenas no Japão. Esses mangás geralmente possuem contextos culturais com os quais apenas os japoneses se identificariam, e é por isso que não são tão populares aqui.

O valor real do mangá shōjo nos anos 1970 era a diversidade de tópicos discutidos. No Japão, era muito mais diversificado do que o que se tornou popular [no Ocidente].

Isso se conecta à minha próxima pergunta. Nas histórias de mangá shōjo publicadas em inglês, alguns títulos são frequentemente destacados, incluindo A Rosa de Versalhes, They Were Eleven! e The Poem of Wind and Trees (Kaze to Ki no Uta). Mas quais outros mangás desta época você acha que são negligenciados, especialmente na América e na Grã-Bretanha?



Rei Yoshimura: Glass Mask é, na verdade, tão popular quanto A Rosa de Versalhes no Japão — uma série muito longa. Também há títulos da próxima exposição, como Emperor of the Land of the Rising Sun (Hi Izuru Tokoro no Tenshi, de Ryōko Yamagishi) e Haikara-san: Here Comes Miss Modern (Haikara-san ga Tooru, de Waki Yamato).

[Sobre Hi Izuru Tokoro no Tenshi] Ele lida muito com a história japonesa, e é por isso que existe esse contexto cultural que acaba faltando internacionalmente. Hi Izuru Tokoro no Tenshi foi uma obra simbólica naquela época; teve um impacto significativo em uma determinada geração.

Se tivesse que adivinhar, qual proporção de leitores japoneses do mercado shōjo nos anos 1970 eram homens?

Yoshimura: Se eu tivesse mesmo que adivinhar, diria que de 20 a 30 por cento.

Alguns mangás shōjo nos anos 1970 popularizaram temas BL (Boys' Love) em formato de mangá. Os jornais e comentaristas tradicionais no Japão notaram e reagiram a eles?

Yoshimura: Nos anos 1970, o gênero BL não era exatamente uma "categoria" ainda. Era apenas um dos temas retratados no mangá shōjo da época, e isso era muito natural. Ninguém pensava em rotular [o mangá shōjo], porque a diversidade era simplesmente enorme naquele período.

Hoje em dia, parece que o mangá shōjo é adaptado para anime com muito menos frequência do que o mangá shōnen. Os mangás shōjo eram mais adaptados nos anos 1970?

Yoshimura: Mesmo nos anos 70, não havia muitas versões em anime de mangás shōjo. Primeiro, acho que os temas explorados pelo mangá shōnen são muito mais fáceis de transformar em anime. Animes exigem um tempo de tela mais curto por episódio. Acho que os tópicos que o mangá shōjo aborda são muito mais parecidos com literatura ou longas-metragens, então é mais difícil criar ganchos (cliffhangers) para cada episódio [de anime] do que no mangá shōnen. Os mangás shōnen geralmente saem em revistas e cada capítulo tem cerca de 16 a 20 páginas, enquanto no mangá shōjo são 32 ou 40 páginas, então é muito mais longo. É mais difícil cortá-los para ficarem menores.



Quero perguntar sobre alguns mangás shōjo de esportes dos anos 1970, como Attack No. 1 e Aim for the Ace!, que se tornaram animes. Como eles refletiam as mudanças nas expectativas para meninas e mulheres no mundo real?

Yoshimura: Antes da guerra, havia muito mais expectativas sobre papéis de gênero, especialmente para as mulheres. Depois da guerra, isso começou a mudar, mas acho que, a princípio, o mangá shōjo focava mais em temas relacionados ao luto ou tópicos mais pesados. E então foi ficando mais leve com o passar dos anos.

Pode-se considerar que, durante os anos 1960, surgiram muito mais mangás shōjo de romance, o que deu às mulheres mais autonomia em sua caracterização, o que pode ter contribuído para romper com as expectativas. Além disso, nos anos 1960, era extremamente popular que mangás shōnen tivessem temas esportivos, então isso também pode ter influenciado.

Um fator muito importante são as Olimpíadas de Tóquio de 1964. Pode-se dizer que os esportes em geral se popularizaram através de novas mídias como a TV, que os transmitia para todo o país.

Não houve uma famosa equipe feminina de vôlei nessas Olimpíadas?

Yoshimura: Sim, as "Bruxas do Oriente" (Witches of the East).

Moto Hagio teve mais obras traduzidas para o inglês do que outras artistas de mangá shōjo dos anos 1970. O que você acha que há de tão universal em seu trabalho?

Yoshimura: Ela também é a principal artista no Japão, então é natural. O estilo dela é muito literário. E muitos de seus temas são muito universais porque apresentam elementos como ficção científica; muitos de seus temas são mais fáceis de identificar para o público global. Na minha opinião pessoal, mesmo quando ela escreve sobre o Japão contemporâneo, há algo de estrangeiro ou universal em sua obra.

A Rosa de Versalhes é muito mais conhecida do que a maioria das outras obras da artista Riyoko Ikeda. Por que você acha que ela é tão mais famosa que os outros trabalhos dela?

Yoshimura: No Japão é a mesma coisa; A Rosa de Versalhes é significativamente mais popular. Geralmente, os japoneses amam a França; ela era especialmente admirada pelas jovens nos anos 1970. Aprende-se muito sobre a história francesa na escola [japonesa], então muitos japoneses já conhecem a história da França. A tragédia de Maria Antonieta toca profundamente seus corações, então é algo que surge naturalmente para as mulheres japonesas.

Os temas BL ainda têm uma grande influência no mangá shōjo. Mas eu me pergunto se existem outras maneiras pelas quais você acha que o mangá shōjo dos anos 1970 influencia o mangá shōjo de hoje?

Yoshimura: Como eu disse antes, nos anos 1970, os mangás não eram realmente vistos com base no gênero, mas agora eles são mais categorizados do que antes. Uma coisa que consigo pensar é no mangá para mulheres (ladies' manga [josei]), que é um pouco como uma versão mais madura do mangá shōjo, e que é popular agora. [Yoshimura refere-se aos romances de banca "Harlequin", fundados originalmente no Canadá, que influenciaram e foram oficialmente adaptados como mangá por décadas; muitos desses mangás estão disponíveis em inglês. Veja o artigo detalhado de Rebecca Silverman sobre o assunto]. Todo esse gênero [de mangá] em torno desse tema origina-se do mangá shōjo; acho que as leitoras de mangá shōjo o popularizaram no Japão.


Após mergulhar nessa tradução, é impossível não destacar alguns pontos que tornam essa conversa com Rei Yoshimura tão essencial. Primeiramente, o que ela descreve sobre os anos 70 é, na prática, o nascimento da gramática visual do mangá moderno. Autoras como Moto Hagio e Ryoko Yamagishi — integrantes do lendário Grupo do Ano 24 — não subverteram apenas os temas, mas a própria forma de narrar. Elas romperam as molduras rígidas dos quadros, passando a desenhar "emoções" e "atmosferas" em vez de meras ações sequenciais.

Quando Yoshimura menciona que o shōjo é intrinsecamente literário e, por isso, difícil de adaptar para anime, ela toca na alma dessas obras: elas dependem da introspecção e do silêncio entre os quadros. É um lirismo que o ritmo frenético das produções semanais de TV muitas vezes não consegue capturar com a devida delicadeza.

Além disso, é fascinante observar como obras como A Rosa de Versalhes, de Riyoko Ikeda, tornaram-se verdadeiras pontes culturais. Como a curadora aponta, o interesse japonês pela Revolução Francesa criou um fenômeno onde a ficção ensina história sob uma carga emocional tipicamente japonesa — o conceito de mono no aware, ou a beleza da transitoriedade. Por outro lado, o artigo nos faz refletir sobre o "vazio" que temos no Ocidente por não termos acesso a títulos como Hi Izuru Tokoro no Tenshi. Isso nos prova que o mangá não é apenas entretenimento, mas um reflexo profundo da identidade e do repertório educacional de uma nação.

Por fim, um dos pontos mais perspicazes da entrevista é a desconstrução das atuais "caixas" de gênero. Yoshimura nos lembra que, nos anos 70, a diversidade era tão orgânica que o que hoje rotulamos estritamente como BL (Boys' Love) era, na época, apenas uma extensão natural da exploração humana dentro do shōjo. Ao traçar esse paralelo com a influência dos romances Harlequin, ela conecta a ousadia experimental daquela década à fundação do mercado Josei atual. O mangá shōjo daquela era não era feito "apenas para meninas"; era, acima de tudo, um laboratório de vanguarda para questões de gênero, autonomia e identidade que ainda ressoam hoje.


Espero que tenham gostado!

lady oscar identitàady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser!








terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

3 de Fevereiro: O Onomástico de Lady Oscar e o Significado da "Espada Divina"

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!


 Hoje, 3 de fevereiro, celebramos o  Onomástico da nossa querida Lady Oscar!

A autora Riyoko Ikeda batizou a protagonista de sua obra máxima, Rosa de Versalhes(ベルサイユのばら)  com o nome de um santo da Igreja Católica: Santo Oscar (também conhecido como Santo Anscario ou Santo Ansgário). Por isso, hoje é o dia oficial para homenagearmos a nossa heroína.



Mas afinal, o que é um Onomástico?

Se a palavra parece estranha para você, não se preocupe! O termo vem do grego e significa, literalmente, “relativo ao nome”. No contexto religioso e cultural, o "dia onomástico" é a data em que se celebra o santo que carrega o mesmo nome que você. É como um "segundo aniversário", muito tradicional em vários países da Europa.

Oscar: A Espada de Deus

A escolha de Ikeda não poderia ter sido mais precisa. O nome Oscar possui raízes germânicas e carrega significados poderosos: "Lança de Deus" ou, como é mais popularmente conhecido na cultura dos fãs, "Espada de Deus/Espada Divina".

Nada define melhor a nossa Comandante da Guarda Real. Oscar François de Jarjayes foi criada para ser a "espada" que protege a coroa e a justiça, vivendo com a retidão e a força que o seu próprio nome carrega.

Curiosidades sobre Santo Oscar

O santo do dia, Santo Anscário, viveu no século IX e ficou conhecido como o "Apóstolo do Norte" por sua missão de levar a fé aos povos escandinavos. Assim como a nossa Oscar, ele foi um pioneiro que enfrentou grandes desafios em terras difíceis, mantendo-se fiel aos seus princípios até o fim.

Portanto, hoje é o dia de todas as pessoas chamadas Oscar e, claro, da nossa eterna Rosa de Versalhes. Que a coragem e a "espada divina" dessa personagem continuem nos inspirando!




Vamos falar um pouco sobre a nossa Oscar?

Aproveitando que hoje é o seu Onomástico, vamos mergulhar na história e nas curiosidades dessa personagem que mudou a história dos mangás.

No universo criado por Riyoko Ikeda, Oscar é a filha caçula do General Jarjayes — personagem inspirado no verdadeiro nobre francês François Augustin Regnier de Jarjayes. Nascida em pleno dia de Natal, ela teve seu destino traçado pelo pai: como ele não teve filhos homens, decidiu criá-la como um soldado para que ela pudesse sucedê-lo no comando da Guarda Real.

Aos 14 anos, com sua formação militar completa, Oscar assume o cargo de capitã da guarda da princesa austríaca Maria Antonieta. O que começou como uma missão de proteção, transformou-se em uma das jornadas mais épicas da ficção..



Curiosidades que você precisa saber:

  • A Espada de Deus: No anime, há um momento delicado em que a irmã mais nova de Alain conhece a comandante e diz: "Seu nome é muito bonito, significa 'A Espada de Deus'". Uma definição perfeita para sua força.

  • De Coadjuvante a Protagonista: Originalmente, Oscar seria apenas uma personagem de apoio para Maria Antonieta. No entanto, sua personalidade forte "eclipsou" a rainha em popularidade, tornando-se a protagonista absoluta e a única "Rosa" no jardim de Versalhes para muitos fãs.

  • A Escolha do Gênero: Ikeda considerou fazer de Oscar um homem. No entanto, aos 24 anos, a autora sentiu que não entenderia profundamente o psicológico masculino para retratar um soldado homem com fidelidade. Assim, nasceu a icônica mulher militar que conhecemos.

  • Influências Artísticas: A estética de Oscar foi inspirada nas atrizes do Takarazuka Revue (teatro japonês onde mulheres interpretam papéis masculinos) e na Princesa Safira, de A Princesa e o Cavaleiro, de Osamu Tezuka.

  • Homenagem Literária: Você sabia que o nome "Oscar" foi escolhido porque Riyoko Ikeda é uma grande fã do escritor Oscar Wilde?


 Um Brinde à "Espada Divina"

Como mencionei anteriormente, na Itália é uma tradição belíssima comemorar o Onomástico. Por isso, hoje os fóruns e grupos italianos estão repletos de homenagens à nossa heroína. Sendo eu descendente direta de italianos, não poderia deixar passar essa data em branco.

Celebrar o dia do nome de Lady Oscar é, para mim, celebrar uma fonte de inspiração que atravessa gerações. Mesmo sendo uma figura fictícia, ela representa a coragem de ser quem somos em um mundo cheio de imposições.

Feliz dia do Onomástico, Oscar François de Jarjayes! Obrigada por tudo o que você me ensinou e por continuar sendo esse símbolo de força e retidão em minha vida.








 












.
 













Espero que tenham gostado!
 




 
 
 
 

lady oscar identitàady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser!




Riyoko Ikeda autora da Rosa de Versalhes participará de uma palestra em Osaka.

Olá queridos, amigos da Lady Oscar,sejam bem vindos!


 A página italiana do Facebook, Lady Oscar Fan Club Italian, trouxe uma super notícia que pegou os fãs de surpresa. A nossa eterna Sensei, Riyoko Ikeda, está cada vez mais presente em eventos culturais e conferências, provando que sua influência e vitalidade continuam inspirando gerações.

Desta vez, a autora de A Rosa de Versalhes será a convidada de honra em um evento especial no Japão. A palestra acontecerá no dia 10 de maio de 2026, a partir das 14h, no Grande Salão do Toyonaka City Cultural Arts Center, localizado em Osaka. É uma oportunidade única para o público japonês e para os turistas que estiverem na região de verem de perto uma das maiores lendas da história do mangá.


O evento será aberto ao público geral e os interessados podem garantir sua entrada mediante o pagamento do ingresso no local. Para os admiradores da "Sensei", encontros como este são oportunidades raras e valiosas de celebrar o legado de suas obras — que, com uma sensibilidade artística sem igual, conseguem entrelaçar fatos históricos e dramas humanos profundos.

Enfim, a expectativa para este encontro em Osaka é altíssima, especialmente pelo que aconteceu recentemente. Para quem não lembra, em sua última conferência no ano passado, Ikeda pegou todos de surpresa ao revelar que a Disney tentou comprar os direitos de A Rosa de Versalhes. Segundo a autora, ela teria recusado uma oferta bilionária para manter o controle criativo de sua obra mais icônica.

Com revelações bombásticas desse nível no currículo recente, todos os olhos se voltam para o que ela poderá dizer desta vez. Ficaremos atentos a todos os detalhes sobre os temas que serão abordados e traremos qualquer nova atualização vinda dos nossos parceiros italianos!


  • Convidada de Honra: Riyoko Ikeda (Sensei).

  • Data: 10 de maio de 2026.

  • Horário: A partir das 14h (horário local).

  • Local: Toyonaka City Cultural Arts Center (Grande Salão), em Osaka, Japão.

  • Uma Linda semana todos Vocês amigos da Lady Oscar.



    ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

     


     


  • segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

    Em 2 de fevereiro de 1848 morria Rosalie Lamorlière, a mulher que inspirou Riyoko Ikeda a criar a protegida de Lady Oscar no mangá Rosa de Versalhes

     

    Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!

     


     

    No dia 2 de fevereiro de 1848, partia Rosalie Lamorlière,, uma figura histórica cuja vida foi marcada pela lealdade e pela tragédia. Para os fãs de cultura pop, ela é imortalizada como a protegida de Lady Oscar no mangá e anime Rosa de Versalhes (Berusaiyu no Bara), de Riyoko Ikeda.

    Com a recente estreia do novo filme de animação no Japão (31/01), não há momento melhor para homenagear essa mulher que foi o último conforto de Maria Antonieta na prisão da Conciergerie.




     

    A Rosalie da Ficção: Entre a Nobreza e a Vingança

    No universo de Riyoko Ikeda, Rosalie é introduzida como uma jovem doce e pobre que vive com sua mãe adotiva e sua irmã de criação, a ambiciosa Jeanne Valois. Após a morte trágica de sua mãe, atropelada por uma carruagem nobre, Rosalie jura vingança e acaba cruzando o caminho de Lady Oscar.

    Oscar a acolhe, ensinando-lhe etiqueta e esgrima. Embora muitos leitores busquem nuances de um romance yuri na relação, Ikeda retrata o vínculo como uma profunda admiração e amor fraternal. Na trama, a reviravolta dramática é a descoberta de que Rosalie é, na verdade, filha biológica da Condessa de Polignac — uma das maiores vilãs da obra, cujas intrigas cercam a Rainha Maria Antonieta.


     

    A Realidade Histórica: A Última Serva da Rainha

    Apesar da inspiração, a Marie-Rosalie Delamorlière real teve uma trajetória diferente da ficção:

    • Origem Humilde: Ela não era filha da Condessa de Polignac nem irmã de Jeanne Valois. Nasceu em 1768, filha do sapateiro François de Lamorlière. Perdeu a mãe aos 12 anos e passou a trabalhar como doméstica para sustentar a família.

    • O Encontro com a História: Rosalie entrou para a história como a serva que cuidou de Maria Antonieta em seus últimos dias na Conciergerie. Ela oferecia à rainha gestos de humanidade, como trocar suas roupas sujas e tentar alimentá-la, apesar da vigilância severa dos revolucionários.

    • Legado: Rosalie chegou a ter uma filha na vida real e viveu o suficiente para ver a restauração da monarquia e o subsequente declínio dos Bourbon, falecendo em um asilo para idosos em Paris.

     
     
     

    A Realidade por trás do Traço: Quem foi Marie-Rosalie?

    Embora Riyoko Ikeda tenha construído uma narrativa emocionante, é importante lembrar que a Rosalie histórica e a da ficção trilharam caminhos bem distintos. Na vida real, ela jamais teve parentesco com a ambiciosa Jeanne Valois e, muito menos, era a filha secreta da Condessa de Polignac. Na verdade, essas mulheres nunca chegaram a se cruzar.

    A verdadeira face por trás da personagem era Marie-Rosalie Delamorlière. Nascida em 19 de março de 1768, ela teve uma origem marcada pela simplicidade e pelo trabalho duro. Filha do sapateiro François de Lamorlière e de Marguerite Charlotte Vaconsin, Rosalie conheceu a dor da perda muito cedo: sua mãe faleceu quando ela tinha apenas 12 anos, forçando a menina a amadurecer precocemente para enfrentar as dificuldades da época.

    Longe dos duelos de esgrima e dos salões de Versalhes, a verdadeira Rosalie conquistou seu lugar na história através da compaixão, tornando-se o último raio de humanidade na vida de uma rainha que já havia perdido tudo.

     
       
     
    A verdadeira Rosalie Lamorlière.



    Embora a Rosalie de Riyoko Ikeda seja uma personagem central no mangá — convivendo diariamente com Lady Oscar e André e participando ativamente da trama política — os fãs que esperam vê-la brilhar no novo filme de animação podem se decepcionar um pouco.

    Nesta nova versão cinematográfica, a importância de Rosalie foi drasticamente reduzida. Ela aparece apenas em uma pequena cena, sendo deixada de lado em favor do ritmo acelerado do longa. Além disso, uma mudança que mexe diretamente com o cânone que conhecemos é a sua vida amorosa: no filme, ela sequer é casada com Bernard Châtelet, o "Cavaleiro Negro".


    O Contraste com a Realidade Histórica

    Essa "solidão" da personagem no filme, de certa forma, a aproxima da realidade histórica, já que a verdadeira Rosalie nunca conviveu com figuras fictícias como Oscar.

    A verdadeira Marie-Rosalie Delamorlière (nascida em 19 de março de 1768) teve uma origem muito mais humilde do que os roteiros sugerem. Filha do sapateiro François de Lamorlière e de Marguerite Charlotte Vaconsin, ela não possuía laços de sangue com a nobreza. Na vida real, ela jamais foi filha da Condessa de Polignac ou irmã de Jeanne Valois; na verdade, essas mulheres sequer se conheceram.

    A vida de Marie-Rosalie foi marcada pela resiliência. Após perder a mãe aos 12 anos, ela seguiu o caminho do trabalho doméstico que a levaria, anos depois, aos portões da Conciergerie para servir Maria Antonieta em seus momentos finais.


     







    Finalizo com alguns vídeos e fotos com os melhores momentos de Rosalie da Rosa de Versalhes ao lado da nossa Lady Oscar.

     

     


     

     
     
     
     
     
     

     
     

     
     
     

     
     
     
     
     
     
    Espero que tenham gostado!




     
     
     
     
     lady oscar identitàady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser!