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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O Grande Amor de Maria Antonieta: Véspera de Aniversário do Conde Axel von Fersen

 

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!






dia 4  é aniversário do conde sueco Axel de Fersen — o provável grande amor de Maria Antonieta de Habsburgo-Lorena, a última rainha da França. Como Fersen também é um dos protagonistas centrais do mangá A Rosa de Versalhes (Berusaiyu no Bara) de Riyoko Ikeda, resolvi aproveitar a véspera da data para comentar sobre as correspondências secretas trocadas entre ele e a soberana. Trata-se de um material que foi parcialmente desvendado pela ciência moderna, mas que continua dividindo historiadores sobre a verdadeira natureza do laço que unia os dois..

 


O suposto romance entre Maria Antonieta e o conde Axel von Fersen é um dos motores dramáticos mais potentes da obra de Riyoko Ikeda, mas a cultura pop muito antes já havia se apropriado dessa lenda. O relacionamento foi tema de diversos livros e filmes de peso, incluindo a célebre biografia escrita por Antonia Fraser, que serviu de inspiração direta para o estilizado filme Maria Antonieta (2006), dirigido por Sofia Coppola. As cartas trocadas entre eles — que sofreram intensa censura em época posterior e só puderam ser decifradas recentemente — revelam um nível impressionante de intimidade emocional, embora ainda alimentem o debate acadêmico sobre se a relação permaneceu no campo do platonismo profundo ou se chegou a se consumar fisicamente.


 

A maior parte dos biógrafos tradicionais da soberana, a exemplo de Antonia Fraser e Stefan Zweig, defende que Antonieta de fato manteve relações íntimas com o nobre em momentos específicos, respaldando-se nas volumosas trocas epistolares que escaparam da destruição ou do extravio. Grande parte dessa documentação sobrevivente, datada de junho de 1791 a agosto de 1792 — período que abrange os meses mais dramáticos que antecederam a derrocada e a morte da rainha —, está hoje preservada e digitalizada no portal dos Arquivos Nacionais Franceses (Archives Nationales), acessível para qualquer entusiasta que queira mergulhar na fonte primária.

Nobre sueco de berço ilustre, Fersen integrou o círculo de amizades mais íntimo da família real em Versalhes e transformou-se em um porto seguro e confidente absoluto de Maria Antonieta conforme a Revolução Francesa avançava para os seus anos mais sombrios. O envolvimento emocional ultrapassou a diplomacia comum, fazendo todo o sentido histórico se lembrarmos que a rainha jamais se casara por afeto, mas por puras contingências de aliança política entre a Áustria e a França. Ter um confidente e um grande amor fora de um matrimônio arranjado era quase uma praxe na corte, e Fersen despontava como o único homem a quem ela dedicou tal devoção.

Um dos marcos históricos mais emblemáticos dessa lealdade extrema aconteceu precisamente no coração da crise revolucionária, quando Fersen desempenhou o papel principal na arriscada e malograda tentativa de fuga da família real em direção a Varennes, em junho de 1791, a bordo de uma carrilhã disfarçada.


A correspondência entre eles foi alvo de uma forte autocensura e mutilação posterior, executada na maior parte das vezes pelo próprio sobrinho-neto de Fersen, que utilizou tinta preta sobre as linhas para proteger a honra e a memória da família da devassa pública. Esse bloqueio físico ocultou por séculos a extensão exata dos sentimentos expressos no papel.

É célebre a passagem escrita por Hans Axel de Fersen à rainha prisioneira no Palácio das Tulheiras, em Paris:

“Eu vivo somente para amar você”

Essas mensagens românticas, endereçadas à rainha em meio ao cerco revolucionário, costumavam ser redigidas com o auxílio de cifras complexas ou tinta invisível, impedindo que os próprios mensageiros ou criados compreendessem a gravidade do que transportavam. Naqueles anos de caos, Fersen atuava incansavelmente como um dos principais agentes monarquistas da Europa, articulando resgates e alianças estrangeiras. Contudo, apesar do tom confessional das cartas trocadas desde 1782, a linha exata entre a amizade devota e o adultério consumado permanece sob um véu de dúvida, alimentado pelos mexericos das cortes europeias da época, que já davam o caso como absoluto.

As inovações tecnológicas mudaram parcialmente esse panorama quando pesquisadores aplicaram técnicas avançadas, como a espectroscopia de fluorescência de raios-X e algoritmos de processamento digital de imagem, para atravessar as camadas de tinta escura aplicadas nas rasuras. O projeto científico liderado pelo Arquivo Nacional Francês conseguiu resgatar palavras como “amado”, “terno amigo”, “adorar” e “loucamente”..

 


Apesar de a mídia e alguns portais terem alardeado que a ciência finalmente "comprovou" que os dois foram amantes, os próprios especialistas por trás do estudo freiam conclusões precipitadas. O vocabulário afetuoso atesta a profundidade dos sentimentos da rainha e o grau de confiança extrema que depositava em Fersen, mas não serve como certidão material de um envolvimento carnal. Como bem aponta a arquivista e pesquisadora Isabelle Aristide, o tom inflamado pode refletir o paroxismo emocional de duas pessoas acuadas pelo terror da guillotina e pela iminência da morte, onde o afeto e a camaradagem ganhavam contornos hiperbólicos. É a história sendo contada através da urgência do desespero, e não de manuais de alcova.

A Representação na Cultura Pop

Literatura

  • Maria Antonieta: A Viagem (Antonia Fraser): A biografia que redefiniu o olhar moderno sobre a soberana, destrinchando com precisão documental a solidão do trono e a complexidade afetiva que a ligava ao conde sueco.

Cinema e Animação

  • Maria Antonieta (2006): Dirigido por Sofia Coppola e estrelado por Kirsten Dunst, o filme utiliza a obra de Antonia Fraser para retratar a vida abafada da rainha, destacando a figura magnética de Fersen (interpretado por Jamie Dornan) como o refúgio romântico em meio ao tédio e ao protocolo sufocante de Versalhes.

  • Lady Oscar (filme live-action de 1979): Baseado diretamente na obra de Riyoko Ikeda e dirigido por Jacques Demy, explora o mesmo período histórico, mas coloca o foco na dinâmica entre a protagonista Oscar François de Jarjayes e o próprio Fersen, cujo coração, no entanto, permanece inalcançável por estar devotado à rainha.


  • A Rosa de Versalhes (filme animado de 2025): Produzido pelo estúdio MAPPA, este longa-metragem musical revisitou a tragédia clássica com uma estética visual deslumbrante, entregando clipes poéticos e abstratos que celebram o amor impossível e doloroso entre Fersen e Maria Antonieta.

O Debate Histórico

A discussão continua em aberto. Enquanto o imaginário popular e os romancistas preferem a certeza da paixão consumada, a historiografia crítica e os projetos científicos recentes — como os exames de raios-X do Arquivo Nacional Francês — preferem a prudência. As cartas revelam esperança, pânico, confiança absoluta e uma devoção mútua inegável, mas a consumação física permanece no campo da probabilidade, nunca da certeza matemática.

Amanhã teremos um post especial dedicado ao aniversário do conde Fersen por aqui, então encerro por hoje deixando essa reflexão sobre uma das correspondências mais fascinantes e trágicas da história europeia.

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 Espero que tenham gostado!

ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 


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Lady Oscar diz..
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