Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!
Em 16 de outubro de 1793, Maria Antonieta, a última rainha da França do Antigo Regime, enfrentou seu destino trágico. No auge do Período do Terror da Revolução Francesa, sua execução na guilhotina marcou o fim de uma era. Aos 37 anos, foi condenada à morte após um julgamento rápido e politicamente motivado, com a sentença proferida na madrugada daquele mesmo dia.
Este evento histórico, magistralmente retratado no clássico mangá A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら/Berusaiyu no Bara), de Riyoko Ikeda, nos permite revisitar os últimos e dramáticos momentos da monarca francesa.
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| Imagem feita por Regiane Thais |
As Últimas Horas: Dignidade na Adversidade
Após a condenação, Maria Antonieta foi preparada para a execução na prisão da Conciergerie. Rosalie Lamorlière, sua última serva no cativeiro, testemunhou sua resignação e postura firme. O carrasco, Charles-Henri Sanson, cortou seus cabelos curtos para que a lâmina da guilhotina agisse sem impedimentos. Contudo, a crença popular de que os cabelos teriam sido queimados para evitar que se tornassem relíquias é apenas uma lenda, sem comprovação histórica.
Com as mãos atadas atrás das costas e vestindo uma simples túnica branca — um forte contraste com o luxo de Versalhes —, a rainha recusou os serviços de um padre constitucional (alinhado ao novo governo revolucionário), mantendo-se fiel à Igreja de Roma.
Ela foi transportada em uma carroça aberta (e não em uma carruagem fechada) até a Place de la Révolution (atual Place de la Concorde). A escolha do veículo foi uma medida deliberada dos revolucionários para expô-la à humilhação pública.
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| Imagem feita por Regiane Thais |
A Marcha para o Cadafalso
A jornada até a praça foi cercada por insultos e hostilidade. Milhares de soldados formavam um cordão de segurança para conter a multidão furiosa, enquanto gritos de ódio ecoavam pelas ruas de Paris. Mesmo diante do desprezo popular, relatos da época indicam que a rainha manteve uma compostura notável.
Ao meio-dia, a carroça chegou ao destino. Maria Antonieta subiu os degraus do cadafalso com firmeza. Foi nesse momento que, ao tropeçar acidentalmente no pé do carrasco Sanson, teria dito suas famosas últimas palavras: "Perdoe-me, senhor, não fiz de propósito". Embora a frase faça parte do folclore histórico, sua autenticidade exata é debatida por historiadores, embora conste em registros da época como uma atitude de cortesia involuntária.
Às 12h15, a lâmina da guilhotina caiu. Sanson ergueu a cabeça da rainha para a multidão, que celebrou aos gritos de "Viva a República!".
O Sepulcro e a Restauração
Após a execução, o corpo de Maria Antonieta foi sepultado em uma vala comum no Cemitério de Madeleine e coberto com cal viva. Anos mais tarde, em 1815, durante a Restauração Bourbon, seus restos mortais e os de seu marido, Luís XVI, foram exumados e transferidos com honras para a Basílica de Saint-Denis, o local de descanso tradicional dos reis franceses.
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A Realidade vs. Ficção: A Serva Rosalie
Na história real, Rosalie Lamorlière era uma jovem simples que servia na prisão e ofereceu conforto humanitário aos últimos dias da rainha. Seus depoimentos posteriores tornaram-se fontes valiosas para os historiadores.
Em A Rosa de Versalhes, Riyoko Ikeda transforma Rosalie em uma das personagens centrais: a jovem protegida de Oscar François de Jarjayes. Embora a Rosalie da ficção seja altamente romantizada para se encaixar na trama dramática, a inspiração na figura real traz uma camada extra de emoção e fidelidade histórica ao mangá e ao anime.
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A Rosa de Versalhes: O Desfecho Prematuro e a Pressão Editorial
A obra de Riyoko Ikeda é amplamente reconhecida por seu rigor de pesquisa — muito inspirada pela famosa biografia escrita por Stefan Zweig. No entanto, o trecho final que retrata a queda de Maria Antonieta sofreu fortes interferências dos bastidores editoriais..
A Queda de Vendas e o Fim Apressado
Riyoko Ikeda pretendia desenvolver o desfecho de Maria Antonieta e Hans Axel de Fersen com mais calma e profundidade. Porém, após as mortes de Oscar e André — os grandes favoritos do público —, a rejeição dos leitores foi imediata. A revista Margaret sofreu uma queda drástica de vendas, pois o público jovem perdeu o interesse na história sem a presença dos dois protagonistas fictícios.
Diante da crise, os editores exigiram que Ikeda encerrasse o mangá em cerca de 10 dias (pouquíssimos capítulos). Essa pressa forçada resultou em uma visível queda no ritmo e na qualidade narrativa do desfecho. Embora a autora tenha se esforçado para desenhar a execução da rainha com a carga emocional e os belos traços característicos de seu estilo, o final acabou sendo mais apressado do que o planejado.
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A Capa de Natal da Margaret
A falta de sensibilidade editorial refletiu-se até na capa da revista no lançamento do último capítulo. Em vez de uma homenagem à altura do clímax dramático e do fim da rainha, a editora publicou uma capa temática de Natal (já que era dezembro), sem qualquer menção a Maria Antonieta ou ao encerramento épico da série.
Mangá vs. Anime: Abordagens Diferentes
No mangá original, a história se encerra logo após a morte de Maria Antonieta, focando na memória de seu amor por Fersen. Já a adaptação em anime de 1979 optou por um epílogo mais estendido, mostrando o destino de personagens sobreviventes como Rosalie e Alain anos depois. Para muitos leitores do mangá, esse tipo de extensão parece desnecessário, mas no anime ajudou a dar um fecho mais orgânico.
Frustração com o Filme de 2025
Como fã de longa data, minha expectativa para a nova animação de 2025 era altíssima. Infelizmente, o filme optou por encerrar a narrativa na Queda da Bastilha e com a morte de Oscar, ignorando por completo o desfecho de Maria Antonieta e Fersen.
Essa escolha frustra quem esperava uma adaptação fiel ao mangá. A queda da rainha, seu julgamento e sua execução são pilares fundamentais para a densidade histórica e o peso dramático do trabalho de Ikeda. Sem essa etapa, a história perde parte considerável de sua força moral e trágica. A série clássica de 1979, apesar de suas liberdades, continua sendo uma experiência muito mais completa e satisfatória.
Conclusão
Encerrar esta reflexão no aniversário da morte de Maria Antonieta é lembrar não apenas o fato histórico, mas também o poder da arte em eternizar essas memórias. Em A Rosa de Versalhes, Riyoko Ikeda conseguiu humanizar uma das figuras mais controversas da história mundial. Para nós, fãs de Lady Oscar, Antonieta será sempre uma peça fundamental desse épico inesquecível de amor, política e tragédia. Finalizo o post do aniversário da Morte de Maria Antonieta, com algumas imagens e vídeos relacionados:


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