Olá, queridos amigos da Lady Oscar,Sejam Bem Vindos!
Se existe um personagem na História (e no mangá de Riyoko Ikeda) que exemplifica perfeitamente como a ingenuidade e a ambição podem arruinar uma vida, esse alguém é Louis René Édouard de Rohan-Guéméné, o Cardeal de Rohan.
Em Rosa de Versalhes, acompanhamos de perto sua queda retumbante no famoso "Caso do Colar de Diamantes". Mas o quanto do que vemos nas páginas de Riyoko Ikeda realmente aconteceu e o que é pura liberdade criativa?
Vamos colocar as cartas na mesa e separar a ficção da realidade!
Quem foi o Cardeal de Rohan?
Membro de uma das famílias mais nobres e influentes da França, o Cardeal de Rohan tinha praticamente tudo... exceto a simpatia da Rainha Maria Antonieta.
Enquanto servia como embaixador francês em Viena, Rohan ganhou a antipatia da Imperatriz Maria Teresa (mãe de Antonieta) por causa de seu estilo de vida ostentoso, boêmio e cheio de fofocas da corte. A desgraça se consolidou quando Maria Antonieta se tornou rainha da França e passou a ignorá-lo completamente em Versalhes.
Desesperado para recuperar o favor real e alcançar o cobiçado cargo de Primeiro-Ministro, Rohan virou o alvo perfeito para a gananciosa Jeanne de Valois (Condessa de La Motte).
O Golpe do Colar: Como Jeanne o Dobrou
Tanto na obra de Ikeda quanto na vida real, o plano de Jeanne foi de uma genialidade diabólica:
A Falsa Intermediária: Jeanne fez Rohan acreditar que tinha se tornado confidente íntima da rainha.
As Cartas Forjadas: Com a ajuda de seu amante (Rétaux de Villette), Jeanne entregava cartas falsas da rainha a Rohan. As cartas mostravam uma "reconciliação secreta" e pediam que o cardeal agisse em segredo para a coroa.
O Encontro Noturno no Bosque de Vênus: Para selar a farsa, Jeanne contratou uma jovem parecida com a rainha para se encontrar rapidamente com Rohan na escuridão dos jardins de Versalhes, entregando-lhe uma rosa e uma promessa de perdão.
A Compra Exorbitante: Convencido de que servia à rainha, Rohan assinou os papéis de garantia para adquirir o megalomaníaco colar de diamantes (composto por mais de 600 diamantes) feito pelos joalheiros Boehmer e Bassenge. O colar foi entregue a Jeanne para ser "repassado à rainha" — mas acabou desmontado e vendido no mercado negro.
Rosa de Versalhes vs. Realidade Histórica: Fato x Ficção
Riyoko Ikeda é famosa pelo rigor de suas pesquisas, mas como contadora de histórias, ela inseriu elementos dramáticos e fantasiosos para enriquecer a narrativa de seu mangá. Veja as principais diferenças:
1. A Presença de Oscar François de Jarjayes
Na Ficção: A nossa amada Comandante Oscar investiga os passos de Jeanne, desconfia da fraude e tenta alertar a corte. Ela até presencia desdobramentos da conspiração.
Na Realidade: Oscar de Jarjayes não existiu. A investigação real começou apenas quando os joalheiros cobriram a Rainha Maria Antonieta sobre a primeira parcela do pagamento, deixando a monarca completamente chocada.
2. O Drama Familiar entre Jeanne e Rosalie
Na Ficção: Ikeda cria um laço dramático onde Rosalie Lamorlière é meia-irmã de Jeanne de Valois (ambas filhas ilegítimas do nobre Saint-Rémy).
Na Realidade: Rosalie existiu (foi a jovem encarregada de cuidar de Maria Antonieta em seus últimos dias na prisão da Conciergerie), mas não tinha parentesco algum com Jeanne. Esse drama familiar foi inventado por Ikeda para entrelaçar as vidas das protagonistas.
3. A Assinatura do Bilhete Falso
Um Erro Real MANTIDO no Mangá: Nas cartas forjadas por Jeanne e aceitas por Rohan, o falso bilhete estava assinado como "Maria Antonieta de França".
O Fato: Reais franceses nunca assinavam "de França" — a assinatura oficial era apenas "Marie-Antoinette". O Cardeal de Rohan estava tão cego pelo desejo de poder que nem reparou em um erro tão crasso de etiqueta real! Ikeda retrata essa ingenuidade cega com maestria.
4. A Sósia da Rainha (Nicole d'Oliva)
Na Ficção: A cena do encontro no jardim é envolta em um clima denso, quase místico e romântico, destacando a ilusão poética de Rohan.
Na Realidade: A jovem contratada era Nicole Leguay (que usava o nome falso de "Baronesa d'Oliva"). Ela era uma trabalhadora do sexo parisiense recrutada pelo marido de Jeanne por sua incrível semelhança física com a rainha.
O Desfecho: Julgamento e Inocência
Quando o escândalo estourou em 1785, o Rei Luís XVI ficou furioso e mandou prender o Cardeal de Rohan em plena Sala dos Espelhos, vestindo suas vestes sacras.
No entanto, no julgamento público perante o Parlamento de Paris:
Rohan foi absolvido da acusação de roubo e lesa-majestade, pois ficou provado que ele fora apenas um joguete/vítima da quadrilha de Jeanne.
A Imagem da Rainha Ruuiu: Apesar da absolvição legal de Rohan e da condenação brutal de Jeanne, o povo francês — que já odiava a rainha — recusou-se a acreditar na inocência de Maria Antonieta, achando que ela usara Jeanne para se livrar do colar e destruir o cardeal.
Conclusão
O Cardeal de Rohan de Rosa de Versalhes reflete com perfeição o aristocrata histórico: um homem aristocrático, vaidoso e ingênuo, cuja ganância o transformou no bode expiatório do golpe mais infame da monarquia francesa.
Ao misturar a precisão dos fatos históricos com a paixão de seus personagens fictícios (como Oscar e Rosalie), Riyoko Ikeda transformou o Caso do Colar em um dos arcos mais empolgantes e inesquecíveis de toda a história dos mangás!
Espero que tenham gostado!




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