Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!
Ontem, dia 14 de julho, foi uma data duplamente significativa. Para a história mundial, celebramos o aniversário da Queda da Bastilha, marco indelével da Revolução Francesa e o fim do absolutismo monárquico. Mas, para nós, fãs fervorosos de A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら), de Riyoko Ikeda, a data carrega uma carga emocional ainda mais profunda: é o dia em que relembramos o sacrifício supremo de Lady Oscar em nome da liberdade.
Ontem, publiquei aqui no blog um post especial sobre esse tema, e a repercussão foi maravilhosa. Para dar continuidade a essa celebração, uma querida amiga, a Regiane, me enviou um artigo belíssimo do site Il Nuovo Terraglio. Escrito pela jornalista Anna Bigarello em 2024, o texto revisita com muita sensibilidade o impacto duradouro da morte da Comandante da Guarda Real. Como sei que esse é um tema que toca o coração de muitos de vocês, decidi traduzi-lo na íntegra para compartilharmos essa nostalgia juntos. O link para o original está disponível acima. Vamos à leitura?
Tradução: 14 de julho de 1789: Adeus, Lady Oscar
Por: Anna Bigarello
Hoje marca o aniversário da Queda da Bastilha, considerado o verdadeiro início da Revolução Francesa, mas para muitos, permanece o dia em que dissemos adeus a Lady Oscar.
1º de março de 1982. Era uma tarde como tantas outras quando estas palavras históricas ecoaram em nossas casas: "Grande festa na corte da França, há uma criança a mais no reino". Estávamos ouvindo o tema de abertura de um novo desenho animado, cantado pelos Cavalieri del Re, um grupo musical fundado por Riccardo Zara nos anos 80, especializado em trilhas sonoras, que se tornou seu maior sucesso.
A partir daí, a Revolução Francesa nunca mais foi um tema difícil de estudar; pelo contrário. Riyoko Ikeda realizou estudos profundos antes de escrever o mangá, e todos os personagens e fatos citados existiram de verdade, exceto os dois protagonistas, Oscar e André. Para todos os nascidos a partir dos anos 60, o período histórico vivido pela rainha Maria Antonieta tornou-se o mais conhecido. Figuras como Du Barry, Polignac, o Cardeal de Rohan e o Duque de Germain estão descritas e analisadas com precisão. Sem contar o escândalo do colar de diamantes. Em apenas 40 episódios, vimos como e por que a Revolução Francesa nasceu. É duro dizer, mas essa história ficou mais marcada em nós do que muitas horas passadas nos bancos da escola. Está gravada no coração de muitos.
Lady Oscar (Berusayu no Bara — As rosas de Versalhes), adaptado na Itália como "Una spada per Lady Oscar", entrou em nossas vidas como um raio em céu azul. Eram os anos dos grandes robôs e dos primeiros desenhos japoneses na TV. Candy Candy tinha sido a primeira heroína dos Shōjo Manga (quadrinhos para garotas) a nos conquistar e nos fazer chorar. Mas, apesar de suas mil peripécias, injustiças sofridas e perdas de amigos, nenhum nos atingiu tanto quanto ELA.

Oscar François de Jarjayes era diferente. Sexta filha de um general francês (que existiu na vida real), foi criada como um menino para seguir os passos do pai e tornar-se general da Guarda Real. Desde o início a serviço da futura rainha Maria Antonieta, acompanhamos suas aventuras rocambolescas, os intrigas da corte, o primeiro amor. E, sejamos honestos, assim como as damas da corte, todos nós (homens, mulheres e crianças) nos apaixonamos perdidamente por ela.
Ela, sozinha, enfrentando o Duque de Germain ou os atentadores da rainha. Ela, que arrisca a vida para salvar "seu André" da ira do Rei, o amigo de infância e companheiro inseparável (que sempre a amou, é claro). Enfrentamos seu amor não correspondido pelo Conde de Fersen, o baile vestida de mulher, o crescimento de Rosalie, a pequena Charlotte. Todos nós crescemos com ela, sabendo que a revolução se aproximava. E, enquanto isso, corríamos e lutávamos com ela e seu maravilhoso cavalo branco.
Na versão italiana, perdemos a beleza e os spoilers das músicas originais. "Bara wa utsukushiku chiru" (As rosas murcham em beleza), o tema de abertura, já nos preparava para o fim inevitável, e ouvimos suas notas nos momentos mais marcantes. A música de encerramento, por sua vez, descrevia o amor não correspondido de André e seu sacrifício total por ela. "Ai no hikari to kage" (Luzes e sombras do amor), o leitmotiv do nosso amado e das cenas mais trágicas. E seu grito dilacerante "Oscaaaaar!" ainda ecoa em nossos ouvidos.
Oscar foi nosso primeiro amor, a primeira mulher em quem nos inspiramos. Ensinou-nos que se pode ser forte e, ao mesmo tempo, ter sentimentos. Lutar pelo que acreditamos, mesmo que todos digam que estamos errados. Mostrou-nos que se pode — e se deve — ir contra a maré. E depois há André, filho da governanta e sempre ao seu lado. Lindo, mas de origem humilde. Ele que daria a vida por sua amada, enquanto ela, cega, continua firme em sua missão. E nos enganou a todas, porque que atire a primeira pedra quem não está procurando alguém assim até hoje!
Finalmente, em 12 de julho de 1789, Oscar cede e percebe que sempre o amou, e nós ali, com eles, no meio daquele campo com os vaga-lumes. A revolução, porém, paira sobre tudo, e não há palavras para descrever como, mesmo 42 anos depois, nosso maior trauma de infância permaneça naqueles dois últimos episódios. Feitos de lágrimas e soluços sem fim. Estamos com ela caminhando sob a chuva, estamos lá guiando o povo até a Bastilha, lá olhando o céu antes dos tiros. E isso nos lembra de como a vida pode ser difícil e dura; às vezes, nos deixa indefesos, sem forças ou esperanças.
Mas nunca é tarde para abrir-se ao amor. E, como todo dia 14 de julho, um pensamento vai para vocês e para tudo o que nos deram. Obrigada, Madamigella Oscar, obrigada, André..
Enfim, essa foi a tradução do artigo. Então, vamos aos comentários.
É impossível ler esse texto sem sentir aquele aperto no peito, quase como se estivéssemos revivendo o 14 de julho de 1789 junto com as personagens. O que Anna Bigarello captura tão bem é algo que todos nós, fãs de Riyoko Ikeda, compreendemos perfeitamente: A Rosa de Versalhes não é "apenas" um desenho animado. É um tratado sobre dignidade, sacrifício e a complexidade das escolhas humanas sob a pressão da história.
A genialidade de Ikeda foi transpor o rigor histórico — a corte de Versalhes, as intrigas de Fersen, a queda da monarquia — para um campo de batalha pessoal, onde Oscar e André são os verdadeiros catalisadores da nossa empatia. Enquanto os livros de história nos dão datas e fatos, Oscar nos dá o sentimento da revolução. Ela não luta apenas contra a Bastilha; ela luta contra o próprio destino, contra as convenções de gênero de sua época e contra o medo de permitir-se amar.
A morte de Oscar, tão emblemática na data da queda da Bastilha, não é uma derrota. É a síntese máxima do heroísmo trágico. Ela morre exatamente como viveu: defendendo a liberdade, não apenas uma liberdade política e abstrata, mas a liberdade de viver o amor que finalmente encontrou ao lado de André.
Para nós, que acompanhamos essa jornada, o "adeus" a Oscar é, na verdade, um lembrete anual de que a vida é curta, intensa e valiosa demais para não ser vivida com coragem. Como bem disse a autora, mesmo 42 anos depois, o impacto dessa obra continua intacto, provando que as rosas podem até murchar em beleza, mas a história que elas contam jamais será esquecida.
E vocês, como se sentiram ao revisitar essa memória? O 14 de julho também é um dia de reflexão sobre Lady Oscar para vocês? Deixem seus comentários aqui, vamos manter essa chama acesa!
"O clima da Revolução Francesa continua por aqui, e prometo trazer mais artigos especiais sempre que encontrá-los! Celebrando nossa meia década de existência, o blog Lady Oscar: A Rosa de Versalhes segue firme como um espaço revolucionário, guiado pelo amor e pelo respeito que a nossa fandom brasileira merece. Vamos juntos manter essa chama acesa!"
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Fiquem Ligados.
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Lady Oscar diz..
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