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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Feliz aniversário! Há exatos 54 anos, estreava nas páginas da revista Margaret o primeiro capítulo da série A Rosa de Versalhes. 🎂🎈🎈🎊

 

Olá,queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem vindos!



Em 21 de maio de 1972, a revista Margaret mudava para sempre a história dos quadrinhos japoneses. Há 54 anos, Riyoko Ikeda, com apenas 24 anos, iniciou uma jornada que transcenderia o papel para se tornar um pilar da cultura pop mundial. A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) não é apenas um mangá; é um manifesto de liberdade, uma aula de história e uma ópera visual. A Imagem, que abre o post é uma fanart digital de minha autoria. Sem mais delongas vamos ao post.🎂🎈🎈🎊



54 Anos de Elegância e Revolução: O Fenômeno Inabalável de "A Rosa de Versalhes"🎂🎈🎈🎊

Mais de meio século se passou desde que os primeiros traços de Riyoko Ikeda deram vida a Oscar François de Jarjayes e à Rainha Maria Antonieta, mas o impacto de "A Rosa de Versalhes" (Versailles no Bara) continua mais vivo do que nunca. Em pleno 2026, celebrando seus 54 anos de história, a obra máxima do mangá shoujo não apenas preserva seu status de clássico, como experimenta um estrondoso renascimento cultural.



O Impulso do Novo Filme Animado

Se a obra já era eterna, o último ano trouxe um combustível extra para a sua popularidade. O lançamento da nova adaptação em filme animado pelo estúdio MAPPA reacendeu a chama da franquia globalmente.

Embora os fãs de longa data debatam o ritmo acelerado da produção, é inegável que o visual deslumbrante e a roupagem contemporânea aproximaram o clássico de uma geração totalmente nova de espectadores. O filme relembrou ao mundo por que a fusão entre o rigor histórico da Revolução Francesa, o drama palaciano e as discussões pioneiras sobre gênero e identidade continuam tão fascinantes.

Uma das Franquias Mais Vendáveis do Japão

Dizer que A Rosa de Versalhes é apenas um mangá de sucesso é reduzir o seu verdadeiro tamanho. No Japão, a marca é uma das forças comerciais mais poderosas e duradouras da cultura pop, movimentando um mercado bilionário de licenciamento que desafia o tempo.

O rosto de Oscar e Antonieta estampa uma infinidade de produtos que vão muito além dos livros e mídias tradicionais:

  • Cosméticos de Luxo: A linha de maquiagens (especialmente os delineadores e máscaras de cílios) é um sucesso absoluto de vendas no Japão há anos, famosa pela alta qualidade e pelas embalagens icônicas.

  • Alimentos e Bebidas: De cafés temáticos a vinhos finos de Bordeaux, a marca frequentemente assina produtos gastronômicos sofisticados.

  • Moda e Joalheria: Parcerias com grifes de roupas, relógios e joias inspiradas na corte de Versalhes movem colecionadores ávidos.

  • Turismo e Teatro: As lendárias peças do teatro Takarazuka Revue continuam atraindo multidões, tornando a obra um pilar do teatro musical japonês.

"Mesmo após 54 anos, Oscar de Jarjayes permanece como um símbolo atemporal de coragem, lealdade e quebra de barreiras."


Chegar a 2026 com tamanha relevância cultural e força comercial prova que A Rosa de Versalhes não pertence apenas ao passado. Com novos produtos chegando diariamente às prateleiras e o público constantemente renovado, a rosa de Versalhes continua a florescer, bela e imponente, no topo do mundo dos animes e mangás.

A Gênese: Riyoko Ikeda e a Coragem de Romper Barreiras

Riyoko Ikeda, influenciada pela biografia Maria Antonieta de Stefan Zweig, originalmente pretendia contar a tragédia da rainha. No entanto, o nascimento de Oscar François de Jarjayes transformou tudo. Criada sob a rigidez marcial de um pai que buscava um herdeiro homem, Oscar tornou-se o veículo perfeito para Ikeda discutir gênero e autonomia. Em um Japão de 1972, a figura de uma mulher que empunhava a espada e comandava exércitos não era apenas ficção; era um convite para que leitoras sonhassem além do lar.

A autora, com sua formação erudita em música e piano, estruturou a trama com uma cadência operística, onde cada ato — da corte luxuosa à queda da Bastilha — é conduzido por uma tensão psicológica inigualável..

 

A Noite Proibida: Quando o Shoujo Deixou de ser Infantil

Um dos momentos mais ousados de Ikeda foi a entrega emocional entre Oscar e André. Em um gênero historicamente focado em amores idealizados e castos, a noite de intimidade entre eles foi uma quebra de paradigma. Foi um momento de humanidade crua que chocou o público, consolidando a série como uma obra que não temia a complexidade das paixões adultas e a tragédia da diferença de classes sociais..

 

O Fenômeno Takarazuka e a Febre Italiana

O legado de Oscar é inseparável do Teatro Takarazuka. Em 1974, a adaptação musical salvou a companhia da falência, criando uma febre que dura até hoje. Com mais de 5 milhões de espectadores, o musical tornou-se um rito de passagem no Japão.


 

Já na Europa, o impacto foi outro. Em 1982, a Itália foi tomada pela "Oscar-mania". Com o título Lady Oscar, a animação tornou-se o segundo programa de maior audiência do país, perdendo apenas para a Copa do Mundo. O sucesso foi tão profundo que gerou uma indústria inteira: álbuns de figurinhas, discos e uma cultura de fãs que até hoje celebra a obra em exposições monumentais, como a realizada em Milão em 2024.

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Cena do anime Rosa de Versalhes 1979.

A Estética da Perfeição: Shingo Araki e Michi Himeno

Para os fãs, a dupla Shingo Araki e Michi Himeno é sinônima de Rosa de Versalhes. Foi o traço elegante e expressivo deles, responsável pela primeira metade da série animada de 1979, que imortalizou os rostos de Oscar e Antonieta. Suas linhas fluidas, olhos detalhados e a forma como capturavam a melancolia da corte francesa elevaram o character design a um patamar de arte pictórica. Sem o "toque" de Araki e Himeno, a série não teria a mesma ressonância visual que ainda fascina desenhistas e ilustradores hoje.




As Adaptações da obra: Do Live-Action ao Mappa

A trajetória da série também foi marcada por experimentações audaciosas:

  • O Live-Action de 1979: Dirigido por Jacques Demy e com a participação direta de Ikeda, o filme Lady Oscar foi uma aposta vanguardista, rodado no próprio Palácio de Versalhes, tentando trazer uma estética cinematográfica europeia para a alma do mangá.


  • O Anime de 1979: A série clássica que, apesar de uma recepção morna na estreia japonesa, tornou-se o padrão-ouro de adaptação, sendo redescoberta e amada globalmente por décadas..

     
     
  • O Filme de 2025 (MAPPA): A mais recente reinvenção traz a tecnologia de ponta do estúdio MAPPA para a história, provando que a Rosa de Versalhes é um tema inesgotável. O longa veio para consolidar, para a nova geração, o porquê de Oscar ser a comandante que move o mundo..





"Eu, particularmente, prefiro o anime de 1979 — que é a minha adaptação favorita —, as montagens do Takarazuka e o live-action daquele mesmo ano. O filme animado do estúdio MAPPA, apesar de muito lindo e de ter seguido bem os traços de Riyoko Ikeda com um toque contemporâneo, acabou deixando a desejar. Faltaram muitos personagens e, se você não leu o mangá ou assistiu ao anime de 1979, certamente não vai entender a passagem do tempo. O ritmo é muito corrido e tudo acaba resumido a cenas musicais."


Aqui está uma versão revisada, polida e organizada do seu texto. Ajustei o fluxo da leitura, corrigi a pontuação e pequenos detalhes cronológicos (como a menção aos anos da exposição de 50 anos e o ano do evento da Abrademi, mantendo a coerência com o tempo atual), e dividi o conteúdo com cabeçalhos claros para torná-lo bem scannable e agradável de ler.

O Fenômeno Global e o Impacto Cultural de "A Rosa de Versalhes"

Embora o anime de "A Rosa de Versalhes" não tenha alcançado uma audiência estrondosa em sua exibição original no Japão, a obra ganhou o mundo sob o título de "Lady Oscar" e conquistou um sucesso sem precedentes no exterior.

A Febre de "Lady Oscar" na Europa

 Como já mencionado, na Itália de 1982, o anime se tornou um verdadeiro fenômeno de massa. Transmitido com o título de Lady Oscar, o programa alcançou a segunda maior audiência da TV italiana naquele ano — sendo superado apenas pela Copa do Mundo de Futebol, na qual a própria Itália se sagrou campeã.

A história da jovem comandante da Guarda Real causou uma febre inédita entre crianças e adolescentes, transformando-se instantaneamente em uma série cult. O impacto foi tão avassalador que abriu as portas para que praticamente todo o material relacionado à franquia fosse lançado no país. Pode-se afirmar, com segurança, que Lady Oscar foi um dos grandes responsáveis pela popularização dos animes japoneses na Europa.

Durante os anos 1980, o mercado italiano foi inundado por álbuns de figurinhas, fantasias, brinquedos, discos e revistas em quadrinhos da série. Para se ter uma ideia da magnitude do sucesso, até mesmo o tradicional encarte dominical infantil do prestigiado jornal Corriere della Sera foi inteiramente dedicado ao tema do anime.

Importância e Prestígio Reconhecidos no Japão

Se no início o anime mornou em formato de audiência na TV japonesa, o mangá de Riyoko Ikeda consolidou-se como uma das maiores referências da cultura popular do país. "A Rosa de Versalhes" detém o título de primeiro mangá elevado à categoria de obra literária, sendo considerado o romance em quadrinhos mais influente do Japão no século XX.

O impacto da obra ultrapassou as páginas do papel e moldou o comportamento de uma geração:

  • Interesse Histórico: A série provocou um enorme interesse pelo estilo Rococó e pela cultura francesa do século XVIII entre os japoneses. Graças a isso, o Japão tornou-se o país que mais realiza exposições sobre a Revolução Francesa e a corte de Versalhes fora da própria França.

  • Presença Comercial Permanente: A marca estampa embalagens dos mais diversos produtos há décadas e já foi homenageada pelos Correios japoneses com duas séries exclusivas de selos postais.

  • Celebração de Gala: Nas celebrações de seus 50 anos, uma grande exposição foi realizada no complexo Roppongi Hills, em Tóquio. Na ocasião, o mercado foi presenteado com uma linha comemorativa focada em artigos de luxo, incluindo alta joalheria e relógios finíssimos de colecionador.

A verdade é que nenhuma outra obra voltada ao público feminino (shoujo) e com tanta bagagem histórica foi tão celebrada e permaneceu tão influente para os padrões editoriais modernos.

"A Rosa de Versalhes" no Brasil: Raridade e Memória

No Brasil, a trajetória da obra seguiu caminhos mais alternativos e de nicho:

  • Chegada do Mangá: Os volumes originais em japonês começaram a circular por aqui entre 1972 e 1973, importados diretamente pelas livrarias do tradicional bairro da Liberdade, em São Paulo.

  • O Legado na Era do VHS: O anime nunca chegou a ser exibido na TV aberta brasileira. No entanto, a primeira metade da animação foi dirigida e desenhada pela lendária dupla Shingo Araki e Michi Himeno (que anos mais tarde alcançaria o estrelato mundial ao ditar o visual de Os Cavaleiros do Zodíaco). Graças ao peso desses nomes, a distribuidora Europinha lançou no Brasil, nos anos 1990, um pacote em VHS contendo 12 episódios selecionados da série e um longa-metragem que resumia os 40 episódios da história.

Refletindo o carinho duradouro dos fãs brasileiros, a Abrademi (Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações) realizou um evento comemorativo especial de 50 anos da obra no Museu da Imigração Japonesa, localizado no famoso bairro da Liberdade, em São Paulo. Tive a honra de participar desse momento histórico e, logo abaixo, compartilho algumas fotos que tirei durante o evento.












Curiosidades.

 

Para aqueles que apreciam o legado duradouro de A Rosa de Versalhes, recomendo a minissérie Haken no Oscar. Composta por seis episódios, esta produção japonesa integra elementos do mangá clássico de Riyoko Ikeda à vida moderna. A protagonista, inspirada pela icônica comandante, utiliza as referências da obra para navegar por suas próprias batalhas pessoais. O dorama destaca-se não apenas pela premissa, mas pela constante presença visual de cenas do mangá original, consolidando-se como um tributo autêntico e inteligente à obra que revolucionou o shoujo mangá.".


 

"Um dos pontos altos desta série, e que certamente fará o coração de qualquer fã vibrar, é o retorno da lendária Reiko Tajima, que empresta sua voz icônica para interpretar Oscar em momentos especiais. Assistir a Haken no Oscar foi uma experiência profundamente pessoal; é impossível não se identificar com a protagonista, Misawa Katsuko (interpretada por Tanaka Rena). Assim como eu, ela é uma verdadeira entusiasta de A Rosa de Versalhes, e ver sua paixão refletida na tela tornou a jornada de seis episódios algo realmente único e memorável."


Cena da queda da Bastilha foi uma de minhas favoritas.

 Inspirações para criar Lady Oscar:


Ao criar a história do nascimento de Lady Oscar, Ikeda se inspirou na rainha Christina da Suecia que ao nascer chorou tão forte que fez com todos pensassem haver nascido um menino. 
 

 
 
Seu pai, o rei Gustavo II, teria dito algo como ela enganou a todos nós. A rainha Christina assim como Oscar, também foi criada como um homem.

Pierre-Augustin Hulin

Muitos fãs e historiadores da obra apontam que, embora Oscar seja uma personagem ficcional, Riyoko Ikeda buscou na figura real de Pierre-Augustin Hulin (o oficial que, de fato, estava no comando da Guarda Nacional e que, em 14 de julho de 1789, mudou de lado para apoiar o povo durante o ataque à Bastilha) o arquétipo fundamental para a transição política e moral de Oscar.



O Arquétipo por trás da Heroína: A Inspiração em Pierre-Augustin Hulin

Um dos detalhes mais fascinantes sobre a construção de Oscar reside na sua inspiração histórica direta. Para moldar a trajetória da nossa Comandante, Riyoko Ikeda olhou para a figura real de Pierre-Augustin Hulin.

Hulin foi o oficial da Guarda Francesa que, no fatídico 14 de julho de 1789, protagonizou um dos momentos mais decisivos da Revolução Francesa: o momento em que, por consciência e lealdade ao povo, abandonou a defesa da Bastilha e uniu-se aos revoltosos. Oscar não é apenas uma personagem que segue ordens; ela é a materialização dramática desse soldado real. Ikeda utilizou a transição de Hulin — de um defensor da Coroa para um símbolo da liberdade — como a espinha dorsal para o desenvolvimento de Oscar. Ela é, em essência, o reflexo ficcional de um soldado que percebeu que o verdadeiro dever de um militar não é proteger um trono decadente, mas sim defender a humanidade e o futuro de sua nação.


E para encerrar essa primeira parte do post comemorativo dos 54 anos da Rosa de Versalhes,  Riyoko Ikeda, autora da obra A Rosa de Versalhes, participou recentemente de uma edição especial do aclamado programa japonês WEEKLY OCHIAI. Conduzido pelo cientista de mídia e pensador Yoichi Ochiai, o debate foi transmitido em 20 de maio de 2026 pela plataforma NewsPicks.

Durante 1h22 de conversa, Ikeda-sensei ofereceu uma retrospectiva detalhada sobre sua trajetória e os significados por trás de sua criação mais famosa. O WEEKLY OCHIAI é conhecido por seu viés analítico e cultural, e esta edição não foi diferente, trazendo reflexões valiosas sobre o impacto de Berubara na sociedade e a construção da personagem Oscar. Confira abaixo a tradução completa deste conteúdo essencial para qualquer entusiasta da obra.

Para quem não sabe, A NewsPicks é uma das maiores e mais influentes plataformas de mídia socioeconômica do Japão. Pense nela como um híbrido entre um portal de notícias de alta qualidade (estilo The Economist ou Bloomberg) e uma rede social focada em negócios e tecnologia. Tem um resumo da  primeira parte da entrevista aqui, para quem quiser ler.




"Feliz aniversário, A Rosa de Versalhes! Espero que tenham gostado do texto. Como de costume, teremos comemoração com bolo aqui em casa! Essa é uma antiga tradição do meu pai para homenagear a obra: todos os anos ele compra um bolo de aniversário e monta a mesa decorada com as minhas bonecas da Lady Oscar. Se eu conseguir produzir a parte 2 a tempo, trago as fotos da nossa comemoração e aproveito para conversar mais um pouco com vocês sobre a série. Aguardem!"


 Espero que tenham gostado!
 

 
 
 

ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Riyoko Ikeda no 'WEEKLY OCHIAI': Uma reflexão profunda sobre Oscar e a Liberdade

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!

 

 


A lendária mangaká Riyoko Ikeda, autora da obra A Rosa de Versalhes, participou recentemente de uma edição especial do aclamado programa japonês WEEKLY OCHIAI. Conduzido pelo cientista de mídia e pensador Yoichi Ochiai, o debate foi transmitido em 20 de maio de 2026 pela plataforma NewsPicks.

Durante 1h22 de conversa, Ikeda-sensei ofereceu uma retrospectiva detalhada sobre sua trajetória e os significados por trás de sua criação mais famosa. O WEEKLY OCHIAI é conhecido por seu viés analítico e cultural, e esta edição não foi diferente, trazendo reflexões valiosas sobre o impacto de Berubara na sociedade e a construção da personagem Oscar. Confira abaixo a tradução completa deste conteúdo essencial para qualquer entusiasta da obra.

Para quem não sabe, A NewsPicks é uma das maiores e mais influentes plataformas de mídia socioeconômica do Japão. Pense nela como um híbrido entre um portal de notícias de alta qualidade (estilo The Economist ou Bloomberg) e uma rede social focada em negócios e tecnologia.


"Pois bem, o Lady Oscar Fan Club Italia publicou a primeira parte da entrevista e, como o conteúdo estava em italiano, resolvi fazer uma tradução para o português. Confira abaixo, lembrando de prestigiar o trabalho da página original!"


Riyoko Ikeda no 'WEEKLY OCHIAI':  Resumo da Primeira parte da Entrevista ( Artigo traduzido):

54 anos de Berubara: Um encontro memorável

A participação da sensei, que foi ao ar no dia 20 de maio de 2026, durou uma hora e vinte e dois minutos de pura lucidez. Ikeda atravessou mais de cinco décadas de história de Berubara, oferecendo reflexões que tocam profundamente quem cresceu acompanhando a trajetória de Oscar.


Riyoko Ikeda no WEEKLY OCHIAI – Parte 1/3

Uma hora e vinte e dois minutos ao lado de Ochiai Yōichi, transmitidos em 20 de maio de 2026 pela NewsPicks: a sensei percorre cinquenta e quatro anos de Berubara (A Rosa de Versalhes) com uma lucidez que impressiona profundamente.

O programa abre com uma declaração que, por si só, já justifica toda a atenção:

«Meus pensamentos são inteiramente representados por Oscar. Suas palavras e seu modo de viver são o meu ideal.»

Em seguida, Ikeda narra a gênese de Oscar em 1972. Seu objetivo era escrever sobre o comandante das Guardas Francesas que, em 14 de julho de 1789, marchou de Paris à Bastilha e, ao abandonar o rei, aliou-se ao povo.

«Eu tinha vinte e quatro anos. Não conseguia imaginar a vida cotidiana de um militar homem. Então, fiz dela uma mulher.»

Ao abordar a frase favorita de toda a obra — aquela que Oscar profere ao assumir o posto de capitã da Guarda Francesa —, a autora reafirma sua filosofia:

«O ser humano, qualquer que seja a sua condição, não pertence a ninguém. É um ser livre.»

Contudo, o ponto que mais me impactou foi a reflexão sobre o desfecho da história. Ikeda explica que, no final, a própria Oscar se corrige, compreendendo que a liberdade de espírito é incompleta:

«Tudo, até o último fio de cabelo, deve ser livre.»

Para a sensei, este é o verdadeiro sentido do mangá. A liberdade não deve ser apenas uma vivência interior; ela precisa ser, acima de tudo, material, social e econômica. É uma escolha narrativa precisa e consciente, e não um simples cedimento sentimental ao final da obra.

Continua...

 Enfim essa foi a primeira parte. É fascinante ver como, em pleno 2026, A Rosa de Versalhes continua sendo uma obra pulsante e necessária. Amanhã, dia 21 de maio, celebramos um marco histórico: 54 anos desde o início dessa jornada inesquecível. A participação da sensei Riyoko Ikeda no Weekly Ochiai é um presente especial que faz parte destas comemorações, e sua lucidez ao falar sobre a evolução de Oscar é de arrepiar.

Um ponto que me chamou muita atenção é a profundidade que ela dá à famosa frase de Oscar: «Tudo, até o último fio de cabelo, deve ser livre.» É emocionante saber que essa citação foi incluída no filme animado de 2025 e que foi justamente esse o detalhe que mais tocou o coração de Ikeda — ao ponto de se emocionar na pré-estreia. Isso mostra que a essência da liberdade, que a autora idealizou ainda nos anos 70, não só permanece atual, como encontrou o seu auge na recente adaptação cinematográfica. É a confirmação de que a luta de Oscar por uma liberdade total — material, social e econômica — é atemporal.

Para celebrar esse aniversário tão importante, amanhã teremos um post especial aqui no blog dedicado aos 54 anos desse mangá que mudou nossas vidas. E, claro, a tradição será mantida: teremos o nosso bolo comemorativo, como faço todos os anos! Não percam!"


Fique ligado! Esta foi apenas a primeira parte deste encontro fascinante. No próximo post, trarei mais reflexões da sensei Riyoko Ikeda sobre o impacto atemporal de sua obra.


Espero que tenham gostado! Daqui a pouco tem mais.


ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 


terça-feira, 19 de maio de 2026

Além do Vermelho e Branco: O brilho caloroso da rosa amarela de André

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam bem vindos!

 




 Se você é fã de carteirinha de Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら), o clássico imortal de Riyoko Ikeda, sabe que o título da obra esconde um segredo poético. Ao contrário do que muitos pensam à primeira vista, a "Rosa de Versalhes" não se refere a uma única pessoa. Em uma famosa entrevista, a própria criadora revelou que o título original deveria ser interpretado no plural: As Rosas de Versalhes.

Na visão inicial de Ikeda, cada rosa representava uma das mulheres marcantes que floresceram e sofreram na corte francesa. Porém, o tempo passou, o universo se expandiu e a própria botânica real do Japão acabou mudando o destino de uma flor específica: a rosa amarela.

Venha entender como essa cor deixou de representar a falsidade para se tornar o símbolo máximo do amor devoto de André Grandier, e conheça o jardim oficial que imortalizou esse romance!

Fanart de Minha autoria


O Conceito Original: O Jardim Feminino de Riyoko Ikeda

No plano original da autora, a corte de Versalhes era um jardim de personalidades femininas complexas, onde a cor de cada rosa definia a alma e o destino de uma personagem:

  • A Rosa Vermelha (Maria Antonieta): Vibrante, apaixonada, trágica e o centro absoluto das atenções da realeza.

  • A Rosa Branca (Oscar François de Jarjayes): Símbolo máximo de pureza, justiça e a eterna imponência da capitã que desafiou as barreiras de gênero.

  • O Botão de Rosa Cor-de-Rosa (Rosalie Lamorlière): Representando a inocência, a doçura e a delicadeza de uma jovem que desabrocha em meio ao caos da revolução.

  • A Rosa Negra (Jeanne de Valois): A personificação da ambição desmedida, do mistério, da vingança e da escuridão que rondava os bastidores da corte.

  • A Rosa Amarela (Condessa de Polignac): Na linguagem tradicional das flores da época, o amarelo simbolizava a inveja, o ciúme e a falsidade — o encaixe perfeito para a natureza manipuladora da Condessa.

"O título se refere a todas elas. Cada mulher ali era uma rosa única na corte." — Riyoko Ikeda!

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A Rosa amarela foi batizada de a André Grandier.


A Revolução Botânica: A Linha Oficial de Rosas no Japão

Se a rosa amarela pertencia originalmente à Polignac, o que mudou? A resposta está nos canteiros reais do Japão, mais especificamente no renomado Keisei Rose Garden (o principal criatório de rosas do país).

Em comemoração ao legado do mangá, foram desenvolvidas variedades reais e híbridas de rosas com o selo oficial de The Rose of Versailles. Foi nesse momento que o design conceitual cedeu ao clamor dos fãs e à importância dos personagens masculinos na obra. Para a surpresa e deleite dos leitores, as variedades oficiais plantadas nos jardins japoneses foram batizadas assim:

  • Marie Antoinette: Uma rosa de tom marfim e rosa suave, profundamente aristocrática.

  • Oscar François: Uma rosa branca deslumbrante, majestosa e imponente.

  • Count Fersen: Uma rosa de tom lilás/roxo, elegante e melancólica, que evoca a nobreza e o romance proibido.

  • Canteiro da Lady Oscar com rosas Brancas.

  • André Grandier: Uma linda, calorosa e forte rosa amarela.

Por que André se tornou a Rosa Amarela?

A escolha do amarelo para André Grandier ressignificou completamente o sentido da cor dentro do universo da obra, apagando a antiga ligação com a Condessa de Polignac.

A variedade oficial "André Grandier®" (premiada internacionalmente, inclusive em Lyon) é descrita por especialistas em botânica como uma flor de tom amarelo-claro/creme, extremamente forte, resistente a doenças e de floração constante. Essa descrição é a mais pura tradução da essência de André:

  • O Brilho Caloroso: O amarelo suave representa o calor humano, o conforto, a lealdade e a luz que André sempre trouxe para a vida de Oscar.

  • A Resiliência: Ele é a base de apoio. Assim como a rosa criada em sua homenagem — conhecida por aguentar intempéries climáticas e continuar firme —, o amor de André resistiu ao tempo, às barreiras de classe social e à própria tragédia.

  • Companheirismo e Evolução: Longe de significar "falsidade", o amarelo na linguagem moderna das flores representa a amizade profunda que se transforma no mais puro e devoto amor.

Da Ficção para a Realidade: O Jardim do Hotel

Essa homenagem não parou nos campos de cultivo. O impacto cultural foi tão grande que O Hotel New Otani (Tóquio) criou um jardim inspirado em Rosa de Versalhes. Trata-se de um jardim de rosas na cobertura que conta com cerca de 30 mil roseiras. Por conta das colaborações oficiais com a franquia A Rosa de Versalhes (especialmente celebrando os novos projetos e filmes animados da obra), o hotel adaptou espaços e organizou visitas exclusivas onde os canteiros temáticos — incluindo a emblemática rosa amarela de André Grandier que mencionamos — ganham destaque com a total aprovação e chancela da própria Riyoko Ikeda.

Nesse espaço exclusivo, os hóspedes e fãs podem caminhar entre a história. O grande destaque do local é o canteiro dedicado à rosa amarela, projetado especificamente para representar André Grandier. Ver a rosa branca de Oscar florescer ao lado da rosa amarela de André no mundo real é a materialização do desejo dos fãs: dar a André o reconhecimento e o lugar de destaque que ele sempre mereceu.:


Conclusão: Um Jardim que Ganhou Vida

É fascinante ver como uma obra de 1972 continua viva, orgânica e em constante evolução. Embora Riyoko Ikeda tenha planejado As Rosas de Versalhes como um tributo às mulheres da Revolução Francesa, o amor do público por André e Fersen foi tão avassalador que eles garantiram seus próprios lugares no jardim.

Hoje, testemunhar esse espetáculo visual não é apenas contemplar a botânica; é a prova de que a ficção e a realidade se uniram para eternizar o maior casal da história dos mangás.

E você, já sabia dessa mudança de significado da rosa amarela e da existência desse jardim no hotel? Qual a sua rosa favorita no universo de Lady Oscar? Deixe seu comentário abaixo!

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Espero que tenham gostado!





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segunda-feira, 18 de maio de 2026

O Perfume de Versalhes em Solo Japonês: As Rosas de Riyoko Ikeda no Teatro Takarazuka. (Artigo Traduzido).

 

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!





Começando a segunda-feira com um assunto que une história, arte e muita paixão! O portal japonês Dmenu publicou um artigo encantador sobre o Takarazuka Revue — o lendário teatro composto exclusivamente por mulheres que foi salvo de uma grande crise nos anos 70 graças ao estrondoso sucesso de A Rosa de Versalhes (Versailles no Bara) — mostrando como a cidade ainda hoje é repleta de referências à obra-prima de Riyoko Ikeda.

Como uma grande fã de Takarazuka (mesmo acompanhando tudo de longe, aqui do outro lado do mundo), decidi traduzir esse texto na íntegra para mostrar a vocês como a região se veste com as cores e os perfumes de Berubara nesta época do ano.

Um lembrete importante: eu não sou fluente em japonês; sou estudante do nível básico pelo método Kumon. Por isso, utilizei o Google Tradutor para me auxiliar no processo. Se você for nativo, fluente ou um profundo conhecedor do idioma e notar qualquer deslize ou termo que possa ser melhorado, por favor, me avise nos comentários para que eu possa corrigir, combinado? A ajuda e a colaboração de vocês são fundamentais para o blog.

Fiquem agora com a tradução do artigo e, logo em seguida, com as minhas considerações sobre o tema. Boa leitura!





Título: Quando se fala em rosas em Takarazuka, a referência é "A Rosa de Versalhes" — Que tal um passeio totalmente imerso no universo de Berubara?

Assim que entramos no mês de maio, os botões de rosa desabrocharam todos de uma vez e agora estão em plena floração. Depois que as paisagens suaves e delicadas das cerejeiras relaxaram nossas mentes e corpos revigorados do inverno, sinto que as rosas nos dão a energia necessária para seguir em direção ao verão.

A propósito, quando se fala em "rosas" em Takarazuka, a primeira coisa que vem à mente é "Berubara" (apelido japonês para A Rosa de Versalhes). Foi em 1974 que o Takarazuka Revue estreou o musical baseado no mangá de Riyoko Ikeda, A Rosa de Versalhes. Desde então, a peça foi encenada repetidas vezes. Mesmo sem novas apresentações desde 2013, a obra está tão enraizada na cultura local que a maioria das pessoas associa imediatamente o Takarazuka Revue a Berubara (Takarazuka = Berubara).

Por conta dessa forte ligação, você sabia que ao desembarcar na estação Hankyu Takarazuka, tanto na praça em frente à estação quanto no caminho que leva ao Grande Teatro, existem roseiras da coleção oficial de A Rosa de Versalhes plantadas ao longo do trajeto? Atualmente, elas estão no auge da floração, encantando os pedestres com suas belas flores e fragrâncias.

As rosas da coleção A Rosa de Versalhes são variedades criadas pela tradicional empresa francesa de cultivo de rosas Meilland, que, profundamente impressionada pelo mangá, desenvolveu as espécies sob a supervisão da própria Riyoko Ikeda. É possível apreciar rosas batizadas com o nome da obra e também variedades inspiradas nos personagens principais da história: Oscar, André, a Rainha Maria Antonieta, Fersen e Rosalie.

A rosa que leva o nome de Oscar é de um branco puro. É impossível não ficar fascinado por suas flores grandes e imponentes. Já André, o amigo de infância que amou Oscar eternamente, foi representado por uma rosa amarela. Fiquei muito feliz ao ver que elas foram plantadas lado a lado em frente à estação.

A rosa de Maria Antonieta é exatamente como se imagina: um rosa-choque deslumbrante com pétalas lindamente frisadas. Elegante e magnífica. Dizem que tem um aroma maravilhoso, mas infelizmente não consegui senti-lo.





O belo Fersen — que viveu um romance proibido e apaixonado com Maria Antonieta, e que na trama também era admirado por Oscar — é representado por uma rosa roxa, de tom intelectual e sedutor.

A rosa inspirada em Rosalie, que cresceu sendo mimada por Oscar como uma irmã mais nova e acabou se apaixonando por ela, é menor e de um rosa claro delicado. O que acharam? Cada uma delas não combina perfeitamente com a imagem que temos dos personagens?

E, finalmente, há a rosa batizada especificamente como "A Rosa de Versalhes". Esta, logicamente, é uma rosa vermelha intensa e apaixonante. Ela floresce não apenas na praça da estação, mas também ao redor das estátuas de Oscar e André, localizadas em frente ao Grande Teatro.

Se a sua mente ficar completamente preenchida por Berubara, aproveite o embalo e caminhe até o Grande Teatro. Mesmo que você não vá assistir a uma peça, qualquer pessoa pode entrar livremente nas dependências do teatro. No "Salon de Takarazuka Stage Studio", é muito popular tirar fotos de recordação vestindo réplicas dos figurinos do Takarazuka Revue.

Entre esses figurinos, os mais procurados são, sem surpresa, os trajes de Oscar e de Maria Antonieta. É uma ótima oportunidade para se transformar nos personagens por um dia.

Além disso, na "Agência de Correios Takarazuka Revue", que se destaca por uma caixa de correio vermelha na entrada, são vendidos cartões-postais e produtos oficiais de Berubara. Se você comprar um cartão e um selo para enviar dali mesmo, a sua correspondência receberá um carimbo postal original com o desenho da famosa line dance (a dança em linha do teatro). Também é super recomendado pedir o carimbo apenas como lembrança, sem postar o cartão.


Neste início de verão, que tal aproveitar um dia de passeio totalmente imerso no universo de Berubara?

Fim.

URL oficial: https://kageki.hankyu.co.jp/sp/


[Comentários e Minhas Opiniões Pessoais]

É simplesmente fascinante perceber como a ficção e a realidade se fundem de forma tão poética na cidade de Takarazuka. Ler um artigo como esse nos faz entender a real dimensão do impacto cultural que Riyoko Ikeda alcançou. Não estamos falando apenas de um mangá de sucesso que virou peça, mas de uma obra que literalmente moldou a identidade urbana e o turismo de uma região inteira no Japão.

O fato de a tradicionalíssima casa francesa Meilland ter desenvolvido variedades botânicas exclusivas sob a supervisão da autora é a prova definitiva do respeito e do rigor histórico e estético que envolvem A Rosa de Versalhes. Para nós, fãs, os detalhes da plantação descritos no texto são pura poesia pura: a rosa de Oscar (um branco imponente e digno) plantada ao lado da rosa de André (um amarelo quente e leal) na praça da estação não é um mero acaso de jardinagem; é uma homenagem explícita ao companheirismo e ao amor trágico que os uniu até o fim na Bastilha.

Outro ponto que acho inteligentíssimo no gerenciamento cultural japonês é a capacidade de manter o legado vivo na memória do público. Como o próprio artigo aponta, o teatro não encena Berubara regularmente desde 2013, e mesmo assim a associação mental entre a cidade, o teatro e a obra permanece inabalável. Eles transformaram a experiência de ir ao teatro em algo acessível e interativo — você não precisa necessariamente comprar um ingresso para o espetáculo principal para vivenciar a atmosfera. O Stage Studio e a agência de correios com carimbos exclusivos da line dance servem como pontos de peregrinação cultural que mantêm o fã conectado e geram um engajamento contínuo.

Ver que o universo de Oscar François de Jarjayes continua florescendo — literalmente — em pleno ano de 2026 só mostra que clássicos são eternos porque conversam com a sensibilidade humana além do seu tempo. E vocês, qual dessas rosas gostariam de ver de perto? Eu certamente passaria horas admirando a proximidade entre a branca e a amarela!



Espero que tenham gostado! 

Daqui a pouco tem mais!^^

 


 


ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.