Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam bem vindos!
Recentemente, o portal japonês Hint-Pot publicou um fragmento de uma interessante entrevista com Hitomi Harukaze , ex-estrela da lendária Trupe Moon (Tsuki-gumi) do Takarazuka Revue. Em 1988, mesmo já consolidada como uma atriz de destaque, Harukaze tomou uma decisão surpreendente ao recusar o convite para interpretar a icônica Maria Antonieta em A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら).
Mais do que a renúncia a um papel tão cobiçado, o que torna esse relato impactante é a motivação por trás da escolha da atriz. Harukaze optou por abrir mão do prestígio imediato em busca de uma expressão artística mais visceral e realista, fora das estruturas rígidas do Takarazuka — um gesto de profunda integridade. A singularidade de sua trajetória ficou ainda mais evidente em sua despedida: protagonizar a peça A Noviça Rebelde no Bow Hall sem ocupar o posto de Top Musumeyaku foi um feito raríssimo, que atesta o imenso respeito que a companhia nutria por seu talento autêntico.
![]() |
| Harukaze Hitomi não hesitou ao despertar para o mundo do "teatro". [Foto: Masuda Misaki] |
Como sou uma fã apaixonada de Takarazuka — e, claro, fã à distância! — não poderia deixar de compartilhar e traduzir esse relato com vocês.
Vale lembrar: meus estudos de japonês no Kumon seguem firmes, focados na memorização e no aprendizado gradual. Por isso, utilizo o tradutor como minha ferramenta auxiliar. Se você, leitor(a), for fluente em japonês e notar qualquer imprecisão técnica, por favor, não hesite em me corrigir! O seu feedback é fundamental para que eu possa entregar conteúdos cada vez mais fiéis e de qualidade aqui no blog.
Seguem os trechos da entrevista:
"Abrindo mão do caminho para se tornar Top Musuyaku e deixando a companhia aos 28 anos: A ética profissional de Hitomi Harukaze, que sentiu que 'precisava selar quem ela era' mesmo descartando a 'marca registrada' de Takarazuka"
Enquanto brilhava como um dos pilares da atuação na trupe Moon (Tsuki-gumi), a companhia lhe trouxe uma notícia importante. Tratava-se de um convite para o papel de Maria Antonieta em "Rosa de Versalhes" (Versailles no Bara), um sonho para qualquer integrante.
Takeyama: Ouvi dizer que você recusou essa proposta e decidiu deixar a companhia. Por que você conseguiu tomar a decisão de "sair" diante de uma oportunidade tão grande?
Harukaze: É que eu comecei a gostar demais de atuar. Não do estilo de atuação que preza pela beleza estética tradicional de Takarazuka, mas passei a desejar fazer "teatro" do mundo exterior, aquele que transmite vida. Para isso, senti que precisava "selar" (deixar de lado) a dicção e os gestos específicos de Takarazuka, e que se eu não começasse imediatamente, seria tarde demais. O convite foi uma honra, mas pensei: "Se eu aceitar isso, perderei a chance de sair [no momento certo]".
Takeyama: Então, a sua nova paixão começou a se mover novamente.
Harukaze: Exatamente. Sou um tipo de pessoa que não consegue seguir em frente se não estiver convencida. Mas, antes de sair, me perguntaram: "O que você quer fazer por último?". Sem esperar muito, murmurei: "Seria maravilhoso fazer A Noviça Rebelde, não seria?". E, para minha surpresa, realizaram. É algo extremamente raro uma musuyaku (atriz de papéis femininos) genuína ser a protagonista no palco do Bow Hall; só tenho a agradecer por isso.
Fim.
Comentários da Autora
Enfim, vamos aos comentários. Afinal, recusar o papel de Maria Antonieta em Rosa de Versalhes na Takarazuka Revue foi uma decisão extremamente corajosa, e eu não poderia deixar de dar a minha opinião.
Como fã fervorosa de Rosa de Versalhes, confesso que, em um primeiro momento, minha reação foi de espanto. Recusar o papel de Maria Antonieta? Para quem acompanha a trajetória da Takarazuka e conhece a importância sagrada da obra de Riyoko Ikeda dentro da Revue, isso soa quase como uma heresia. Antonieta é a espinha dorsal da trama, o ícone máximo da estética do Tsuki-gumi. Mesmo que a minha personagem favorita seja a Oscar, participar de uma montagem de Rosa de Versalhes — nem que fosse apenas uma vez — seria para mim uma oferta irrecusável. O brilho da tiara, o peso do figurino e o legado da Rainha de Versalhes representam o ápice de uma vida dedicada aos palcos.
No entanto, olhando através dos olhos de Hitomi Harukaze, a perspectiva muda. Ela nos obriga a olhar para além desse verniz dourado. Harukaze percebeu que, para crescer como atriz, precisaria desaprender a dicção e os maneirismos estilizados de Takarazuka — o famoso tsuki-shiki. Ela entendeu que, tivesse aceitado interpretar " Antonieta", jamais teria a oportunidade de encontrar sua própria voz fora daquelas paredes.
Isso nos traz uma lição poderosa: o amor por uma obra não deve ser uma prisão. Harukaze escolheu a incerteza do mundo real e a verdade visceral de A Noviça Rebelde em vez da segurança de viver uma das protagonistas na Rosa de Versalhes. É uma escolha que só faz quem se respeita o suficiente para não deixar seus desejos "selados". Ela provou que, na carreira de um artista, o maior sucesso não é apenas o papel que você interpreta, mas a liberdade de decidir como — e quando — você quer encerrar o seu ato.
Ao ver sua trajetória, sinto um respeito ainda maior. Ela não foi apenas uma atriz de Takarazuka; ela foi uma artista que teve a ousadia de sacrificar o trono de Versalhes para, enfim, ser dona de sua própria história.
O que você acha dessa decisão? Você seria capaz de abrir mão de uma grande oportunidade profissional apenas para seguir um chamado artístico mais autêntico? Comente abaixo!











.webp)




























