Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!
Esses dias, bati o recorde em traduzir artigos para disponibilizar aqui no blog, e hoje, me deparo com um texto bem interessante publicado originalmente em japonês no portal Oita-Press.
Trata-se de um artigo fascinante que mergulha no universo de A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら), analisando o impacto profundo dessa obra-prima da mangaká Riyoko Ikeda, a complexidade de seus personagens inesquecíveis como Oscar e Maria Antonieta, e a forma como a ficção se entrelaça com os grandes eventos da Revolução Francesa.
Decidi traduzir o conteúdo na íntegra, com o auxílio do tradutor do Google. Como estudo japonês básico no Kumon, se algum leitor entender o idioma e encontrar algum erro — e quiser me ajudar a corrigir —, eu agradeço muito!
Vale notar que o artigo original não continha imagens, então adicionei algumas por conta própria para ilustrar o post e deixar a leitura ainda mais visual.
Abaixo, você confere a tradução completa e, logo em seguida, trago minhas críticas e comentários pessoais sobre este artigo tão especial.
O Impacto do Portão: O Gabinete do Tigre (5) - Lady Oscar (A Rosa de Versalhes): Que mangá extraordinário!
Lamento não ter tido a ideia de ler mangás shōjo quando eu era jovem. Se eu tivesse descoberto A Rosa de Versalhes mais cedo, certamente teria sido tomado por uma enorme vontade de aprofundar meus conhecimentos sobre a Revolução Francesa, a história da França e a história europeia. Como optei por estudos sociais com foco em história mundial no ensino médio, essa sensação é ainda mais forte.
A Rosa de Versalhes foi serializada pela mangaká Riyoko Ikeda de 1972 a 1973 na revista semanal Margaret (Editora Shueisha) ao longo de 82 semanas. Trata-se de um drama humano que tece uma história misturando fatos históricos e ficção, retratando o caos da França rumo à revolução e os bastidores desse período.
Quem seria o verdadeiro protagonista desta história? Como cada leitor desenvolve um apego especial por diferentes personagens, as opiniões se dividem: "É claramente a Oscar", ou "Não, são os dois: Maria Antonieta e Oscar".
No posfácio da autora, publicado junto aos volumes da Margaret Comics, Ikeda registra que desenhou a obra tendo três protagonistas centrais: Oscar, Maria Antonieta e Fersen.
Oscar é uma personagem fictícia, sem a qual a narrativa simplesmente não existiria. Pode-se dizer que ela é o núcleo entre os três protagonistas.
Filha da família Jarjayes, foi criada como menino e tornou-se militar. O vislumbre de sua essência feminina por trás de sua rigorosa disciplina desperta profunda empatia, enquanto sua elegância e bravura conquistaram o coração de inúmeros leitores.
Na reta final da história, fiquei absolutamente fascinado pela decisão da Oscar de se rebelar contra a nação. É exatamente isto o que chamamos de uma alma em transe. Contudo, eu nunca esperava que André — com quem ela finalmente havia se unido — tomasse um tiro e morresse ali. E ver a própria Oscar perder a vida logo em seguida, durante a eclodida Tomada da Bastilha, foi um desfecho totalmente inesperado. Naquela época, muitos leitores certamente derramaram lágrimas.
Maria Antonieta, nem é preciso dizer, foi uma figura histórica real. Ela veio ainda criança para a França (na época da dinastia dos Bourbons) vinda da Áustria vizinha, governada pela Casa de Habsburgo, em um casamento arranjado com o príncipe herdeiro que viria a ser Luís XVI. Para minha vergonha, eu desconhecia completamente esses antecedentes, bem como o fato de ela ser filha da imperatriz austríaca Maria Teresa, até ler este mangá.
Como ela não tem uma índole ruim, não sentimos aquela aura típica de "vilã" que costumam lhe atribuir ao longo desta obra. A grande tragédia de Maria Antonieta talvez tenha sido justamente a sua ignorância — fruto inevitável de ter nascido e crescido como uma verdadeira princesa —, desconhecendo por completo as realidades do mundo. Ela acreditava erroneamente que as regras do Palácio de Versalhes eram as regras de toda a sociedade.
A noção de dinheiro dentro do Palácio de Versalhes pertencia a outra dimensão. E esse dinheiro vinha dos impostos pagos pelo povo comum. Enquanto os cidadãos eram forçados a viver na miséria, lutando para garantir o que comer a cada dia, o palácio apenas esbanjava recursos sem fim. Não é de admirar que a energia de raiva e ódio das pessoas comuns tenha explodido.
O conde sueco Hans Axel von Fersen também foi uma pessoa real. Sério, sincero e extremamente charmoso. No contexto de um tema tão denso quanto a Revolução Francesa, a trágica história de amor entre Fersen e Maria Antonieta transcende o papel de uma mera subtrama.
O comportamento dos principais personagens masculinos — como Fersen, André, Alain e Girodelle — traz lições valiosas que devemos admirar. Falando em Girodelle, que tem um papel relativamente menor entre esses quatro, a cena em que ele se afasta de Oscar exala pura "estética masculina".
De certa forma, a narrativa encerra suas cortinas na guilhotina, o grande símbolo da Revolução Francesa. A execução do rei Luís XVI já havia se consumado. A imagem de Maria Antonieta diante da guilhotina, com seus cabelos curtos e vestida com um traje branco e simples balançando ao vento, é marcante. De todas as fases em que Maria Antonieta foi retratada desde a sua juventude, essa última aparição final pareceu-me a mais bela de todas. Adeus...
No posfácio, Riyoko Ikeda define esta obra como "o monumento à sua própria juventude". Sem dúvida, ela dedicou uma paixão avassaladora a esse projeto. A Rosa de Versalhes é uma obra que ultrapassa amplamente as fronteiras do mangá shōjo. (Tigre)
Fim.
Análise Crítica: O Olhar Fascinado de "O Tigre" sobre a Eternidade de A Rosa de Versalhes
O texto de "Tigre" capta com precisão cirúrgica a essência do que torna A Rosa de Versalhes (Berusaiyu no Bara) um fenômeno atemporal. Mais do que um simples relato de leitura, o artigo funciona como o testemunho sincero de um leitor que foi profundamente transformado ao cruzar com a obra-prima de Riyoko Ikeda — um arrependimento comum entre muitos leitores que, por preconceito geracional ou de gênero editorial, demoraram a descobrir a grandiosidade dos mangás shōjo clássicos.
Abaixo, desdobramos os principais pontos trazidos pelo autor sob uma perspectiva crítica, aprofundando o contexto histórico, a genialidade da autora e a construção dos personagens mencionados.
1. Riyoko Ikeda e a Revolução no Shōjo Manga
Como bem aponta o texto, a serialização na revista Margaret entre 1972 e 1973 marcou um divisor de águas. Antes de Ikeda, os mangás voltados para o público feminino eram frequentemente confinados a tramas melodramáticas mais intimistas ou escolares. Ao trazer a Revolução Francesa para o centro do shōjo, Riyoko Ikeda não apenas revolucionou o mercado — abrindo portas para o monumental sucesso comercial e crítico da obra —, mas também educou gerações de leitores sobre história europeia.
O próprio autor do texto confessa que seu interesse pela história da França nasceu ou foi impulsionado por essa leitura, evidenciando o poder pedagógico e narrativo que Ikeda imprimiu em sua "adolescência de papel e tinta". Chamar a obra de "um monumento à sua própria juventude" (termo usado pela própria mangaká) faz todo o sentido: Ikeda tinha apenas vinte e poucos anos quando começou a desenhar essa saga épica, canalizando uma energia criativa avassaladora.
2. O Triunvirato de Protagonistas e a Complexidade Histórica
A discussão sobre quem é o verdadeiro protagonista — se Oscar, Maria Antonieta ou Fersen — é o coração pulsante da recepção da obra.
Maria Antonieta e a Tragédia da Inocência: O texto acerta ao desconstruir a visão simplista de "vilã" frequentemente associada à rainha. Ikeda humaniza Antonieta sem eximi-la de culpa. A grande tragédia da soberana retratada no mangá não é a maldade intrínseca, mas a incompatibilidade brutal entre a realidade de privilégios absolutos de Versalhes e a miséria do povo. A incapacidade de compreender que a opulência da corte era financiada pelo sangue e pela fome do Terceiro Estado é o que torna a queda da rainha tão inevitável quanto dolorosa.
Hans Axel von Fersen e o Romantismo Trágico: A inclusão do conde sueco eleva o tom de melodrama cortesão, mas com uma densidade política marcante. O amor proibido entre Fersen e Antonieta funciona como um espelho melancólico do colapso de um mundo que rui.
Oscar François de Jarjayes: O núcleo gravitacional de toda a história.
3. Oscar François de Jarjayes: A Força do Mito e o Traço Inconfundível
A criação de Oscar — uma mulher criada como homem para servir à Guarda Real — é um dos maiores achados da ficção seriada do século XX. O texto destaca com sensibilidade a dualidade da personagem: a rigidez marcial contrastando com a delicadeza e a vulnerabilidade que emergem nos momentos cruciais.
A decisão de Oscar de abandonar os privilégios da aristocracia para se juntar ao povo na Tomada da Bastilha é o ápice dramático da obra. O autor do artigo descreve com precisão a catarse dessa sequência: ver a heroína se rebelar contra a própria coroa e, logo em seguida, sofrer a tragédia dupla da morte de André (o fiel escudeiro e amor de sua vida) e a sua própria queda na Bastilha.
É impossível falar de Oscar sem lembrar da estética que a consagrou. Embora o texto não cite diretamente os nomes, o impacto visual e a expressividade emocional dos personagens em A Rosa de Versalhes devem muito ao traço inconfundível de Shingo Araki e Michi Himeno na adaptação em anime de 1979 (que complementa perfeitamente o traço dramático de Ikeda no mangá com olhos expressivos, cabelos fluidos e uma sensação de movimento barroco).
4. A Estética da Honra e a "Melancolia Masculina"
Um ponto fascinante levantado por "Tigre" é a postura dos personagens masculinos. Fersen, André, Alain de Soissons e o conde de Girodelle representam diferentes facetas da masculinidade dentro de um contexto de crise.
A menção a Girodelle é particularmente refinada. Embora seja um personagem secundário e, por vezes, um rival romântico, a sua retirada graciosa e honrosa diante do amor intransigível de Oscar por sua pátria e por André demonstra a "estética masculina" da qual o texto fala: a nobreza de saber perder com dignidade e elegância, um traço marcante do romantismo trágico da autora.
5. O Fechamento com a Guilhotina
A descrição do desfecho com Maria Antonieta diante da guilhotina — com os cabelos cortados e a veste simples balançando ao vento — encapsula perfeitamente o lirismo agridoce de Riyoko Ikeda. A rainha prepotente e mimada do início da história purifica-se através do sofrimento, atingindo uma dignidade trágica em seus momentos finais. A imagem final evoca a grandiosidade de um império desmoronando não apenas por decretos políticos, mas pelas falhas humanas de seus protagonistas.
Considerações Finais
O texto de "Tigre" cumpre com louvor o papel de introduzir novos leitores à grandiosidade de A Rosa de Versalhes. Ele demonstra que a obra de Riyoko Ikeda não é um mero produto de sua época, mas um clássico literário e artístico que continua provocando reflexões profundas sobre liberdade, amor, dever e as engrenagens implacáveis da história. É a prova viva de que, quando um mangá shōjo atinge a maioridade criativa, ele se equipara às maiores epopeias da literatura mundial.
Espero que tenham gostado! Uma ótima semana amigos da Lady Oscar.


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