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sábado, 10 de janeiro de 2026

Uma Rosa Para Simone: Comentando o primeiro episódio do anime A Estrela do Sena (La Seine no Hoshi) 1975.

Olá, queridos amigos da Lady Oscar,Sejam Bem Vindos!

 



Ontem, o canal italiano Italia 1 celebrou um marco especial: os 42 anos da estreia de A Estrela do Sena (La Seine no Hoshi). Conhecida na Itália como Il Tulipano Nero, essa animação não é apenas um clássico da aventura, mas o resultado de uma curiosa estratégia de bastidores que envolve outro gigante dos animes.

Como mencionei no post anterior, este título bebe diretamente da fonte histórica de A Rosa de Versalhes. Em 1974, enquanto a obra de Riyoko Ikeda era um fenômeno absoluto, a autora ainda resistia em ceder os direitos para uma adaptação televisiva. Foi nesse cenário que a Sunrise e a Fuji TV viram uma oportunidade de ouro.

Para preencher o enorme desejo do público pela temática da Revolução Francesa, elas criaram sua própria heroína. No lugar do drama denso de Lady Oscar, A Estrela do Sena entregou uma narrativa vibrante de "capa e espada", gênero que era febre entre os anos 70 e 80. O anime de Ikeda só chegaria às telas em 1979, mas, a essa altura, a "Estrela" já havia conquistado seu próprio brilho.

Embalado pelo aniversário da estreia italiana, decidi mergulhar nessa nostalgia e resenhar cada episódio aqui no blog. Estou assistindo à versão com áudio em italiano (e legendas em português), o que torna a experiência ainda mais afetiva. Como meu avô é natural de Polignano a Mare, o idioma me é muito familiar, transformando essa maratona em uma verdadeira conexão com minhas raízes.

 Se você é apaixonado pelo clima dramático da Revolução Francesa e cresceu admirando a elegância de A Rosa de Versalhes, precisa abrir um espaço sagrado no seu coração para La Seine no Hoshi (conhecida como Il Tulipano Nero na Itália). Hoje, vamos mergulhar no primeiro episódio desta obra-prima de 1975, um capítulo que não apenas estabelece uma heroína inesquecível, mas que carrega em seu DNA a essência de Lady Oscar. Pois bem, vamos a resenha episódio 1 Uma Rosa Para Simone.



Paris em Chamas: O Cenário da Injustiça


O episódio de estreia nos apresenta à jovem Simone Lorène, uma florista vibrante cujo otimismo contrasta drasticamente com uma Paris à beira do colapso. A direção de arte é primorosa ao estabelecer esse cenário: a beleza das flores de Simone parece ser o único vestígio de cor em uma cidade mergulhada em tons cinzentos e opressão.

O choque social é o motor da narrativa. De um lado, vemos uma nobreza que esbanja em banquetes nababescos; do outro, um povo que amarga a fome e o desespero. Embora Simone leve uma vida aparentemente comum ao lado de seus pais adotivos, a narrativa deixa pistas claras de que seu destino é muito maior.

Sob a fachada da florista gentil, o primeiro episódio planta as sementes da justiça que, em breve, florescerão na figura da heroína que todos conhecemos. É o começo calmo de uma tempestade revolucionária.



No entanto, o encanto inicial da série logo dá lugar a uma atmosfera sombria. A narrativa não hesita em nos confrontar com a crueldade gratuita da época, personificada na figura do arrogante Barão Jeroule. Em uma demonstração de puro sadismo, ele destrói o circo local — o único refúgio de alegria que restava à população faminta — por mero capricho.

A cena é visceral e dolorosa: o dono do circo, um homem humilde que apenas tentava sobreviver, é tratado como lixo sob as botas da aristocracia. Essa injustiça escancarada serve como um divisor de águas; ela retira o véu de "aventura leve" e prepara o espectador para a revolta que ferve sob a superfície. É impossível assistir a esse momento sem sentir a indignação que, em breve, moverá Simone e todo o povo de Paris.


⛓️ O Sacrifício de Mirand: O Peso da Prisão

A tensão atinge seu ápice quando a indignação transborda em Mirand, o melhor amigo de Simone. Ele surge como a personificação do espírito revolucionário: a voz daqueles que já não suportam calados o peso da opressão. Ao tentar intervir contra a covardia de Jeroule e defender um pobre homem, Mirand é prontamente silenciado, preso .


Nesse momento, o episódio encontra seu verdadeiro ponto de virada emocional. O desespero de Simone, ao ver seu amigo de Infância ser levado pela tirania, é palpável e doloroso. É aqui que o anime nos entrega uma lição amarga, mas necessária: a bondade pura de Simone, por mais luminosa que seja, é impotente contra o aço das espadas da guarda real.

Fica evidente que a justiça não virá de súplicas ou de flores. O mundo de Simone está mudando, e ela começa a perceber que, para enfrentar monstros, precisará de algo muito mais forte do que a esperança.




🎭 A Aparição do Tulipa Negra: O Eco de Lady Oscar

É justamente no momento de maior escuridão que surge a figura lendária do Tulipa Negra (Il Tulipano Nero). Sua entrada é puramente cinematográfica: ele interrompe a tirania dos soldados com a precisão de um raio, trazendo um sopro de esperança ao cenário desolador.

Para os fãs de A Rosa de Versalhes, a conexão é instantânea e de arrepiar. O Tulipa Negra é visivelmente inspirado no Cavaleiro Negro de Lady Oscar. Desde a máscara que oculta sua identidade até o seu papel como o justiceiro das sombras que desafia a nobreza para proteger os desamparados, a homenagem ao universo de Riyoko Ikeda é clara e reverente.



Como mencionei, A Estrela do Sena foi criada para capitalizar o sucesso estrondoso de Rosa de Versalhes, que na época ainda não possuía uma versão animada. O resultado é uma "série irmã", que compartilha a mesma alma política e o design elegante característico do shojo histórico. Longe de ser uma cópia inferior, a obra é um exercício fascinante de adaptação de arquétipos:

  • Simone surge como uma versão mais feminina e delicada da força de Oscar.

  • Mirand, o amigo de infância, carrega nitidamente o DNA de lealdade de André Grandier.

  • O Tulipa Negra, apesar dos trajes de mosqueteiro, evoca a aura misteriosa do Cavaleiro Negro.

Até mesmo Maria Antonieta, que faz uma breve aparição, impressiona. Achei esta versão da Rainha belíssima, mantendo uma semelhança notável com a Antonieta que aprendemos a amar  na obra de Ikeda. São dois mundos que se tocam, proporcionando uma experiência rica para quem aprecia o contexto histórico da Revolução Francesa.



Este primeiro capítulo é perfeito porque não nos entrega apenas ação; ele nos entrega um propósito. Vemos o nascimento de uma lenda por meio da dor. Simone testemunha a prisão de seu amigo e a destruição de inocentes, e é essa dor que a preparará para deixar de ser apenas uma florista e se tornar a Estrela de Sena.

A trilha sonora épica, o tinir das espadas e o mistério sobre quem está por trás da máscara do Tulipa Negra criam uma atmosfera que prende o leitor do início ao fim. É um grito de liberdade que ainda ecoa nos corações de quem ama a animação clássica.


No próximo post, vamos continiuar  resenhando A Estrela do Sena e descobrir os segredos que o Conde de Vaudreuil esconde sobre a origem de Simone. Você não pode perder! Abaixo o vídeo com o primeiro episódio em Italiano.




Espero que tenham gostado!


ady Oscar diz... Obrigada por sua visita! Volte sempre que quiser.

 


 

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Lady Oscar diz..
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