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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Hoje é O Dia Internacional da Dança! Da Literatura aos Animes o Papel da Dança nas Nossas Histórias Favorita.💃

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem vindos!



 A dança é, talvez, a expressão artística mais intrínseca à experiência humana. Mais do que movimento, ela é linguagem. Hoje, 29 de abril, celebramos o Dia Internacional da Dança, data instituída pela UNESCO em 1982. A escolha não foi ao acaso: é o aniversário de Jean-Georges Noverre (1727–1810), o mestre que revolucionou o balé moderno. Curiosamente, Noverre veio de uma linhagem militar, mas rompeu com a tradição familiar para seguir sua vocação nos palcos — uma escolha que, felizmente, foi respeitada e mudou a história da arte.

Confesso que cheguei a comentar algo breve no Twitter após ver uma postagem do Facebook, mas a vontade de escrever algo mais denso permaneceu. 

"Sinto uma pontinha de melancolia ao observar a dança sem possuir o domínio sobre ela. Na infância, o balé clássico fez parte da minha rotina escolar, mas parei cedo demais. Ficou a admiração por essa arte que, mesmo sem eu saber executar, ainda consegue me emocionar profundamente."

A Valsa dos Desencontros e a Liberdade no Shoujo

Na ficção, porém, eu danço através das minhas heroínas favoritas. Impossível não lembrar do emblemático episódio 25 de A Rosa de Versalhes (Versailles no Bara), "Coração de Mulher: O Minueto do Amor Não Correspondido". É um dos momentos mais potentes da série: Lady Oscar, decidida a confrontar seus sentimentos pelo Conde Fersen, despe-se da farda para vestir, pela única vez, um traje de gala. O minueto no baile, onde ninguém a reconhece mas todos a admiram, é uma metáfora visual belíssima para o desejo e a invisibilidade da alma.




"E, falando em momentos épicos, como esquecer a sequência magistral da animação em que Oscar surge no baile com seu uniforme militar de gala? É uma cena que transborda nobreza e tensão: para proteger a reputação de Maria Antonieta e evitar que ela dance com Hans Axel von Fersen, nossa heroína assume o centro do salão e dança com a Rainha a noite inteira. É um dos meus momentos favoritos no anime, pois sintetiza perfeitamente o papel da Oscar: o escudo que se move com elegância para proteger quem ama. Por toda a sua carga emocional e beleza visual, essa cena não poderia ficar de fora deste post especial."





Mas não podemos esquecer da cena memorável do Live Action da obra. Embora o baile de noivado da Oscar não tenha sido tão grandioso quanto no mangá original, foi a adaptação que mais se aproximou da sequência deliciosa criada por Riyoko Ikeda. Naquele baile de noivado arranjado, Oscar usa a dança como ferramenta de afronta: para desafiar o pai, ela flerta abertamente com as moças e sai deslizando pelo salão com várias delas, subvertendo toda a expectativa social sobre ela.




Essa importância do baile como motor narrativo é um pilar no gênero Shoujo. Em Waltz wa Shiroi Dress de, de Chiho Saito (tema de dois episódios do meu podcast), a valsa não é apenas um evento social, mas o ponto de partida para toda a trama dramática. Em obras de época, o salão era o único espaço onde a proximidade física e a conversa entre jovens eram socialmente aceitáveis. Era ali que se provava a competência, a graça e o status.

A Decepção no Novo Filme Animado (2025)


"Já em relação ao novo filme de A Rosa de Versalhes, confesso que o sentimento foi de uma certa frustração. A tão aguardada cena de Oscar usando seu icônico vestido de baile foi reduzida a um relance fugaz; tudo acontece de forma apressada dentro de um clipe musical, com passagens que parecem um slideshow. É uma pena que um momento de tamanha força narrativa e visual tenha perdido sua grandiosidade em nome da rapidez.

O baile de noivado, infelizmente, foi completamente omitido da trama. Em contrapartida, o que realmente ganha destaque é a sequência do baile de máscaras, momento em que Maria Antonieta e Fersen se conhecem. Ali, o longa aposta alto no aspecto lírico com a canção 'Enchanting Masquerade', que embala uma cena de dança visualmente belíssima, mas que nos deixa com aquele gosto de 'quero mais' em relação aos outros momentos clássicos da obra."




Austen e a Dança como Duelo Social

Se atravessarmos para a literatura de Jane Austen, a dança torna-se um campo de batalha. Em Orgulho e Preconceito, o desdém de Elizabeth por Darcy nasce justamente de uma dança negada sob a justificativa de que ela "não seria bonita o suficiente". Quando finalmente dançam, o movimento parece mais um duelo verbal do que um galanteio. Já em Emma, o giro no salão com Mr. Knightley é o momento em que a protagonista finalmente decifra o próprio coração.

Como bem disse o altivo Mr. Darcy, "todo selvagem sabe dançar". Ele tentava diminuir a prática, mas acabava atestando sua universalidade. Da celebração bíblica de Miriã após a travessia do Mar Vermelho (uma cena poderosa que, infelizmente, a Record optou por omitir em sua adaptação) às festas de colheita, a dança sempre mapeou a alegria e o alívio das sociedades.



O Estigma e a Resistência

Crescer em um ambiente onde a dança era vista como algo inadequado ou "pecaminoso" gera cicatrizes na percepção estética. Por isso, filmes como Footloose (o original) me marcaram tanto na adolescência. Embora não seja uma obra-prima cinematográfica, ele traduzia perfeitamente a repressão que eu conhecia: o medo do corpo e a redução da arte à licenciosidade sexual.

Essa quebra de regras pelo prazer de dançar é o que torna certas cenas imortais. Em E o Vento Levou, Scarlett O’Hara escandaliza a sociedade ao aceitar o convite de Rhett Butler para dançar enquanto ainda vestia o luto. Ela não queria apenas o capitão; ela queria a sensação de deslizar pelo chão. Já em A Noviça Rebelde, a dança entre o Capitão e Maria é de uma singeleza absoluta, um dos momentos mais doces do cinema.



Solidariedade e Subversão nos Salões

Para encerrar, noto paralelos fascinantes entre a transgressão de Oscar — que desafia as normas ao tirar Rosalie para dançar, despertando fascínio e inveja — e cenas de outros clássicos:

  • Utena (Shoujo Kakumei Utena): Quando Anthy é humilhada e tem seu vestido rasgado, Utena improvisa um traje com uma toalha de mesa e as duas dominam o salão, transformando o escárnio em admiração.

  • Candy Candy: A protagonista enfrenta a maldade de Elisa, que lhe entrega um vestido inadequado que acaba se rasgando. Com a ajuda de seus amigos, Candy acaba vestida como uma rainha, momento que culmina no encontro inesquecível com Anthony, seu primeiro amor.

Seja como rito de passagem, transgressão política ou descoberta romântica, a dança continua sendo o nosso modo mais sincero de dizer que estamos vivos.



Encerro este post com uma reflexão pessoal que sempre me acompanhou: para mim, a forma como Oscar desliza pelo salão com Fersen no anime clássico de 1979 guarda uma semelhança poética com a sequência do baile de Cinderela (1950), da Disney. A fluidez dos movimentos e a aura de encantamento me fazem acreditar que houve, sim, uma inspiração direta nesse grande clássico do cinema.

E, pelo visto, não sou a única a notar essa conexão! Deixo abaixo alguns vídeos com cenas memoráveis de dança — tanto de A Rosa de Versalhes quanto de Utena. O primeiro vídeo, inclusive, é uma montagem feita por fãs que sobrepõe a dança de Oscar e Fersen ao áudio original de Cinderela. O resultado é impressionante e confirma que a magia dessas cenas é universal.

Aproveitem esses momentos de pura arte e movimento!





 

Feliz dia da Dança!💃


Daqui a Pouco tem mais!
💃

 


ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 


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Lady Oscar diz..
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