Olá, queridos amigos da Lady Oscar,Sejam Bem Vindos!
Em 19 de agosto de 1743, nascia em Vaucouleurs, na França, Jeanne Bécu. O que começou como a trajetória de uma jovem de origem humilde culminou nos salões dourados de Versalhes como a última grande favorita (maîtresse-en-titre) da monarquia francesa: Madame du Barry.
Amada por Luís XV e temida por muitos na corte, sua figura transcendeu os livros de história ao eternizar-se na cultura pop. Ela é amplamente conhecida como a primeira antagonista de peso no clássico mangá e anime A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら), de Riyoko Ikeda. Infelizmente, no filme animado de 2025, a personagem acabou praticamente restrita a uma breve aparição — o que nos dá a desculpa perfeita para mergulhar de cabeça na dualidade entre a realidade histórica e a ficção.
1. Origens humildes e uma beleza magnética
A vida de Jeanne foi marcada por segredos e superações desde o berço. Filha ilegítima da costureira Anne Bécu, ela nunca conheceu oficialmente seu pai biológico (embora registros históricos apontem frequentemente para o frade Jean-Baptiste Gormand de Vaubernier).
Dotada de uma beleza impressionante — cabelos loiros volumosos e marcantes olhos azuis —, Jeanne cresceu frequentando o Convento de Saint-Aure graças ao apoio financeiro do protetor de sua mãe. Contudo, na adolescência, sua beleza incomum passou a atrair inveja e problemas, fazendo com que ela e a mãe tivessem de buscar o próprio sustento em Paris.
Foi nesse cenário que ela cruzou o caminho de Jean-Baptiste du Barry, um cortesão da alta roda parisiense. Conhecida inicialmente pelo pseudônimo de Mademoiselle Lange, a jovem charmosa e inteligente logo passou a transitar pelos círculos aristocráticos, onde seu carisma natural chamou a atenção de quem faltava: o próprio Rei Luís XV.
2. O conto de fadas e as intrigas em Versalhes
Encantado com a graça de Jeanne, Luís XV quis trazê-la para o coração do poder. Para burlar as rigorosas regras da corte, o rei exigiu que ela se casasse com um membro da nobreza empobrecida. Em 1768, Jeanne uniu-se formalmente a Guillaume du Barry, irmão de seu antigo protetor, ganhando o título de Condessa du Barry e o passe livre para residir no palácio real.
Em Versalhes, ela não era a megera fria e calculista retratada nos animes; ao contrário, era descrita como uma mulher espirituosa, generosa, apaixonada por artes e com uma forte intuição política. No entanto, sua ascensão meteórica enfureceu a nobreza tradicional.
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O choque com Maria Antonieta
A tensão atingiu o ápice em 1770, com a chegada da arquiduquesa austríaca Maria Antonieta, de apenas 14 anos, para se casar com o futuro Luís XVI. A jovem princesa, recém-chegada e apegada ao rígido decoro da corte de Viena, recusava-se a reconhecer a antiga cortesã como favorita do rei.
O famoso voto de silêncio de Maria Antonieta contra Du Barry durou anos, alimentando fofocas e intrigas palacianas que a ficção de Riyoko Ikeda dramatizou brilhantemente. O gelo só foi quebrado no dia de Ano Novo de 1772, quando Antonieta proferiu a célebre frase polêmica: "Há muita gente hoje aqui em Versalhes!", direcionando-se indiretamente à condessa..
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| A rivalidade entre Maria Antonieta e a condessa du Barry no mangá Rosa de Versalhes de Riyoko Ikeda. |
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3. Curiosidades que poucos sabem sobre Du Barry
A protetora das artes: Ao contrário de outras favoritas que buscavam apenas luxo, Madame du Barry foi uma mecenas extraordinária. Ela financiou artistas, arquitetos e ajudou a consolidar o estilo neoclássico na França, sendo uma das maiores incentivadoras da porcelana de Sèvres.
A verdade sobre o famoso colar: O Rei Luís XV encomendou a joia luxuosa diretamente para ela, como um presente para exaltar seu status. Com a morte repentina do rei em 1774 antes que a peça fosse paga, o colar encalhou com os joalheiros e, anos mais tarde, virou o pivô do golpe que destruiu injustamente a reputação de Maria Antonieta.
4. A Queda e o Fim Trágico na Revolução
Com a morte de Luís XV em 1774, o reinado de Du Barry em Versalhes desabou instantaneamente. O novo rei, Luís XVI, e Maria Antonieta ordenaram seu exílio imediato para um convento em Pont-aux-Dames. Anos mais tarde, ela recuperou sua liberdade e passou a viver em sua luxuosa residência, o Castelo de Louveciennes.
Infelizmente, a Revolução Francesa não perdoou seu passado aristocrático. Em 8 de dezembro de 1793, aos 50 anos, Madame du Barry foi condenada à morte sob acusações absurdas (incluindo a de enviar dinheiro para inimigos da República).
Correção Histórica Importante: Diferente de relatos antigos que a pintavam como covarde no cadafalso — dizendo que ela teria implorado por misericórdia ou traído amigos —, historiadores modernos provaram que ela enfrentou a execução com desespero humano legítimo, mas com altivez. Suas últimas palavras reais foram um apelo emocionado ao carrasco: "Um momento, senhor carrasco, só mais um momentinho!" ("Encore un moment, monsieur le bourreau, un petit moment!"). Seu corpo foi lançado em uma vala comum no Cemitério de Madeleine.
Du Barry na Ficção: Do Mangá ao Cinema
Se em A Rosa de Versalhes ela cumpre o papel dramático de primeira grande vilã — protagonizando conspirações clássicas, como a tentativa de incriminar a mãe de Lady Oscar —, a história real nos mostra uma mulher complexa, sobrevivente de um mundo machista e implacável. Essa faceta mais humana e tridimensional pode ser vista recentemente na atuação estelar de Noémie Merlant ao lado de Johnny Depp no filme Jeanne du Barry (2023).
No fim das contas, seja na genialidade dos mangás de Riyoko Ikeda ou nos registros empoeirados dos arquivos franceses, a Condessa du Barry continua a fascinar, provando que sua história é muito maior do que qualquer rótulo de "vilã".
Espero que tenham Gostado! Daqui a Pouco tem mais.
Uma ótima semana para todos vocês, amigos da Lady Oscar.





















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