Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!
Olá, pessoal! Tudo bem?
Conforme prometido, continuo garimpando entrevistas de Riyoko Ikeda para traduzir e disponibilizar aqui no blog. Nessa busca de hoje, um amigo meu, Frederico Cleberson, me deu alguns recortes de jornais — pelo menos é o que parecem ser —, contendo um excerto da entrevista "Manga Chat" com Riyoko Ikeda e Hiromi Sato.
O trecho traz uma análise sensível e perspicaz sobre a dinâmica entre Oscar François de Jarjayes e André Grandier, além de contextualizar a obra dentro da realidade social e política do Japão da década de 1970, conforme relatado pela própria autora. Pesquisando mais a fundo sobre essas imagens, descobri que já havia uma tradução compartilhada no Reddit, então deixo aqui os devidos créditos aos autores por lá!
Como o assunto é A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら), e eu havia prometido trazer todas as entrevistas que encontrar, decidi ir além: não vou apenas trazer o material, mas também preparar uma análise cheia de comentários para a gente debater junto.
Tradução abaixo 👇
Como o assunto é A Rosa de Versalhes, e eu havia prometido trazer todas as entrevistas que encontrar, decidi ir além: não vou apenas trazer o material, mas também preparar uma análise cheia de comentários para a gente debater junto.
Tradução abaixo 👇
Tradução abaixo 👇
"Enquanto a França se encontra em um estado de turbulência na véspera da revolução, o romance entre Oscar e André é um momento de brilho que cativa os leitores.
Apesar de terem crescido na mesma casa e ele ser o seu servo, André começa gradualmente a se apaixonar por Oscar. Como o amor deles é o de um aristocrata e uma plebeia, ele decide viver à sombra de Oscar. Oscar, percebendo os sentimentos de André, também tenta cultivar seu amor por ele. As mãos da audiência tremiam enquanto viravam as páginas quando o amor silencioso e apaixonado do casal se realizava.
'No começo, eu não tinha decidido que André seria o interesse amoroso de Oscar. Eu estava me perguntando se devia juntá-la com Fersen até a metade do percurso. Mas, enquanto desenhava, ele acabou se tornando naturalmente André,' diz Ikeda. O relacionamento entre os dois foi, na verdade, um pequeno ato de resistência às condições sociais do Japão dos anos 1970.
'Naquela época, não era aceito que homens e mulheres fossem iguais. Era um tempo em que as mulheres eram orientadas a ficar em casa, então, se uma mulher tentasse sair na sociedade, era severamente criticada.'
'Eu também recebia telefonemas de assédio dizendo: "Como você se atreve a desenhar mangás que incentivam as mulheres a avançar na sociedade," e um amigo meu me disse: "Você sabe, a felicidade de uma mulher é estar em casa." Eu sempre brigava com ele, dizendo: "Você deve estar brincando. Eu vou decidir o que me faz feliz." Essa era a época.'
'Acho que isso me levou a criar Oscar. Uma mulher que pode lutar em igualdade com os homens. Eu queria mostrar que as mulheres têm essa capacidade também. Acho que, nesse sentido, havia leitoras que conseguiram se identificar com ela.'
'No entanto, mesmo em A Rosa de Versalhes, Oscar é inicialmente menosprezada por seus subordinados. Se ela não dá um passo à frente, os homens são gentis com ela, mas o prego que se destaca é golpeado para baixo.'
'Eu queria criar algo que fosse lido por um público universal, então estou feliz que A Rosa de Versalhes continue a ser amado hoje.'
A presença de André se destaca. A imagem de um homem que deseja sucesso para Oscar e é devotado a ela era ainda rara na época.
'Naquela época, eu recebia muitas cartas de mulheres trabalhadoras dizendo: "Eu também quero um André!" (Risos) Homens que aceitassem que as mulheres estavam trabalhando, que permitissem que elas saíssem sozinhas na sociedade, e que as ajudassem e amassem. Não havia homens assim.'"
Análise e Comentários
1. A Gênese do Casal e a Liberdade Criativa
É fascinante pensar que o romance entre Oscar e André não estava escrito em pedra desde o início. A própria Ikeda confessou que cogitou emparelhar Oscar com o Conde de Fersen até a metade da obra. No entanto, à medida que os traços ganhavam vida no papel, a relação com André floresceu de forma orgânica, guiada pela lealdade inconicional e pelo crescimento mútuo. O amor entre os dois quebrava barreiras sociais intransponíveis: o abismo entre a nobreza e a plebe. Para viver esse sentimento sem destruir a honra de Oscar, André escolheu as sombras, enquanto Oscar aprendeu a corresponder a esse afeto de corpo e alma.
2. A Luta Silenciosa do Japão dos Anos 1970
O impacto de A Rosa de Versalhes se conecta diretamente com o contexto em que foi criado, entre 1972 e 1973. O Japão daquela década vivia sob estruturas sociais rígidas onde os papéis de gênero eram estritamente definidos. As mulheres eram fortemente encorajadas a permanecer no ambiente doméstico, e desafiar essa norma trazia consequências severas. Ikeda não apenas quebrou barreiras criativas como enfrentou reações diretas e hostis da sociedade da época, sofrendo assédio telefônico por ousar desenhar mangás que incentivavam a emancipação feminina.
A criação de Oscar — uma mulher forte, capaz de comandar tropas e lutar de igual para igual com os homens — foi uma resposta direta a essa pressão. A autora provou que as mulheres tinham capacidade total de liderança, embora precisassem enfrentar o custo de se destacar em um ambiente predominantemente masculino.
3. O Fenômeno "Eu Também Quero um André!"
Outro ponto revolucionário da obra é a figura de André. Em uma época em que o machismo estrutural era a norma, a imagem de um homem que apoiava genuinamente o sucesso da parceira, respeitava sua independência e a amava sem egoísmo era quase inédita na cultura pop.
Não é de se espantar que, nos anos 70, as leitoras trabalhadoras enviassem cartas a Ikeda dizendo: "Eu também quero um André!". Ele representava o parceiro ideal: aquele que não temia a força da mulher, mas que a incentivava a ocupar seu espaço no mundo com dignidade e amor.
Conclusão
Mais de cinco décadas após sua criação, A Rosa de Versalhes continua a ser amada por gerações de fãs ao redor do mundo. A genialidade de Riyoko Ikeda foi transformar a turbulência da Revolução Francesa no palco perfeito para discutir a liberdade, a igualdade de gênero e a coragem de ser quem se é. Oscar e André nos lembram que, mesmo nos momentos mais sombrios da história ou da sociedade, o amor genuíno e a busca pela igualdade são as maiores forças de transformação que existem.
Ver Riyoko Ikeda abrir o coração sobre o processo de criação de sua obra-prima nos lembra o porquê de ela ser muito mais do que um clássico dos mangás: A Rosa de Versalhes é um verdadeiro manifesto de coragem.
O que torna os relatos de Ikeda tão impactantes é perceber que a valentia de Oscar François de Jarjayes nas páginas espelhava exatamente a valentia da própria autora na vida real. Enfrentar telefonemas de assédio, pressões sociais e amigos conservadores para defender o direito básico das mulheres de decidirem o próprio destino exigiu dela a mesma garra de uma heroína revolucionária.
Ao transformar o romance entre Oscar e André em um ato sutil, porém poderoso, de resistência, Ikeda não apenas redefiniu a literatura shoujo, mas tocou profundamente o coração de gerações. Ela nos deixou uma lição eterna: seja na Paris de 1789 ou no Japão dos anos 1970, lutar por igualdade, autonomia e por um amor construído com respeito mútuo é um ato revolucionário que nunca perde a validade.
Espero que tenham gostado! Uma ótima semana amigos da Lady Oscar.





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