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quinta-feira, 7 de maio de 2026

"Para Além da Limerência: A Anatomia do Amor de André Grandier — Devoção ou Obsessão?"

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam bem vindos!





 Hoje, eu me deparei com uma discussão em um grupo da Lady Oscar italiano do Facebook comentando um artigo no site Al femminile, que discute a chamada limerência, ou seja, estar perdidamente apaixonado ou obcecado por alguém, sem ter certeza da reciprocidade do sentimento. Em resumo, a discussão começou quando uma pessoa disse que André, de  A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら)tem uma espécie de amor obsessivo por Oscar, e mencionou como exemplo para esse artigo.

Eu diria que Oscar experimenta limerência quando se apaixona por Fersen, idealizando-o e sonhando com ele, mas então se depara com o fato de que ele não pode retribuir, mesmo ficando quase chateado quando ela chama André de "meu André". Será que André sente limerência por Oscar? Acho que não. O amor dele é profundo, devotado e incondicional, alimentado pela alegria de estar com ele e cuidar de sua amada, e diante desse amor, até mesmo Oscar não consegue resistir. Houve, sem dúvida, uma paixão inicial, mas ela passou rapidamente, suplantada pela maturidade de um sentimento que nunca se dissipou e que persistiu mesmo sem ser recíproco, pelo menos superficialmente, embora eu sempre tenha tido a convicção de que Oscar sempre amou André, inconscientemente. Porque ele era tudo o que ela precisava... ❤️




O Amor de André: Devoção ou Obsessão?

A análise do sentimento de André Grandier por Oscar François de Jarjayes exige que olhemos além da superfície do "triângulo amoroso" clássico. Quando falamos em limerência, falamos de um estado mental involuntário que beira a obsessão, caracterizado por pensamentos intrusivos e uma necessidade desesperada de reciprocidade. Mas, ao observarmos a trajetória de André, percebemos que o que ele sente não se encaixa nessa caixa estreita e, muitas vezes, angustiante.

1. A Diferença entre Limerência e Devoção

A limerência, como no caso de Oscar por Fersen, é alimentada pela incerteza e pela distância. Oscar cria um ídolo; ela sofre por um homem que representa um ideal de feminilidade e romance que ela foi proibida de viver. Já André não vive de fantasias. Ele conhece Oscar em sua forma mais humana: conhece seu suor, sua fúria, suas fraquezas e sua coragem.

O amor de André é ancorado na realidade. Ele não ama uma imagem de Oscar; ele ama a pessoa com quem dividiu a vida desde a infância. Se fosse apenas uma obsessão, ele teria se quebrado diante da indiferença dela ou se tornado amargo. Em vez disso, ele escolheu ser a sombra que protege, o suporte que não cede.



2. O Episódio do Vinho e a Maturidade do Sentimento

Muitos que defendem a tese da "obsessão" citam momentos de desespero de André (como a polêmica cena do vinho ou o confronto no quarto). No entanto, esses momentos são explosões de uma humanidade sufocada por décadas de silêncio e pela barreira intransponível de classes sociais.

Longe de ser um padrão de comportamento obsessivo, esses episódios marcam a transição da paixão juvenil para a maturidade. André compreende que não pode "possuir" Oscar, mas decide que estar ao lado dela é mais importante do que qualquer validação romântica. O amor incondicional é aquele que sobrevive à ausência de retorno, e André prova isso ao arriscar a vida (e a visão) repetidas vezes por ela, sem exigir nada em troca.


3. Oscar e o Amor Inconsciente

A teoria de que Oscar sempre amou André inconscientemente faz todo o sentido quando analisamos sua reação à perda. Quando ela finalmente "acorda" para os sentimentos de André, não é como se ela estivesse conhecendo um estranho, mas sim como se estivesse admitindo uma verdade que sempre esteve ali, sob a farda.

André era o seu porto seguro, o único lugar onde ela não precisava ser nem o "Coronel" nem a "Dama", mas apenas Oscar. Ele fornecia o equilíbrio emocional que Fersen nunca poderia oferecer. Enquanto a paixão de Oscar por Fersen era um fogo de palha que a queimava, o amor de André era a luz constante que a guiava.



Conclusão

Rotular o sentimento de André como "amor obsessivo" ou "limerência" é ignorar a profundidade do sacrifício e da lealdade. A obsessão consome o outro; a devoção de André, pelo contrário, sustentou Oscar nos momentos mais sombrios da Revolução. No fim, não foi a obsessão que os uniu sob as estrelas, mas a compreensão de que, em um mundo desmoronando, eles eram a única constante um do outro.

André não era um homem obcecado; ele era um homem que compreendeu, muito antes de Oscar, que a alma deles já estava entrelaçada desde o primeiro duelo de espadas na infância.



Portanto, definir André através da lente da obsessão seria simplificar uma das construções afetivas mais ricas da literatura e do anime. Enquanto a limerência é um labirinto de espelhos onde só enxergamos nossos próprios desejos, o amor de André foi uma janela aberta para a liberdade de Oscar. Ele não a amou para possuí-la, mas para que ela pudesse, finalmente, ser ela mesma. No cair das cortinas da história, o que resta não é o rastro de uma mente obcecada, mas a prova de que o amor mais puro é aquele que sabe esperar o tempo do outro, transformando o silêncio de anos no mais profundo e eterno "sim".


Espero que tenham Gostado!
 
 
 

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Lady Oscar diz..
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