Letreiro com titúlo de postagens

domingo, 19 de abril de 2026

O Brilho Eterno da Estrela de Versalhes: Por que o Anime Clássico Lady Oscar de 1979 permanece Insuperável"

 

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!
 




Considerado uma das maiores obras-primas da história dos mangás e animes, A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら Berubara) ocupa um lugar peculiar na cultura pop global. No Brasil, a obra de Riyoko Ikeda carrega um ar de "tesouro escondido", cercada de perguntas sobre por que uma história tão grandiosa nunca chegou a ocupar as tardes da nossa TV aberta.

O Hiato Brasileiro: VHS e a Sombra de Atena

Diferente de outros clássicos da mesma época, a série animada de 1979 nunca foi exibida na televisão brasileira. O contato do público local com a obra nos anos 90 foi extremamente limitado, restringindo-se a alguns volumes lançados em VHS.

Esses lançamentos foram uma tentativa de surfar na "era de ouro" da Rede Manchete, impulsionada pelo sucesso estrondoso de Os Cavaleiros do Zodíaco. Como ambas as obras compartilhavam o traço icônico de Shingo Araki e Michi Himeno, acreditava-se que o público de Seiya aceitaria bem a história de Oscar François de Jarjayes. No entanto, sem a vitrine da TV aberta, a série permaneceu um item de nicho para colecionadores.





Contraste Global: Fracasso no Japão vs. Fenômeno Italiano

É fascinante notar como a recepção da obra variou drasticamente:

  • No Japão: O anime de 1979 foi considerado um fracasso de audiência em sua exibição original. O público japonês da época, muito apegado à fidelidade absoluta ao mangá, estranhou as liberdades criativas tomadas pela equipe de animação.

  • Na Europa (especialmente Itália): Sob o título de Lady Oscar, a série tornou-se um fenômeno cultural sem precedentes. Os italianos abraçaram a carga dramática, a trilha sonora épica e a estética rococó, elevando a animação ao status de cult que perdura até hoje. Para muitos europeus, a animação clássica é a versão definitiva, superando até mesmo a experiência de leitura do mangá.





1979 vs. 2025: O Renascimento pelo Estúdio MAPPA

Em 2025, o estúdio MAPPA lançou uma nova adaptação cinematográfica que finalmente parece ter conquistado o coração dos japoneses. A diferença de recepção pode ser explicada por alguns fatores:

  1. Ritmo e Modernização: O filme de 2025 utiliza técnicas modernas de narrativa e uma estética que, embora respeite a obra original, se comunica melhor com a audiência atual do Japão.

  2. Fidelidade ao Material Base: Onde o anime clássico ousou mudar tons e focos, o novo filme buscou uma proximidade maior com o espírito do mangá de Ikeda, algo que o público japonês preza historicamente.



A Polêmica: Feminismo no Mangá vs. Visão do Anime

Existe um debate fervoroso entre historiadores de anime sobre a ideologia da série. Enquanto o mangá de Riyoko Ikeda é celebrado como uma obra extremamente feminista, quebrando barreiras de gênero na década de 70, a animação clássica sofre críticas por certas mudanças.

Muitos estudiosos apontam que a segunda metade do anime, após a troca de diretores (com a entrada de Osamu Dezaki), assumiu um tom mais melancólico e, para alguns, machista. Nesta fase, a figura de Oscar, por vezes, parece ser mais passiva ou definida por seus sofrimentos amorosos e relação com André, em contraste com a Oscar mais política e assertiva das páginas de Ikeda.



O Que Pensa Riyoko Ikeda?

Muitos se perguntam se a autora "odeia" a versão de 1979. A realidade é mais matizada. Ikeda já expressou em diversas ocasiões seu descontentamento com certas liberdades narrativas e mudanças de personalidade que Oscar sofreu na TV. No entanto, ela reconhece o papel fundamental que a animação teve na internacionalização de sua obra, especialmente no mercado europeu.




Por que o Clássico Ainda Reina na Itália?

A preferência italiana pela animação de 79, mesmo após o novo filme, reside na nostalgia e na identidade visual. O trabalho de Shingo Araki criou uma estética de "beleza trágica" que se fundiu com a memória afetiva de uma geração. Para os fãs italianos, a Oscar de 1979 não é apenas um desenho; é um ícone de resistência e paixão que a perfeição técnica do digital dificilmente conseguirá substituir.



Para finalizar, é importante destacar que, embora o novo filme de 2025 traga o brilho da tecnologia atual, muitos fãs — incluindo esta que vos escreve — mantêm o coração ancorado na versão de 1979. Para mim, quando o assunto é adaptação, o anime clássico permanece insuperável.

A Estética e o Ritmo Imbatíveis

O primeiro motivo é visual: o traço de Shingo Araki e Michi Himeno era simplesmente magistral. Há uma elegância e uma expressividade naquelas linhas que ninguém conseguiu replicar com a mesma alma; para mim, são os traços mais lindos da história da animação. Além disso, o formato de série com 40 episódios permitiu que a história de Ikeda respirasse. O anime clássico conseguiu aprofundar a trama de uma forma que um filme de longa-metragem jamais conseguiria.

O Vazio Deixado pelo Filme de 2025

O ponto que mais me decepcionou na nova versão foi a exclusão de figuras fundamentais que o anime de 79 soube aproveitar tão bem. O filme de 2025 deixou de fora nomes como:

  • O Cavaleiro Negro (um dos meus personagens favoritos!);

  • Madame du Barry e a Condessa de Polignac;

  • Jeanne e a própria Rosalie.

Sobre Rosalie, o erro foi ainda mais gritante. No filme novo, ela aparece apenas em uma cena curta, sem qualquer ligação profunda com Oscar e André, sem tempo de tela e sem o desfecho de seu casamento com Bernard. Para mim, essas omissões são falhas narrativas terríveis, muito piores do que qualquer mudança feita na versão de 1979.



A Batalha das Trilhas Sonoras

É justo reconhecer que o filme de 2025 possui músicas belíssimas, mas, ainda assim, elas não alcançam o patamar da trilha sonora original do anime clássico. Aquela composição é impecável, atemporal e consegue evocar a tragédia e o romance da Revolução Francesa de uma maneira que toca a alma.

No fim das contas, a obra de 1979 não é apenas uma animação; é um monumento artístico que, apesar de suas liberdades, entendeu a magnitude de cada personagem e a importância de cada detalhe da corte de Versalhes.


Enfim, este foi apenas um post para comentar as impressões sobre essas duas adaptações tão distintas.

Hoje de manhã, conversando com meu pai — que é um grande entusiasta de A Rosa de Versalhes — ele comentou que, embora deteste musicais, achou o novo filme muito bem feito tecnicamente. No entanto, para ele, os cortes de personagens e a mudança na forma como André perde a visão foram pontos imperdoáveis na narrativa.

Como todo bom italiano que preza pela tradição e pela carga dramática original, ele não tem dúvidas: a versão de 1979 continua sendo a sua favorita e a preferida da nossa família. 

Finalizo com vídeos relacionados.






Espero que tenham gostado! Daqui a pouco tem mais.

Desejo um lindo Domingo  e uma semana maravilhosa a todos vocês, amigos da Lady Oscar!


ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 





sábado, 18 de abril de 2026

"A Rosa de Versalhes" tem todos os capítulos liberados gratuitamente apenas hoje no Piccoma.

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!






 Estamos nos aproximando de um marco muito especial: o primeiro aniversário da estreia mundial do filme animado A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) (2025) na Netflix. Para celebrar essa trajetória de sucesso e a imortalidade desta obra, trazemos uma notícia exclusiva vinda direto do Japão!

O renomado portal Comic Natalie anunciou que, hoje, os fãs em solo japonês receberam um presente único. 

A obra-prima de Riyoko Ikeda, "A Rosa de Versalhes", foi disponibilizada com todos os seus capítulos para leitura gratuita exclusivamente durante este dia 18 de abril.




Atenção: É importante notar que esta ação é voltada para o público japonês e está disponível nas plataformas de leitura digital do país, servindo como uma belíssima homenagem à longevidade da série.

 

Um Legado Além do Papel A história nos transporta para o auge da Revolução Francesa, acompanhando as vidas e os amores intensos de Oscar François de Jarjayes, a destemida comandante que vive em trajes masculinos, e da Rainha Maria Antonieta, em uma narrativa de amor e sacrifício. A saga, que já passou pelo teatro Takarazuka, TV e cinema, ganhou ainda mais força com o aclamado novo filme lançado em 2025 que conquistou o mundo via streaming.

A Edição Digital A versão liberada para os japoneses hoje é a reedição dividida em 9 volumes, oferecendo uma experiência completa e revitalizada desta narrativa histórica tão querida por nós.

"Iniciativas como essa do Piccoma mostram a força eterna de A Rosa de Versalhes no Japão. Fiquem ligados aqui no blog para mais traduções e novidades fresquinhas sobre o universo de Riyoko Ikeda. Até a próxima postagem!"


Espero que tenham gostado! Daqui a pouco tem mais.


ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Sinfonia de Memórias: A Gratidão de uma Geração às Vozes da Itália

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam bem vindos!

 


Existem vozes que não apenas narram histórias; elas se tornam parte de quem somos. Recentemente, o portal Lady Oscar 40 anni nos presenteou com alguns registros de um encontros belíssimos com a icônica Clara Serina. Ouvir Clara, a voz feminina dos I Cavalieri del Re, é como abrir um portal direto para a nossa infância, trazendo de volta os acordes daquela primeira abertura que nos apresentou ao universo de Riyoko Ikeda.

Sabemos que a força de A Rosa de Versalhes nasceu do traço do Sensei e ganhou movimento através do talento da equipe da TMS, pelas mãos de gigantes como Shingo Araki e Osamu Dezaki. Mas foi na voz que a obra encontrou seu coração pulsante.



Embora hoje o mundo digital e a inteligência artificial ameacem a autenticidade da arte, nada pode substituir o calor e a nuance da interpretação humana. A dublagem não é apenas técnica; é entrega. É por isso que, para nós, a imagem de Oscar será para sempre indissociável da interpretação de Cinzia de Carolis. Elas se tornaram uma só.

Nossa gratidão eterna se estende a todo esse elenco que deu vida aos nossos heróis:


Espero que tenham Gostado!



 


lady oscar identitàady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser!






 





Quatorze anos sem Osamu Dezaki. Homenagem ao diretor da segunda parte do anime, Rosa de Versalhes de 1979.

 

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!

 

E hoje é uma data triste, mas também uma data para lembrar de um grande gênio das animações. Há exatos quatorze anos, perdemos o grande mestre, Osamu Dezaki (出﨑 統), o maior diretor de animes de todos os tempos, que faleceu em 17 de abril de 2011, aos 67 anos. Faleceu muito cedo, não tinha tanta idade, mas infelizmente estava doente com câncer no pulmão, e acabou partindo para o mar das estrelas, mas estará para sempre em nossos corações. Na época, sua morte causou uma enorme comoção entre os fãs das animações japonesas. Seu último anime foi Genji Monogatari Sennenki: Genji (源氏物語千年紀). Desaki foi diretor da segunda metade do anime Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら). O primeiro diretor foi Tadao Nagahama  que infelizmente acabou falecendo de hepatite.  Na verdade, Nagahama e sua esposa contraíram hepatite enquanto viajavam para o exterior. Embora sua esposa tenha sobrevivido, Nagahama faleceu da doença aos 43 anos, bem no meio do anime de Rosa de Versalhes. Logo em seguida, Dezaki assumiu a direção da série.
 
Montagem feita por mim em homenagem a  Osamu Dezaki.
 

Ainda existem, aqueles que insistem em defendem a tese de que Desaki só assumiu a direção pelo fato de que o anime não estava fazendo sucesso. Na verdade, a animação de Rosa de Versalhes não fez muito sucesso no Japão, por lá o forte mesmo é o mangá e as apresentações na Takarazuka. Mas a troca não foi bem por falta de audiência do anime e sim porque Tadao Nagahama faleceu, sendo inevitável a mudança na direção. Osamu Desaki assumiu a direção de Rosa de Versalhes a partir do episódio dezenove, foi quando o anime ganhou um tom mais adulto, diferente da primeira metade que era um desenho de aventura estilo capa espada, algo que estava muito na moda nos anos 1970 e 1980, portanto os primeiros episódios, dirigidos por Tadao Nagahama, eram bem mais infantis, com elementos que eram muito popular na época como o vilão de longos bigodes o Duque de Orleans. Mas a partir do episódio dezenove com a direção de Desaki, podemos sentir uma grande mudança na animação, que a partir dai ganha um tom mais maduro e até mais sombrio, o que tornou o anime mais interessante.
 

A partir do episódio dezenove, o anime tornou-se claramente mais adultos em termos de cenários, drama e profundidade expressiva das personagens. Todos os protagonistas também parecem mais maduros devido às exigências da linha temporal da história: 35 anos decorridos desde o nascimento de Oscar até à tempestade da Bastilha, que marca o fim da série. 





E nessa fase do anime Clássico, temos grandes mudanças como por exemplo, os traços  que também mudam bastante, mas sem perder a beleza e o esplendor. Uma mudança que sempre considerei desnecessária na fase Desaki, foi Oscar ter perdido o brilho nos olhos. Um erro enorme deveria ter sido mantido, porque quem conhece o mangá sabe que a comandante parece ter estrelas nos olhos, e todo esse brilho foi muito bem desenhado na primeira parte do anime, mas simplesmente não foi mantido na segunda metade na fase Osamu Dezaki. Inclusive já teve um documentário sobre as apresentações da Rosa de Versalhes na Takarazuka, que comentava que O Shinji Ueda tentava achar uma maneira para colocar brilhinho nos olhos das atrizes do Takarazuka para que ficassem iguais aos olhos de Oscar nas ilustrações de Riyoko Ikeda, então, sim, é algo característico da personagem e não deveria simplesmente sumir. O problema foi que Dezaki acreditava que todo aquele brilho que pareciam estrelas não combinava com uma história sobre a Revolução Francesa.
 
 
Onde foram parar o brilho que mais parecem estrelas nos olhos de Oscar na fase Desaki?


Lady Oscar na primeira metade do anime fase Tadao Nagahama.


 
Contudo, quando Desaki assumiu a direção de Rosa de Versalhes, o anime tornou-se mais interessante. Há alguns momentos memoráveis na fase Desaki como, por exemplo, a sequência do quadro de Oscar com André quase completamente cego, para mim, foi superior à sequência criada por Riyoko Ikeda no mangá. Oscar está sentada enquanto André se esforça para ver o quadro, mas já está perdendo a visão de seu único olho funcional. Oscar chora, se sentindo culpada pela situação do rapaz. Uma cena comovente e inesquecível.
 
 
 
 
 
Dezaki também dirigiu outro anime, baseado em um mangá de Riyoko Ikeda, Oniisama E... e fez um trabalho maravilhoso, pois o mangá contem três volumes e ele criou uma série animada memorável em 39 episódios. Gosto de Oniisama E principalmente de Rei Azaka, que me lembra demais Lady Oscar, esse foi um dos motivos que me fez assistir à animação e ler o mangá. Existem mudanças, sim, não posso dizer que não, mas o anime é ótimo! Não recomendo para crianças, por ter momentos pesados, como a doença de uma das personagens, mortes, entre outras coisas. Em determinados momentos Dezaki, faz uma homenagem à Rosa de Versalhes dentro dessa animação baseada em outra obra de Ikeda, é simplesmente incrível.
 

 
De qualquer, maneira, sua direção em Rosa de Versalhes foi marcante e inesquecível, não há como não se lembrar com carinho de um dos episódios mais queridos pelos fãs, o 25, Coração de Mulher O minueto do amor não correspondido, onde vemos a comandante, usar pela primeira vez um belíssimo vestido para tentar conquistar o conde Fesen, seu primeiro amor, mas que infelizmente termina com as lagrimas de nossa heroína ao perceber que esse era um amor impossível, já que o jovem conde sueco só tinha olhos para a rainha. Atire a primeira pedra quem não se emocionou. Com Oscar chorando diante da fonte, ao ter o coração partido por Fersen.

 
Primeiro amor de Oscar, infelizmente não correspondido.


Impossível também não mencionar a cena da declaração de amor de Lady Oscar e André na floresta repleta e pirilampos em meio a revolução francesa, cenas inesquecíveis da segunda parte da animação dirigida pelo mestre Osamu Desaki, que nos deixou a exatos treze anos, mas que permanece nos corações dos fãs das animações japonesas, e por isso não poderia deixar de prestar minha homenagem a ele. 
 
 Uma das cenas memoráveis da fase dirigida por Desaki.


 
Para quem não sabe, Osamu Dezaki foi também um dos fundadores da Mad House e um dos maiores diretores de animação japonesas que já existiu. Além de Rosa de Versalhes, Desaki dirigiu outros grandes animes, incluindo Ace Wo Neare (エースをねらえ!), Ashita no Joe (あしたのジョー), entre outros grandes sucessos. Guardaremos as boas lembranças desse gênio das animações japonesas.
 Enfim, muito obrigado, Osamu Desaki por tudo, principalmente pela maravilhosa e inesquecível direção do nosso anime favorito, A Rosa de Versalhes.  


 



E finalizando, deixo alguns vídeos de Desaki que encontrei no YouTube, um deles é um trecho do episódio 20 dirigido por ele e algumas imagens do anime Rosa de Versalhes da fase dirigida por esse grandessíssimo diretor de animes.









 






















 
 
 
 

Espero que tenham gostado! Daqui a pouco tem mais! Continuem conosco para ficar por dentro do Universo da Rosa de Versalhes.



ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.