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quarta-feira, 15 de julho de 2026

14 de julho de 1789: Adeus, Lady Oscar: Artigo traduzido comenta o impacto duradouro da morte da Comandante da Guarda Real.

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!

 

 Ontem, dia 14 de julho, foi uma data duplamente significativa. Para a história mundial, celebramos o aniversário da Queda da Bastilha, marco indelével da Revolução Francesa e o fim do absolutismo monárquico. Mas, para nós, fãs fervorosos de A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら), de Riyoko Ikeda, a data carrega uma carga emocional ainda mais profunda: é o dia em que relembramos o sacrifício supremo de Lady Oscar em nome da liberdade.

Ontem, publiquei aqui no blog um post especial sobre esse tema, e a repercussão foi maravilhosa. Para dar continuidade a essa celebração, uma querida amiga, a Regiane, me enviou um artigo belíssimo do site Il Nuovo Terraglio. Escrito pela jornalista Anna Bigarello em 2024, o texto revisita com muita sensibilidade o impacto duradouro da morte da Comandante da Guarda Real. Como sei que esse é um tema que toca o coração de muitos de vocês, decidi traduzi-lo na íntegra para compartilharmos essa nostalgia juntos. O link para o original está disponível acima. Vamos à leitura?



Tradução: 14 de julho de 1789: Adeus, Lady Oscar

Por: Anna Bigarello

Hoje marca o aniversário da Queda da Bastilha, considerado o verdadeiro início da Revolução Francesa, mas para muitos, permanece o dia em que dissemos adeus a Lady Oscar.

1º de março de 1982. Era uma tarde como tantas outras quando estas palavras históricas ecoaram em nossas casas: "Grande festa na corte da França, há uma criança a mais no reino". Estávamos ouvindo o tema de abertura de um novo desenho animado, cantado pelos Cavalieri del Re, um grupo musical fundado por Riccardo Zara nos anos 80, especializado em trilhas sonoras, que se tornou seu maior sucesso.

A partir daí, a Revolução Francesa nunca mais foi um tema difícil de estudar; pelo contrário. Riyoko Ikeda realizou estudos profundos antes de escrever o mangá, e todos os personagens e fatos citados existiram de verdade, exceto os dois protagonistas, Oscar e André. Para todos os nascidos a partir dos anos 60, o período histórico vivido pela rainha Maria Antonieta tornou-se o mais conhecido. Figuras como Du Barry, Polignac, o Cardeal de Rohan e o Duque de Germain estão descritas e analisadas com precisão. Sem contar o escândalo do colar de diamantes. Em apenas 40 episódios, vimos como e por que a Revolução Francesa nasceu. É duro dizer, mas essa história ficou mais marcada em nós do que muitas horas passadas nos bancos da escola. Está gravada no coração de muitos.

Lady Oscar (Berusayu no Bara — As rosas de Versalhes), adaptado na Itália como "Una spada per Lady Oscar", entrou em nossas vidas como um raio em céu azul. Eram os anos dos grandes robôs e dos primeiros desenhos japoneses na TV. Candy Candy tinha sido a primeira heroína dos Shōjo Manga (quadrinhos para garotas) a nos conquistar e nos fazer chorar. Mas, apesar de suas mil peripécias, injustiças sofridas e perdas de amigos, nenhum nos atingiu tanto quanto ELA.

Oscar François de Jarjayes era diferente. Sexta filha de um general francês (que existiu na vida real), foi criada como um menino para seguir os passos do pai e tornar-se general da Guarda Real. Desde o início a serviço da futura rainha Maria Antonieta, acompanhamos suas aventuras rocambolescas, os intrigas da corte, o primeiro amor. E, sejamos honestos, assim como as damas da corte, todos nós (homens, mulheres e crianças) nos apaixonamos perdidamente por ela.

Ela, sozinha, enfrentando o Duque de Germain ou os atentadores da rainha. Ela, que arrisca a vida para salvar "seu André" da ira do Rei, o amigo de infância e companheiro inseparável (que sempre a amou, é claro). Enfrentamos seu amor não correspondido pelo Conde de Fersen, o baile vestida de mulher, o crescimento de Rosalie, a pequena Charlotte. Todos nós crescemos com ela, sabendo que a revolução se aproximava. E, enquanto isso, corríamos e lutávamos com ela e seu maravilhoso cavalo branco.

Na versão italiana, perdemos a beleza e os spoilers das músicas originais. "Bara wa utsukushiku chiru" (As rosas murcham em beleza), o tema de abertura, já nos preparava para o fim inevitável, e ouvimos suas notas nos momentos mais marcantes. A música de encerramento, por sua vez, descrevia o amor não correspondido de André e seu sacrifício total por ela. "Ai no hikari to kage" (Luzes e sombras do amor), o leitmotiv do nosso amado e das cenas mais trágicas. E seu grito dilacerante "Oscaaaaar!" ainda ecoa em nossos ouvidos.

Oscar foi nosso primeiro amor, a primeira mulher em quem nos inspiramos. Ensinou-nos que se pode ser forte e, ao mesmo tempo, ter sentimentos. Lutar pelo que acreditamos, mesmo que todos digam que estamos errados. Mostrou-nos que se pode — e se deve — ir contra a maré. E depois há André, filho da governanta e sempre ao seu lado. Lindo, mas de origem humilde. Ele que daria a vida por sua amada, enquanto ela, cega, continua firme em sua missão. E nos enganou a todas, porque que atire a primeira pedra quem não está procurando alguém assim até hoje!

Finalmente, em 12 de julho de 1789, Oscar cede e percebe que sempre o amou, e nós ali, com eles, no meio daquele campo com os vaga-lumes. A revolução, porém, paira sobre tudo, e não há palavras para descrever como, mesmo 42 anos depois, nosso maior trauma de infância permaneça naqueles dois últimos episódios. Feitos de lágrimas e soluços sem fim. Estamos com ela caminhando sob a chuva, estamos lá guiando o povo até a Bastilha, lá olhando o céu antes dos tiros. E isso nos lembra de como a vida pode ser difícil e dura; às vezes, nos deixa indefesos, sem forças ou esperanças.

Mas nunca é tarde para abrir-se ao amor. E, como todo dia 14 de julho, um pensamento vai para vocês e para tudo o que nos deram. Obrigada, Madamigella Oscar, obrigada, André..

Enfim, essa foi a tradução do artigo. Então, vamos aos comentários.

É impossível ler esse texto sem sentir aquele aperto no peito, quase como se estivéssemos revivendo o 14 de julho de 1789 junto com as personagens. O que Anna Bigarello captura tão bem é algo que todos nós, fãs de Riyoko Ikeda, compreendemos perfeitamente: A Rosa de Versalhes não é "apenas" um desenho animado. É um tratado sobre dignidade, sacrifício e a complexidade das escolhas humanas sob a pressão da história.

A genialidade de Ikeda foi transpor o rigor histórico — a corte de Versalhes, as intrigas de Fersen, a queda da monarquia — para um campo de batalha pessoal, onde Oscar e André são os verdadeiros catalisadores da nossa empatia. Enquanto os livros de história nos dão datas e fatos, Oscar nos dá o sentimento da revolução. Ela não luta apenas contra a Bastilha; ela luta contra o próprio destino, contra as convenções de gênero de sua época e contra o medo de permitir-se amar.

A morte de Oscar, tão emblemática na data da queda da Bastilha, não é uma derrota. É a síntese máxima do heroísmo trágico. Ela morre exatamente como viveu: defendendo a liberdade, não apenas uma liberdade política e abstrata, mas a liberdade de viver o amor que finalmente encontrou ao lado de André.

Para nós, que acompanhamos essa jornada, o "adeus" a Oscar é, na verdade, um lembrete anual de que a vida é curta, intensa e valiosa demais para não ser vivida com coragem. Como bem disse a autora, mesmo 42 anos depois, o impacto dessa obra continua intacto, provando que as rosas podem até murchar em beleza, mas a história que elas contam jamais será esquecida.

E vocês, como se sentiram ao revisitar essa memória? O 14 de julho também é um dia de reflexão sobre Lady Oscar para vocês? Deixem seus comentários aqui, vamos manter essa chama acesa! 

"O clima da Revolução Francesa continua por aqui, e prometo trazer mais artigos especiais sempre que encontrá-los! Celebrando nossa meia década de existência, o blog Lady Oscar: A Rosa de Versalhes segue firme como um espaço revolucionário, guiado pelo amor e pelo respeito que a nossa fandom brasileira merece. Vamos juntos manter essa chama acesa!"


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Fiquem Ligados.

 
Um ótimo final de semana a todos vocês amigos da Lady Oscar.


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terça-feira, 14 de julho de 2026

Entre o Pólvora e a Espada: O 14 de Julho em A Rosa de Versalhes.

Olá,queridos, amigos da Lady Oscar, sejam Bem vindos!



Hoje é 14 de julho, data da Queda da Bastilha, um feriado nacional na França e também o dia em que lembramos da morte de Lady Oscar.

Para o mundo, esta data marca a derrocada do absolutismo francês e o início de uma nova ordem social. Para nós, fãs de A Rosa de Versalhes (Berubara), é o dia em que o destino de nossa heroína se entrelaça com o destino de uma nação. É o momento em que a ficção e a realidade se fundem no palco da História.
 



O 14 de Julho: A História Real e o Fim da Monarquia

Historicamente, o 14 de julho de 1789 não foi uma batalha épica de resgate, mas um movimento pragmático de sobrevivência. A Bastilha, uma fortaleza medieval que já não exercia papel estratégico, abrigava apenas sete prisioneiros. O objetivo real dos parisienses era a pólvora estocada no local. A negativa do governador De Launay em entregar o arsenal e sua ordem de disparar contra a multidão transformaram o que seria uma reivindicação em uma insurreição sangrenta. A queda da fortaleza simbolizou o colapso da autoridade divina dos reis e o início do fim da Monarquia Francesa, deflagrando uma revolução que mudaria o mundo para sempre.


 
 

A Morte de Oscar: Entre o Heroísmo e a Doença

No mangá, Riyoko Ikeda não nos poupa. A morte de Oscar na Bastilha é o desfecho trágico necessário para uma heroína que escolheu o lado do povo. Contudo, há uma camada de realismo brutal na obra: no volume 4 do mangá (edição brasileira), Ikeda já plantava as sementes do fim. Oscar começa a definhar, e embora a autora não nomeie a doença, os sintomas indicam claramente a tuberculose. Naquela época, sem antibióticos, era uma sentença de morte que não distinguia classes. Ikeda, em um gesto de misericórdia artística, preferiu poupá-la de um fim solitário em um leito de hospital, concedendo-lhe o martírio heroico: Oscar morre liderando sua tropa, de espada em punho, exatamente no 14 de julho.






Como as Adaptações Tratam o Fim

É fascinante observar como cada adaptação lida com esse clímax:

  • Anime de 1979: A versão mais icônica e visceral. A morte de Oscar na Bastilha é coreografada com uma carga emocional avassaladora, consolidando o trauma de gerações. O uso dos traços de Shingo Araki e Michi Himeno transformou sua queda em uma obra de arte fúnebre.

  • Live-Action de 1979: Esta é a única versão notável onde Oscar sobrevive à Bastilha. Contudo, ao não morrer, ela perde o seu peso lendário. A adaptação nos mostra que, para Oscar, sobreviver à Revolução é, ironicamente, viver sem o seu propósito maior.

  • Takarazuka Revue: O palco é onde o mito se mantém imortal. As encenações focam na grandiosidade dramática da morte de Oscar, tratando o 14 de julho não apenas como um evento histórico, mas como uma ópera trágica que se repete infinitamente para os fãs.

  • Filme Animado (2025): A nova promessa de adaptar o peso da Bastilha com tecnologia moderna, tentando equilibrar o rigor histórico de Ikeda com o impacto visual que definiu a série original.






O Trauma: Quando a Ficção Feriu uma Geração

O impacto da morte de Oscar foi um choque cultural sem precedentes. O trauma foi sentido de forma visceral no Japão, onde o fenômeno alcançou tal magnitude que relatos da época descrevem aulas sendo paralisadas pelo choro coletivo das alunas ao descobrirem o destino trágico de sua heroína.

Na Itália, o impacto também foi massivo e amplificado por um marketing agressivo: o álbum de figurinhas da Panini revelou o desfecho da protagonista antes mesmo que os episódios finais fossem transmitidos na TV. Isso retirou o elemento surpresa e deixou o público em estado de luto coletivo prematuro, transformando uma personagem em um símbolo real de justiça e perda.

A Pressão da Indústria e o Fim Repentino

A criação da obra não foi um mar de rosas. Após a partida de André, os editores da revista Margaret, movidos pela lógica do lucro, obrigaram Ikeda a encerrar a obra em apenas 10 dias. Essa pressa forçada reflete a exaustão da própria narrativa: a história perde o brilho dos salões e assume o tom seco e urgente de uma revolução que devora seus filhos. Ikeda enfrentou ameaças e pressões brutais, lutando contra um sistema que não compreendia que, ao matar Oscar, ela estava redefinindo o heroísmo feminino. Abaixo algumas cenas do 14 de Julho no mangá original:

 
 










A Eternidade da Rosa: Entre o Destino Selado e o Desejo de Sobrevivência

A morte de Oscar é, para mim, o final perfeito para uma história trágica. A Rosa de Versalhes não é meramente uma "história triste"; ela carrega consigo aquela densidade dramática inconfundível dos shoujo mangás clássicos, onde a intensidade das emoções é tão grande quanto a importância dos eventos históricos. Contudo, é impossível não ponderar: Ikeda poderia ter explorado mais sua personagem? Oscar é, e sempre será, uma figura extremamente querida, e como criação fictícia, talvez houvesse espaço para que a autora a mantivesse conosco por mais tempo.

Entretanto, o destino de Oscar já estava traçado pelas sombras da época. A partir do volume 4 do mangá (na edição brasileira), é evidente que Ikeda já havia decidido o seu fim. Oscar começa a manifestar sintomas claros — embora a autora não nomeie explicitamente, é visível que se trata da tuberculose, a "doença do século" que não distinguia nobres de pobres e, na ausência de antibióticos, era uma sentença cruel e inevitável.

Ikeda, porém, demonstrou uma sensibilidade artística brilhante ao decidir que sua protagonista não definharia em um leito de enfermidade. Em vez de entregar Oscar à tuberculose, ela a entregou à história. Ao escolher que sua morte fosse heroica, liderando sua tropa contra a Bastilha naquele 14 de julho, Ikeda transformou o fim de uma vida em um símbolo de resistência.

Mesmo assim, o luto dos fãs foi um fenômeno que se recusou a aceitar o encerramento. Na Itália, onde a devoção a Lady Oscar atingiu patamares singulares, essa recusa tornou-se material: o livro Il Ritorno di Lady Oscar (1983), de Marina Migliavacca, lançado pela Fabbri Editora com a indispensável permissão de Riyoko Ikeda.


Esta obra fascinante é um documento de resistência afetiva. O livro narra uma Oscar que sobrevive à Queda da Bastilha, vivendo escondida e carregando a cicatriz da morte de André e os traumas de uma Revolução sangrenta. Em um desfecho melancólico e profundo, ela recusa até mesmo o convite de Napoleão Bonaparte para retornar às armas, optando por uma existência anônima e pacífica. É uma reinterpretação que tenta, de certa forma, dialogar com Eroica, ao mesmo tempo em que oferece um refúgio para quem nunca quis ver a Rosa de Versalhes tombar.

Oscar morreu na Bastilha para se tornar imortal, mas, como nos mostra a paixão dos fãs italianos, o desejo de vê-la sobreviver é um testemunho de que a sua história nunca termina realmente. Enquanto houver leitores dispostos a imaginar um caminho diferente para ela, Lady Oscar continuará vivendo — seja no campo de batalha do 14 de julho, seja no silêncio de uma vida pacífica que, infelizmente, o tempo não lhe permitiu ter.


"Vive La France"

Finalizo alguns vídeos do 14 de Julho Em Rosa de Versalhes:








Espero que tenham Gostado!

 

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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Adeus, André: O 13 de julho que mudou o destino de Lady Oscar.

 

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!

 


Chegamos ao dia 13 de julho. Para os estudantes de história, esta data é o prenúncio da tempestade, o estopim que incendiaria a França no dia seguinte com a Queda da Bastilha. Mas, para os corações que pulsam no ritmo de Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら), o 13 de julho é algo muito mais profundo: é uma ferida aberta na memória, o dia em que o destino de Oscar François de Jarjayes mudou para sempre. Hoje, não falamos apenas de política ou de feriados nacionais. Hoje, fazemos uma pausa para reverenciar André Grandier.



O Homem por trás da Lenda

Embora seja um personagem fictício — ao contrário de figuras históricas como Fersen —, André Grandier possui uma densidade que transcende o papel e a tela. Ele foi o companheiro de infância de Oscar, o elo entre a nobreza e o povo, o homem que aprendeu a esgrima e a equitação lado a lado com a heroína, sempre na sombra, guardando um sentimento que o consumia em silêncio.

No fatídico 13 de julho de 1789, a Revolução não apenas exigia cidadãos; ela exigia sacrifícios. Após uma única noite de felicidade compartilhada — uma trégua efêmera de amor após anos de desencontros — André decide lutar ao lado de Oscar. E é nesse cenário de caos e pólvora que a tragédia se concretiza: ferido gravemente por um soldado da guarda real, ele sucumbe, deixando uma nação em chamas e uma mulher em desespero.


O Impacto da Partida

A cena de sua morte é um marco cultural. Seja no mangá de Riyoko Ikeda, no anime clássico de 1979 ou na recente adaptação cinematográfica, a dor de ver André cair é universal.

  • No Anime de 1979: A atuação dos dubladores imortalizou o momento. O saudoso Taro Shigaki, cuja voz transmitia a agonia de um homem que morre sem ter vivido plenamente seu amor, é inesquecível. No Brasil, o talento de Silvio Giraldi nos trouxe essa dor para perto, enquanto na Itália, Massimo Rossi elevou o momento a um patamar de tragédia grega, deixando marcas profundas em gerações de fãs.

  • No Mangá e Novos Filmes: A brutalidade é mais explícita. André atua como um escudo humano, protegendo Oscar e sendo baleado, um sacrifício físico que espelha o sacrifício emocional que ele fez a vida inteira. A cena em que Oscar, desesperada, chama por ele e se dá conta de que o calor de sua mão se perdeu é um dos momentos mais dilacerantes da história dos mangás.

"Oscar? Por que você está chorando? Por quê? Estou prestes a morrer? Você está certa, eu não posso morrer agora. Nossa felicidade apenas começou. Agora até o amor nos une. Talvez possamos viver em um mundo melhor, Oscar. Não, não posso morrer agora."




Versões de uma Tragédia

É interessante observar como cada adaptação tratou esse adeus. O filme live-action de 1979, embora menos fiel à grandiosidade da obra original, traz uma perspectiva diferente: lá, o amor de André e Oscar é marcado pela fuga e pela incerteza, com um final que nos deixa a vagar, sem a confirmação do reencontro. Contudo, é na versão animada clássica que encontramos a quintessência da emoção, aquela que, inclusive, foi "vazada" precocemente pelo álbum de figurinhas da Panini na Itália, traumatizando (e apaixonando) milhares de crianças na década de 80.

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Vamos falar sobre o filme live-action de Lady Oscar de 1979? Embora não tenha a grandiosidade da obra original de Riyoko Ikeda e seja visivelmente mais fraco que a icônica adaptação em anime, o filme merece ser lembrado por ter chegado às telas meses antes da série animada, trazendo sua própria interpretação fascinante.

Um ponto de destaque é o André: nesta versão, ele é mais rude e menos delicado que nas outras mídias, embora seu amor por Oscar permaneça evidente. O roteiro também toma liberdades criativas marcantes: em vez de se envolverem profundamente na Revolução Francesa, o casal decide fugir. O desfecho é trágico e confuso, ocorrendo no turbilhão de 14 de julho — em vez do dia 13. Na confusão, Oscar e André se perdem na multidão; ele é atingido por um tiro e seu destino final permanece incerto, deixando Oscar desesperada à sua procura. Apesar de todas essas diferenças, o filme possui um charme singular que vale a pena conferir.




"Dentre todas as versões, o dia 13 de julho de 1789, retratado no anime de 1979, continua sendo a mais emocionante para mim — confesso que, em minha opinião, supera até mesmo o impacto do mangá original. Meu pai sempre conta que, quando o episódio foi exibido pela primeira vez na Itália, ele não pegou o público de surpresa. O motivo? O álbum de figurinhas da Panini, que, ao trazer toda a cronologia da história, acabou revelando o final da série antes mesmo de sua conclusão na TV. Mesmo com esse enorme spoiler, o episódio tornou-se um marco na memória de toda uma geração que cresceu nos anos 80. É impossível não se emocionar com o momento em que André Grandier profere suas palavras finais diante de uma Oscar em prantos."


  



 


A história de amor Lady Oscar e André Grandier.


"Oscar François de Jarjayes é a caçula de uma tradicional família nobre, leal à Coroa da França. Criada pelo pai como um homem e educada rigorosamente nas artes militares, ela ascende à capitania da Guarda Real, tornando-se a principal confidente e protetora de Maria Antonieta. Ao seu lado está André Grandier, um jovem órfão de origem humilde, criado sob os cuidados de sua avó, a governanta da mansão Jarjayes. Apenas um ano mais velho que Oscar, André cresceu ao lado dela, cultivando um laço que transcendeu a amizade de infância e as rígidas barreiras sociais, florescendo em um dos romances mais marcantes da ficção."


 

É justamente esse amor que leva Oscar a questionar seu papel no mundo, negando sua origem nobre e rompendo definitivamente com a Guarda Real. Por muito tempo, ela não enxergou os sentimentos de André; para Oscar, ele era o irmão de toda uma vida, a sombra protetora que sempre esteve lá. André, por sua vez, suportou a série inteira o peso de um amor não correspondido, sendo levado pela desilusão a unir-se aos revolucionários. A partir daí, os eventos se precipitam para um desfecho inevitável. Justamente quando Oscar finalmente confessa seus sentimentos e o casal está pronto para viver esse amor, a história é interrompida pelo caos: em 13 de julho de 1789, em meio aos confrontos em Paris, André se sacrifica para proteger a mulher que amou durante toda a vida. Se Oscar e André tivessem realmente existido, hoje, 13 de julho, estaríamos relembrando o momento desse sacrifício e as lágrimas de Lady Oscar, que completam exatos 237 anos às vésperas do estopim da Revolução Francesa."

 

 Curiosidade:

 "Para encerrar este post especial de 13 de julho, deixo aqui uma curiosidade imperdível: se você sempre sonhou com o casamento de Oscar e André — algo que não acontece no mangá original —, saiba que a própria Riyoko Ikeda decidiu presentear os fãs com esse final feliz. Em 2014, a autora escreveu e ilustrou uma história exclusiva para a Zexy, a principal revista japonesa de moda noiva e organização de casamentos. A edição, que trazia essa aguardada união, foi um sucesso absoluto e esgotou rapidamente em todo o Japão.

Confesso que tenho essa edição aqui comigo! Mesmo ainda estando no nível básico do Kumon em japonês, é impossível não se emocionar ao ver, através das ilustrações da própria Ikeda, a felicidade desse casal que tanto amamos. E engana-se quem pensa que isso é apenas 'coisa de fã': por ter sido escrito e desenhado pela criadora da obra, esse conteúdo é, sim, oficial. Podemos dizer, sem medo, que Riyoko Ikeda finalmente oficializou o casamento que todos nós sempre desejamos."


Enfim, esse foi nosso post especial para marcar esse dia 13 de julho, amanhã, queda da Bastilha, o aniversário da Luta de Lady Oscar a favor do sofrido povo da França, uma data de extrema importância para os franceses e também para a obra máxima de Riyoko Ikeda a Rosa de Versalhes, teremos um post especial.

 




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Espero que tenham Gostado! Amanhã teremos um post enorme comemorativo a queda da Bastilha, já deixo avisado que será em duas partes,  e sairá vídeo novo que já está prontinho. Falarei um pouco sobre, a Importância da data para Os fãs da Rosa de Versalhes, trarei algumas curiosidades, falo também sobre o novo filme animado entre outras coisas, então aguardem!

236 Anos depois...

Se André Grandier tivesse existido, hoje ele completaria 236 anos de um sacrifício que ainda reverbera. Oscar, a militar que jurou jamais se casar, acabou se tornando a eterna viúva de um amor que atravessou as classes sociais e a própria história.

Enquanto nos preparamos para o feriado de amanhã, o 14 de julho que mudou o mundo, hoje reservamos nosso respeito a ele. André não foi apenas um coadjuvante; foi a alma que deu sentido à jornada da "Rosa de Versalhes".


Amanhã, voltaremos com um post especial dedicado à Queda da Bastilha e ao papel histórico de Lady Oscar na luta pelo povo francês. Até lá, guardamos o luto e o amor por André.

 

Fiquem Ligados.

 
Um ótimo final de semana a todos vocês amigos da Lady Oscar.


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