Olá, queridos amigos da Lady Oscar, sejam Bem Vindos!
E chegamos à metade de agosto! Hoje, na Itália, é comemorado o Ferragosto, um feriado nacional repleto de tradição onde a Comunidade Italiana de Santo Egídio promove belíssimas ações de solidariedade destinadas a refugiados, sem-teto e idosos. Mas o dia de hoje também guarda o aniversário de uma data histórica monumental, cujos desdobramentos foram imortalizados nas páginas e telas de A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら).
Em 15 de agosto de 1785, há exatos 239 anos, estourava o célebre Escândalo do Colar, um enredo digno de folhetim que envolveu o Cardeal de Rohan, Jeanne de La Motte e seu marido Nicolas de La Motte, o falsificador Retaux de Villette, Mademoiselle d'Oliva e o misterioso Conde de Cagliostro. Aproveitando a data, abro este espaço para comentar como esse episódio na corte de Luís XVI abalou as estruturas da França e moldou a trajetória da Revolução, além de relembrar como tudo isso ecoa no universo de Lady Oscar..
Esse acontecimento fascinante inspirou diversos romances, como O Colar da Rainha, adaptações cinematográficas como O Enigma do Colar (estrelado por Hilary Swank), inúmeros documentários e, é claro, nossa amada sensei Riyoko Ikeda. Em sua obra máxima, Ikeda costura com maestria fatos históricos reais e toques de fantasia. No entanto, a forma como ela tece a trama do colar é tão perfeita que chega a ser difícil separar a realidade da ficção.
O verdadeiro Cardeal de Rohan (Louis René Édouard), nascido em Paris em 25 de setembro de 1734 e falecido em Ettenheim em 16 de fevereiro de 1803, era príncipe de Rohan-Guemenée, bispo de Estrasburgo, político e cardeal católico, pertencendo ao ramo caçula da ilustre Família Rohan, cujas origens remontam aos reis da Bretanha. Na realidade, ele era bem mais charmoso do que o retratado no anime e no mangá. Já a verdadeira Jeanne de Valois-Saint-Rémy, conhecida como Condessa de La Motte (1756–1791), participou ativamente do escândalo, mas estava longe de ser a vilã fria e perversa de Rosa de Versalhes. Na verdade, ela nem amava Nicolas e teve um fim trágico: morreu em Londres, em 23 de agosto de 1791, após cair da janela de seu quarto — seja em uma tentativa desesperada de fugir de seus credores, ou, segundo teorias, assassinada por realistas.
A Coroa, a Rivalidade e a Joia Impossível
A princesa Maria Antônia Josefa Joana de Habsburgo-Lorena, nascida em 2 de novembro de 1755 no Palácio Imperial de Hofburg, ganhou o título de Delfina da França aos 14 anos, em maio de 1770, graças ao seu casamento de razões estritamente políticas com Luís XVI. Entre boatos implacáveis, tensões geopolíticas e revoltas populares, seu reinado culminou na Revolução Francesa e no fim da monarquia. Mas nenhum episódio manchou tanto sua imagem pública quanto o famoso "caso do colar de diamantes".
Tudo começou antes mesmo de Antonieta subir ao trono, durante o reinado de Luís XV. Em 1772, o monarca decidiu presentear sua favorita, a Condessa du Barry, com uma joia sem precedentes. Os joalheiros parisienses Charles Auguste Boehmer e Paul Bassange receberam a missão de criar um colar que superasse todos os outros em beleza e grandiosidade.
O processo de fabricação levou anos e exigiu uma fortuna na busca por diamantes perfeitos. No entanto, antes que a peça estivesse pronta, Luís XV faleceu vítima de varíola, e a Condessa du Barry foi imediatamente banida da corte.
Com uma peça única, caríssima e sem comprador, os joalheiros tentaram oferecê-la à nova rainha. O rei Luís XVI chegou a sugerir a compra a Maria Antonieta em duas ocasiões:
Em 1778, quando a rainha recusou prontamente, argumentando que o dinheiro deveria ser investido em navios para o reino em vez de luxos fúteis.
Em 1781, quando os próprios joalheiros tentaram convencer a soberana como um presente pelo nascimento do herdeiro ao trono, o pequeno Luís José. Novamente, ela recusou.
Muitos historiadores apontam que a recusa de Maria Antonieta estava profundamente ligada à sua inimizade com Madame du Barry, já que a peça havia sido concebida originalmente para a antiga favorita. Como o mangá de Riyoko Ikeda tão bem retrata, a relação entre as duas era insustentável.
A Armadilha de Jeanne de La Motte
A grande confusão ganhou forma quando Jeanne de La Motte, uma condessa caída em desgraça que havia entrado na órbita da corte, tramou um plano mirabolante com a ajuda de seu amante, Rétaux de Villette.
Em março de 1785, Jeanne tornou-se amante do Cardeal de Rohan. Antigo embaixador francês em Viena — figura detestada por Maria Antonieta por ter espalhado boatos maldosos à sua mãe, a Imperatriz Maria Teresa —, Rohan desejava desesperadamente reconquistar o favor da rainha para alcançar o cargo de ministro do rei.
Percebendo essa obsessão, Jeanne convenceu o cardeal de que havia conquistado a amizade íntima de Antonieta e que atuaria como sua intermediária secreta. Acreditando estar agindo sob as ordens da soberana, Rohan passou a financiar os supostos "projetos de caridade" da rainha através de Jeanne. A golpista falsificou cartas apaixonadas e ordens de compra, convencendo o cardeal a adquirir o colar de diamantes em nome de Maria Antonieta, com pagamento parcelado. O golpe estava consumado.
O Estouro do Escândalo
O castelo de cartas desabou na hora do primeiro pagamento. Quando Jeanne apresentou as notas do cardeal aos joalheiros e o dinheiro não cobriu o montante, Boehmer recorreu diretamente à rainha. Maria Antonieta entrou em choque: ela jamais havia comprado ou recebido a joia.
O caso transformou-se em uma bomba política, alimentando panfletos difamatórios e plantando na mente do povo a ideia de que a rainha liderava conspirações e fraudes.
(Fontes de pesquisa: Wikipedia e Aventuras na História)
O Caso do Colar em Lady Oscar: A Rosa de Versalhes
Episódio 22: O Escândalo do Colar — O colar brilha de forma sinistra
Maria Antonieta dá à luz o tão esperado segundo herdeiro da França. O país celebra, e até Lady Oscar e André compartilham da alegria pelo nascimento do principezinho. Buscando mais privacidade para criar os filhos, a rainha decide se mudar para o Petit Trianon, uma decisão que desperta a ira da nobreza, que passa a ter o acesso negado à soberana. Enquanto isso, na Áustria, a Imperatriz Maria Teresa observa o destino da filha com profunda apreensão.
Paralelamente, Jeanne manipula Rohan para que compre a joia em nome da rainha. O Trianon começa a receber as cobranças enfurecidas dos joalheiros, enquanto Oscar e André se envolvem em uma confusão em uma estalagem frequentada por figuras como Robespierre e Bernard.
Episódio 23: O Processo — Habilidoso e Duro
É neste episódio que assistimos ao julgamento de Jeanne, retratada como uma das antagonistas mais marcantes da obra. Pressionada, ela acusa publicamente a rainha de conspiração e chega a inventar boatos caluniosos sobre Oscar e a soberana. A verdade sobre a farsa envolvendo o Cardeal de Rohan e o falsificador é finalmente revelada.
Condenada à prisão perpétua, Jeanne recebe a infame marca de ferro em brasa com a letra "V" (voleuse, ladra). Ela tenta escapar, mas desmaia após a punição. Enquanto isso, Maria Antonieta vê-se cada vez mais isolada, enquanto o povo e setores da nobreza transformam Jeanne em sua heroína distorcida.
Curiosidade: Embora Lady Oscar seja uma personagem fictícia, ela assume no enredo o papel desempenhado por figuras reais na corte, como a Princesa de Lamballe e a Condesse de Polignac, que também eram amigas íntimas da rainha e alvo constante de maledicências sobre supostos romances com a soberana.
O Caso do Colar no Live-Action de 1979
Dirigido pelo aclamado Jacques Demy (Os Guarda-Chuvas do Amor), o filme live-action de Lady Oscar (1979) também retrata este momento crucial. Logo após o nascimento do príncipe da França, vemos Oscar auxiliando a rainha com o bebê, momento em que os joalheiros aparecem para oferecer a famosa joia — oferta que Antonieta prontamente rejeita..
Curiosidade Final
Recentemente, uma réplica impressionante e luxuosa do colar de diamantes de Maria Antonieta foi recriada utilizando cristais Swarovski, trazendo à vida um dos artefatos mais icônicos da história da moda e da monarquia.
Na época em que se passa A Rosa de Versalhes, o Ferragosto ainda não era comemorado nos moldes atuais que conhecemos, mas, se fosse, o fatídico escândalo do colar teria explodido exatamente em meio às festividades da data!
Infelizmente, a belíssima trama do colar criada por Riyoko Ikeda ficou de fora do filme animado de A Rosa de Versalhes (2025). Um dos arcos mais marcantes do mangá acabou sendo totalmente excluído dessa nova animação — para se ter ideia, nem a Jeanne aparece no filme! Para mim, foi um enorme desperdício, pois a narrativa de Ikeda é tão maravilhosa que chega a confundir nossa cabeça de tão bem costurada que é, unindo fatos históricos reais e ficção com perfeição.
Enfim, para fechar este post sobre o Ferragosto e o escândalo do colar, deixo abaixo alguns vídeos que encontrei no YouTube sobre esse caso fascinante!
Espero que tenham gostado desta viagem pela história e pela ficção! Como sou de descendência italiana, aproveito para desejar a todos os amigos e fãs de Lady Oscar um ótimo Ferragosto











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Lady Oscar diz..
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