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sábado, 8 de agosto de 2026

Os bastidores dos 50 anos de "A Rosa de Versalhes": Riyoko Ikeda fala sobre os obstáculos, a discriminação salarial e a inspiração que a manteve firme. ( Artigo Traduzido).

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!





 Conforme eu havia prometido, estou colecionando entrevistas antigas e atuais de Riyoko Ikeda, e agora encontrei uma entrevista de 2022, onde a autora fala sobre os 50 anos de A Rosa de Versalhes(ベルサイユのばら). No artigo, Ikeda reflete sobre o processo criativo da obra, os desafios de ser uma mulher em um mercado editorial dominado por homens na década de 1970, o preconceito contra os mangás na época e como a história de Oscar se tornou um símbolo de força para as mulheres, transcendendo gerações. Para quem quiser ler o original clique aqui.

Este ano marca o 50º aniversário do início da publicação em série de "A Rosa de Versalhes" (Riyoko Ikeda). Foto: Koji Miyazaki


Os bastidores dos 50 anos de "A Rosa de Versalhes": Riyoko Ikeda fala sobre os obstáculos, a discriminação salarial e a inspiração que a manteve firme.

A decisão tomada ao ler o romance "Maria Antonieta" no segundo ano do ensino médio.

Por Riyoko Ikeda (Mangaká, cantora de ópera e poetisa)

Este ano marca o cinquentenário do início da serialização de A Rosa de Versalhes. Como esse clássico, que continua a fascinar leitores através das gerações, foi criado? A autora, Riyoko Ikeda, relembra o passado. (Estruturado por Keiko Ueda, Fotos por Koji Miyazaki)

"Este é o lugar onde André morreu"

Já faz muitas décadas, mas quando visitei a França pela primeira vez, ouvi um guia de turismo dizer: "Uma jovem japonesa escreveu uma história ambientada em Versalhes". Anos mais tarde, durante outra viagem, ouvi um guia francês dizer: "Este é o lugar onde André morreu" (risos). Nessas horas, nunca me identifico. Por isso, nenhum desses guias soube que a pessoa que criou aquela obra estava diante deles.

Em 1972, aos 24 anos, comecei a serialização de A Rosa de Versalhes (daqui em diante, Berubara). Já se passaram 50 anos. Nesse meio século, a idade dos leitores se diversificou. Dos primeiros leitores, recebi cartas dizendo: "Vou levar a coleção como parte do meu enxoval". Cerca de 15 anos depois, recebi cartas de filhas dizendo: "Minha mãe me recomendou". Hoje, estamos na terceira geração de leitores. Recebo cartas de estudantes do ensino fundamental e médio dizendo: "Minha avó lia".

A ideia para Berubara surgiu quando eu ainda estava no ensino médio. Nas férias de verão do segundo ano, li o romance Maria Antonieta, de Stefan Zweig, e desejei ardentemente transformar a vida dela em uma obra, seja em mangá ou romance. Uma garota tola e adorável que cresce como ser humano em meio à infelicidade. Esse processo me impressionou profundamente. O título também foi decidido desde o início. A rosa é a imagem de Antonieta. Como ela mesma parecia gostar de rosas, não tive dúvidas. Mantive esse desejo vivo durante meus tempos de assistente e após minha estreia em revistas (1967).

Oscar e Maria Antonieta (C) Produção de Riyoko Ikeda


O descuido cobrou seu preço e minha saúde piorou de repente anos depois

Quando recebi a primeira oportunidade de uma serialização longa, era uma época em que viagens ao exterior ainda eram um privilégio para poucos. A história se passava na França do final do século XVIII, mas não havia como ir até lá para pesquisar, e não existia a internet como hoje. Minha única fonte eram os livros. Comprei documentos relacionados à França em sebos de Kanda, em Tóquio, e pesquisei na biblioteca da editora Shogakukan. Quando eu realmente não sabia algo, perguntava a especialistas. Como desenhei baseada na imaginação, cometi erros impossíveis. Se você olhar a obra, verá a Basílica de Sacré-Cœur em uma paisagem urbana, sendo que ela não existia na época. Bem, pelo menos não desenhei a Torre Eiffel (risos).

Durante os quase dois anos de serialização, estudei desenho do zero. Como era autodidata, meus traços eram muito ruins. Eu me sentia frustrada por não conseguir desenhar como queria. Graças às aulas de desenho que recebi de estudantes de faculdades de artes, a segunda metade da série ficou muito mais fácil de desenhar.

Ainda assim, a serialização semanal tinha 23 páginas por capítulo. No começo desenhava sozinha, mas devido à carga de trabalho, precisei de assistentes. Antes do prazo final, virar a noite por dois ou três dias era normal. E, apesar disso, desenhava histórias paralelas de 63 páginas ao mesmo tempo. Acho que eu era muito jovem. No entanto, o descuido daquela época cobrou seu preço, e anos depois minha saúde piorou drasticamente; não se deve forçar tanto. A interação com colegas de profissão da época, como Moto Hagio e Toshie Kihara, foi um grande incentivo. Elas moravam em Hanno, Saitama, e eu em Kashiwa, Chiba. Como éramos muito ocupadas, mal conseguíamos nos encontrar, então passávamos horas ao telefone. Chegamos a conversar por 8 horas seguidas (risos). Como o que cada uma queria desenhar era completamente diferente, isso serviu como um ótimo estímulo.

Cena final de Oscar (C) Produção de Riyoko Ikeda


"Mangás são livros ruins que prejudicam as crianças"

No entanto, o Japão daquela época era uma sociedade puramente masculina. As redações eram compostas apenas por homens. Berubara foi inicialmente rejeitado com termos severos: "Histórias históricas não agradam mulheres e crianças. Elas não conseguiriam entender". O preconceito contra mangakás mulheres era forte, e o valor pago pelo manuscrito era metade do pago aos homens, mesmo quando tinham a mesma popularidade no mesmo meio. Quando perguntei o motivo, disseram: "Mulheres vão se casar no futuro e serão sustentadas por homens, certo? Nós temos que sustentar vocês. É natural que o cachê dos homens seja o dobro". Que época incrível, não?

Mais tarde, mudei de editora e confirmei o valor do cachê, mas parece que isso também não foi bem visto. Dizem que os outros mangakás eram descuidados com dinheiro e nunca perguntavam sobre isso (risos). Soube depois que os editores comentavam que eu era uma "mulher gananciosa".

Algumas cartas de fãs continham palavras cruéis. Por exemplo: "É um incômodo que uma mulher como você exista neste mundo". Será que pensavam que eu, como autora, vivia uma vida glamorosa como a aristocracia francesa? Na verdade, até Berubara fazer sucesso, eu sobrevivia fazendo bicos. Acho que isso também refletia o baixo status dos mangakás na época. Os responsáveis consideravam o mangá um "livro ruim que prejudica as crianças". O mestre Osamu Tezuka também disse que suas obras foram queimadas nos pátios das escolas.

Uma vez, perguntei a um crítico de mangá: "Por que os livros são bons e os mangás não?". Responderam-me: "Os romances expressam cenas apenas com palavras, deixando margem para a imaginação. Os mangás decidem tudo com desenhos, por isso não prestam". Quando retruquei, "Então, o que dizer dos filmes?", a pessoa ficou em silêncio.

Em termos de avaliação, o exterior reconhece o valor das obras de forma mais direta. Especialmente na Europa, não existe essa divisão de "mangá para mulheres" e "mangá para homens". Sinto uma diferença cultural com o Japão.

Riyoko Ikeda afirma que as pessoas no exterior apreciam o valor de seu trabalho de forma mais direta (Foto: Koji Miyazaki)


As palavras de Muhammad Ali foram meu suporte emocional

Em meio aos ventos contrários, meu suporte emocional foi a existência de Muhammad Ali (Cassius Clay), ex-campeão mundial de boxe peso-pesado. Ele teve seu título e licença profissional retirados pelo governo por se recusar a ser convocado para a Guerra do Vietnã. "Por que eu deveria ir a 16.000 quilômetros de distância para matar pessoas orientais com quem não tenho nenhuma relação?", disse ele. Fiquei fortemente atraída por sua postura de manter suas convicções mesmo sob pressão... Eu também queria ter um eixo inabalável.

Não esqueço a mensagem que meu professor me deu ao me formar no ensino médio: "As palavras dos fracos estão sempre certas. Busque seguir essa verdade social". Sem essas palavras, a Oscar, uma aristocrata, talvez nunca tivesse se colocado ao lado do povo.

E, acima de tudo, o que mais importava eram as vozes dos leitores. Originalmente, era uma obra voltada para crianças. No entanto, aos poucos, o estilo de vida de Oscar, uma mulher que se vestia de homem e lutava em uma sociedade masculina, começou a ressoar com mulheres adultas, especialmente as trabalhadoras. Foi uma repercussão inesperada. Também ouvi histórias de professores que antes diziam "Não leiam mangás, não tragam para a escola", mas que passaram a recomendar Berubara aos alunos. Toda vez que ouço isso, sinto do fundo do coração que valeu a pena continuar desenhando.

A partir de 2014, publiquei, após 40 anos, os "Episódios" focados em personagens como Alain, Fersen e Rosalie. Agora, não tenho mais temas que queira transformar em mangá. Se eu tivesse que dizer algo, minha meta é publicar um segundo livro de poesias antes de partir.

Eu também partirei deste mundo algum dia, mas as obras permanecerão. Se Berubara continuar sendo lido daqui para frente, não haverá felicidade maior.

(C) Produção Ikeda Riyoko


Fonte: "Fujin Koron", edição de outubro de 2022


Fim.


Enfim, essa foi a tradução, então vamos aos comentários e análises.

A Inevitável Relevância de um Ícone: Reflexões sobre os 50 Anos de A Rosa de Versalhes

A entrevista concedida por Riyoko Ikeda em 2022, celebrando o cinquentenário de A Rosa de Versalhes (Berubara), oferece muito mais do que um vislumbre nostálgico dos bastidores de um clássico: ela se consolida como um documento sociológico sobre a tenacidade criativa, o machismo estrutural da indústria cultural japonesa nas décadas de 1970 e o nascimento involuntário de um divisor de águas político e estético nos quadrinhos mundiais.

1. A Autora e o Arquétipo: A Gênese Histórica de uma Obra-Prima

O que impressiona na narrativa de Ikeda é o rigor precoce de sua visão artística. Conceber uma saga monumental baseada na biografia de Stefan Zweig sobre Maria Antonieta aos dezessete anos — e executá-la com maestria aos vinte e quatro — revela uma maturidade narrativa rara.

O acerto genial de Ikeda não esteve apenas em revisitar a Revolução Francesa, mas em hibridizar o romance histórico europeu com a gramática dramática do shoujo mangá. Ao transformar a trajetória de Maria Antonieta — de uma jovem "tola e adorável" para uma figura trágica marcada pela maturidade forçada pelo sofrimento — e, principalmente, ao criar a tenente Oscar François de Jarjayes, Ikeda redefiniu os limites do que o público infantojuvenil (e posteriormente adulto) podia consumir.

2. O Preço da Inovação em um Sistema Hostil

O trecho mais contundente da entrevista reside na franqueza com que Ikeda expõe a misoginia institucionalizada da imprensa e do mercado editorial da época. É revelador — e revoltante — constatar que o sucesso acassalador de Berubara foi obtido sob fogo cruzado:

  • A Desvalorização Financeira: A justificativa cínica de que mulheres receberiam metade do cachê por serem "sustentadas por futuros maridos" escancara o apartheid econômico que as mangakás pioneiras enfrentavam. O estigma posterior de ser tachada de "gananciosa" por ousar fiscalizar seus próprios ganhos demonstra como o sistema punia mulheres que adotavam uma postura profissional rigorosa.

  • O Estigma Cultural: Tratar o mangá como "livro ruim que prejudica as crianças" não era exclusividade de pais conservadores, mas parte de um establishment intelectual que marginalizava a cultura pop. A recusa do crítico em debater a legitimidade do mangá frente ao cinema após ser encurralado pela lógica sintetiza a hipocrisia acadêmica da época.

3. Cruz Eixos e Referências: O Olhar Político e Estético

A revelação de que Muhammad Ali serviu como bússola moral para Ikeda durante a criação da obra fornece uma chave interpretativa fascinante para a jornada de Oscar. A recusa de Ali em lutar na Guerra do Vietnã e sua resistência intransigente frente à pressão do Estado ecoam diretamente na decisão de Oscar de romper com sua casta aristocrática para abraçar a causa do Terceiro Estado e o levante popular.

Da mesma forma, a citação do conselho de seu professor — "As palavras dos fracos estão sempre certas" — fundamenta a espinha dorsal humanista da obra. Berubara nunca foi apenas sobre vestidos pomposos e intrigas da corte; foi uma reflexão profunda sobre justiça social, privilégio e empatia histórica, ancorada pela sensibilidade de uma autora que navegava contra a maré de seu tempo.

4. O Legado que Ultrapassa as Páginas

O relato de Ikeda sobre os guias turísticos na França desconhecerem que a criadora daquela narrativa estava bem ali diante deles simboliza a imortalidade da grande arte. Quando uma obra passa a pertencer ao imaginário coletivo a ponto de se fundir com a própria geografia física e histórica do lugar que retrata, o autor torna-se eterno.

Cinco décadas após seu início, A Rosa de Versalhes permanece como um monumento não apenas à genialidade de Riyoko Ikeda, mas à força da resiliência feminina em um mundo que tentou, ativamente, silenciar e diminuir a voz de suas criadoras.



sexta-feira, 7 de agosto de 2026

O Retorno Triunfal de Lady Oscar às Telas da TV Italiana

Olá, queridos amigos da Lady Oscar,Sejam Bem Vindos!


 


 Se você é fã de clássicos dos animes, certamente vai comemorar esta notícia: Lady Oscar  Rosa de Versalhes de 1979 voltou a ser transmitida na televisão italiana!

A exibição começou nesta quarta-feira, 5 de agosto, ocupando o espaço deixado por Cat's Eye — curiosamente, a última cena daquela série trouxe uma bela homenagem à nossa amada Rosa de Versalhes.



Programação e Horários na Itália

Para quem está na Itália ou acompanha a programação local, a transmissão tem surpreendido pela quantidade de episódios diários:

  • Horário Vespertino: A estreia aconteceu às 17h15, seguida por uma verdadeira maratona logo no dia seguinte, com três episódios exibidos em sequência das 16h25 às 17h20.

  • Reprises Matinais: Os capítulos também estão programados para a parte da manhã, por volta das 8h10 (é sempre prudente conferir a grade oficial para eventuais ajustes).

  • Madrugada: Para os notívagos ou fãs dedicados, há ainda uma opção de reprise na faixa das 4h da manhã.

  • Streaming: Todo o conteúdo também fica disponível na plataforma Mediaset Infinity.

Por que Reviver um Clássico Nunca Demais

Enquanto alguns telespectadores criticam exibições repetidas de títulos antigos sob o argumento de que isso poderia desgastar o valor da obra, a paixão fala mais alto para os verdadeiros entusiastas. Mesmo para quem já guarda coleções completas em DVD e Blu-ray, revisitar narrativas atemporais traz um frescor único.



A experiência de acompanhar as reviravoltas de Oscar François de Jarjayes na telinha tem um sabor especial — seja assistindo diretamente do celular durante a preparação de uma exposição temática, seja redescobrindo nuances da animação. Afinal, certas histórias carregam um brilho que o tempo não consegue apagar. Uma pena que esse majestoso anime nunca foi exibido na Tv Brasileira.

Nota dos bastidores: A maratona italiana também despertou memórias sobre outras dublagens clássicas, como assistir às aventuras de Oscar em francês. Mas isso já é assunto para um próximo post!


Espero que tenham gostado!


ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 


 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A Nobreza do Espírito: A Jornada de Oscar e André em Tempos de Revolução

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!



Acabei esquecendo de comentar, mas, em Rosa de Versalhes(ベルサイユのばら), no dia 4 de agosto de 1789, os privilégios feudais foram abolidos na França — aqueles mesmos entraves que, no passado, criaram tantas barreiras para o casamento de Oscar e André, embora ela o desafiasse de qualquer maneira. Esse foi o primeiro grande passo rumo à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, promulgada em 26 de agosto, à qual pretendo retornar.

Oscar era nobre de berço, mas uma nobreza ainda maior habitava seu espírito. Ela desfrutava dos privilégios de sua posição, mas sua alma ansiava por mudanças e repudiava qualquer forma de injustiça. Afinal, não podemos nos esquecer: ela sempre encontrou em André uma alma gêmea desde a infância. Para ela, ele nunca foi um mero servo, mas alguém infinitamente mais importante. Foi a mesma mulher que se indignou com a tragédia da família Sugane em Arras, que acolheu a plebeia Rosalie sob o próprio teto, que se compadeceu genuinamente das privações dos soldados da Guarda e que, por fim, escolheu marchar ao lado do povo.



Certamente, Oscar jamais teria compactuado com os excessos do Terror. No entanto, o ideal nobre e iluminista da Revolução dialogava perfeitamente com seus valores e com sua visão de mundo — uma visão que construiu e compartilhou lado a lado com André. Por isso, hoje, ela estaria feliz.


Enfim, Oscar tinha uma nobreza ainda maior habitava seu espírito. Ela desfrutava dos privilégios de sua posição, mas sua alma ansiava por mudanças e repudiava qualquer forma de injustiça. Afinal, não podemos nos esquecer: ela sempre encontrou em André uma alma gêmea desde a infância. Para ela, ele nunca foi um mero servo, mas alguém infinitamente mais importante. Foi a mesma mulher que se indignou com a tragédia da família Sugane em Arras, que acolheu a plebeia Rosalie sob o próprio teto, que se compadeceu genuinamente das privações dos soldados da Guarda e que, por fim, escolheu marchar ao lado do povo. Em suma, a jornada de Oscar personifica a própria transição da velha França para os ideais revolucionários. Ao abdicar de seus privilégios por amor à liberdade e à justiça, ela se consagra não apenas como uma heroína trágica, mas como o símbolo máximo de que a verdadeira nobreza reside na coragem de escolher o lado do povo. Finalizo com alguns momentos marcantes do mangá e anime clássico.


Espero que tenham gostado! Uma ótima semana amigos da Lady Oscar.

 


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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O Impacto do Portão: Lady Oscar (A Rosa de Versalhes): Que mangá extraordinário! Tradução do artigo + Análise Crítica.


Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!



Esses dias, bati o recorde em traduzir artigos para disponibilizar aqui no blog, e hoje, me deparo com um texto bem interessante publicado originalmente em japonês no portal Oita-Press.

Trata-se de um artigo fascinante que mergulha no universo de A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら), analisando o impacto profundo dessa obra-prima da mangaká Riyoko Ikeda, a complexidade de seus personagens inesquecíveis como Oscar e Maria Antonieta, e a forma como a ficção se entrelaça com os grandes eventos da Revolução Francesa.

Decidi traduzir o conteúdo na íntegra, com o auxílio do tradutor do Google. Como estudo japonês básico no Kumon, se algum leitor entender o idioma e encontrar algum erro — e quiser me ajudar a corrigir —, eu agradeço muito!

Vale notar que o artigo original não continha imagens, então adicionei algumas por conta própria para ilustrar o post e deixar a leitura ainda mais visual.

Abaixo, você confere a tradução completa e, logo em seguida, trago minhas críticas e comentários pessoais sobre este artigo tão especial.



O Impacto do Portão: O Gabinete do Tigre (5) - Lady Oscar (A Rosa de Versalhes): Que mangá extraordinário!

 Lamento não ter tido a ideia de ler mangás shōjo quando eu era jovem. Se eu tivesse descoberto A Rosa de Versalhes mais cedo, certamente teria sido tomado por uma enorme vontade de aprofundar meus conhecimentos sobre a Revolução Francesa, a história da França e a história europeia. Como optei por estudos sociais com foco em história mundial no ensino médio, essa sensação é ainda mais forte.

A Rosa de Versalhes foi serializada pela mangaká Riyoko Ikeda de 1972 a 1973 na revista semanal Margaret (Editora Shueisha) ao longo de 82 semanas. Trata-se de um drama humano que tece uma história misturando fatos históricos e ficção, retratando o caos da França rumo à revolução e os bastidores desse período.

Quem seria o verdadeiro protagonista desta história? Como cada leitor desenvolve um apego especial por diferentes personagens, as opiniões se dividem: "É claramente a Oscar", ou "Não, são os dois: Maria Antonieta e Oscar".

No posfácio da autora, publicado junto aos volumes da Margaret Comics, Ikeda registra que desenhou a obra tendo três protagonistas centrais: Oscar, Maria Antonieta e Fersen.

Oscar é uma personagem fictícia, sem a qual a narrativa simplesmente não existiria. Pode-se dizer que ela é o núcleo entre os três protagonistas.

Filha da família Jarjayes, foi criada como menino e tornou-se militar. O vislumbre de sua essência feminina por trás de sua rigorosa disciplina desperta profunda empatia, enquanto sua elegância e bravura conquistaram o coração de inúmeros leitores.

Na reta final da história, fiquei absolutamente fascinado pela decisão da Oscar de se rebelar contra a nação. É exatamente isto o que chamamos de uma alma em transe. Contudo, eu nunca esperava que André — com quem ela finalmente havia se unido — tomasse um tiro e morresse ali. E ver a própria Oscar perder a vida logo em seguida, durante a eclodida Tomada da Bastilha, foi um desfecho totalmente inesperado. Naquela época, muitos leitores certamente derramaram lágrimas.

Maria Antonieta, nem é preciso dizer, foi uma figura histórica real. Ela veio ainda criança para a França (na época da dinastia dos Bourbons) vinda da Áustria vizinha, governada pela Casa de Habsburgo, em um casamento arranjado com o príncipe herdeiro que viria a ser Luís XVI. Para minha vergonha, eu desconhecia completamente esses antecedentes, bem como o fato de ela ser filha da imperatriz austríaca Maria Teresa, até ler este mangá.

Como ela não tem uma índole ruim, não sentimos aquela aura típica de "vilã" que costumam lhe atribuir ao longo desta obra. A grande tragédia de Maria Antonieta talvez tenha sido justamente a sua ignorância — fruto inevitável de ter nascido e crescido como uma verdadeira princesa —, desconhecendo por completo as realidades do mundo. Ela acreditava erroneamente que as regras do Palácio de Versalhes eram as regras de toda a sociedade.

A noção de dinheiro dentro do Palácio de Versalhes pertencia a outra dimensão. E esse dinheiro vinha dos impostos pagos pelo povo comum. Enquanto os cidadãos eram forçados a viver na miséria, lutando para garantir o que comer a cada dia, o palácio apenas esbanjava recursos sem fim. Não é de admirar que a energia de raiva e ódio das pessoas comuns tenha explodido.

O conde sueco Hans Axel von Fersen também foi uma pessoa real. Sério, sincero e extremamente charmoso. No contexto de um tema tão denso quanto a Revolução Francesa, a trágica história de amor entre Fersen e Maria Antonieta transcende o papel de uma mera subtrama.

O comportamento dos principais personagens masculinos — como Fersen, André, Alain e Girodelle — traz lições valiosas que devemos admirar. Falando em Girodelle, que tem um papel relativamente menor entre esses quatro, a cena em que ele se afasta de Oscar exala pura "estética masculina".

De certa forma, a narrativa encerra suas cortinas na guilhotina, o grande símbolo da Revolução Francesa. A execução do rei Luís XVI já havia se consumado. A imagem de Maria Antonieta diante da guilhotina, com seus cabelos curtos e vestida com um traje branco e simples balançando ao vento, é marcante. De todas as fases em que Maria Antonieta foi retratada desde a sua juventude, essa última aparição final pareceu-me a mais bela de todas. Adeus...

No posfácio, Riyoko Ikeda define esta obra como "o monumento à sua própria juventude". Sem dúvida, ela dedicou uma paixão avassaladora a esse projeto. A Rosa de Versalhes é uma obra que ultrapassa amplamente as fronteiras do mangá shōjo. (Tigre)





Fim.


Análise Crítica: O Olhar Fascinado de "O Tigre" sobre a Eternidade de A Rosa de Versalhes

O texto de "Tigre" capta com precisão cirúrgica a essência do que torna A Rosa de Versalhes (Berusaiyu no Bara) um fenômeno atemporal. Mais do que um simples relato de leitura, o artigo funciona como o testemunho sincero de um leitor que foi profundamente transformado ao cruzar com a obra-prima de Riyoko Ikeda — um arrependimento comum entre muitos leitores que, por preconceito geracional ou de gênero editorial, demoraram a descobrir a grandiosidade dos mangás shōjo clássicos.

Abaixo, desdobramos os principais pontos trazidos pelo autor sob uma perspectiva crítica, aprofundando o contexto histórico, a genialidade da autora e a construção dos personagens mencionados.

1. Riyoko Ikeda e a Revolução no Shōjo Manga

Como bem aponta o texto, a serialização na revista Margaret entre 1972 e 1973 marcou um divisor de águas. Antes de Ikeda, os mangás voltados para o público feminino eram frequentemente confinados a tramas melodramáticas mais intimistas ou escolares. Ao trazer a Revolução Francesa para o centro do shōjo, Riyoko Ikeda não apenas revolucionou o mercado — abrindo portas para o monumental sucesso comercial e crítico da obra —, mas também educou gerações de leitores sobre história europeia.

O próprio autor do texto confessa que seu interesse pela história da França nasceu ou foi impulsionado por essa leitura, evidenciando o poder pedagógico e narrativo que Ikeda imprimiu em sua "adolescência de papel e tinta". Chamar a obra de "um monumento à sua própria juventude" (termo usado pela própria mangaká) faz todo o sentido: Ikeda tinha apenas vinte e poucos anos quando começou a desenhar essa saga épica, canalizando uma energia criativa avassaladora.

2. O Triunvirato de Protagonistas e a Complexidade Histórica

A discussão sobre quem é o verdadeiro protagonista — se Oscar, Maria Antonieta ou Fersen — é o coração pulsante da recepção da obra.

  • Maria Antonieta e a Tragédia da Inocência: O texto acerta ao desconstruir a visão simplista de "vilã" frequentemente associada à rainha. Ikeda humaniza Antonieta sem eximi-la de culpa. A grande tragédia da soberana retratada no mangá não é a maldade intrínseca, mas a incompatibilidade brutal entre a realidade de privilégios absolutos de Versalhes e a miséria do povo. A incapacidade de compreender que a opulência da corte era financiada pelo sangue e pela fome do Terceiro Estado é o que torna a queda da rainha tão inevitável quanto dolorosa.

  • Hans Axel von Fersen e o Romantismo Trágico: A inclusão do conde sueco eleva o tom de melodrama cortesão, mas com uma densidade política marcante. O amor proibido entre Fersen e Antonieta funciona como um espelho melancólico do colapso de um mundo que rui.

  • Oscar François de Jarjayes: O núcleo gravitacional de toda a história.

3. Oscar François de Jarjayes: A Força do Mito e o Traço Inconfundível

A criação de Oscar — uma mulher criada como homem para servir à Guarda Real — é um dos maiores achados da ficção seriada do século XX. O texto destaca com sensibilidade a dualidade da personagem: a rigidez marcial contrastando com a delicadeza e a vulnerabilidade que emergem nos momentos cruciais.


A decisão de Oscar de abandonar os privilégios da aristocracia para se juntar ao povo na Tomada da Bastilha é o ápice dramático da obra. O autor do artigo descreve com precisão a catarse dessa sequência: ver a heroína se rebelar contra a própria coroa e, logo em seguida, sofrer a tragédia dupla da morte de André (o fiel escudeiro e amor de sua vida) e a sua própria queda na Bastilha.

É impossível falar de Oscar sem lembrar da estética que a consagrou. Embora o texto não cite diretamente os nomes, o impacto visual e a expressividade emocional dos personagens em A Rosa de Versalhes devem muito ao traço inconfundível de Shingo Araki e Michi Himeno na adaptação em anime de 1979 (que complementa perfeitamente o traço dramático de Ikeda no mangá com olhos expressivos, cabelos fluidos e uma sensação de movimento barroco).

4. A Estética da Honra e a "Melancolia Masculina"

Um ponto fascinante levantado por "Tigre" é a postura dos personagens masculinos. Fersen, André, Alain de Soissons e o conde de Girodelle representam diferentes facetas da masculinidade dentro de um contexto de crise.

A menção a Girodelle é particularmente refinada. Embora seja um personagem secundário e, por vezes, um rival romântico, a sua retirada graciosa e honrosa diante do amor intransigível de Oscar por sua pátria e por André demonstra a "estética masculina" da qual o texto fala: a nobreza de saber perder com dignidade e elegância, um traço marcante do romantismo trágico da autora.

5. O Fechamento com a Guilhotina

A descrição do desfecho com Maria Antonieta diante da guilhotina — com os cabelos cortados e a veste simples balançando ao vento — encapsula perfeitamente o lirismo agridoce de Riyoko Ikeda. A rainha prepotente e mimada do início da história purifica-se através do sofrimento, atingindo uma dignidade trágica em seus momentos finais. A imagem final evoca a grandiosidade de um império desmoronando não apenas por decretos políticos, mas pelas falhas humanas de seus protagonistas.

Considerações Finais

O texto de "Tigre" cumpre com louvor o papel de introduzir novos leitores à grandiosidade de A Rosa de Versalhes. Ele demonstra que a obra de Riyoko Ikeda não é um mero produto de sua época, mas um clássico literário e artístico que continua provocando reflexões profundas sobre liberdade, amor, dever e as engrenagens implacáveis da história. É a prova viva de que, quando um mangá shōjo atinge a maioridade criativa, ele se equipara às maiores epopeias da literatura mundial.




Espero que tenham gostado! Uma ótima semana amigos da Lady Oscar.

 


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terça-feira, 4 de agosto de 2026

A Influência das Experiências de Riyoko Ikeda com Protestos Estudantis e sua Representação da Revolução Francesa em "A Rosa de Versalhes" ( Artigo Traduzido).


Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!
 



 Recentemente, o Yahoo do Japão, trouxeram um artigo, publicado originalmente no Diamond, abordando a influência das experiências de Riyoko Ikeda com protestos estudantis e sua representação da Revolução Francesa em "A Rosa de Versalhes" (ベルサイユのばら).

Abaixo, trago a tradução integral deste texto para o português do Brasil. Mantive a estrutura original do texto e utilizei as mesmas imagens e divisões. Como não sou fluente em japonês — aprendo o básico no Kumon —, utilizei o Google Tradutor como auxiliar; caso você, leitor, seja fluente em japonês, encontre algum erro e quiser me ajudar, eu agradeço muito!



Tradução do Artigo: As Experiências de Riyoko Ikeda em Conflitos Estudantis e sua Influência na Descrição da Revolução Francesa em "A Rosa de Versalhes"

(Autor: Yasuo Nagayama)

As Origens Culturais e a Formação de Riyoko Ikeda

Quando se fala em grandes romances históricos do mangá shoujo dos anos 70, o primeiro nome que vem à mente é, sem dúvida, "A Rosa de Versalhes" (publicado na revista Weekly Margaret entre as edições 21 de 1972 e 52 de 1973), de Riyoko Ikeda.

Ikeda nasceu em dezembro de 1947, em Osaka. Filha de uma família de linhagem aristocrática (shizoku) e com um pai que era militar profissional, ela pertence à geração nascida após a guerra, tendo sido educada sob os preceitos da democracia pós-guerra nas escolas. Sua mãe era extremamente dedicada à educação, matriculando-a em uma imensidão de aulas extracurriculares: caligrafia, koto, cerimônia do chá, ikebana, canto vocal, piano, pintura, sorobã, inglês... Mais tarde, Ikeda ingressou no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Educação de Tóquio. No entanto, como ela aspirava a se tornar uma acadêmica, seu pai cortou o apoio financeiro para seus estudos, o que a levou a escolher desenhar mangás para bancar seu próprio custo de vida e despesas universitárias.

No entanto, o sucesso não veio imediatamente. Quando ela levou seus originais a grandes editoras, apontaram sua imatura técnica e rejeitaram o material, fazendo com que ela debutasse no mercado de aluguel de mangás (kashihon manga), que possuía barreiras de entrada mais baixas. Até que os direitos autorais e remunerações começassem a entrar, ela enfrentou um período de vida extremamente rigoroso. Após aprimorar sua técnica desenhando no mercado de aluguel por dois ou três anos, ela finalmente recebeu chamadas de grandes editoras, consolidando sua estreia oficial.

"A Rosa de Versalhes" não se destacava apenas por seus traços esplêndidos; havia um esforço engenhoso para conferir uma expressão tridimensional ao mangá, além de incorporar ilustrações grandes e estilizadas em poses de pin-up integradas ao contexto narrativo (nos mangás shoujo dos anos 60, era comum que ilustrações de protagonistas usando vestidos suntuosos fossem inseridas como páginas coloridas independentes, totalmente desvinculadas da trama).

O Amor Abstinente de Oscar e André, Cultivado à Sombra da Revolução Francesa

A história começa no final do reinado de Bourbon sob Luís XV, quando a princesa Maria Antonieta da Áustria — filha da imperatriz Maria Teresa — é enviada ao Reino da França para se casar com o príncipe herdeiro (futuro Luís XVI). A narrativa retrata a vida na corte dominada pelas favoritas de Luís XV, a vida luxuosa e vazia após a ascensão de Luís XVI, o caso amoroso ilícito de Antonieta, o desperdício imprudente que levou à debilidade do Estado, culminando na Revolução Francesa e em seus desdobramentos.

Embora a base da estrutura narrativa tenha como referência a biografia clássica "Maria Antonieta", escrita pelo mestre da literatura biográfica Stefan Zweig, a originalidade de Ikeda — e o maior ponto de furor entre os leitores — reside na concepção de Oscar François de Jarjayes: nascida em uma linhagem de oficiais aristocratas e criada como mulher, ela atua como comandante da guarda do regimento de elite de Versalhes.

Oscar serve ao rei e à rainha, valorizando profundamente a nobreza de caráter e a amabilidade de ambos, mas ao mesmo tempo nutre uma profunda empatia pelas massas empobrecidas. Sustentando Oscar está seu leal criado, André; ambos compartilham um amor recíproco e abstinente...

O grande atrativo romântico da obra é o romance entre Oscar e André, bem como a relação proibida entre Antonieta — que desconhecia o amor devido a um casamento político — e o nobre sueco Fersen. Além disso, o amor trágico de Luís XVI, que percebe a infidelidade da rainha, mas opta por não censurá-la, desperta profunda comiseração.

A construção psicológica dessas figuras e a forma como revolucionários como Robespierre são retratados parecem beber de outras obras de Zweig, como "Maria Stuart" e "Joseph Fouché".

Por outro lado, em meio a essa grandiosa peça histórica que é "A Rosa de Versalhes", é possível que estivessem embutidos reflexos e sentimentos em relação à própria sociedade japonesa da época. O período em que Ikeda frequentou a universidade coincidiu com o auge dos conflitos estudantis. Sofrendo com o conflito de valores em relação à geração de seus pais, a própria Ikeda pertencia à Liga da Juventude Democrática do Japão (Minsei), ligada ao Partido Comunista, o que justamente refletiu sua ideologia na representação da Revolução Francesa (embora esta tratasse de uma revolução burguesa).

Posteriormente, Ikeda explorou o mundo das amizades e ciúmes de tom homoerótico em um clube social exclusivo de uma prestigiada escola feminina em "Dear Brother..." (1974), e mais tarde em "A Janela de Orfeu" (1975–1981), onde novamente colocou um protagonista com travestismo no centro da trama, retratando os turbulentos anos da Belle Époque, a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa. Esta obra também se consolidou como um suntuoso grande romance histórico e uma dolorosa história de amor.


Fim

Minha Análise e Crítica: A Reconfiguração da História e o Espelho da Juventude Rebelde

A análise proposta por Yasuo Nagayama ilumina de maneira perspicaz uma das dimensões mais fascinantes e subestimadas da estética mangá dos anos 1970: a intersecção entre o rigor historiográfico europeu e o ativismo político da contracultura japonesa pós-guerra.

Ao conectar a biografia de Riyoko Ikeda à gênese de "A Rosa de Versalhes", Nagayama desfaz o mito de que o mangá shoujo da época era mero escapismo romântico. Pelo contrário, Ikeda utilizou o distanciamento histórico da França pré-revolucionária como um espelho crítico para interrogar as estruturas de autoridade, hierarquia e opressão. A militância de Ikeda na Juventude Democrática durante o turbulento clima dos protestos estudantis japoneses deu-lhe não apenas uma lente de leitura crítica das lutas de classe, mas uma sensibilidade aguda para compreender a tragédia da alienação institucional.

O grande trunfo analítico do texto reside em apontar como a figura de Oscar François de Jarjayes funciona como uma síntese perfeita dessa dualidade dialética: aprisionada pelas convenções aristocráticas e militares de sua classe, Oscar desperta progressivamente para a consciência social, encarnando o dilema do intelectual/burguês radicalizado que se volta contra seu próprio privilégio em prol da emancipação coletiva. A tragédia de Oscar e o sacrifício de André não são apenas ornamentos melodramáticos; eles refletem a seriedade ética e o fardo moral que a juventude politizada da geração de Ikeda sentia ao confrontar o establishment.

Ademais, a influência literária de Stefan Zweig — mestre da psicologia histórica que privilegiava o drama humano das grandes reviravoltas geopolíticas — permitiu a Ikeda elevar o formato do mangá a um patamar literário inédito. A genialidade de "A Rosa de Versalhes" permanece inabalável justamente porque consagra o melodrama íntimo e a grande política como forças inseparáveis, moldando a consciência de gerações de leitores dentro e fora do Japão.



Espero que tenham gostado! Daqui a pouco tem mais.

Desejo a todos uma linda semana, amigos da Lady Oscar!


ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.