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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Dois Anos sem Alain Delon #TBT: Entre Zorro, A Tulipa Negra e o Cavaleiro Negro de Versalhes.

 

Olá, queridos amigos da Lady Oscar, Sejam Bem Vindos!



Homenagem ao Eterno Ícone do Cinema

Há dois anos, em 18 de agosto de 2024, o cinema mundial perdia uma de suas maiores lendas: o ator e empresário franco-suíçoAlain Fabien Maurice Marcel Delon  . Demorei a escrever este tributo, mas sinto que é sempre tempo de celebrar a memória desse artista magnético que marcou gerações. 

E como hoje é quinta-feira, dia de #TBT, além de muitas curiosidades, vamos relembrar a carreira de sucesso, incluindo o filme A Tulipa Negra e muito mais! Vem conferir! 🌷✨


Créditos da Imagem : Lady Oscar 40 Anni Elena Romanelle

Um Ícone do Cinema:

Conhecido por sua beleza impressionante e atuações intensas, Delon construiu uma carreira com mais de cem filmes, tornando-se o rosto definitivo do cinema europeu nas décadas de 1950 a 1970. Embora Hollywood nunca tenha conseguido capturar totalmente sua essência, ele recebeu a Palma de Ouro Honorária no Festival de Cannes em 2019.

 Antes de se tornar um ícone das telonas, Alain Delon teve uma infância bastante conturbada e chegou a servir na Marinha Francesa durante a Guerra da Indochina antes de ser descoberto em festivais de cinema devido à sua aparência magnética incomparável. 


 

A Confusão nas Redes Sociais: Delon é o Live-Action de "La Seine no Hoshi"?

Pois bem, com a morte de Delon, alguns posts começaram a surgir na rede social X (antigo Twitter) com a imagem do filme O Tulipa Negra, e muitos me enviaram mensagens perguntando se o longa protagonizado por Alain Delon seria uma espécie de live-action do anime La Seine no Hoshi (A Estrela do Sena), também conhecida na Europa como Tulipano Nero (Tulipa Negra).

Também me perguntaram por qual motivo o protagonista era um homem e não uma mulher, já que a estrela da animação é uma jovem mascarada. Pessoal, já fiz um post sobre o assunto e a resposta é: não. O filme protagonizado por Delon não é um live-action de La Seine no Hoshi. Na verdade, não há nenhuma ligação entre eles, a não ser o fato de o personagem ser semelhante ao Cavaleiro Negro criado por Riyoko Ikeda e também ao próprio Tulipa Negra, pois ambos beberam da mesma fonte de inspiração nas obras de Alexandre Dumas.


 


O Verdadeiro Livro de Alexandre Dumas: "A Tulipa Negra"

Conforme já mencionado, a trama deste clássico do cinema apenas empresta o título de um romance de Alexandre Dumas, embora guarde semelhanças temáticas com O Pimpinela Escarlate de Emma Orczy — obra ambientada na Revolução Francesa, com a diferença de que o mascarado luta a favor dos pobres, como Robin Hood, e não para defender os aristocratas, embora sua estética visual se aproxime do Zorro. Para quem não sabe, O Pimpinela Escarlate é um romance histórico e de aventura publicado originalmente em 1905, contando a história de vinte nobres ingleses, liderados por Percy Blakeney, que salvavam nobres franceses da guilhotina durante a Fase do Terror.

Já o livro A Tulipa Negra, escrito por Alexandre Dumas e publicado originalmente em três volumes em 1850 sob o título La Tulipe noire (pela Baudry, em Paris), conta uma história que se passa no ano de 1672 sobre o botânico Cornélio Van Baerle e a bonita Rosa..



O Enredo da Obra Literária

A cidade de Haarlem, nos Países Baixos, abre um concurso oferecendo um prêmio de 100.000 moedas de ouro para o cientista que conseguir produzir uma tulipa negra. Isso gera uma competição acirrada entre os melhores botânicos do país. O jovem burguês Cornélio Van Baerle quase consegue o feito, mas é de repente jogado na prisão. Lá, ele conhece a bonita Rosa, filha do carcereiro, que se torna seu conforto, sua ajuda e, no final, sua salvação.

O livro não é somente uma excitante novela de um período dramático, mas também uma bela história de amor. O protagonista é injustiçado por questões políticas quando seu vizinho e concorrente, Isaac Boxtel, decide investigá-lo ao descobrir sua relação com o odiado e perseguido Cornélio de Witt. A inveja de um homem que deseja os brotos da tulipa negra conduz o enredo à tensão entre o prisioneiro e seus inimigos, fazendo com que a obra se assemelhe, nesse ponto, a O Conde de Monte Cristo, outra obra mítica do autor.



Homenagem à Lenda: Quem foi Alain Delon?

Antes de comentar profundamente sobre o filme, vamos falar um pouco do ator que deu vida ao Tulipa Negra, afinal, a principal razão de eu abrir este espaço é prestar minha homenagem a ele.

Alain Delon foi um ator, produtor, roteirista, cantor e empresário francês falecido em 18 de agosto de 2024, aos 88 anos. Ele é considerado uma verdadeira lenda viva do cinema europeu, com uma carreira marcada por mais de cem filmes.

  • Carreira: Começou a trabalhar como ator na década de 1950 e rapidamente se tornou um ícone incontestável do cinema europeu. Ficou eternizado por papéis magistrais em obras-primas como O Sol por Testemunha, Rocco e Seus Irmãos e O Leopardo. Recebeu a Palma de Ouro Honorária no Festival de Cannes em 2019 por sua longa e distinta trajetória. Apesar de todo o sucesso estrondoso na Europa, ele nunca buscou ativamente ou alcançou o mesmo nível de fama em Hollywood.

  • Vida Pessoal: Nasceu em 8 de novembro de 1935, em Sceaux, França. Teve uma infância conturbada marcada pelo divórcio dos pais e dificuldades escolares. Casou-se duas vezes, com Nathalie Delon e Rosalie van Bremen, tendo quatro filhos. Nos últimos anos, sua saúde se deteriorou após sofrer um AVC em 2019, período em que chegou a manifestar o desejo pelo suicídio assistido. Sua família protagonizou conflitos públicos sobre a disputa de herança e seus cuidados médicos, mas ele acabou falecendo pacificamente em sua casa em Douchy, cercado pelo afeto dos seus em 18 de agosto de 2024.



O Filme: "A Tulipa Negra" (1964)

O filme protagonizado por Alain Delon, embora carregue o nome do romance de Dumas, segue uma direção totalmente diferente no roteiro.

  • A Tulipa Negra (La Tulipe Noire) é uma coprodução franco-hitaliano-espanhola de 1964 dirigida por Christian-Jaque. É uma aventura eletrizante com fortes elementos de romance e ação de capa e espada.

  • A História: O enredo se passa em 1789, no alvorecer da Revolução Francesa. Alain Delon interpreta Guillaume de Saint-Preux, um nobre audacioso que, sob a identidade secreta do mascarado "Tulipa Negra", protege os habitantes de Roussillon da opressão aristocrática. Quando Guillaume é ferido no rosto, seu irmão gêmeo covarde e pacato, Julian, é forçado a assumir seu lugar como Tulipa Negra, contando com o apoio fulcral de Rosa, a filha do carcereiro.

  • Curiosidades de Produção: O longa foi inteiramente filmado em locações na Espanha, utilizando cenários reais de palácios e cidades antigas. A trilha sonora é vibrante e contribui imensamente para o clima de capa e espada. Embora tenha sido um enorme sucesso de público e crítica, curiosamente foi lançado no mesmo ano que outro grande sucesso do gênero estrelado por Jean-Paul Belmondo. Anos mais tarde, em 1975, Delon voltaria a vestir uma máscara para interpretar um personagem muito semelhante em Zorro, também dirigido por Christian-Jaque.




"La Seine no Hoshi" (A Estrela do Sena) vs. "Rosa de Versalhes"

Portanto, o filme de Delon não é um live-action de La Seine no Hoshi (La Stella della Senna / Tulipano Nero), e ninguém colocou um homem para interpretar a mocinha Simone, como alguns acreditavam erroneamente. Vamos agora analisar os dois animes focados na Revolução Francesa com justiceiros mascarados que buscaram inspiração no Zorro e em Alexandre Dumas. Adianto que La Seine no Hoshi bebeu muito da atmosfera histórica de Rosa de Versalhes.



La Seine no Hoshi (1975)

Muitos acreditam que a animação La Seine no Hoshi foi inspirada no filme A Tulipa Negra simplesmente porque na Itália ela foi comercializada sob o título Il Tulipano Nero. Contudo, a protagonista mascarada não tem relação com o filme de Delon. Na época do auge do mangá Versailles no Bara (Rosa de Versalhes ou Lady Oscar), escrito por Riyoko Ikeda nos anos 1970, havia uma pressão gigantesca do público para uma adaptação em anime. No entanto, Ikeda recusava veementemente a ideia na época, pois não queria ver sua obra adaptada para a televisão naquele formato (o anime oficial só viria mais tarde, em 1979).

Sem permissão para adaptar o sucesso de Ikeda, a Sunrise se uniu à Fuji TV e criou sua própria série animada com uma justiceira mascarada que usava um body (collant) e vivia acontecimentos históricos inspirados na atmosfera de Rosa de Versalhes. Lançada no Japão em 1975, a série teve roteiro de Mitsuro Kaneko, direção do lendário Yoshiyuki Tomino (criador de Gundam) e trilha sonora de Shunsuke Kikuchi. É uma aventura clássica de capa e espada, muito popular na época, embora seja considerada bem mais infantil e menos realista do que Rosa de Versalhes.

  • O Enredo de Simone: A protagonista é Simone Lorène, nascida em Paris em uma noite de inverno, sendo a única filha ilegítima de uma cantora de ópera e do duque de Lorena (pai de Maria Antonieta), que estava em missão diplomática. Sem poder criá-la devido ao casamento com a Imperatriz Maria Teresa da Áustria, o duque a confia ao Conde de Vaudreuil, que por sua vez a entrega ao modesto florista Paul Lorène e sua esposa para criá-la longe da corrupção da corte. Após perder os pais adotivos pelas mãos de assassinos de Madame Catherine, Simone é adotada pelo conde e enviada ao Convento de Panthémont, onde aprende esgrima secretamente à noite.

  • Mais tarde, amparada por conselhos do próprio Tulipa Negra (que lhe entrega o famoso collant azul, a máscara vermelha, o manto e a espada), ela assume a identidade da heroína mascarada Estrela do Sena para lutar por justiça. No desfecho, após a queda da monarquia, ela ajuda a proteger os filhos de Maria Antonieta antes de deixar a França para construir uma nova vida longe da turbulência revolucionária.

Rosa de Versalhes (Lady Oscar)

Em contrapartida, Rosa de Versalhes é uma obra infinitamente mais profunda, dramática e realista. A história se passa na França antes e durante a Revolução. Riyoko Ikeda pretendia inicialmente focar na jovem arquiduquesa Maria Antonieta, mas o eixo central logo mudou para a figura inesquecível de Oscar François de Jarjayes. Desesperado por não ter gerado um herdeiro homem após seis filhas, o General Jarjayes decide criar a caçula como um homem, treinando-la rigorosamente na esgrima, equitação e táticas militares. Oscar treina e duela frequentemente com seu leal amigo, companheiro e servo André Grandier, neto de sua governanta, com quem compartilha uma amizade profunda que, perto do trágico fim, desabrocha em um amor mútuo arrebatador.

Oscar não usa máscara e não tem parentesco secreto com a rainha. A narrativa mescla personagens fictícios com figuras históricas reais como Madame du Barry, o Conde de Fersen e Maria Antonieta. Aos 14 anos, Oscar assume o comando da Guarda Real para proteger a soberana, mas passa a sofrer com a tomada de consciência sobre a miséria do povo francês. O mangá e o anime clássico encerram-se de forma devastadora com a execução de Maria Antonieta na guilhotina e o linchamento de Fersen pela multidão.

Fanart de Minha Autoria.

O Cavaleiro Negro de "Rosa de Versalhes"

Embora A Estrela no Sena e Rosa de Versalhes não tenham nenhuma ligação direta com o filme A Tulipa Negra de 1964, o icônico Cavaleiro Negro presente na obra de Riyoko Ikeda lembra demais o herói interpretado por Alain Delon. Ambos atuam mascarados como defensores dos oprimidos e dos necessitados. Será que Ikeda se inspirou no filme de Delon ao criar o Cavaleiro Negro? Pode ser que sim, pode ser que não, mas uma coisa é irrefutável: ambos carregam o DNA misto do Zorro e de Robin Hood, roubando dos ricos para entregar aos pobres.






Conclusão

Tulipano Nero foi o título que La Seine no Hoshi recebeu na Itália. Embora exista um personagem com esse nome na série, ele não tem absolutamente nada a ver com o filme estrelado por Alain Delon, que infelizmente nos deixou no último dia 18 de agosto. O anime da Estrela do Sena não é ruim, mas nem de longe alcançou o impacto cultural e o sucesso estrondoso de Rosa de Versalhes. A obra de Riyoko Ikeda foi um dos mangás mais influentes dos anos 1970 — e continua sendo até hoje —, gerando adaptações consagradas para os musicais da Takarazuka Revue e um filme live-action em 1979.

Tivemos recentemente uma nova adaptação animada de Rosa de Versalhes na forma de um filme comemorativo produzido pelo Estúdio Mappa. No entanto, infelizmente, o Cavaleiro Negro ficou totalmente de fora dessa animação, o que resultou em uma mudança ruim na forma como André Grandier perde a visão na trama. O Cavaleiro Negro é extremamente importante para a narrativa e para o desenvolvimento da história, e a sua exclusão (junto com o escanteamento do jornalista revolucionário Bernard Chatelet, futuro marido de Rosalie, que faz apenas uma aparição rápida e sem o devido destaque ao alter-ego mascarado) me desagradou profundamente.

O filme novo está disponível nas plataformas para quem quiser conferir; ele é esteticamente bonito e musical, mas eu ainda continuo preferindo o anime clássico de Lady Oscar de 1979. Embora muitos possam me criticar por isso, essa é a minha opinião sincera de fã! 









Espero que tenham gostado! Daqui a pouco tem mais!


ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 









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Lady Oscar diz..
Olá,meus queridos amigos, Obrigada por sua visita.
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