Olá,queridos amigos da Lady Oscar,Sejam Bem Vindos!
Em 4 de junho de 1789, há exatos 237 anos, a França testemunhava um dos eventos mais melancólicos que antecederam a queda de sua monarquia: o falecimento de Louis-Joseph (Luís José), o Delfim da França. Primeiro filho homem do rei Luís XVI e da rainha Maria Antonieta, o pequeno herdeiro da coroa — cujo nascimento havia trazido imensa alegria e esperança ao povo francês — partia precocemente de tuberculose, com apenas sete anos de idade.
Esse acontecimento histórico, tão comovente quão definitivo, foi retratado com maestria em Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら). Por isso, este texto é uma homenagem à memória do jovem príncipe, cuja vida real e versão ficcional se cruzam de forma tão tocante.
O Príncipe Promissor e as Intrigas da Corte
Louis-Joseph era, na verdade, o segundo filho do casal real (a primogênita era a princesa Maria Teresa). Como o primeiro varão, ele carregava o título de Delfim e o peso da sucessão dinástica dos Bourbon. Seu pai, o rei Luís XVI, batizou o menino em homenagem ao seu próprio irmão mais velho (Luís, Duque da Borgonha), cuja morte aos 10 anos de idade havia marcado profundamente a sua juventude.
Naquela época, a corte de Versalhes era um ninho de intrigas. Libelos e periódicos satíricos espalhavam rumores cruéis de que o Delfim não seria filho do rei, mas sim fruto de algum romance secreto de Maria Antonieta, atacando a reputação da rainha. Alheio a isso, o pequeno príncipe demonstrava uma inteligência precoce e brilhante. Se ele tivesse sobrevivido e a monarquia persistido, Louis-Joseph tinha tudo para ser um grande monarca. Seus pais não pouparam esforços em sua educação: Luís XVI chegou a encomendar recursos pedagógicos avançados para o filho, incluindo um inovador globo terrestre destacável, que mostrava as áreas continentais e submersas, além de pinturas pedagógicas feitas em couro de bisão para expandir os conhecimentos geográficos do menino.
A Doença e os Erros da Medicina Real
Infelizmente, o destino do aguardado herdeiro foi traçado por uma saúde extremamente frágil. Aos cinco anos, o príncipe começou a sofrer de febres intermitentes e os primeiros terríveis sintomas do Mal de Pott (a tuberculose que ataca as vértebras da coluna). Para piorar a situação, a junta médica da corte cometeu um erro de diagnóstico fatal: acreditando que o garoto sofria de escoliose, submeteram-no a tratamentos tortuosos com espartilhos metálicos pesados, o que acabou gerando graves lesões e rachaduras em suas vértebras.
A historiografia aponta que a tuberculose teria sido transmitida ao príncipe por sua ama de leite, Geneviève Poitrine. Embora não se possa verificar esses dados médicos com absoluta precisão hoje em dia, sabe-se que ela adoeceu após amamentar Louis-Joseph e seu irmão mais novo. A doença debilitou o corpo do menino rapidamente e, exatamente como é retratado na obra de Riyoko Ikeda, ele faleceu no Castelo de Meudon no dia 4 de junho de 1789 — ironicamente, no mesmo período em que os Estados Gerais se reuniam em Versalhes, paralisando seus pais pelo luto no pior momento político possível.
O Toque de Mestre de Riyoko Ikeda: O Amor por Oscar
Riyoko Ikeda, uma artista brilhante e de talento inigualável, dedicou dois anos de sua vida a uma pesquisa histórica minuciosa para construir o pano de fundo de Rosa de Versalhes. A genialidade da autora está em costurar a realidade documental com a fantasia dramática de forma impecável. No universo da obra, o pequeno Louis-Joseph nutre um amor platônico, puro e comovente por Oscar François de Jarjayes. Sabendo que sua vida seria curta por conta de sua saúde debilitada, o principezinho protagoniza momentos de extrema doçura.
Tanto no mangá quanto no anime, ele confessa seu sentimento à nossa heroína. Em uma cena memorável e poética, o menino fala sobre a reencarnação: ele deseja que, em uma próxima vida, possa nascer um homem forte, saudável e bonito, para finalmente poder se casar com Oscar. No anime, essa despedida ganha um tom ainda mais terno e inocente quando ele rouba um beijo na bochecha da comandante. Embora Ikeda não se aprofunde nos termos médicos da tuberculose, a fragilidade do garoto deixa claro o seu triste fim.
No mangá, a morte de Louis-Joseph consegue ser ainda mais impactante visualmente. Ikeda utiliza uma metáfora artística devastadora: a imagem de um passarinho frágil sendo abatido por uma imensa e escura ave de rapina (como um falcão ou águia), simbolizando a morte levando o herdeiro e a própria sombra da Revolução engolindo a França. A dor de Oscar é palpável; ela sofre profundamente e chora a perda do pequeno príncipe montada em seu cavalo, criando uma das sequências mais emocionantes da reta final do mangá.
O Delfim nas Diferentes Adaptações: Do Cinema às Telas
A forma como o trágico fim do príncipe é abordada varia muito entre as versões de Rosa de Versalhes:
O Live-Action de 1979 (dirigido por Jacques Demy): O filme em carne e osso mostra o amor do principezinho por Oscar, mas peca ao retratar sua morte sem a devida carga dramática. Um detalhe que chama muito a atenção e causa estranhamento é o funeral: ninguém na corte está vestindo as tradicionais roupas pretas de luto, algo impensável para o protocolo real da época.
O Novo Filme Animado: Se o filme de Jacques Demy ao menos registrou o triste fim do garoto, a nova produção cinematográfica em animação fez questão de excluí-lo. Nessa nova versão, quase não vemos os filhos de Maria Antonieta, que são reduzidos a uma simples aparição figurativa, brincando no jardim ao lado da mãe.
O Anime Clássico: Na série de TV (especificamente no emocionante episódio 34), o drama é muito bem trabalhado. É nítida a preocupação e o carinho de Oscar para com seu pequeno pretendente; ela sabe que o estado dele é gravíssimo e sofre por ver uma criança de sete anos encarar o fim de forma tão madura..
.
A morte do príncipe acontece no episódio 34, deixo abaixo um trecho em italiano, encontrado no YouTube. Lembrando que o vídeo não é meu, só estou compartilhando.
Notas Finais
Vale reforçar que falar sobre o falecimento do príncipe Louis-Joseph não é um spoiler do anime ou do mangá, mas sim um fato histórico real e de domínio público. Trazer o romance platônico dele por Oscar apenas enriquece a nossa experiência de leitura, sem estragar as surpresas para quem ainda não teve a oportunidade de conferir a obra.
Rosa de Versalhes foi publicada magistralmente no Brasil em 2019 pela Editora JBC, em uma coleção de 5 volumes que é leitura obrigatória para qualquer amante de história e de grandes narrativas. O amor inocente do pequeno Delfim pela nossa loira favorita continua sendo um dos momentos mais puros e inesquecíveis da cultura pop.
Finalizo com algumas imagens do Príncipe junto a nossa loira favorita, em algumas cenas do anime e mangá.
Essa foi nossa homenagem ao Luís José, Delfim da França espero que tenham gostado! Daqui a pouco volto a comentar mais sobre o principezinho.





























ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser!





.png)




.jpg)
