Olá,queridos, amigos da Lady Oscar, sejam Bem vindos!
Hoje é 14 de julho, data da Queda da Bastilha, um feriado nacional na França e também o dia em que lembramos da morte de Lady Oscar.
Para o mundo, esta data marca a derrocada do absolutismo francês e o início de uma nova ordem social. Para nós, fãs de A Rosa de Versalhes (Berubara), é o dia em que o destino de nossa heroína se entrelaça com o destino de uma nação. É o momento em que a ficção e a realidade se fundem no palco da História.O 14 de Julho: A História Real e o Fim da Monarquia
Historicamente, o 14 de julho de 1789 não foi uma batalha épica de resgate, mas um movimento pragmático de sobrevivência. A Bastilha, uma fortaleza medieval que já não exercia papel estratégico, abrigava apenas sete prisioneiros. O objetivo real dos parisienses era a pólvora estocada no local. A negativa do governador De Launay em entregar o arsenal e sua ordem de disparar contra a multidão transformaram o que seria uma reivindicação em uma insurreição sangrenta. A queda da fortaleza simbolizou o colapso da autoridade divina dos reis e o início do fim da Monarquia Francesa, deflagrando uma revolução que mudaria o mundo para sempre.
A Morte de Oscar: Entre o Heroísmo e a Doença
No mangá, Riyoko Ikeda não nos poupa. A morte de Oscar na Bastilha é o desfecho trágico necessário para uma heroína que escolheu o lado do povo. Contudo, há uma camada de realismo brutal na obra: no volume 4 do mangá (edição brasileira), Ikeda já plantava as sementes do fim. Oscar começa a definhar, e embora a autora não nomeie a doença, os sintomas indicam claramente a tuberculose. Naquela época, sem antibióticos, era uma sentença de morte que não distinguia classes. Ikeda, em um gesto de misericórdia artística, preferiu poupá-la de um fim solitário em um leito de hospital, concedendo-lhe o martírio heroico: Oscar morre liderando sua tropa, de espada em punho, exatamente no 14 de julho.
Como as Adaptações Tratam o Fim
É fascinante observar como cada adaptação lida com esse clímax:
Anime de 1979: A versão mais icônica e visceral. A morte de Oscar na Bastilha é coreografada com uma carga emocional avassaladora, consolidando o trauma de gerações. O uso dos traços de Shingo Araki e Michi Himeno transformou sua queda em uma obra de arte fúnebre.
Live-Action de 1979: Esta é a única versão notável onde Oscar sobrevive à Bastilha. Contudo, ao não morrer, ela perde o seu peso lendário. A adaptação nos mostra que, para Oscar, sobreviver à Revolução é, ironicamente, viver sem o seu propósito maior.
Takarazuka Revue: O palco é onde o mito se mantém imortal. As encenações focam na grandiosidade dramática da morte de Oscar, tratando o 14 de julho não apenas como um evento histórico, mas como uma ópera trágica que se repete infinitamente para os fãs.
Filme Animado (2025): A nova promessa de adaptar o peso da Bastilha com tecnologia moderna, tentando equilibrar o rigor histórico de Ikeda com o impacto visual que definiu a série original.
O Trauma: Quando a Ficção Feriu uma Geração
O impacto da morte de Oscar foi um choque cultural sem precedentes. O trauma foi sentido de forma visceral no Japão, onde o fenômeno alcançou tal magnitude que relatos da época descrevem aulas sendo paralisadas pelo choro coletivo das alunas ao descobrirem o destino trágico de sua heroína.
Na Itália, o impacto também foi massivo e amplificado por um marketing agressivo: o álbum de figurinhas da Panini revelou o desfecho da protagonista antes mesmo que os episódios finais fossem transmitidos na TV. Isso retirou o elemento surpresa e deixou o público em estado de luto coletivo prematuro, transformando uma personagem em um símbolo real de justiça e perda.
A Pressão da Indústria e o Fim Repentino
A criação da obra não foi um mar de rosas. Após a partida de André, os editores da revista Margaret, movidos pela lógica do lucro, obrigaram Ikeda a encerrar a obra em apenas 10 dias. Essa pressa forçada reflete a exaustão da própria narrativa: a história perde o brilho dos salões e assume o tom seco e urgente de uma revolução que devora seus filhos. Ikeda enfrentou ameaças e pressões brutais, lutando contra um sistema que não compreendia que, ao matar Oscar, ela estava redefinindo o heroísmo feminino. Abaixo algumas cenas do 14 de Julho no mangá original:
A Eternidade da Rosa: Entre o Destino Selado e o Desejo de Sobrevivência
A morte de Oscar é, para mim, o final perfeito para uma história trágica. A Rosa de Versalhes não é meramente uma "história triste"; ela carrega consigo aquela densidade dramática inconfundível dos shoujo mangás clássicos, onde a intensidade das emoções é tão grande quanto a importância dos eventos históricos. Contudo, é impossível não ponderar: Ikeda poderia ter explorado mais sua personagem? Oscar é, e sempre será, uma figura extremamente querida, e como criação fictícia, talvez houvesse espaço para que a autora a mantivesse conosco por mais tempo.
Entretanto, o destino de Oscar já estava traçado pelas sombras da época. A partir do volume 4 do mangá (na edição brasileira), é evidente que Ikeda já havia decidido o seu fim. Oscar começa a manifestar sintomas claros — embora a autora não nomeie explicitamente, é visível que se trata da tuberculose, a "doença do século" que não distinguia nobres de pobres e, na ausência de antibióticos, era uma sentença cruel e inevitável.
Ikeda, porém, demonstrou uma sensibilidade artística brilhante ao decidir que sua protagonista não definharia em um leito de enfermidade. Em vez de entregar Oscar à tuberculose, ela a entregou à história. Ao escolher que sua morte fosse heroica, liderando sua tropa contra a Bastilha naquele 14 de julho, Ikeda transformou o fim de uma vida em um símbolo de resistência.
Mesmo assim, o luto dos fãs foi um fenômeno que se recusou a aceitar o encerramento. Na Itália, onde a devoção a Lady Oscar atingiu patamares singulares, essa recusa tornou-se material: o livro Il Ritorno di Lady Oscar (1983), de Marina Migliavacca, lançado pela Fabbri Editora com a indispensável permissão de Riyoko Ikeda.
Oscar morreu na Bastilha para se tornar imortal, mas, como nos mostra a paixão dos fãs italianos, o desejo de vê-la sobreviver é um testemunho de que a sua história nunca termina realmente. Enquanto houver leitores dispostos a imaginar um caminho diferente para ela, Lady Oscar continuará vivendo — seja no campo de batalha do 14 de julho, seja no silêncio de uma vida pacífica que, infelizmente, o tempo não lhe permitiu ter.
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| "Vive La France" |









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