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Em 8 de junho de 1795, falecia na Torre do Templo o príncipe Luís Carlos de França. Chamado pelos monarquistas de Luís XVII, embora nunca tenha chegado a exercer o poder de fato, ele foi a vítima mais inocente da Revolução Francesa. Filho de Luís XVI e Maria Antonieta, sua vida foi marcada por uma sucessão de tragédias: cresceu vendo seus pais serem guilhotinados e submetido a maus-tratos psicológicos cruéis.
Para quem acompanha o mangá e o anime "A Rosa de Versalhes"(ベルサイユのばら), a figura do pequeno Luís Carlos é sempre envolta em uma aura de melancolia. Ele aparece poucas vezes na obra clássica e quase nada no novo filme animado, mas sua presença, ainda que breve, é um lembrete do custo humano daquela era. Decidi abrir este post hoje — dia em que completamos 231 anos de sua morte — para homenagear o pequeno rei que sofreu sem merecer.
Príncipe Luís Carlos da França: A infância interrompida
O terceiro filho de Luís XVI com Maria Antonieta era, inicialmente, uma criança animada e saudável, bem diferente de seu irmão mais velho, o Delfim Luís José, que sofria de tuberculose óssea (Mal de Pott). Ao nascer, o jovem príncipe tinha tudo para uma vida próspera, recebendo o título de Duque da Normandia. Foi batizado com toda a pompa da monarquia, um contraste absoluto com o destino solitário que o esperava.
Boatos e as "Fake News" da época
A gestação de Maria Antonieta foi cercada de mistérios e boatos cruéis. Dizia-se que o verdadeiro pai seria o aristocrata sueco Hans Axel von Fersen. Maria Antonieta foi uma das maiores vítimas de fake news da história, com panfletos circulando pela França para deslegitimar a monarquia.
Em A Rosa de Versalhes, a autora Ikeda retrata esse drama: a Rainha é acusada de trair o rei com Fersen. No mangá e no novo filme, há cenas intensas onde o Rei Luís XVI chora ao ler cartas que sugerem a ilegitimidade do filho. Embora Antonieta confessasse seu amor por Fersen, não há provas históricas de que tenha traído seu marido fisicamente, mas a calúnia foi um dos fatores que contribuiu para o trágico fim da família real.
Da infância despreocupada ao cárcere
Em Versalhes, Luís Carlos teve os primeiros anos despreocupados, desenvolvendo uma paixão pela jardinagem. Contudo, após a morte de seu irmão mais velho em 1789, ele tornou-se o novo Delfim. O cenário mudou com a Revolução: em 1789 ele deixou Versalhes para o Palácio das Tulherias e, após a frustrada Fuga de Varennes (1791), a família foi aprisionada.
Após a execução de seu pai, Luís XVI, Luís Carlos foi separado de sua mãe em 3 de julho de 1793. A educação do menino foi confiada a Antoine Simon, um sapateiro analfabeto que tinha a tarefa de corromper o menino e fazê-lo depor contra Maria Antonieta no julgamento. O príncipe foi mantido em condições desumanas, sofrendo abusos que levaram a sua morte em 8 de junho de 1795.
Mitos e Realidade: Luís Carlos na "Rosa de Versalhes" vs. História
| Aspecto | No Mangá/Anime (Rosa de Versalhes) | Fatos Históricos |
| Paternidade | Foco dramático na acusação de traição com Fersen. | Não há evidências de traição física; foi uma Fake News política. |
| Personalidade | Aparece pouco, como símbolo de inocência. | Era uma criança dócil, animada e amava jardinagem. |
| A Fuga de Varennes | Momento de tensão extrema. | O evento marcou o fim da monarquia constitucional. |
| Martírio Final | A morte é mencionada de forma melancólica. | Sofrimento de dois anos, isolamento e desnutrição. |
| O Coração de Luís XVII | Não abordado na obra. | A relíquia científica confirma sua identidade. |
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| LOUIS CHARLES junto ao seu irmão mais velho no anime Rosa de Versalhes. |
O Coração de um Rei e os falsos sobreviventes
Philippe-Jean Pelletan, responsável pela autópsia, removeu o coração do menino e o guardou. Após anos de mistério e a aparição de vários "falsos delfins" (como Karl Wilhelm Naundorff e o enigmático Pierre Benoît na Argentina), a ciência deu a palavra final. Em 1975, o coração foi colocado na Basílica de Saint-Denis e, no ano 2000, testes de DNA realizados por especialistas compararam o órgão com amostras de Maria Antonieta, confirmando que o menino morreu, de fato, na Torre do Templo..












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