Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!
Hoje é 11 de julho. No universo de A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら), esta data carrega um peso dramático esmagador: marca a despedida definitiva de duas grandes amigas, quase irmãs, cuja infância e juventude se entrelaçaram nos salões dourados de Versalhes.
Sabemos que a nossa amada Comandante Oscar François de Jarjayes é uma criação ficcional da mestre Riyoko Ikeda. No entanto, se ela tivesse caminhado pela história real, hoje estaríamos celebrando exatamente 237 anos da última vez em que a Rainha da França e sua eterna protetora se olharam nos olhos.
É impossível testemunhar esse momento sem se emocionar. Neste post especial, convido vocês a analisarem comigo como esse adeus foi retratado no anime clássico de 1979 e no filme de 2025, revelando por que a versão clássica continua insuperável em termos de carga dramática.
O Peso Histórico e a Ruptura de um Laço Sagrado
Para compreender a magnitude dessa separação, precisamos olhar para o cenário de 1789. O estopim dessa crise ocorre quando o Rei Luís XVI instala os Estados Gerais em Versalhes. A sociedade do Ancien Régime — rigidamente dividida entre o Clero (Primeiro Estado), a Nobreza (Segundo Estado) e o Povo/Burguesia (Terceiro Estado) — colapsava sob o peso da fome e da falência econômica.
Ao longo da obra, a genialidade de Ikeda reside em costurar fatos históricos com os dilemas morais de seus personagens. Oscar, imbuída de um senso de justiça inabalável e profundamente influenciada por sua convivência com o povo — e, claro, por seu amor a André Grandier, que pertencia à plebe —, não consegue mais fechar os olhos para a tirania da corte.
Como um samurai que deve lealdade ao seu senhor, a devoção de Oscar a Antonieta sempre foi absoluta. Contudo, diante do sofrimento da França, a Comandante escolhe o lado da justiça. Mas antes do rompimento definitivo, o destino exige um último encontro.
O Contraste das Adaptações: A Emoção vs. A Arrogância
O Clássico Imortal (Anime de 1979)
Na lendária adaptação de 1979, a cena atinge o ápice do lirismo e da dor. Oscar visita Maria Antonieta com um único e humilde apelo: que a Coroa ordene a retirada das tropas estrangeiras, pois uma rainha não deve derramar o sangue de seus próprios súditos.
Diante da recusa de Antonieta — que, cega pelo isolamento de Versalhes, implora pela proteção da amiga —, Oscar lembra que já não pertence à Guarda Real. O que se segue é pura poesia visual:
A Partida: Oscar se levanta com a elegância aristocrática que lhe é peculiar e caminha para a saída.
As Lágrimas: Ela se afasta aos prantos, sofrendo profundamente por abandonar a mulher que protegeu, aconselhou e amou como uma irmã por quase duas décadas.
O Adeus Eterno: Antonieta chora a perda de sua única amiga sincera, pressentindo que aquele adeus seria definitivo. Elas jamais voltariam a se ver.
É exatamente aqui que o clássico mostra sua superioridade absoluta. A cena carrega um peso dramático imensurável porque nos faz testemunhar a dor de duas amigas que vão seguir caminhos opostos. Ambas choram copiosamente porque sabem que é o fim. A versão de 1979 escancara que ali existia carinho real, afeto verdadeiro e que elas eram, acima de tudo, irmãs de alma.
A Nova Visão (Filme Animado de 2025)
Em contrapartida, a releitura de 2025 optou por um caminho que, confesso, me causou certa indignação. Faltou a sensibilidade que consagrou a obra no passado, e essa despedida não me encantou da mesma maneira.
No longa, Antonieta assume uma postura muito mais soberba e fria. Ela critica duramente os representantes da plebe, rotulando-os como vulgares. Quando Oscar pontua que suas tropas estão ali para defender o povo, a rainha desdenha, afirmando que a Comandante age por mera "pena". Antonieta ordena seu retorno à Guarda Real, mas o orgulho e o coração livre de Oscar não aceitam mais a submissão. As duas se separam de forma gélida, com um ar de superioridade por parte da rainha que eu genuinamente odiei.
Mas afinal, como foi esse Adeus no Mangá Original?
Para quem tem curiosidade de saber como a mestre Riyoko Ikeda planejou essa cena no papel, a resposta pode surpreender: o mangá original segue muito mais a linha adotada pelo filme de 2025. Entretanto, prefiro a despedida do anime de 1979.
O confronto nos quadrinhos é focado no orgulho, na política e no choque de realidades. Antonieta assume a postura firme de uma rainha absolutista e confronta a insubordinação de Oscar, enquanto nossa Comandante bate o pé com altivez, recusando-se a voltar para a Guarda Real para massacrar o povo. Não há um oceano de lágrimas ou abraços; é um corte seco, um duelo de olhares imponentes. O filme de 2025, portanto, buscou ser uma tradução literal dessa tensão da obra original.

A genialidade por trás do Clássico de 1979
Então, de onde veio toda aquela emoção do anime antigo? A resposta está nas mãos do lendário diretor Osamu Dezaki, que assumiu a segunda metade da série de 1979. Conhecido por seu estilo altamente lírico e poético, Dezaki escolheu humanizar as duas personagens ao extremo naquele momento. Ele transformou um rompimento político-militar em uma despedida dolorosa entre duas "irmãs" que sabiam que o destino as estava separando para sempre.
Embora o mangá e o novo filme tragam a precisão da frieza histórica de Versalhes, foi a sensibilidade do anime clássico que roubou meu coração — e o de milhares de fãs pelo mundo —, transformando esse adeus em poesia pura.
"Oscar abandonou a Rainha?" – Desconstruindo uma Crítica Injusta
Muitas vezes vejo comentários de pessoas que interpretam a história de forma superficial, alegando que Oscar falhou como amiga ao virar as costas para Antonieta no final. Isso é um equívoco tremendo.
Amiga mais leal do que Oscar seria impossível. Enquanto Versalhes era um ninho de cobras interessadas apenas em favores — como a Condessa de Polignac —, Oscar sempre foi a personificação da honestidade. Da mesma idade que a arquiduquesa austríaca, nossa heroína a acompanhou de perto desde sua chegada a Versalhes:
Amparou-a na solidão de um casamento sem amor.
Celebrou o nascimento de seus filhos e chorou a morte prematura do jovem príncipe Louis Joseph, o Delfim da França.
Defendeu a honra da soberana contra a maldade e as acusações de Jeanne de La Motte no infame Caso do Colar, tentando abrir os olhos da inocente Antonieta sobre falsas amizades.
Foi a única alma capaz de compreender e guardar o segredo do romance proibido de Antonieta com Axel de Fersen, mesmo sofrendo por também estar apaixonada por ele.
Oscar não abandonou Maria Antonieta; seu senso de justiça apenas precisou ser maior que o seu afeto pessoal. Ela foi humildemente conversar com Antonieta, implorando para a rainha abrir os olhos e mudar sua forma de agir. Ao ter seu único pedido recusado pela soberana, nossa heroína não teve escolha a não ser se afastar para defender um país que clamava por socorro. Ela sabia que era o certo a ser feito, por mais que isso lhe causasse uma tristeza profunda.
Para encerrar este post especial, fiquem com algumas das imagens mais marcantes dessas duas personagens que definiram a história dos mangás e dos animes.
Nota da Autora: Fiquem atentos! No dia 14 de julho, teremos um post histórico e crucial sobre o significado dessa data para o povo francês e para o desfecho da obra de Riyoko Ikeda.







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ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser!









































