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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Riyoko Ikeda no WEEKLY OCHIAI: Reflexões sobre o Presente, Inteligência Artificial e Takarazuka (Parte 2/3)

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!




Recentemente, Riyoko Ikeda, autora da obra A Rosa de Versalhes, participou de uma edição especial do aclamado programa japonês WEEKLY OCHIAI. Conduzido pelo cientista de mídia e pensador Yoichi Ochiai, o debate foi transmitido em 20 de maio de 2026 pela plataforma NewsPicks.

Durante 1h22 de conversa, Ikeda-sensei ofereceu uma retrospectiva detalhada sobre sua trajetória e os significados por trás de sua criação mais famosa. O WEEKLY OCHIAI é conhecido por seu viés analítico e cultural, e esta edição não foi diferente, trazendo reflexões valiosas sobre o impacto de Berubara na sociedade e a construção da personagem Oscar.

créditos imagem disponibilizada pela página  do Facebook: Lady Oscar Italian Fan Club.


Para quem não sabe, a NewsPicks é uma das maiores e mais influentes plataformas de mídia socioeconômica do Japão. Pense nela como um híbrido entre um portal de notícias de alta qualidade (estilo The Economist ou Bloomberg) e uma rede social focada em negócios e tecnologia.

Pois bem, o Lady Oscar Fan Club Italia publicou a primeira parte da entrevista e, como o conteúdo estava em italiano, resolvi fazer uma tradução para o português. Confira abaixo, lembrando de prestigiar o trabalho da página original! Para quem não leu a Parte 1/3, basta [clicar aqui].

Vamos à tradução da segunda parte dessa conversa incrível com Ikeda-sensei:

Tradução: Riyoko Ikeda no WEEKLY OCHIAI — Parte 2/3.

Depois de relatar o nascimento de Oscar e o significado da liberdade no mangá, a sensei aceita responder a perguntas sobre o presente. Esta é a parte mais afiada e cortante da entrevista.

Ochiai lhe pergunta se o Japão de hoje é um país livre.

«É difícil. Depende de como se entende a liberdade. Talvez quem esteja do lado dos vencedores do capitalismo seja livre. Muitos outros não são.»

Ele também pergunta se vivemos em uma época de igualdade de gênero. A resposta dela é categórica:

«Não penso assim.»

E então, ela profere uma frase que serve como o título moral de toda a conversa:

«O fato de Berubara ainda ser tão requisitado pelas mulheres hoje em dia é também a prova de que a sociedade ainda não amadureceu.»

Sobre o mercado de trabalho feminino nos anos 1970 — época em que Berubara era publicado semanalmente na revista Margaret —, Ikeda recorda que as jovens eram contratadas apenas como secretárias ou para servir chá no escritório, e eram obrigadas a se demitir assim que se casavam.

Ela conta que não fez disso um tema consciente na época. Mas, depois, começou a receber cartas em massa de mulheres que trabalhavam, dizendo: «Eu também gostaria de ter um André ao meu lado.»

Quando questionada diretamente por Ochiai sobre a Inteligência Artificial, ela respondeu sem rodeios:

«Não utilizo e não quero ter envolvimento com isso. Temo que ela acabe tirando dos seres humanos muitas de suas capacidades criativas.»

Sobre a companhia Takarazuka Revue, ela trouxe uma revelação que vale a pena destacar: quando a adaptação de Berubara foi proposta em 1974, houve uma forte oposição interna dentro do grupo. O argumento era: «Um mangá no palco de uma companhia com a nossa tradição? Inadmissível.» O resto da história, bem... todos nós já conhecemos.

Bem, essa foi a tradução do resumo da entrevista, feita pela página Lady Oscar Fan Club Italia. Agradeço imensamente à Rafaella por ter disponibilizado, pois queria muito encontrar algum vídeo desse programa com Ikeda, mas infelizmente ainda não consegui. Pois bem, vamos aos comentários.

O Peso do Tempo e o Espelho de uma Sociedade Estagnada

A lucidez de Riyoko Ikeda aos 78 anos não é apenas admirável; é um eco contundente da própria força que ela imprimiu nas páginas da revista Margaret na década de 1970. Quando a sensei afirma que o fato de A Rosa de Versalhes (Berubara) continuar sendo uma obra tão requisitada e atual pelas mulheres hoje é um sinal de que a sociedade ainda não amadureceu, ela toca no ponto central de sua própria genialidade — e, simultaneamente, em uma ferida social aberta.

O que tornou Oscar François de Jarjayes um ícone imortal não foi apenas o glamour militar ou a estética sublime do Shoujo clássico. Foi o fato de Oscar personificar uma busca por autodeterminação e liberdade que desafiava as amarras de seu próprio tempo. Ao olhar para o Japão contemporâneo (e, por extensão, para o mundo atual) e perceber que as mulheres ainda buscam em Berubara um refúgio ou uma inspiração para suas lutas diárias, Ikeda nos lembra que a igualdade de gênero que ela desenhava há mais de 50 anos ainda enfrenta as mesmas barreiras estruturais.

O Cotidiano dos Anos 70 e o "Efeito André"

É fascinante notar como Ikeda-sensei menciona que a crítica social na época não era necessariamente um manifesto panfletário planejado, mas sim o reflexo inevitável de sua vivência como uma jovem mulher inserida em um mercado de trabalho profundamente machista. Nos anos 1970, o teto de vidro para as mulheres no Japão era explícito: o destino esperado era o casamento e o papel de dona de casa, enquanto o ambiente corporativo as enxergava apenas como figuras decorativas (as chamadas Office Ladies, que serviam chá).

Ao criar uma narrativa onde uma mulher exercia o comando e o poder, Ikeda dialogou diretamente com o subconsciente de uma geração de leitoras que sufocava nessa realidade. A revelação sobre o fluxo de cartas de mulheres trabalhadoras desejando "um André ao seu lado" é um insight psicológico riquíssimo. André Grandier representa o oposto do patriarcado vigente: ele é o homem que não se sente ameaçado pela grandeza de Oscar; ele não deseja dominá-la, mas sim sustentá-la, lutar lado a lado e respeitar sua individualidade. O "desejo por um André" era, no fundo, o desejo por um relacionamento baseado na igualdade e no respeito mútuo — algo que, infelizmente, muitas mulheres ainda sentem falta nas estruturas afetivas modernas.

A Resistência do Status Quo: O Caso Takarazuka

Outro ponto alto da entrevista é a revelação sobre a resistência interna da companhia Takarazuka Revue em 1974. Hoje, é impossível pensar no Takarazuka sem associá-lo imediatamente ao estrondoso sucesso de A Rosa de Versalhes, que historicamente salvou a companhia de uma crise financeira e definiu a era de ouro do teatro musical japonês.

Saber que a liderança e os tradicionalistas da época consideravam "inammissibile" (inadmissível) adaptar um mangá — uma mídia então vista por setores elitistas como "menor" ou puramente comercial — mostra o quanto Ikeda e os produtores ousados da época tiveram que quebrar barreiras para que o casamento perfeito entre o Otokoyaku (as atrizes que interpretam papéis masculinos) e a androginia aristocrática de Oscar acontecesse. Isso prova que Berubara sempre foi uma força disruptiva, subvertendo tanto a cultura pop quanto a alta cultura tradicional japonesa.

A Essência Humana diante da Inteligência Artificial

Por fim, a postura categórica de Riyoko Ikeda contra a Inteligência Artificial na criação artística reflete a mentalidade de uma autora que moldou sua carreira através do esforço físico, da pesquisa histórica minuciosa e da entrega emocional expressa na ponta da pena (G-Pen). Para uma artista que entende que a arte nasce das dores, das vivências e das imperfeições inerentes à experiência humana, a automação da criatividade surge como uma ameaça ao que nos torna únicos.

O posicionamento da sensei no WEEKLY OCHIAI — um programa voltado justamente para o debate tecnológico e o futuro da mídia — demonstra que ela não tem medo de nadar contra a correnteza dos discursos tecnocentristas. Ikeda defende o toque humano porque sabe que a alma de Oscar, o sacrifício de André e a tragédia de Maria Antonieta jamais poderiam ser replicados por cálculos probabilísticos. A arte de Berubara é visceral; e o visceral pertence estritamente aos seres humanos.

A última parte desta entrevista incrível sairá no próximo post! Não percam!


Espero que tenham gostado! Daqui a pouco tem mais.


ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 


quinta-feira, 21 de maio de 2026

Feliz aniversário! Há exatos 54 anos, estreava nas páginas da revista Margaret o primeiro capítulo da série A Rosa de Versalhes. 🎂🎈🎈🎊

 

Olá,queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem vindos!



Em 21 de maio de 1972, a revista Margaret mudava para sempre a história dos quadrinhos japoneses. Há 54 anos, Riyoko Ikeda, com apenas 24 anos, iniciou uma jornada que transcenderia o papel para se tornar um pilar da cultura pop mundial. A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) não é apenas um mangá; é um manifesto de liberdade, uma aula de história e uma ópera visual. A Imagem, que abre o post é uma fanart digital de minha autoria. Sem mais delongas vamos ao post.🎂🎈🎈🎊



54 Anos de Elegância e Revolução: O Fenômeno Inabalável de "A Rosa de Versalhes"🎂🎈🎈🎊

Mais de meio século se passou desde que os primeiros traços de Riyoko Ikeda deram vida a Oscar François de Jarjayes e à Rainha Maria Antonieta, mas o impacto de "A Rosa de Versalhes" (Versailles no Bara) continua mais vivo do que nunca. Em pleno 2026, celebrando seus 54 anos de história, a obra máxima do mangá shoujo não apenas preserva seu status de clássico, como experimenta um estrondoso renascimento cultural.



O Impulso do Novo Filme Animado

Se a obra já era eterna, o último ano trouxe um combustível extra para a sua popularidade. O lançamento da nova adaptação em filme animado pelo estúdio MAPPA reacendeu a chama da franquia globalmente.

Embora os fãs de longa data debatam o ritmo acelerado da produção, é inegável que o visual deslumbrante e a roupagem contemporânea aproximaram o clássico de uma geração totalmente nova de espectadores. O filme relembrou ao mundo por que a fusão entre o rigor histórico da Revolução Francesa, o drama palaciano e as discussões pioneiras sobre gênero e identidade continuam tão fascinantes.

Uma das Franquias Mais Vendáveis do Japão

Dizer que A Rosa de Versalhes é apenas um mangá de sucesso é reduzir o seu verdadeiro tamanho. No Japão, a marca é uma das forças comerciais mais poderosas e duradouras da cultura pop, movimentando um mercado bilionário de licenciamento que desafia o tempo.

O rosto de Oscar e Antonieta estampa uma infinidade de produtos que vão muito além dos livros e mídias tradicionais:

  • Cosméticos de Luxo: A linha de maquiagens (especialmente os delineadores e máscaras de cílios) é um sucesso absoluto de vendas no Japão há anos, famosa pela alta qualidade e pelas embalagens icônicas.

  • Alimentos e Bebidas: De cafés temáticos a vinhos finos de Bordeaux, a marca frequentemente assina produtos gastronômicos sofisticados.

  • Moda e Joalheria: Parcerias com grifes de roupas, relógios e joias inspiradas na corte de Versalhes movem colecionadores ávidos.

  • Turismo e Teatro: As lendárias peças do teatro Takarazuka Revue continuam atraindo multidões, tornando a obra um pilar do teatro musical japonês.

"Mesmo após 54 anos, Oscar de Jarjayes permanece como um símbolo atemporal de coragem, lealdade e quebra de barreiras."


Chegar a 2026 com tamanha relevância cultural e força comercial prova que A Rosa de Versalhes não pertence apenas ao passado. Com novos produtos chegando diariamente às prateleiras e o público constantemente renovado, a rosa de Versalhes continua a florescer, bela e imponente, no topo do mundo dos animes e mangás.

A Gênese: Riyoko Ikeda e a Coragem de Romper Barreiras

Riyoko Ikeda, influenciada pela biografia Maria Antonieta de Stefan Zweig, originalmente pretendia contar a tragédia da rainha. No entanto, o nascimento de Oscar François de Jarjayes transformou tudo. Criada sob a rigidez marcial de um pai que buscava um herdeiro homem, Oscar tornou-se o veículo perfeito para Ikeda discutir gênero e autonomia. Em um Japão de 1972, a figura de uma mulher que empunhava a espada e comandava exércitos não era apenas ficção; era um convite para que leitoras sonhassem além do lar.

A autora, com sua formação erudita em música e piano, estruturou a trama com uma cadência operística, onde cada ato — da corte luxuosa à queda da Bastilha — é conduzido por uma tensão psicológica inigualável..

 

A Noite Proibida: Quando o Shoujo Deixou de ser Infantil

Um dos momentos mais ousados de Ikeda foi a entrega emocional entre Oscar e André. Em um gênero historicamente focado em amores idealizados e castos, a noite de intimidade entre eles foi uma quebra de paradigma. Foi um momento de humanidade crua que chocou o público, consolidando a série como uma obra que não temia a complexidade das paixões adultas e a tragédia da diferença de classes sociais..

 

O Fenômeno Takarazuka e a Febre Italiana

O legado de Oscar é inseparável do Teatro Takarazuka. Em 1974, a adaptação musical salvou a companhia da falência, criando uma febre que dura até hoje. Com mais de 5 milhões de espectadores, o musical tornou-se um rito de passagem no Japão.


 

Já na Europa, o impacto foi outro. Em 1982, a Itália foi tomada pela "Oscar-mania". Com o título Lady Oscar, a animação tornou-se o segundo programa de maior audiência do país, perdendo apenas para a Copa do Mundo. O sucesso foi tão profundo que gerou uma indústria inteira: álbuns de figurinhas, discos e uma cultura de fãs que até hoje celebra a obra em exposições monumentais, como a realizada em Milão em 2024.

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Cena do anime Rosa de Versalhes 1979.

A Estética da Perfeição: Shingo Araki e Michi Himeno

Para os fãs, a dupla Shingo Araki e Michi Himeno é sinônima de Rosa de Versalhes. Foi o traço elegante e expressivo deles, responsável pela primeira metade da série animada de 1979, que imortalizou os rostos de Oscar e Antonieta. Suas linhas fluidas, olhos detalhados e a forma como capturavam a melancolia da corte francesa elevaram o character design a um patamar de arte pictórica. Sem o "toque" de Araki e Himeno, a série não teria a mesma ressonância visual que ainda fascina desenhistas e ilustradores hoje.




As Adaptações da obra: Do Live-Action ao Mappa

A trajetória da série também foi marcada por experimentações audaciosas:

  • O Live-Action de 1979: Dirigido por Jacques Demy e com a participação direta de Ikeda, o filme Lady Oscar foi uma aposta vanguardista, rodado no próprio Palácio de Versalhes, tentando trazer uma estética cinematográfica europeia para a alma do mangá.


  • O Anime de 1979: A série clássica que, apesar de uma recepção morna na estreia japonesa, tornou-se o padrão-ouro de adaptação, sendo redescoberta e amada globalmente por décadas..

     
     
  • O Filme de 2025 (MAPPA): A mais recente reinvenção traz a tecnologia de ponta do estúdio MAPPA para a história, provando que a Rosa de Versalhes é um tema inesgotável. O longa veio para consolidar, para a nova geração, o porquê de Oscar ser a comandante que move o mundo..





"Eu, particularmente, prefiro o anime de 1979 — que é a minha adaptação favorita —, as montagens do Takarazuka e o live-action daquele mesmo ano. O filme animado do estúdio MAPPA, apesar de muito lindo e de ter seguido bem os traços de Riyoko Ikeda com um toque contemporâneo, acabou deixando a desejar. Faltaram muitos personagens e, se você não leu o mangá ou assistiu ao anime de 1979, certamente não vai entender a passagem do tempo. O ritmo é muito corrido e tudo acaba resumido a cenas musicais."


Aqui está uma versão revisada, polida e organizada do seu texto. Ajustei o fluxo da leitura, corrigi a pontuação e pequenos detalhes cronológicos (como a menção aos anos da exposição de 50 anos e o ano do evento da Abrademi, mantendo a coerência com o tempo atual), e dividi o conteúdo com cabeçalhos claros para torná-lo bem scannable e agradável de ler.

O Fenômeno Global e o Impacto Cultural de "A Rosa de Versalhes"

Embora o anime de "A Rosa de Versalhes" não tenha alcançado uma audiência estrondosa em sua exibição original no Japão, a obra ganhou o mundo sob o título de "Lady Oscar" e conquistou um sucesso sem precedentes no exterior.

A Febre de "Lady Oscar" na Europa

 Como já mencionado, na Itália de 1982, o anime se tornou um verdadeiro fenômeno de massa. Transmitido com o título de Lady Oscar, o programa alcançou a segunda maior audiência da TV italiana naquele ano — sendo superado apenas pela Copa do Mundo de Futebol, na qual a própria Itália se sagrou campeã.

A história da jovem comandante da Guarda Real causou uma febre inédita entre crianças e adolescentes, transformando-se instantaneamente em uma série cult. O impacto foi tão avassalador que abriu as portas para que praticamente todo o material relacionado à franquia fosse lançado no país. Pode-se afirmar, com segurança, que Lady Oscar foi um dos grandes responsáveis pela popularização dos animes japoneses na Europa.

Durante os anos 1980, o mercado italiano foi inundado por álbuns de figurinhas, fantasias, brinquedos, discos e revistas em quadrinhos da série. Para se ter uma ideia da magnitude do sucesso, até mesmo o tradicional encarte dominical infantil do prestigiado jornal Corriere della Sera foi inteiramente dedicado ao tema do anime.

Importância e Prestígio Reconhecidos no Japão

Se no início o anime mornou em formato de audiência na TV japonesa, o mangá de Riyoko Ikeda consolidou-se como uma das maiores referências da cultura popular do país. "A Rosa de Versalhes" detém o título de primeiro mangá elevado à categoria de obra literária, sendo considerado o romance em quadrinhos mais influente do Japão no século XX.

O impacto da obra ultrapassou as páginas do papel e moldou o comportamento de uma geração:

  • Interesse Histórico: A série provocou um enorme interesse pelo estilo Rococó e pela cultura francesa do século XVIII entre os japoneses. Graças a isso, o Japão tornou-se o país que mais realiza exposições sobre a Revolução Francesa e a corte de Versalhes fora da própria França.

  • Presença Comercial Permanente: A marca estampa embalagens dos mais diversos produtos há décadas e já foi homenageada pelos Correios japoneses com duas séries exclusivas de selos postais.

  • Celebração de Gala: Nas celebrações de seus 50 anos, uma grande exposição foi realizada no complexo Roppongi Hills, em Tóquio. Na ocasião, o mercado foi presenteado com uma linha comemorativa focada em artigos de luxo, incluindo alta joalheria e relógios finíssimos de colecionador.

A verdade é que nenhuma outra obra voltada ao público feminino (shoujo) e com tanta bagagem histórica foi tão celebrada e permaneceu tão influente para os padrões editoriais modernos.

"A Rosa de Versalhes" no Brasil: Raridade e Memória

No Brasil, a trajetória da obra seguiu caminhos mais alternativos e de nicho:

  • Chegada do Mangá: Os volumes originais em japonês começaram a circular por aqui entre 1972 e 1973, importados diretamente pelas livrarias do tradicional bairro da Liberdade, em São Paulo.

  • O Legado na Era do VHS: O anime nunca chegou a ser exibido na TV aberta brasileira. No entanto, a primeira metade da animação foi dirigida e desenhada pela lendária dupla Shingo Araki e Michi Himeno (que anos mais tarde alcançaria o estrelato mundial ao ditar o visual de Os Cavaleiros do Zodíaco). Graças ao peso desses nomes, a distribuidora Europinha lançou no Brasil, nos anos 1990, um pacote em VHS contendo 12 episódios selecionados da série e um longa-metragem que resumia os 40 episódios da história.

Refletindo o carinho duradouro dos fãs brasileiros, a Abrademi (Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações) realizou um evento comemorativo especial de 50 anos da obra no Museu da Imigração Japonesa, localizado no famoso bairro da Liberdade, em São Paulo. Tive a honra de participar desse momento histórico e, logo abaixo, compartilho algumas fotos que tirei durante o evento.












Curiosidades.

 

Para aqueles que apreciam o legado duradouro de A Rosa de Versalhes, recomendo a minissérie Haken no Oscar. Composta por seis episódios, esta produção japonesa integra elementos do mangá clássico de Riyoko Ikeda à vida moderna. A protagonista, inspirada pela icônica comandante, utiliza as referências da obra para navegar por suas próprias batalhas pessoais. O dorama destaca-se não apenas pela premissa, mas pela constante presença visual de cenas do mangá original, consolidando-se como um tributo autêntico e inteligente à obra que revolucionou o shoujo mangá.".


 

"Um dos pontos altos desta série, e que certamente fará o coração de qualquer fã vibrar, é o retorno da lendária Reiko Tajima, que empresta sua voz icônica para interpretar Oscar em momentos especiais. Assistir a Haken no Oscar foi uma experiência profundamente pessoal; é impossível não se identificar com a protagonista, Misawa Katsuko (interpretada por Tanaka Rena). Assim como eu, ela é uma verdadeira entusiasta de A Rosa de Versalhes, e ver sua paixão refletida na tela tornou a jornada de seis episódios algo realmente único e memorável."


Cena da queda da Bastilha foi uma de minhas favoritas.

 Inspirações para criar Lady Oscar:


Ao criar a história do nascimento de Lady Oscar, Ikeda se inspirou na rainha Christina da Suecia que ao nascer chorou tão forte que fez com todos pensassem haver nascido um menino. 
 

 
 
Seu pai, o rei Gustavo II, teria dito algo como ela enganou a todos nós. A rainha Christina assim como Oscar, também foi criada como um homem.

Pierre-Augustin Hulin

Muitos fãs e historiadores da obra apontam que, embora Oscar seja uma personagem ficcional, Riyoko Ikeda buscou na figura real de Pierre-Augustin Hulin (o oficial que, de fato, estava no comando da Guarda Nacional e que, em 14 de julho de 1789, mudou de lado para apoiar o povo durante o ataque à Bastilha) o arquétipo fundamental para a transição política e moral de Oscar.



O Arquétipo por trás da Heroína: A Inspiração em Pierre-Augustin Hulin

Um dos detalhes mais fascinantes sobre a construção de Oscar reside na sua inspiração histórica direta. Para moldar a trajetória da nossa Comandante, Riyoko Ikeda olhou para a figura real de Pierre-Augustin Hulin.

Hulin foi o oficial da Guarda Francesa que, no fatídico 14 de julho de 1789, protagonizou um dos momentos mais decisivos da Revolução Francesa: o momento em que, por consciência e lealdade ao povo, abandonou a defesa da Bastilha e uniu-se aos revoltosos. Oscar não é apenas uma personagem que segue ordens; ela é a materialização dramática desse soldado real. Ikeda utilizou a transição de Hulin — de um defensor da Coroa para um símbolo da liberdade — como a espinha dorsal para o desenvolvimento de Oscar. Ela é, em essência, o reflexo ficcional de um soldado que percebeu que o verdadeiro dever de um militar não é proteger um trono decadente, mas sim defender a humanidade e o futuro de sua nação.


E para encerrar essa primeira parte do post comemorativo dos 54 anos da Rosa de Versalhes,  Riyoko Ikeda, autora da obra A Rosa de Versalhes, participou recentemente de uma edição especial do aclamado programa japonês WEEKLY OCHIAI. Conduzido pelo cientista de mídia e pensador Yoichi Ochiai, o debate foi transmitido em 20 de maio de 2026 pela plataforma NewsPicks.

Durante 1h22 de conversa, Ikeda-sensei ofereceu uma retrospectiva detalhada sobre sua trajetória e os significados por trás de sua criação mais famosa. O WEEKLY OCHIAI é conhecido por seu viés analítico e cultural, e esta edição não foi diferente, trazendo reflexões valiosas sobre o impacto de Berubara na sociedade e a construção da personagem Oscar. Confira abaixo a tradução completa deste conteúdo essencial para qualquer entusiasta da obra.

Para quem não sabe, A NewsPicks é uma das maiores e mais influentes plataformas de mídia socioeconômica do Japão. Pense nela como um híbrido entre um portal de notícias de alta qualidade (estilo The Economist ou Bloomberg) e uma rede social focada em negócios e tecnologia. Tem um resumo da  primeira parte da entrevista aqui, para quem quiser ler.




"Feliz aniversário, A Rosa de Versalhes! Espero que tenham gostado do texto. Como de costume, teremos comemoração com bolo aqui em casa! Essa é uma antiga tradição do meu pai para homenagear a obra: todos os anos ele compra um bolo de aniversário e monta a mesa decorada com as minhas bonecas da Lady Oscar. Se eu conseguir produzir a parte 2 a tempo, trago as fotos da nossa comemoração e aproveito para conversar mais um pouco com vocês sobre a série. Aguardem!"


 Espero que tenham gostado!
 

 
 
 

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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Riyoko Ikeda no 'WEEKLY OCHIAI': Uma reflexão profunda sobre Oscar e a Liberdade Resumo da Entrevista parte 1/3.

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!

 

 


A lendária mangaká Riyoko Ikeda, autora da obra A Rosa de Versalhes, participou recentemente de uma edição especial do aclamado programa japonês WEEKLY OCHIAI. Conduzido pelo cientista de mídia e pensador Yoichi Ochiai, o debate foi transmitido em 20 de maio de 2026 pela plataforma NewsPicks.

Durante 1h22 de conversa, Ikeda-sensei ofereceu uma retrospectiva detalhada sobre sua trajetória e os significados por trás de sua criação mais famosa. O WEEKLY OCHIAI é conhecido por seu viés analítico e cultural, e esta edição não foi diferente, trazendo reflexões valiosas sobre o impacto de Berubara na sociedade e a construção da personagem Oscar. Confira abaixo a tradução completa deste conteúdo essencial para qualquer entusiasta da obra.

Para quem não sabe, A NewsPicks é uma das maiores e mais influentes plataformas de mídia socioeconômica do Japão. Pense nela como um híbrido entre um portal de notícias de alta qualidade (estilo The Economist ou Bloomberg) e uma rede social focada em negócios e tecnologia.


"Pois bem, o Lady Oscar Fan Club Italia publicou a primeira parte da entrevista e, como o conteúdo estava em italiano, resolvi fazer uma tradução para o português. Confira abaixo, lembrando de prestigiar o trabalho da página original!"


Riyoko Ikeda no 'WEEKLY OCHIAI':  Resumo da Primeira parte da Entrevista ( Artigo traduzido):

54 anos de Berubara: Um encontro memorável

A participação da sensei, que foi ao ar no dia 20 de maio de 2026, durou uma hora e vinte e dois minutos de pura lucidez. Ikeda atravessou mais de cinco décadas de história de Berubara, oferecendo reflexões que tocam profundamente quem cresceu acompanhando a trajetória de Oscar.


Riyoko Ikeda no WEEKLY OCHIAI – Parte 1/3

Uma hora e vinte e dois minutos ao lado de Ochiai Yōichi, transmitidos em 20 de maio de 2026 pela NewsPicks: a sensei percorre cinquenta e quatro anos de Berubara (A Rosa de Versalhes) com uma lucidez que impressiona profundamente.

O programa abre com uma declaração que, por si só, já justifica toda a atenção:

«Meus pensamentos são inteiramente representados por Oscar. Suas palavras e seu modo de viver são o meu ideal.»

Em seguida, Ikeda narra a gênese de Oscar em 1972. Seu objetivo era escrever sobre o comandante das Guardas Francesas que, em 14 de julho de 1789, marchou de Paris à Bastilha e, ao abandonar o rei, aliou-se ao povo.

«Eu tinha vinte e quatro anos. Não conseguia imaginar a vida cotidiana de um militar homem. Então, fiz dela uma mulher.»

Ao abordar a frase favorita de toda a obra — aquela que Oscar profere ao assumir o posto de capitã da Guarda Francesa —, a autora reafirma sua filosofia:

«O ser humano, qualquer que seja a sua condição, não pertence a ninguém. É um ser livre.»

Contudo, o ponto que mais me impactou foi a reflexão sobre o desfecho da história. Ikeda explica que, no final, a própria Oscar se corrige, compreendendo que a liberdade de espírito é incompleta:

«Tudo, até o último fio de cabelo, deve ser livre.»

Para a sensei, este é o verdadeiro sentido do mangá. A liberdade não deve ser apenas uma vivência interior; ela precisa ser, acima de tudo, material, social e econômica. É uma escolha narrativa precisa e consciente, e não um simples cedimento sentimental ao final da obra.

Continua...

 Enfim essa foi a primeira parte. É fascinante ver como, em pleno 2026, A Rosa de Versalhes continua sendo uma obra pulsante e necessária. Amanhã, dia 21 de maio, celebramos um marco histórico: 54 anos desde o início dessa jornada inesquecível. A participação da sensei Riyoko Ikeda no Weekly Ochiai é um presente especial que faz parte destas comemorações, e sua lucidez ao falar sobre a evolução de Oscar é de arrepiar.

Um ponto que me chamou muita atenção é a profundidade que ela dá à famosa frase de Oscar: «Tudo, até o último fio de cabelo, deve ser livre.» É emocionante saber que essa citação foi incluída no filme animado de 2025 e que foi justamente esse o detalhe que mais tocou o coração de Ikeda — ao ponto de se emocionar na pré-estreia. Isso mostra que a essência da liberdade, que a autora idealizou ainda nos anos 70, não só permanece atual, como encontrou o seu auge na recente adaptação cinematográfica. É a confirmação de que a luta de Oscar por uma liberdade total — material, social e econômica — é atemporal.

Para celebrar esse aniversário tão importante, amanhã teremos um post especial aqui no blog dedicado aos 54 anos desse mangá que mudou nossas vidas. E, claro, a tradição será mantida: teremos o nosso bolo comemorativo, como faço todos os anos! Não percam!"


Fique ligado! Esta foi apenas a primeira parte deste encontro fascinante. No próximo post, trarei mais reflexões da sensei Riyoko Ikeda sobre o impacto atemporal de sua obra.


Espero que tenham gostado! Daqui a pouco tem mais.


ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 


terça-feira, 19 de maio de 2026

Além do Vermelho e Branco: O brilho caloroso da rosa amarela de André

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam bem vindos!

 




 Se você é fã de carteirinha de Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら), o clássico imortal de Riyoko Ikeda, sabe que o título da obra esconde um segredo poético. Ao contrário do que muitos pensam à primeira vista, a "Rosa de Versalhes" não se refere a uma única pessoa. Em uma famosa entrevista, a própria criadora revelou que o título original deveria ser interpretado no plural: As Rosas de Versalhes.

Na visão inicial de Ikeda, cada rosa representava uma das mulheres marcantes que floresceram e sofreram na corte francesa. Porém, o tempo passou, o universo se expandiu e a própria botânica real do Japão acabou mudando o destino de uma flor específica: a rosa amarela.

Venha entender como essa cor deixou de representar a falsidade para se tornar o símbolo máximo do amor devoto de André Grandier, e conheça o jardim oficial que imortalizou esse romance!

Fanart de Minha autoria


O Conceito Original: O Jardim Feminino de Riyoko Ikeda

No plano original da autora, a corte de Versalhes era um jardim de personalidades femininas complexas, onde a cor de cada rosa definia a alma e o destino de uma personagem:

  • A Rosa Vermelha (Maria Antonieta): Vibrante, apaixonada, trágica e o centro absoluto das atenções da realeza.

  • A Rosa Branca (Oscar François de Jarjayes): Símbolo máximo de pureza, justiça e a eterna imponência da capitã que desafiou as barreiras de gênero.

  • O Botão de Rosa Cor-de-Rosa (Rosalie Lamorlière): Representando a inocência, a doçura e a delicadeza de uma jovem que desabrocha em meio ao caos da revolução.

  • A Rosa Negra (Jeanne de Valois): A personificação da ambição desmedida, do mistério, da vingança e da escuridão que rondava os bastidores da corte.

  • A Rosa Amarela (Condessa de Polignac): Na linguagem tradicional das flores da época, o amarelo simbolizava a inveja, o ciúme e a falsidade — o encaixe perfeito para a natureza manipuladora da Condessa.

"O título se refere a todas elas. Cada mulher ali era uma rosa única na corte." — Riyoko Ikeda!

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A Rosa amarela foi batizada de a André Grandier.


A Revolução Botânica: A Linha Oficial de Rosas no Japão

Se a rosa amarela pertencia originalmente à Polignac, o que mudou? A resposta está nos canteiros reais do Japão, mais especificamente no renomado Keisei Rose Garden (o principal criatório de rosas do país).

Em comemoração ao legado do mangá, foram desenvolvidas variedades reais e híbridas de rosas com o selo oficial de The Rose of Versailles. Foi nesse momento que o design conceitual cedeu ao clamor dos fãs e à importância dos personagens masculinos na obra. Para a surpresa e deleite dos leitores, as variedades oficiais plantadas nos jardins japoneses foram batizadas assim:

  • Marie Antoinette: Uma rosa de tom marfim e rosa suave, profundamente aristocrática.

  • Oscar François: Uma rosa branca deslumbrante, majestosa e imponente.

  • Count Fersen: Uma rosa de tom lilás/roxo, elegante e melancólica, que evoca a nobreza e o romance proibido.

  • Canteiro da Lady Oscar com rosas Brancas.

  • André Grandier: Uma linda, calorosa e forte rosa amarela.

Por que André se tornou a Rosa Amarela?

A escolha do amarelo para André Grandier ressignificou completamente o sentido da cor dentro do universo da obra, apagando a antiga ligação com a Condessa de Polignac.

A variedade oficial "André Grandier®" (premiada internacionalmente, inclusive em Lyon) é descrita por especialistas em botânica como uma flor de tom amarelo-claro/creme, extremamente forte, resistente a doenças e de floração constante. Essa descrição é a mais pura tradução da essência de André:

  • O Brilho Caloroso: O amarelo suave representa o calor humano, o conforto, a lealdade e a luz que André sempre trouxe para a vida de Oscar.

  • A Resiliência: Ele é a base de apoio. Assim como a rosa criada em sua homenagem — conhecida por aguentar intempéries climáticas e continuar firme —, o amor de André resistiu ao tempo, às barreiras de classe social e à própria tragédia.

  • Companheirismo e Evolução: Longe de significar "falsidade", o amarelo na linguagem moderna das flores representa a amizade profunda que se transforma no mais puro e devoto amor.

Da Ficção para a Realidade: O Jardim do Hotel

Essa homenagem não parou nos campos de cultivo. O impacto cultural foi tão grande que O Hotel New Otani (Tóquio) criou um jardim inspirado em Rosa de Versalhes. Trata-se de um jardim de rosas na cobertura que conta com cerca de 30 mil roseiras. Por conta das colaborações oficiais com a franquia A Rosa de Versalhes (especialmente celebrando os novos projetos e filmes animados da obra), o hotel adaptou espaços e organizou visitas exclusivas onde os canteiros temáticos — incluindo a emblemática rosa amarela de André Grandier que mencionamos — ganham destaque com a total aprovação e chancela da própria Riyoko Ikeda.

Nesse espaço exclusivo, os hóspedes e fãs podem caminhar entre a história. O grande destaque do local é o canteiro dedicado à rosa amarela, projetado especificamente para representar André Grandier. Ver a rosa branca de Oscar florescer ao lado da rosa amarela de André no mundo real é a materialização do desejo dos fãs: dar a André o reconhecimento e o lugar de destaque que ele sempre mereceu.:


Conclusão: Um Jardim que Ganhou Vida

É fascinante ver como uma obra de 1972 continua viva, orgânica e em constante evolução. Embora Riyoko Ikeda tenha planejado As Rosas de Versalhes como um tributo às mulheres da Revolução Francesa, o amor do público por André e Fersen foi tão avassalador que eles garantiram seus próprios lugares no jardim.

Hoje, testemunhar esse espetáculo visual não é apenas contemplar a botânica; é a prova de que a ficção e a realidade se uniram para eternizar o maior casal da história dos mangás.

E você, já sabia dessa mudança de significado da rosa amarela e da existência desse jardim no hotel? Qual a sua rosa favorita no universo de Lady Oscar? Deixe seu comentário abaixo!

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Espero que tenham gostado!





lady oscar identitàady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser!