Olá, Queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!
Hoje é 3 de março e muitos grupos de fãs estão comemorando o aniversário do filme live-action Lady Oscar (1979), dirigido por Jacques Demy (o mesmo diretor do clássico Os Guarda-Chuvas do Amor). Para quem não sabe, este filme foi uma marca histórica: a primeira adaptação cinematográfica de um mangá produzida fora do Japão, tendo sido lançada inclusive alguns meses antes da famosa série em anime.
Para comemorar a data, o portal Yahoo! Japão publicou um texto muito interessante trazendo bastidores da produção e, obviamente, resolvi traduzir e trazer para cá. Vale lembrar que utilizo o Google Tradutor como base para facilitar o trabalho, então pode ser que o texto contenha alguns deslizes, já que não sou fluente em japonês — estou aprendendo o básico no Kumon, que utiliza o método de memorização. Se você for um leitor que domina o idioma e encontrar algum erro, sinta-se à vontade para me avisar nos comentários para que eu possa corrigir.Segue o texto abaixo:
3 de Março: O aniversário de 47 anos da lendária adaptação live-action de "Berubara". Os bastidores das filmagens milagrosas no Palácio de Versalhes contados pelos envolvidos.
Nos anos 70, o Japão viveu o fenômeno social conhecido como o "Boom de Berubara". "Berubara" é a abreviação de "A Rosa de Versalhes" (Versailles no Bara), o mangá original da autoria de Riyoko Ikeda (serializado entre 1972 e 1973), que se tornou um estrondoso sucesso após ser adaptado para o palco pelo Takarazuka Revue em 1974. No entanto, além do anime, uma versão cinematográfica em live-action foi lançada em 1979. Para marcar a data de sua estreia, 3 de março, conversamos com pessoas que vivenciaram a produção na época.
A história se passa na Paris do século XVIII. O elenco principal foca em três figuras: Oscar, a "bela travestida de homem" criada como militar apesar de ser filha de nobres; André, seu servo que cresceu com ela como um irmão; e a rainha Maria Antonieta. Os diálogos foram gravados em inglês, e as legendas em japonês ficaram a cargo da própria autora original, Riyoko Ikeda. O papel de Oscar foi interpretado por Catriona MacColl, uma atriz britânica natural de Londres.
Kazuo Munakata, que fazia parte da equipe da produtora na época, explicou ao nosso site: "Como visávamos um sucesso mundial, decidimos que filmar em inglês seria a melhor escolha".
Munakata passou cerca de um ano vivendo entre os EUA, Inglaterra e França ao lado do produtor do filme, Mataichiro Yamamoto, empenhando-se para realizar o projeto de transformar um mangá japonês em um filme internacional. Ambos nascidos em 1947, da geração baby boomer, Munakata chama Yamamoto de seu "camarada de armas". Curiosamente, 1979 foi o ano em que Yamamoto deu grandes passos como um produtor habilidoso, lançando não apenas "Berubara", mas também o sucesso de animação Ganbare!! Tabuchi-kun!! e o filme The Man Who Stole the Sun, dirigido por Kazuhiko Hasegawa (falecido em janeiro deste ano).
O "Milagre" em Versalhes
Inicialmente, eles negociaram com vários diretores de Hollywood. Munakata revela: "Mostramos a eles materiais que enchiam sete ou oito caixas de papelão, incluindo o mangá traduzido para o inglês, mas, a um ano da data prevista para o lançamento, todos recusaram, dizendo que 'não era possível fazer em tão pouco tempo'". Foi então que escolheram o diretor francês Jacques Demy. Ele era um mestre premiado com a Palma de Ouro em Cannes (1964) por Os Guarda-Chuvas do Amor, estrelado por Catherine Deneuve e com música de Michel Legrand.
Em março de 1978, um ano antes da estreia, Yamamoto e Munakata voaram de Los Angeles para Paris para negociar com Demy, que aceitou o convite. A parceira de Demy, a também diretora Agnès Varda, assumiu a responsabilidade pela gestão da produção. E então, o "milagre" aconteceu. Munakata relembra:
"Tivemos muita sorte de conseguir a autorização para filmar no Palácio de Versalhes quase instantaneamente graças aos dois. Parece que, desde os anos 1930, as autoridades responsáveis nunca haviam emprestado o palácio para filmagens, mas como o responsável na época era um grande fã de Jacques e Agnès, o 'OK' veio de primeira."
As filmagens no palácio duraram oito semanas. Munakata recorda com nostalgia: "Durante esse período, não caiu uma gota de chuva. Toda sexta-feira, do fim da tarde até a noite, fazíamos festas com cerca de 150 a 200 pessoas do elenco e equipe, e todos dançavam ao som da trilha de Os Embalos de Sábado à Noite, que era o grande sucesso da época".
Um Filme Japonês rodado na França
O filme foi concluído. Munakata esclarece: "Não foi uma 'coprodução', mas sim um filme japonês. O custo de produção foi de 750 milhões de ienes (divididos entre Shiseido, Nippon TV e Toho, com 250 milhões cada), e a receita de distribuição chegou a 930 milhões de ienes. Agnès manteve os custos dentro do orçamento e devolveu o capital excedente aos investidores, garantindo que ninguém saísse no prejuízo".
Catriona MacColl, que visitou o Japão para a campanha promocional, também brilhou intensamente. Na época com 24 anos, ela estrelou os comerciais da Shiseido vinculados ao filme. Uma empresa concorrente respondeu escalando outra atriz britânica, Olivia Hussey, com o slogan "Você é mais bela que uma rosa", criando o que ficou conhecido como a "Guerra das Rosas". No entanto, o filme não foi lançado na França; para todos os efeitos, era um "filme japonês" filmado em solo francês.
O Legado e a Questão de Gênero
Outro ponto de destaque foi a trilha sonora assinada pelo mestre Michel Legrand. Takashi Hamada, editor que conviveu com Legrand por muitos anos, comentou: "Para Michel, este foi o seu segundo filme japonês, logo após o live-action de Phoenix (Hi no Tori) de Osamu Tezuka, dirigido por Kon Ichikawa no ano anterior. Foi uma obra pioneira que abriu caminho para outros compositores internacionais no cinema japonês, como Francis Lai em Seijo Densetsu (1985) e Maurice Jarre em Capital Receptacle (1987)".
O título internacional do filme é "LADY OSCAR". Se visto como algo distinto do mangá original, o filme oferece novas descobertas. Munakata aponta: "Para os fãs do original, Oscar tem aquela imagem de uma atriz do Takarazuka em papel masculino (otokoyaku), mas creio que alguns sentiram que a versão do filme era feminina demais". No filme, há uma cena em que Oscar, vestida de homem, fica sozinha em seu quarto diante do espelho, expondo seus seios e confrontando sua própria identidade sexual. Sob a ótica atual, pode-se dizer que foi uma obra que já se aproximava das discussões sobre "gênero".
Munakata, que completará 79 anos no dia 6 de março, conclui emocionado: "Naquela época tínhamos cerca de 30 anos e nunca havíamos feito um filme no exterior, mas conseguimos em um ano o que normalmente levaria dois de preparação". Há 47 anos, no dia do Festival das Meninas (Hina Matsuri), nascia uma "Rosa de Versalhes" diferente da original, fruto da paixão de jovens japoneses.
(Daily Sports / Yorozu~ News • Taisuke Kitamura).
Enfim, O texto do Yahoo! Japão toca em um ponto crucial: a ousadia. Imagine jovens produtores japoneses na década de 70, sem experiência internacional, decidindo que iam filmar em Versalhes com um diretor da Nouvelle Vague francesa. É uma audácia que hoje em dia raramente vemos no cinema de adaptação de mangás.
Embora o roteiro tenha sido escrito por Patricia Louisianna Knop, a Riyoko Ikeda teve uma participação ativa como consultora. Ela não só supervisionou a adaptação para garantir que a essência não se perdesse (mesmo com as mudanças que o Jacques Demy quis fazer), como também, conforme o artigo mencionou, ela mesma escreveu as legendas para o lançamento japonês. Isso mostra o quanto ela abraçou o projeto!
5 Curiosidades de Bastidores (que talvez você ame saber):
A "Invasão" em Versalhes: Como o artigo disse, o acesso foi um milagre. O Palácio de Versalhes é extremamente rigoroso. Dizem que a equipe teve permissão para filmar no Salão dos Espelhos, algo raríssimo na época. Eles tinham que seguir regras estritas, como não tocar nas paredes e usar equipamentos que não danificassem o piso histórico.
O "Quase" Oscar: Sabia que antes da Catriona MacColl ser escalada, muitas atrizes foram cogitadas? Houve até um boato na época de que procuraram atrizes com traços que lembrassem o traço da Ikeda. A escolha da Catriona foi estratégica porque ela tinha uma beleza clássica que funcionava tanto para o lado feminino quanto para o militar da personagem.
A Trilha de Michel Legrand: O texto menciona o Legrand, e a curiosidade é que ele compôs uma trilha muito mais "clássica e barroca" do que a trilha do anime (que é mais voltada para o Pop/Rock dos anos 70/80). Isso dá ao filme uma atmosfera de "drama de época real", distanciando-o da estética de desenho animado.
O Escândalo da Cena do Espelho: Aquela cena mencionada no artigo, onde a Oscar confronta sua feminilidade diante do espelho, foi muito chocante para os fãs japoneses da época. No Japão, a imagem da Oscar é muito ligada ao teatro Takarazuka, onde a "mulher vestida de homem" é uma figura quase divina e intocável. Ver a personagem de forma tão vulnerável e "humana" gerou um debate enorme sobre gênero.
Sucesso no Japão, Esquecimento na França: É irônico, mas apesar de ser filmado na França com diretor francês, o filme passou quase despercebido por lá durante anos. Ele foi feito pelo Japão e para o Japão. Só mais recentemente é que os cinéfilos franceses começaram a redescobrir essa obra como parte da filmografia "cult" do Jacques Demy.
É fascinante como essa visita da Riyoko Ikeda ao set na França foi quase um "encontro de mundos". Imagine a criadora de uma das obras mais icônicas do Japão pisando no verdadeiro Palácio de Versalhes para ver sua criação ganhar vida através das lentes de um mestre francês!
E já que estamos comemorando o aniversário desse filme que eu tanto amo, aqui estão alguns detalhes bem legais sobre essa conexão dela com o filme e o que aconteceu nos bastidores:
1. O Encontro de Riyoko Ikeda com Jacques Demy
Diferente de muitos autores que entregam os direitos e somem, a Ikeda estava super empolgada. Ela viajou para a França durante as filmagens e há registros fotográficos maravilhosos dela ao lado do Jacques Demy e da Catriona MacColl.
A Benção da Autora: Ela ficou impressionada com o rigor histórico das roupas e cenários. Dizem que, ao ver a Catriona caracterizada, ela deu seu "selo de aprovação", embora tenha notado que a interpretação ocidental da Oscar era mais realista e menos "mística" que a do mangá.
A Influência no Roteiro: Riyoko Ikeda teve voz ativa. Embora o roteiro tenha sido escrito por uma americana (Patricia Louisianna Knop), a Ikeda garantiu que os pontos cruciais da Revolução Francesa e o dilema interno da Oscar fossem respeitados. Ela queria que o filme fosse uma ponte cultural.
2. O Desafio da "Oscar Real"
A Ikeda sempre disse que a Oscar era uma figura que transcendia gênero, e no Japão isso é muito estilizado (o estilo Bishounen).
No set, ela discutiu muito com o Demy sobre como transpor isso para uma atriz de carne e osso.
O resultado foi aquela Oscar mais melancólica e humana que vemos no filme, que se distancia um pouco da "heroína invencível" das páginas para se tornar uma mulher sofrendo as pressões de uma sociedade em colapso.
3. Curiosidade: O Figurino "Real"
A Shiseido (que patrocinou o filme, como diz o artigo) investiu pesado. A Ikeda ficou encantada com o fato de que os figurinos não eram apenas "fantasias", mas reproduções fiéis de museu.
O impacto visual: Ver a Oscar em Versalhes, cercada pela arquitetura real que ela desenhou no Japão apenas usando referências de livros, foi um momento emocionante para ela. Dizem que ela comentou que "finalmente a Oscar estava em casa".
4. Por que a "Lady Oscar" é tão divisiva?
Muitos fãs do anime estranham o filme porque ele foca muito mais no triângulo amoroso e na decadência da corte do que nas batalhas épicas.
A trilha do Michel Legrand (que a Ikeda adorava) traz esse tom de "sonho que está prestes a acabar", bem típico do estilo do Jacques Demy. É um filme mais poético e menos "ação".
"A imagem que ilustra o início deste post é o único registro visual do artigo original. Nela, podemos contemplar diversos discos de vinil de 'Berubara', todos estampados com o rosto da atriz Catriona MacColl, a estrela que deu vida à Oscar no live-action de 'A Rosa de Versalhes'. Essa preciosidade foi extraída do livro 'Cinema Enchanté', de autoria de Koichi Yamada e Takashi Hamada (Editora Rittosha)."
Um detalhe legal sobre isso:
Esses discos (os chamados records ou LPs) eram febre no Japão. Como a trilha sonora foi composta pelo mestre Michel Legrand, esses álbuns não eram apenas itens de colecionador para fãs do mangá, mas também peças desejadas por amantes da música de cinema e da cultura francesa.
A presença da Catriona MacColl nas capas ajudou a consolidar a imagem dela como a "Oscar definitiva" para aquela geração de 1979, antes mesmo do design do anime se tornar o padrão que conhecemos hoje.
"Por fim, vida longa ao filme Lady Oscar, que hoje celebra seu 47º aniversário! Sei que muitos fãs ainda debatem sobre a caracterização da Catriona MacColl — dizendo que ela é 'feminina ou baixa demais' em comparação à Oscar do mangá — mas, para mim, sua interpretação traz uma melancolia única, que se funde perfeitamente à poesia visual de Jacques Demy.
Sou verdadeiramente apaixonada por essa adaptação! Guardo com todo carinho a minha edição em DVD, que ganhei de um professor em um amigo secreto; sem dúvida, foi o melhor presente que já recebi em todas as brincadeiras de final de ano. E fiquem ligados: no próximo post, finalmente trarei a resenha completa desse clássico (eu sei, estou devendo há tempos, mas prometo que a espera vai valer a pena!)."Encerro com uma fanart digital de minha autoria, criada especialmente para celebrar o aniversário deste clássico. Além da arte, selecionei algumas cenas marcantes e incluí tanto o trailer original quanto uma versão disponível no YouTube para recordarmos essa obra."
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| Fanart de minha autoria. |
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Espero que tenham gostado!




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Lady Oscar diz..
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